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sábado, 30 de outubro de 2021

O MUNDO EM 2021 E AS TORMENTAS DE UMA NAÇÃO ZUMBI

FOTO: BAÚ DO GEÓGRAFO.
AUTOR: CUCUCANA, 2021.

Por: Mauro Bechman*

Começamos mais um ano diante de uma Pandemia. Cerca de 8 vacinas disponíveis para os países nos distintos continentes. E, o preço pago pela humanidade cuja capacidade de reprodução humana já foi afetada de acordo com alguns demográfos. 

Na geopolítica internacional, destacamos a mudança de eixo na política dos países imperialistas como a volta dos Democratas ao poder nos Estados Unidos.

A consolidação da hegemônia econômica da China e as velhas pressões do Ocidente contra a Rússia e sua região hinterlandina. A tentativa de Golpe aos moldes de uma Revolução Colorida na Bielorrússia patrocinado pelo ocidente e a guerra entre Armênia e Azerbaijão com um toque da Rússia e da Turquia, uma velha disputa.

A força econômica da Ásia com o Vietnã e a Indonésia que não aceitam a liderança chinesa e o choque estimulado na fronteira entre China e Índia, este último, com um governo de extrema Direita e a vontade de ser os Estados Unidos da Ásia.

A retirada dos Estados Unidos após 10 anos de ocupação do Afeganistão representou a maior derrota dos yankees desde a retirada de Saigon. Na prática, fim da guerra ao terror da Era Bush.

Nas Américas, o retorno dos governos de verniz social ao poder no Peru, Argentina, Bolívia, Equador e possivelmente no Chile e no Brasil dão um fôlego a Venezuela e seu projeto Bolivariano. 

Em Cuba, a revolução teve um ensaio de Primavera Árabe (revoluções coloridas), mas facilmente retomada pelos patriotas cubanos. A Colômbia, sede dos interesses europeus e estadunidenses, serve de porto para conter o desenvolvimento da Venezuela.

O Brasil, parece chegar exausto. A volta há 30 anos atrás, parece ter iniciado mas dificilmente será concretizada. Os liberais cansaram do fetiche das fardas e bravatas e o ódio dos insanos. Difícil retomada do Brasil, um golpe que levará outros 26 anos para ser superado. Segue o país como mais uma nação zumbi, sem direção mas com governo e as instituições funcionando dentro do expediente.

É a fúria do mundo. E ainda, a fúria da natureza pois quando chegamos aqui, ela já estava.

Saudações geográficas!

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*Professor de Geografia do Ensino médio da Rede pública do Amazonas. 

sábado, 4 de setembro de 2021

05 DE SETEMBRO DIA DO AMAZONAS E DOS AMAZONENSES


FOTO: BANDEIRA DO AMAZONAS.
AUTOR: CUCUNACA, 2019.

Por: Mauro Bechman*

No dia 05 de Setembro de 1850, há exatos 171 anos o Amazonas passava a ser protagonista na Geografia e na História do Brasil. O decreto imperial de n. 152 assinado por D. Pedro II elevou capitania do Rio Negro á Província do Amazonas, tendo sua autonomia político-administrativa em relação á Província do Grão-Pará, graças ao empenho de muitos atores e que coube a João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha liderar o processo de nascimento da mais nova província do império.

Não há como deixar a História silenciar as lutas autonomistas do povo do Amazonas e de parte de suas elites. A Revolta das Lages em 1832 já anunciava um novo tempo para a Amazônia. Também o papel das instituições fora relevante no processo de emancipação política, como a Associação Comercial, a Igreja Católica e a Maçonaria.

FOTO/EDITADA: PRÉDIO DA INSTALAÇÃO
 DA PROVÍNCIA DO AMAZONAS EM 1852. AUTOR: JORNAL A GAZETA, 1950.
ACERVO: @manausdeantigamente 2021.

Infelizmente, o prédio em que a Província do Amazonas foi instalada, foi demolido em 1960. O prédio estava situado entre as ruas Henrique Antony e Frei José dos Inocentes no Centro Histórico de Manaus, conforme informações de pesquisadores e registros de jornais.

Nascido nesta unidade da federação, o povo amazonense vem suportando e superando muitos momentos de esquecimento e crises, da queda da economia da borracha, a abertura da economia brasileira ás importações e atualmente a grave crise sanitária que afetou o mundo e este magnífico espaço, ceifando a vida de mais de 10 mil amazonenses.

FOTO: TEATRO AMAZONAS, 2018.
 AUTOR: CUCUNACA, 2018.

Pelos olhos dos itaquatiarenses, irandubenses, tefeenses, novalindenses, parintinenses, barcelenses, manauaras, manacapurenses e todos os demais parentes e conterrâneos, a eterna e mística presença de Naruna e Jurupari, de Ajuricaba, das Ikamiabas, Dieroá, Comprido, Maruaga e Gabriel Gentil. Almas que nenhuma força colonizadora foi capaz de domar.


"Entre a rebeldia e a liberdade, escolhemos as duas".


Salve 5 de Setembro, dia do Amazonas e dos Amazonenses!


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. UFAM. Graduado em Geografia e docente pela Secretaria de Educação do Amazonas. SEDUC/AM.

sábado, 21 de agosto de 2021

AS FANTÁSTICAS VIAGENS DO ISENTO DA RUA DOS ANDRADAS


FOTO: PROF. M. BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*

Nestes dias de Agosto, tiramos um tempo para visitarmos pela rede mundial de computadores, alguns vídeos, publicados na plataforma privada YouTube, por internautas que mostram suas passagens por alguns países do Mundo em que talvez muitos brasileiros jamais sonhariam  conhecer.

Descrevem lugares, situações e sentimentos pessoais durante suas estadas.  Claro, não se pode esquecer que o viajante, mesmo letrado e bem "viajado" se auto proclama como isento, como se está declaração lhe concedesse, o selo indelével da isenção. 

Nestes casos, nos parece interessante lembrar que todos nascemos e vivemos numa dada sociedade, num dado lugar e sob determinada ética de vida. 

Daí, a idéia de isenção nos parecer uma extensão da tal neutralidade científica. É esquecer que nossa visão de Mundo e da vida permeia nossos pensamentos e nossas atitudes. Daí, emergem nossos pré conceitos e também nossos preconceitos.

