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sábado, 13 de novembro de 2021

50 MAIS 1: "NO AMOR, SOFRE MAIS QUEM..."

 

FOTO: PROF.ME.BECHMAN.
AUTOR: CUCUCANA, 2021.

Por: Mauro Bechman*


A  vida não é somente composta por flores ou vitórias. Há mutos momentos de dificuldade até sofrimento.

Certa vez, sofri muito com um rompimento amoroso. São coisas que não estão sob nosso controle e talvez por isso, esta idéia de que um casal de enamorados tem igual quantidade de sentimentos um para com outro parece mais com um ponto fora da curva que a linearidade infinita de uma reta.

Não conseguia afastar a tristeza pelo rompimento e a decepção parecia não ter fim. Como uma rocha, cumpria minha rotina cotidianamente: casa, trabalho, trabalho casa...por dentro, eu em frangalhos me arrastava pelo deserto do coração.

Numa destas rotinas, pedi um táxi para ir ao trabalho de uma companhia próxima a minha casa na zona leste de Manaus. E um taxista, magro, moreno usando óculos me atendeu me conduzindo ao trabalho. E, ao longo do trajeto, falei a ele sobre relacionamentos que parecem sólidos, cúmplices e duradouros, mas, que diante de crises mais fortes, desaparecem no ar.

O senhor taxista, após ouvir minhas narrativas, claro, falei apenas que eram pessoas conhecidas minhas de colégio para manter meu anonimato, enquanto dirigia, fazendo uma curva disse-me: "É, no amor, sofre mais quem ama mais, sofre menos quem ama menos". A frase ficou reverberando no meu pensamento e com o tempo, passei  reconhecer que a  métrica do amor nem sempre é perfeita, ou seja, as pessoas amam de forma e intensidade diferentes.

Chegamos ao destino, paguei a corrida, agradeci pela condução e fui consciente que é preciso seguir em frente.


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

SAINDO PELAS RUAS DE MANAUS


FOTO: ARTE-TELHA, SUMIDADE.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*

E de repente da sala fechada, o velho monstro desperta de um coração jovem na idade da lucidez. O boicote dos tolos diante do brilho da estrela semi nova que estréia contra a escuridão e a sujeira das ruas.

Num estrondoso grunido, a fera de barbas sai do tempo/espaço atirando lixeiras no asfalto enquanto atônitos os guardas da cachoeirinha recuam atemorizados com suas fardas alinhadas e insgnias brilhantes. 

O Monstro coração anda com suas calças surradas pelas lutas do dia a dia apedreja a Drogaria que vende drogas e sem perceber apaixona a morena dos cabelos lisos e longos que tudo observa da janela do terceiro andar do velho condomínio dos imigrantes. Em músculos invade a padaria Santa Cecília e distribui aos falidos do sistema internacional pães e brioches e as crianças da Vila Mamão aderem ao coração insurgente, com seus patinetes de madeira e tamancos de lata seguem em uma multidão sem fim, o quase herói da cidade morena.

A velha cidade decadente com seus cabelos raros e grisalhos azulados vê seus dias de oligarca chegarem ao fim.

E, sobre as ruínas do Vivaldo Lima, o coração feroz convoca os deserdados da urbe caótica.

E ele segue pelas avenidas colonizadas ousando destruir tudo que não seja a tradução da vida. Já seguido por milhões de crianças aos olhos dos bons avós, o coração razão, vai distribuindo gratitude em forma de frutas-pães ao sorriso contemplativo de Naruna e da flauta de Jurupari. 

E assim, se demole a escravidão e se ergue a cidade cosmopolita dos Barés, morena, quente, mãe dos Deuses.


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.