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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

SAINDO PELAS RUAS DE MANAUS


FOTO: ARTE-TELHA, SUMIDADE.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*

E de repente da sala fechada, o velho monstro desperta de um coração jovem na idade da lucidez. O boicote dos tolos diante do brilho da estrela semi nova que estréia contra a escuridão e a sujeira das ruas.

Num estrondoso grunido, a fera de barbas sai do tempo/espaço atirando lixeiras no asfalto enquanto atônitos os guardas da cachoeirinha recuam atemorizados com suas fardas alinhadas e insgnias brilhantes. 

O Monstro coração anda com suas calças surradas pelas lutas do dia a dia apedreja a Drogaria que vende drogas e sem perceber apaixona a morena dos cabelos lisos e longos que tudo observa da janela do terceiro andar do velho condomínio dos imigrantes. Em músculos invade a padaria Santa Cecília e distribui aos falidos do sistema internacional pães e brioches e as crianças da Vila Mamão aderem ao coração insurgente, com seus patinetes de madeira e tamancos de lata seguem em uma multidão sem fim, o quase herói da cidade morena.

A velha cidade decadente com seus cabelos raros e grisalhos azulados vê seus dias de oligarca chegarem ao fim.

E, sobre as ruínas do Vivaldo Lima, o coração feroz convoca os deserdados da urbe caótica.

E ele segue pelas avenidas colonizadas ousando destruir tudo que não seja a tradução da vida. Já seguido por milhões de crianças aos olhos dos bons avós, o coração razão, vai distribuindo gratitude em forma de frutas-pães ao sorriso contemplativo de Naruna e da flauta de Jurupari. 

E assim, se demole a escravidão e se ergue a cidade cosmopolita dos Barés, morena, quente, mãe dos Deuses.


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.

terça-feira, 25 de junho de 2013

"REVOLUÇÃO HASHTAG #"

FOTO: TELEFONE CELULAR. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

Analisando os últimos acontecimentos que levaram importantes parcelas da população brasileira ás ruas nos últimos dias e no diálogo com os "rostos" presentes nas manifestações, nos desafiamos a colocar á discussão alguns pontos para uma "pretensiosa" interpretação do cenário atual.

Nosso ponto de partida basilar é o significado do poder de mobilização das chamadas "redes sociais", algo que vem se materializando desde as manifestações que sacudiram alguns países africanos e árabes episódio errôneamente divulgado como "Primavera árabe" em alusão á "Primavera dos Povos" ocorrida no inicio do século XX na Europa ocidental e até os Estados Unidos com a campanha "Ocupem Wall Street". Contudo, há que se ressaltar, a agilidade no processo de comunicação e mobilização potencializada por este canal, mesmo em se tratando, de um instrumento privado e não público, como as redes sociais.

FOTO: MANIFESTANTE EM MANAUS. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.
A agilidade com que a mobilização se materializa, obedece a uma lógica bastante conhecida por todo o pensamento crítico do ocidente. A velocidade no tempo das informações e afirmações difundidas pelas redes sociais nos revela uma particularidade de aproximação entre as exigências de rapidez nas relações sociais materiais e  difusão instantânea da expressão da fala humana sob a forma de "ordem" ao cérebro. O modo de produção capitalista sempre estimulou a redução do tempo-espaço, pois "Tempo é Dinheiro" e frases curtas são objetos importantes para a impressão das marcas e produtos na mente humana, cerceando o espaço da análise.

Os hashtags tem esta característica. São ordens emitidas ao pensamento, como o consumo de um determinado produto ou serviço. Sem maior elaboração tem seu alvo alcançado com precisão em meio a uma nuvem de outros slogans que disputam espaço em nossas mentes como "Beba Coca-cola", "Ligue Agora", "Volto já". Desse modo, possuem um enorme poder de mobilização. E, isso se concretizou a partir das frases-ordens: "#ogiganteacordou" "#vemprarua" "#soubrasileiro" e outros mais. Sem análises mais elaboradas, os hashtags vão formando alcançando seus objetivos.

No calor das ruas e das praças, quando indagados sobre os motivos que levavam algumas pessoas (até formadas em nível superior) a irem as manifestações, os mais jovens respondiam que era pela "Revolução" e quando ainda indagados sobre o que seria conceitualmente uma "Revolução" revelavam um completo desconhecimento do termo e de seu simbolismo histórico e socioeconômico e geográfico. Da mesma forma que desconheciam o significado sociológico dos termos como: luta de classes e anarquia.

Contudo, os efeitos da "Revolução Hashtag" ainda estão sendo debatidos por intelectuais e cientistas sociais. Na verdade, seus resultados são expressivamente claros aos nossos olhos.

A necessidade de uma adequação dos "modelos mentais" usados para analisar os movimentos sociais. As manifestações finalmente levaram o Brasil ao século XXI, com a fragilização da representatividade política-partidária. Há a necessidade clara de uma reforma política com participação direta popular. O papel das instituições está sendo repensado numa busca frenética para se dar conta deste novo momento. A tecnologia como meio de gerar uma nova perspectiva na Democracia, a partir de uma liquidez maior em que o cidadão opine, debata e decida sobre os grandes temas que envolvem seu cotidiano, além de que com as manifestações o virtual está cada vez mais confundindo-se com o real, quando os internautas passaram a pousar neste nosso planeta tão primitivo quanto real, chamado Terra.

#Saudaçõesgeográficas!