Para muitos espectadores e internautas, talvez soe bom o selo da "isenção", aliás é uma forma de atrair mais seguidores.

Do ponto de vista geográfico, é difícil manter alguns formatos de visão promovidos pela mídia corporativa sobre algumas pessoas e lugares e que estão incustrados em nossos "repórteres amadores" em campo. Isto posto, significa que mesmo a narrativa de nossos viajantes, elas por sua gênese, já expressam claramente o etnocentrismo.

Claro, uma crítica real aos turistas brasileiros, a baixa leitura sobre os lugares que visita e por algumas vezes metidos em pequenas gafes. Talvez, muitas destas não sejam incluídas nos vídeos.

A questão central não é empatia (termo da moda) e sim, estudar a alteridade para assim, desvendar o Mundo. Partindo daí, talvez o viajante da Rua dos Andradas possa nos fornecer uma visão menos estereotipada e míope do Mundo e das culturas que partilham este planeta conosco.

Ver e relatar o mundo real com o mínimo de preconceitos ou apenas visões pre estabelecidas por narrativas intencionadas de empresas de comunicação não é sadio para o Turismo e nem para a Geografia. Somente, a busca pela informação coerente inclusive com nossas limitações intelectuais possam dar um brilho de autenticidade a aventura de conhecimento do Mundo.

Talvez assim, nossos viajantes possam nos mostrar o mundo muito mais real que fantástico.

E, viva a Geografia!

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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM. Professor de Geografia da rede pública do Estado do Amazonas.

sábado, 26 de junho de 2021

26 DE JUNHO DIA NACIONAL DO PROFESSOR E DA PROFESSORA DE GEOGRAFIA

 

FOTO: PROFESSOR DE GEOGRAFIA.
AUTOR: CUCUNACA, 2021.

Por: Mauro Bechman*

Hoje 26 de Junho, comemoramos no Brasil o Dia Nacional do Professor de Geografia. Sim, uma data muito especial para os que abraçaram a licenciatura como profissão.

muitas questões ainda para serem reparadas aos licenciados em Geografia, o devido reconhecimento salarial, a contagem das atividades extra-classe e o ensino remoto como exercício do magistério da Geografia, o seguro de vida e acidentes para o correta e segura prática de campo para os docentes e discentes além de outras condições materiais, trabalhistas e de carreira profissional.

Sem a Geografia não há Brasil e sem os mestres e mestras de Geografia não há brasileiros e nem brasileiras. É a poderosa Geografia dos Professores que afirma a pertença a um lugar que se constrói e reconstrói na relação dialógica entre tempo/espaço.

Sem os professores e professoras de Geografia não há reflexão sobre o espaço e também nem renovação das utopias entre as gerações presentes e futuras. Não há o desenvolvimento sadio do meio ambiente, a proteção dos geossistemas, da paisagem natural a partir da geomorfologia e da luta pela justiça social nos espaços urbanos e rurais e nem a democratização do acesso tecnológico ás pessoas.

Recordo com tristeza, os professores e professoras de Geografia que partiram vítimas desta terrível Pandemia do Sars Cov-2 no meu país. Alguns amigos, outros colegas de diferentes gerações, outros ainda meus ex-alunos na graduação. Maduros e jovens, homens e mulheres que deram sua vida por esta magnífica ciência.

Nossos corações tristes, pois na cartografia da vida o mapa está um pouco mais vazio. Que estes professores e professoras de Geografia tenham o repouso devido e a memória testemunhe a luta dos que aqui ainda estão pela Geografia com a lucidez e a energia capazes de transformar este mundo num espaço de esperança e justiça socioambiental para todos. Que o luto se torne luta!

Um brinde a todos os professores e professoras de Geografia!


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* Licenciado em Geografia e Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela UFAM e Professor de Ensino Médio da Rede Pública Estadual de Ensino.


sexta-feira, 29 de maio de 2020

DIA 29 DE MAIO - DIA DO GEÓGRAFO E DA GEÓGRAFA

FOTO: PROF. MAURO BECHMAN, 2019.
 AUTOR: EQUIPE DE DIVULGAÇÃO.

E senão fosse o Geógrafo e a Geógrafa?

Não haveria mundo porquê não haveriam mapas
Não haveriam viagens porquê não haveriam lugares conhecidos
Não haveriam telecomunicações pois não haveriam coordenadas geográficas
Não haveria natureza, pois tudo seria apenas visto como espaço sem vida.
Não haveria liberdade, pois eu não conheceria outros povos distante de mim.
Não haveria Homem e nem Mulher, pois seriam ambos apenas objetos na cena geográfica
Não haveria Uber e nem aparelho de telefone celular pois não haveriam de redes geográficas
Não haveria Paz entre algumas nações pois ninguém aceitaria conhecer o Outro.
Não haveria Relógio, pois não haveria estudo da posição do Sol
Não haveria Alimentos, pois não haveria o conhecimento da terra.
Não haveria Indústria pois não haveriam recursos naturais.
Não haveria terraplanistas pois a Terra não é plana e sim geóide.

Congratulações meus colegas!



quarta-feira, 22 de abril de 2020

AMAZONAS: ESTAMOS EM GUERRA?

FOTO: SEDE DE UMA EMPRESA DE SUCESSO NA DÉCADA DE 1990.

Vejam as medidas: Isolamento Social, Use equipamentos individuais, Mantenha a higiene total, Medo, Horror, Informação, Contra-informação, Isolamento Vertical, Quarentena, Hospitais de Campanha, Valas, Trincheira, Homens de farda, Ansiedade, Vacinas, Linha de Frente, Proteja-se, Caos,  Intubação, Dados e gráficos, Obediência, Desobediência, Solidariedade, Orçamento de Guerra, Não saia de casa, Economia.

Sim, estamos.

Não perca a lucidez.

Seja um guerrilheiro da vida.

Ame.

Seja disciplinado na Guerra.
Sua arma é seu conhecimento.
A ciência e a sabedoria estão na mesma mão.
A ignorância e a derrota também.
Evite a ignorância.
Tenha horários de trabalho e de descanso.
Desligue os equipamentos eletrônicos antes de dormir.
Tome suco de limão.
Imunize-se.
Brinque com a família.
Ligue para as pessoas.
Não se vicie em tecnologia.
Leia um livro.
Alimente sua Fé.
Faça seus projetos pessoais.
Não se atomize.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

GESTORES PREMIUM EM TEMPOS DE PANDEMIA

FOTO: PROF. MAURO BECHMAN.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Nestes tempos de tantos ensaios sobre a vida, o convívio coletivo, os sentimentos e o trabalho, nada mais sadio que socializar um pouco de nossas experiências com estes novos gestores que chegam com tanto ímpeto de mostrar serviço nas organizações sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor.

