![]() |
| FOTO/MONTAGEM: GUARDIÃOS DA IGREJA SJB. AUTOR: CUCUNACA, 2025. |
Por: Mauro Bechman*
Durante cerca de um ano e meio, servi a Santa Igreja Católica na Zona Norte de Manaus, a Comunidade São João Batista integrante da Área Missionária São Paulo Apóstolo. O serviço consistia em ser o financeiro da comunidade. Com a saída de um integrante do setor administrativo, findei por assumir mais este serviço, acumulando estas duas funções.
Como administrativo da Comunidade, o serviço de alimentação dos animais, cuidados e reparos com os prédios, a Igreja, o estacionamento e o Centro Pastoral. Nesse convívio de cerca de um ano e seis meses, o contato e o aprendizado sobre a Natureza e a Casa Comum.
Na comunidade há dois cãezinhos ou melhor, duas cachorrinhas da raça caramelo, são mãe e filha. Nas ações para melhorar sua imunidade precisamos melhorar a alimentação com a ração, o que foi bem aceita pelas duas. São duas guardiãs da Igreja e com todos os comunitários são um verdadeiro, um amor da criação divina.
Durante a noite, como a comunidade fica próxima a uma área verde e como a umidade é forte durante a noite, aparecem alguns visitantes: são os sapos, os famosos Cururus (Rhinella Marina).
Para meu assombro (não conhecia nada sobre sapos) eles pelo tamanho e forma, me pareciam assustadores. Á primeira vista, tentava espantar eles para que não chegassem perto das cachorrinhas. Depois vendo alguns vídeos na internet, descobri o quão eram importantes para aquele ecossistema.
Os Sapos Cururus se alimentavam de pequenos lagartos, moscas, mosquitos, carapanãs, escorpiões e cobras, mantendo assim a área da igreja e do Centro Pastoral livres destas ameaças visto que especialmente no Centro Pastoral crianças, adolescente e jovens frequentam a Catequese todas as semanas.
Com o tempo, aprendi a não mexer com os Cururus e observava também que mesmo as cachorrinhas caramelo não se incomodavam com a presença deles.
Certa noite, fazendo a rotina de monitorar o Centro Pastoral da Igreja, vimos uma cena curiosa, os Cururus pertinho das cachorrinhas e sem avançar sobre suas vasilhas de ração.
Neste momento, vi o quanto Deus é maravilhoso em sua criação e suas criaturas. Duas espécies diferentes, uma domesticada e outra selvagem partilhando do mesmo espaço sem se verem como invasoras, presas ou predadoras.
Hoje, não faço mais este serviço pois o tempo de gestão já foi concluído. Mas, o que ficou foi o aprendizado sobre cães e Sapos.
Às nossas guardiãs e guardiões da Comunidade, por isso, não agridam eles, especialmente os sapos Cururus, pois eles tem muita importância para o equilíbrio dos ecossistemas e em nosso caso, a segurança dos humanos que ali frequentam, ou seja, a Nossa Casa Comum.
Gratidão ás Guardiãs e Guardiãos de São João Batista!
____________
*Agente da Pastoral do Batismo da Comunidade São João Batista AMSPA. Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM (1909).













