Na literatura corporativa e na área do cafezinho há muitos mantras adoçados aos modelos midiáticos de chefias e gestores, e muitos destes, modelos estranhos e extremamente tóxicos para os colaboradores e para as organizações.

Neste sentido, ao que parece a pandemia quase sempre contamina primeiramente os chefes. Começam as cobranças, os relatórios, as tabelas, cadê você? onde estão os resultados e etc, etc, etc.

Dificil desintoxicar os chefes, especialmente em organizações com a tradição do "Estado sou eu". Mas, vão aí algumas dicas para melhorar o desempenho sem fazer os colaboradores adoecerem:

Primeiro, Respeite o horário de Trabalho, pois assim como há o Homeoffice, há o Homeworks.

Segundo, Desligue o automático. Isso requer que o gestor tenha uma autodisciplina para entender que todos tem vários papéis sociais. Em casa, o pai ou mãe, o esposo ou a esposa, o filho ou filha, o namorado, a namorada...enfim todos temos outros papéis sociais.

Por isso, se contenha. Como diz o nosso bom Deus: Há tempo para tudo. Então, por quê ficar fazendo cobranças a qualquer hora da noite ou do dia? Tenha etiqueta corporativa, isso mostra que a organização fez a melhor escolha em aceitar você para representá-la.

Terceiro, em situações em que tudo nas organizações estão sendo questionados e pensados, aprenda a raciocinar distanciando-se da situação e se perguntando se esta ou aquela exigência ou rotina é realmente necessária. Em que grau ela é necessária ao objetivo da empresa ou só é mesmo um exercício de nossas vaidades ou exibicionismo de nosso pseudo-poder.

Quarto, em situações novas e ainda a serem conhecidas e domadas, pratique a simplicidade. Isto quer dizer simplifique os processos e procedimentos. Não caía na tentação de inventar a roda e gerar mais técno-burocracias que tomam o tempo e esgotam a energia dos funcionários e dos próprios gestores com tarefas e tarefas que invadem o espaço da privacidade dos colaboradores.

Quinto: Administre a sua vaidade. Não existe apenas um modelo de gestão de sucesso e nem apenas uma forma de produzir resultados. Se tens muitos sistemas para a comunicação, padronize e use os mais amigáveis aos colaboradores. Não precisa ficar inovando toda semana com a mais nova novidade (!) que você aprendeu no último video de youtube ou via videoconferência coaching.  Seu colaborador tem ritmos, funções e salário diferente do seu.

Em tempos de Pandemia, as organizações e gestores de sucesso, serão os mais lúcidos cuja simplicidade certamente será mais producente e produtiva, além de inspirar seus colaboradores.

Anote isso!


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* O autor foi Coordenador dos cursos de Geografia e Tecnologia em Petróleo e Gás em Centros Universitários da rede privada de 2005 a 2011. Diretor Geral da Associação de Geógrafos Brasileiros - AGB Manaus (2012-2015). Livre-docente de Ensino Superior em Nível de Graduação e Pós-graduação. Atualmente Professor de Ensino Médio da Rede Pública de Ensino.

sexta-feira, 13 de março de 2020

A GEOGRAFIA DA SAÚDE E A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS EM MANAUS

FOTO: ESTANTE.
 AUTOR: CUCUNACA, 2019.

Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Hoje 13/03, foi anunciado o primeiro caso de infecção respiratória pelo Coronavírus na cidade de Manaus, uma mulher vinda de uma viagem a Londres capital da Inglaterra. Impossível não discutir este tema neste atual momento. 

Lembrando, a manifestação avassaladora de um vírus ainda não propriamente mapeado pela ciência, nos parece cirurgicamente ou estrategicamente caracterizado para atingir crianças e idosos. Uma seletividade quase que diabólica.

No Japão, sede das Olimpíadas, um impasse cruel: suspender as aulas da educação básica e deixar as crianças estarem mais tempo na presença dos avós idosos ou manter o sistema de distanciamento entre crianças e idosos? Na China socialista/capitalista, a dureza em se tratar algo desconhecido tendo que sacrificar a vitalidade de sua pujante economia e pagar um preço muito alto em vidas humanas. Os governos europeus sem muitas respostas ou quando as tem, imprecisas.

Nesta seara toda, lembramos de duas situações, a primeira em 2013 quando da visita do Papa Francisco ao Brasil por ocasião da Jornada da Juventude, o sumo pontífice falou do descarte de idosos e jovens por um mercado que exclui. Na segunda situação, os temores de analistas políticos e econômicos que ás vésperas das eleições presidenciais de 2018, que o cenário dos mercados sofreriam coisas muito ruins num futuro brevíssimo. E hoje, temos este cenário. 

No Brasil, com um governo de extrema-direita, parece ainda viver o deslumbre do acesso ao poder da república e sem respostas necessárias diante da velocidade dos fatos ocupa-se mais em distrair a platéia sempre disposta a gargalhar diante das tragédias alheias televisionadas ou em lives transmitidas por canais de redes sociais privadas.

Em meio a este turbilhão de coisas Manaus a 6a economia do Brasil, teve registrado o seu primeiro caso de Coronavírus. A pandemia chega a cidade dos barés, essa metrópole no meio da Amazônia brasileira, cuja classe dominante orgulha-se do seu pólo industrial que atualmente depende de muitos componentes da China para montar aparelhos eletroeletrônicos num cenário de desindustrialização aguda que gera gigantescas taxas de desemprego, subemprego e subutilização na força de trabalho.

Neste fatídico dia lembramos de um fato interessante. Por volta de 2006, já falávamos em implantar o Curso de Bacharelado em Geografia no antigo Centro Universitário do Norte - Uninorte. Uma das propostas de currículo para o curso, sugerimos a cadeira de Geografia da Saúde.

A proposta vinha ao encontro de uma matriz curricular voltada ao século XXI. Chegamos até a contratar um enfermeiro-geógrafo, ou seria, geógrafo-enfermeiro que na prática assumiria a disciplina quando o curso de bacharelado fosse implantado. Infelizmente, o Projeto de Bacharelado em Geografia sucumbiu diante de uma má vontade administrativa de técnicos que não tinham tato com a educação e a pesquisa. O jovem professor foi melhor aproveitado na área de saúde e por lá ficou até onde tivemos informações.

Exatamente hoje, lembrei disso. Ás vezes, perdemos quando negligenciamos nossas capacidades e nossa visão de futuro. Perdeu a Geografia e quando a Geografia perde, também perde toda uma sociedade. Por vezes ganhamos quando ousamos antever o futuro e nele ver o serviço a humanidade. É disso que se alimentam os sonhos, da necessidade do bem comum e do desejo de contribuir para uma vida melhor neste planeta.

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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e Processos socioculturais pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

INDÍGENAS URBANOS: TIKUNAS 2006-2019

FOTO: SEMGEO 2006.
AUTOR: DESCONHECIDO, 2016.
No último sábado, 30 pela parte da manhã, visitei a Comunidade Indígena Tikuna do bairro Cidade de Deus zona norte de Manaus. A visita técnica fazia parte da atividade Transversal no eixo Étnico Racial do curso de Turismo do Ceuni-Fametro. Espantoso o nível de organização da comunidade que se impōs diante do crescimento urbano de Manaus nos últimos 20 anos.

A capacidade de coesão e organização desta etnia permitiu que preservassem boa parte de sua cultura e de sua história.


FOTO: COLARES TIKUNAS.
AUTOR: EQUIPE DE COMUNICAÇÃO, 2019.

Em 2006, durante uma Semana Acadêmica de Geografia do Centro Universitário do Norte - Uninorte, visitei pela primeira vez a Comunidade. Ao adentrar no centro cultural e ouvir o primeiro cacique falar rodeado da sua cultura expressa em artefatos, artesanatos, ornamentos e outras expressões, senti uma enorme sensação de Paz que socializei com os presentes na roda de conversa.

O acesso difícil a comunidade pela inclinação da topografia acidentada em que sulcos, ravinas e voçorocas desenhavam o chão de barro e a parede do terreno que abrigava o centro cultural. 


Após a roda de conversa, fomos agraciados com colares e uma das mulheres ao me presentear, disse: - "Para quem vir aqui que um dia volte outra vez". E assim foi a visita de 2006 e à medida que fomos nos distanciando no retorno fui refletindo sobre aquele mundo e se um dia voltaria a aquele lugar.

FOTO: CURSO DE TURISMO 2019.
 AUTOR: EQUIPE DE COMUNICAÇÃO, 2019.

Pois, neste sábado 30, retornei ao Centro Cultural Tikuna após 13 anos. À época eu estava coordenando o curso de Geografia do Uninorte e como hoje, professor do curso de Turismo do Ceuni-Fametro, não mais um espanto, mas uma satisfação de saber que o Centro Cultural Tikuna está vívido e que suas lideranças ficaram fortalecidas não abrindo mão de sua identidade.


FOTO: 1º CACIQUE DALMIR.
 AUTOR: EQUIPE DD COMUNICAÇÃO

FOTO: CACIQUE FUNDADOR (BRANCO). AUTOR: EQUIPE DE COMUNICAÇÃO. 2019.

FOTO: CACIQUE AGUINILSON.
 AUTOR: EQUIPE DE COMUNICAÇÃO, 2019.

A geração dos líderes fundadores e a dos caciques atuais mantenedores se coadunam harmonicamente em prol da coletividade e dos direitos dos povos indígenas.

Agradecido e honrado  pela oportunidade de saudá-los após estes 13 anos. Longa vida aos Tikunas!

quarta-feira, 22 de maio de 2019

O PEQUENO PRÍNCIPE, NOTAS

FOTO: LIVRO O PEQUENO PRÍNCIPE.
 AUTOR DA FOTO: CUCUNACA, 2019.

Um dos maiores clássicos da literatura mundial, o Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, é sem dúvida um texto colossal, seja pelo estilo universal seja elevado grau de humanismo presente na história, o que o torna atemporal.

Em situações limites, a humanidade se sobressai numa busca cega do próprio homem, mergulhado no seu próprio ego. Exupéry, apresenta cada homem em seu mundo, monotonamente sem sentido diante de uma existência finita e da enorme necessidade de se preencher o tempo da vida. E, nesta monotonia cada homem é cada mundo, solitário e por si só inexplicável, visto que, as justificativas para o viver são por si só frágeis demais para satisfazer a dimensão da vida. 

 Nas viagens do Pequeno Príncipe, ele conhece um rei em seu planeta de soberba, em si mesmo, imperador e tirano diante do que se candidata a ser seu súdito, mesmo que a autoridade nem mesmo seja levada à sério, mas um rei. Que rei? Talvez este seu exercício de subversão maior, contesta a autoridade de quem não é autoridade. A vaidade e o senso de manipulação da flor sobre o amor de seu dedicado protetor, uma desilusão necessária para que a lucidez brote sobre as ações e sobre as pessoas em suas limitações humanas.

O administrador que só se debruça sobre os números cuja doentia quantificação das coisas o leva a crença de que o seu fazer é mais significante que o dos outros.A exatidão buscada como certeza nos números justificando a seriedade e a posse como ícones de poder e sucesso, uma mera fantasia. O geógrafo que não viaja, prisioneiro de sua vaidade e de sua pena sobre a escrivaninha. Um mundo também sem sentido.

 A raposa carente, sempre incompreendida, mas que consegue ensinar o verdadeiro significado de cativar, afinal é mais fácil amar o que nos é oportuno e cômodo. E a serpente, o mistério e a sedução do convite à viagem por trilhas ainda não plenamente conhecidas. Sobre ser humano, em meio a atividades, que não cheguem nem perto de um ser como o humano, é em verdade a busca no deserto do Saara nesta saga o pequeno príncipe nos ensina que somos únicos e que aí reside a nossa verdadeira beleza.

Li, aos 47 anos de idade, acredito que esta era a idade certa para ler o pequeno príncipe. Agora sim, consertei meu avião e agora vou decolar deste deserto.

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SAINT-EXÚPERY, Antoine de, 1900-1944. O pequeno príncipe. Trad: Dom Marcos Barbosa. Rio de Janeiro:Agir, 2006. 96 págs.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

O ESPAÇO DO PROFISSIONAL E O LUGAR DO PESSOAL

FOTO: ÍCONES. AUTOR: CUCUNACA, 2015.
A vida de todo o profissional se depara eternamente situações inusitadas e que geram certo desconforto. Ás vezes, gera-se uma confusão entre os campos profissional e pessoal, às vezes intencional e às vezes involuntária. Uma destas muitas confusões está muito assentada no imaginário das pessoas. Numa relação entre as pessoas, dadas as suas proximidades afetivas ou situacionais, sejam elas profissionais ou circunstanciais, em muitas ocasiões na fronteira entre o profissional e o pessoal confundem-se ambos, numa mistura de afetividade e racionalidade. Lamentavelmente, o espaço do profissional se vê negligenciado pela outra pessoa com quem mantem-se algum tipo de relação muitas vezes dadas as situações de proximidade histórica, pessoal ou afetiva.

Em alguns momentos, nossos amigos ou amigas - até os de longa data -, findam, por afetivamente e cremos nós, de forma até inocente, negar a nossa competência profissional e até racionalidade objetiva, lógica e científica em temas, assuntos e contextos diretamente relacionados a nossa formação profissional. Em algumas ocasiões, estes "deslizes"transformam-se em provas irrefutáveis a serviço de nossa condenação por posicionamentos e atitudes assumidas por nós diante de alguns grandes temas da vida, das nossas e diante dos muitos temas que permeiam nosso cotidiano, sejam eles políticos, geográficos, sociais, ambientais, artísticos e literários. Nesse momento, parece que o fato de se ter uma maior proximidade pessoal, o espaço do profissional é suprimido pelo nosso interlocutor. Muitas vezes, estes eventos dependendo das circunstâncias e da capacidade de compreensão sobre a fronteira entre os espaços do profissional e o lugar do pessoal, conduzem a uma ruptura das relações interpessoais quando não estabelece um distanciamento sem data prevista para seu restabelecimento.

Resguardar a voz ao espaço do profissional é na verdade uma prova de amor de quem buscar no outro não apenas a confirmação de visão de mundo, mas também o seu contraditório possível. Também e  claro, usar intencionalmente ou não, a afetividade construída ao longo de algum tempo de convivência profissional ou pessoal para impor um modo de ver as coisas da vida e do mundo, não autoriza a ninguém, nem mesmo aos amigos e amigas mais próximas, a não reconhecer a autoridade profissional sobre os temas e contextos atuais da vida em que houve todo um empenho na construção de uma carreira profissional. 

Afinal, as ciências humanas e em especial a Geografia, não podem ser medidas pelo reducionismo totalitário de que representa apenas uma "questão de opinião". Atentar ao espaço do profissional é sim, uma bela forma de manutenção sagrada do lugar do espaço pessoal na vida das pessoas que partilham a experiência da existência coletiva e afetiva. Assim sendo, sobre temas históricos, nada melhor e mais capacitado que um historiador ou historiadora, da mesma forma que em temas geográficos, melhor mesmo deixar e respeitar o posicionamento ou consultoria de um geógrafo o professora de Geografia. Ora, nada mais sensato e honesto, afinal não podemos esquecer que ás vezes, os nossos melhores amigos e amigas, são também respeitáveis profissionais e porquê não, os melhores especialistas em suas áreas de conhecimento. Quando conseguimos equacionar de forma perfeita a relação entre o espaço do profissional e o lugar do pessoal numa relação entre pessoas é sinal positivo de que ainda temos a civilidade e a humanidade como elementos basilares de nossa busca pela felicidade tanto individual quanto compartilhada coletivamente.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

20 ANOS DE FORMATURA EM GEOGRAFIA

FOTO: TURMA PROF. JOSÉ ALDEMIR DE OLIVEIRA. 1999.
AUTOR: ACERVO PARTICULAR, 2019.
20 ANOS DE FORMATURA EM GEOGRAFIA

Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Neste mês celebro 20 anos de formatura em Geografia, foi no dia 15 de Janeiro de 1999 a colação de grau na Escola de Enfermagem da UFAM. No ranking da Pro-reitoria de Ensino e Graduação PROEG- fui o melhor coeficiente da turma e na oportunidade ainda tive a honra de ser o orador da turma José Aldemir de Oliveira. O poder das palavras tem sua força criadora, quando disse a mim mesmo, sobre a Geografia, que dessa pedra tiraria leite, e assim aconteceu. Da Geografia que ousei enfrentar meus  desafios internos, familiares que não acreditavam que este curso seria capaz de suprir minhas necessidades de sobrevivência. Alguns até que diziam que curso bom era de fulano de tal, referindo-se a algum conhecido ou parente distante, mas  não o meu. Eu lutei e com uma certeza desafiava a mim e ás minhas crenças e claro, desafiava também a este cenário socioeconômico difícil dos início dos anos 1990 do século passado. Foi um tempo difícil e ainda hoje vejo que não vivenciei aquela década direito. Tudo sempre era meio desesperador e a realidade rugia para mim.

Ainda finalista de curso, iniciei minhas primeiras aulas na Escola Eldah Bitton Teles da Rocha tempos difíceis pois, nós os professores demoravam três meses para receber. Fizemos paralizações e greves.  Enfrentávamos as filas gigantes e surreais do Bea - Banco do Estado do Amazonas - com nossos contra cheques para receber nosso mirrado salário. E assim, fomos avançando.

Hoje tudo que sou profissionalmente foi devido a Geografia, as homenagens nos cursos de Geografia, Turismo, Administração, Tecnologia em Petróleo e Gás e agora Tecnologia em Gestão da Qualidade, só me envaidece com tanta deferência e gratidão.

Tentei com todas as minhas forças mostrar o valor da Geografia. Nunca baixei minha cabeça pra nenhuma outra profissão. Na Geografia recebi menção honrosa pelo CNPq sob a orientação do Dr. Ricardo Batista Nogueira, num tempo em o curso estava em ebulição na política estudantil. Dirigi, as minhas ex professoras, e tive a honra de ser aplaudido por elas. A Geografia me fez criar meus dois filhos, hoje um bacharel em Direito pela UEA e outro recém aprovado para Engenharia Naval na mesma universidade. 

FOTO: GRADUADOS 1999. AUTOR -
ACERVO PARTICULAR, 2019.
No dia da formatura, estávamos lá para o cerimonial, acadêmicos de Filosofia, Geografia, Serviço Social, História, Letras e  Educação Artística, na faculdade de Enfermagem da UA - Universidade do Amazonas. Fui o orador e nosso Patrono foi o Prof. Sinésio Campos formado em Filosofia. Em meio a tanta agitação naqueles dias, já começava a sentir saudade do ambiente universitário. Fizemos uma bela cerimonia de formatura e um pequeno coquetel para nossos amigos, parentes e homenageados. Fiz algumas fotos do grupo e do brinde. Demorei oito meses para pagar as fotos da formatura, como sempre, formandos endividados (risos).

Tive a honra de ser aclamado como diretor da AGB - Associação de Geógrafos Brasileiros - Seção Manaus, fiz o que pude para restruturá-la e o que não sabia também. Projetei ela grande e forte, mas nem todo mundo nessa trajetória pensava na mesma direção. E ela precisava seguir e eu também.

Professor, de ensino médio e fundamental, e superior de graduação e pós graduação, avaliei cursos da UEA nos campus de Tabatinga, Parintins e Tefé pelo Conselho Estadual de Educação - CEE...tudo isso pela Geografia em 2007. Não fiquei rico, pois com estudo e princípios éticos, dá-se apenas para ser de uma classe assalariada. A meus pais, pelo apoio, mesmo nos dias que tive que roubar a bandeira do Brasil do meu pai, para uma manifestação contra a privatização das universidades públicas,  quem eu agradeço por ser quem sou, um professor de Geografia com um enorme orgulho. Fui o primeiro filho de oito, a ingressar numa universidade, de um casal de Itacoatiara, um marceneiro e uma professora e dona de casa, esta que além de mãe, foi minha primeira educadora me alfabetizando em casa coma a cartilha "Caminho Suave" (saudades do tamanho do céu).

Vivi ativamente meus tempos de faculdade como acadêmico, colega, pesquisador, militante, Na faculdade minhas amizades transitavam entre os estudantes de Ciências Sociais, Educação Artística, Administração, Geologia, Filosofia e claro, Geografia. Na Geografia e por ela, fui militante, pesquisador, professor e gestor e por isso mesmo, tenho enorme alegria e agradecimento a esta espetacular ciência que a meu ver, é na verdade, uma forma de ver o mundo e a vida.

Homenagens

NOME DA TURMA: GEOGRAFIA 2008 - UNINORTE (2008) - PLACA DE HOMENAGEM
PARANINFO DA TURMA: TURISMO 2008 - UNINORTE (2008) 
PARANINFO DA TURMA: ADMINISTRAÇÃO - FAMETRO (2012)
PARANINFO DA TURMA: ADMINISTRAÇÃO - FAMETRO (2014)
PARANINFO DA TURMA: ADMINISTRAÇÃO - FAMETRO (2015)
PARANINFO DA TURMA: ADMINISTRAÇÃO  - CEUNI-FAMETRO (2016) 
PROF. HOMENAGEADO DA TURMA: TECNOLOGIA EM PETRÓLEO E GÁS - CEUNI-FAMETRO (2017)
PARANINFO DA TURMA DE TECNOLOGIA EM GESTÃO DA QUALIDADE - CEUNI-FAMETRO (2018)


Salve os 20 anos! Um brinde a Geografia!


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*Prof. Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e Processos Socioculturais

sábado, 28 de julho de 2018

O DIA DO NÃO AO PAGAMENTO DAS MENSALIDADES NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

IMAGEM: PROJETO DE LEI 282/95.
AUTOR: CUCUNACA, 2018.

O DIA DO NÃO AO PAGAMENTO DAS MENSALIDADES NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Em 1995, estudantes da Universidade do Amazonas (UA), atual UFAM (Universidade Federal do Amazonas) de diversos cursos fizeram um ato de repúdio diante da possibilidade de ser chancelado pelo Congresso Nacional Brasileiro, o pagamento de mensalidades. O Projeto 282 do Deputado Sr. Antonio Jorge, tinha em seu conteúdo, a cobrança de mensalidades para os acadêmicos das universidades públicas.

Um debate intenso na Universidade àquela altura tomava conta do R.U (Restaurante Universitário), dos centros acadêmicos e dos barzinhos de universitários. Na mistura de calor e desespero pela possibilidade de aprovação da proposta que jovens estudantes tomaram a iniciativa de fazer uma “Carta Aberta de Repúdio”, todos independentes de posições político-partidárias mas a elas alinhados pela necessidade e leitura de conjuntura. Participaram desta ação Eisner Francisco Cunha (Geologia), Eberth Cunha (Engenharia Elétrica), Renato Mendes Freitas (Engenharia Elétrica), Jackson Douglas (Geologia), Raimundo Pontes Filho (Ciências Sociais), Jannife Araújo (Estatística), Sérgio Reis (Educação Artística), Ronaldo Santos (Ciências Sociais) e Mauro Bechman (Geografia).

IMAGEM: CARTA ESTUDANTIL.
AUTOR: CUCUNACA, 2018
O estudante de Geologia Eisner Francisco Cunha deu a idéia de uma carta pública. Então,na casa de seus pais, redigimos o documento  imprimimos na impressora matricial do seu irmão Ebeth Cunha. Então, tínhamos como objetivo distribuir a carta na forma de “panfletagem”. O problema era que nós, estudantes filhos de trabalhadores, não dispúnhamos de recursos financeiros suficientes para fazer fotocópias. Foi então que o Eisner falou ao seu pai do que se tratava o documento. Seu pai, achou isso gravíssimo, um verdadeiro absurdo e decidiu livremente dar “uns trocados” para reproduzirmos as fotocópias.

Então, de posse das cartas, decidimos colocar onde pessoas instruídas pudessem ler e tomar ciência do que estava ocorrendo. Fomos ao jornaleiro da esquina da Igreja de São José Operário, hoje o Santuário de São José que este ano completa 70 anos, e ao conversarmos com ele, ele permitiu que colocássemos no meio das páginas dos exemplares. Um gesto impressionante, tomado por um homem simples e de certa idade, além da vontade militante do estudante de engenharia elétrica Eberth Cunha que colocou um a um as cartas nos exemplares.

Foram tempos de luta. Sem organizações e associações formais, jovens estudantes universitários tomaram a iniciativa, democratas e livre-pensadores.
Encontrei esses documentos, na minha mudança de casa.
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Dedico esta postagem aqueles estudantes pobres e lindos de coração. E, ao senhor Cunha, o patriarca de uma família digna de Coari, que durante os anos difíceis da ditadura empresarial-militar de 1964 preservou-se um homem íntegro e sobretudo cidadão mesmo sobre as pressões do regime autoritário no seu emprego nos correios.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

FILMOGRAFIA DO ANOTE: POPULAÇÃO E MEIO AMBIENTE

FOTO: TELA DE CINEMA.
AUTOR: CUCUNACA, 2018
O DIÁRIO DE BRIDGET JONES (2001) REINO UNIDO 
BRIDGET JONES: NO LIMITE DA RAZÃO (2004) FRANÇA 
O BEBÊ DE BRIDGET JONES (2016) – REINO UNIDO.
Direção: Sharon Maguirre - Beeban Kidron - Sharon Maguirre
Música composta: Harry Gregson-Willians  - Craig Armstrong
Trilha Musical: Out of Reach - Still Falling for You

A sequência filmada do Diário de Bridget Jones em três momentos, revela a composição demográfica da Inglaterra.No primeiro e segundo filmes,temos jovens maduros e solteiros em busca de casamento, aliás a preocupação com o casamento e uma “vida normal” é a angustia do enredo cômico tratado no filme. São pessoas acima dos 30 anos de idade com suas vidas profissionais e financeiras resolvidas em busca não apenas do amor mas de uma auto afirmação que passa pela união entre homem e mulher. Mesmo os coadjuvantes mostrando as dificuldades de manutenção de uma união estável. Os protagonistas seguem na trama buscando seus objetivos: encontrar os parceiros ideais. Na última filmagem da trilogia,finalmente a protagonista engravida cujo enlance da trama busca saber de quem de fato é a paternidade com o Bebê de Bridget Jones.

No plano de ensino, vemos as marcas deixadas pela influencia do pensamento de Thomas Robert Malthus no seu “Um Ensaio sobre o Principio da População (1826)” cuja preocupação recai dentre outros fatores no controle da natalidade com o adiamento da nupcialidade, presentes na idade dos protagonistas da sequencia de filmes de Bridget Jones e na sociedade britânica. Comedia inteligente, sutil e divertida.

GRAND TORINO (2008) - EUA
Direção: Clint Eastwood
Música: Jamie Cullum, Kyle Eastwood e Michael Stevens.

Um premiado filme que retrata muito bem, a transição sociodeográfica estadunidense. O fim da geração Baby Bomber nascida no pós segunda-guerra mundial (1945) e as mudanças do estilo American Way of Life, especialmente presente na configuração dos bairros e na sociabilidade dos atores sociais com a presença de gerações diferentes e de grupos sociais que começam a ocupar a cena cotidiana estadunidense: são os refugiados das guerras travadas pelo Estados Unidos ao longo do século XX e a população negra presente na forma de gangs juntamente com orientais. Um padre jovem representa o toque sutil da necessidade de compreensão da mudança social no seio da sociedade estadunidense. 

Um diálogo possível entre as gerações atuais e as dos anos pós guerra, se dá no campo do trabalho e no campo da socialização. Na geografia, vê-se claramente o processo de invasão-sucessão no instante em que as casas do padrão estadunidense começam a mudar de donos.

Uma substituição do protestantismo pelo catolicismo na compreensão deste novo momento e sobretudo,um pedido de desculpas pela intromissão tão dura dos Estados Unidos na guerra da Coreia. Mas e o Grand Torino? Apenas um motivo para todo o enredo da trama. Genial! O ícone estadunidense Clint Eastwood superou-se! Digno de aplausos e pedido de Bis!

BOA SORTE CHERLIE! (2010-2014) - EUA
Seriado de Televisão: Disney Channel
Autores: Drew Vaupen, Phil Baker, Cristopfer Vane, Erica Kaestle e Patrick McCarthy.

Uma série divertidíssima dos canais fechados estadunidenses, traz uma família ao estilo “A Grande família”.Trata de situações hilariantes em volta de um bebê chamado Charlie e por vezes torna-se o centro das atenções em suas peripécias. No contraponto temos os integrantes da família e também seus agregados de modo a casa estar sempre cheia. Foi uma forma docilizada e popular de mostrar que as famílias estadunidenses podem ser maiores e mais diversas e se aproximando do padrão grego, italiano e português de família, longe do individualismo e da anti-família de Walt Disney com personagens e protagonistas individuais. 

Pipoca e boa sessão!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

A GEOGRAFIA DO BRASIL DA GLOBO

FOTO: PROGRAMA DA TV GLOBO.
AUTOR: CUCUNACA,2017.
No dia 26 de abril de 1965 nasce a Televisão Globo. A emissora de sinal de televisão fluminense nasceu do chamado acordo “Time-Life” entre a empresa estadunidense e o empresário Roberto Irineu Marinho para os investimentos na infra-estrutura de funcionamento e também para a linguagem de comunicação a ser transmitida aos brasileiros. A empresa nasceu um ano após o Golpe Civil Militar de 1964 que derrubou o Presidente João Goulart, o Jango. A empresa ainda como jornal “O Globo” apoiou fortemente a queda do governo trabalhista.

Já é senso comum a participação ativa do agora, Sistema Globo – das organizações globo na História do Brasil. Entretanto, pouco se comenta sobre a sua geografização e sobre este aspecto vamos nos debruçar.

Os governos militares encontraram na TV Globo um forte “aliado” para a manutenção do regime. Sendo os militares responsáveis pela dotação de infra-estrutura de redes e antenas,  necessária para que as transmissões da grade de programação da emissora chegasse a todos os recantos do Brasil, além de acordos com elites empresariais regionais, o que permitiu a criação de “repetidoras” de sinais de tevê que tornaram-se afiliadas do sistema Globo. Desse forma, a Televisão Globo foi chegando aos lares dos brasileiros das distintas regiões do Brasil.

De sua grade de programação observamos três programas que respondiam com maior nitidez a apresentação imagética do Brasil aos brasileiros: O programa “Amaral Neto: o repórter” (1977), os “Desfiles de Escola de Samba do Rio de Janeiro” (1978) e o “Cassino do Chacrinha” (1984).  No programa Amaral Neto: o repórter, as reportagens iam de casos policiais urbanos a viagens pelo Brasil, expondo o exotismo de suas paisagens naturais e de suas populações remotas como no nordeste e no norte do país. Esta linha, seguida pelo Globo Repórter foi responsável pela criação de um imaginário sobre as regiões brasileiras muito presentes até os dias atuais especialmente sobre o nordeste e a região norte, onde encontra-se a maior parte da Amazônia brasileira. Suas populações retratadas como o “interior” do Brasil, ou seja, longe do Brasil “Civilizado”, assim compreendido o país como o eixo: Rio-São Paulo sede da emissora.

Os desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro pela TV Globo foram importantes formas de “unificar” culturalmente o Brasil para o século XX, gerando a imagem do “País do Carnaval” em que a chamada cultura afro-descendente se apresenta como protagonista, mesmo não sendo hegemônica no campo social. Os brasileiros distantes sejam social e geograficamente distantes do Brasil-Sudeste se vêem representados nos enredos das Escolas de Samba. Os desfiles das escolas de samba, da mesma forma, sugerem ao imaginário brasileiro um “País pacífico” em que suas classes sociais e étnicas se congraçam na festa ao mesmo tempo que se ignoram a rica e centenária cultura do norte do Brasil, de matriz indígena, ainda indócil a indústria cultural naquele momento histórico.

No programa de calouros “Cassino do Chacrinha” criado e apresentado por Abelardo Barbosa, representou a alternativa ao modelo de Programas de Auditório de modelo estadunidense, no Brasil representado pelo empresário Senor Abravanel, o Silvio Santos. O personagem Chacrinha, rodeado de mulheres em roupas mínimas e numa impressionante diversidade de estilos musicais e indumentária, foi o mais popular canal de exposição do Tropicalismo brasileiro. No show de calouros, o rosto do povo brasileiro por horas, aplaudido pelo talento e por outras, escrachado ao receber o “Troféu Abacaxi”. Recorriam ao programa, migrantes nordestinos, das periferias urbanas do Rio e de São Paulo e até os cantores amazonenses que buscavam expressão nacional como Nino Gato.

No processo de construção das subjetividades e posteriormente da “identidade do brasileiro” a face do povo brasileiro é montada com o verniz da alegria, da liberalidade e da passividade. E as demais expressividades culturais das regiões brasileiras, apresentadas como exóticas e partes de um Brasil, que o “Brasil do eixo Rio-São Paulo” ainda desconhece. Um processo de colonização interna do país.

Atualmente, na busca de manter sua hegemonia na comunicação e na informação sobre os brasileiros, a Tevê Globo mexe na sua programação e na sua “paleta de cores”, incluindo temas e personagens que durante muito tempo se apresentavam na emissora quase que por “representatividade de cotas”. Um período de intensa mudança interna para manter-se como formadora das subjetividades dos brasileiros e brasileiras num cenário em que a internet cada vez mais, forma e deforma “identidades”e à luz de um processo de impeachment em que a emissora participou ativamente no seu consórcio em 2016 na tríade jurídico-midiático-parlamentar.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

GEOSAUDE MANAUS

FOTO: ENCONTRO COM GEOSAUDE.
AUTOR: GEÓG. ADRIANA BINDÁ, 2017.

Nesta quinta-feira, 27 ás 14h participamos de um encontro com o grupo de geógrafos liados à saúde no Amazonas, nas dependências da UEA EST na Av. Ephigênio Sales - Aleixo,  profissionais alocados em diversas instituições públicas. O motivo do convite foi pelo fato de temos sido a última gestão ativa da AGB Manaus e o grupo gostaria de saber a situação da associação. Pela gestão, estavam presentes eu e a geógrafa, Adriana Bindá em que fizemos uma apresentação geral e didática da associação desde que formamos um grupo de trabalho para o resgate da associação em Manaus. 

O convite fora feito pelo geógrafo Renato Silva da Fundação de Vigilância Sanitária (FVS) e aceito prontamente por nós. Além disso, fortaleceu em todos a importância da AGB Manaus para a Amazônia e o Brasil no atual cenário. Na oportunidade informamos o processo de transição da AGB Manaus e sua documentação para um novo grupo de trabalho que dê prosseguimento a consolidação da AGB Manaus.

Agradecemos o convite e desejamos sucesso ao grupo da Geosaude Manaus!


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

I ENCONTRO MUNICIPAL DE PROFESSORES DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO AMAZONAS



FOTO: PROF. Me. MARIA DAS GRAÇAS MEDEIROS BORGES.
AUTOR: CUCUNACA, 2016.
Hoje das 9h ás 17h no auditório Luis Geraldo Pontes Teixeira - SEMED , ocorreu o I Encontro Municipal de Professores de História e Geografia com o tema: Rediscutindo História e Geografia do Amazonas - que contou a presença de professores, representantes dos movimentos sociais e pesquisadores. O encontro foi promovido pelo GEPHAM - Grupo de Estudos e Pesquisa em História do Amazonas - que integrou aos debates os profissionais da Geografia. 

FOTO: PROF.Me. ELISÂNGELA. AUTOR: CUCUNACA, 2016.
O tema central versou sobre a importância dos conteúdos ministrados pelas disciplinas de História e Geografia com o foco nas necessidades atuais de inserção das temáticas regionais nos currículos conforme o BNCC - Base Nacional Comum Curricular, e mais especialmente, a reafirmação da necessidade de reinserção da disciplina Geografia do Amazonas no currículo do ensino fundamental, tendo em vista a sua supressão nos primeiros anos de 2000. 

FOTO: I ENCONTRO MUNICIPAL DE PROFESSORES DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA.
 AUTOR: CUCUNACA, 2016.

O encontro marcou o inicio de um grande debate histórico e científico para as duas categorias e que certamente refletirão na definição de uma política municipal de educação que não mais descarte a abordagem amazônica do contexto da História e da Espacialidade brasileira. No período da tarde, as palestras da Prof. MSc Elisângela (História) e da Prof. MSc. Maria das Graças Medeiros Borges (Geografia) aquilataram o evento e geraram intensa participação dos presentes. Ainda registramos a presença da ilustre geógrafa Ivete de Azevedo Belém.   De acordo com os organizadores do encontro, houve grande avanço e os próximos eventos contarão com grupos de trabalhos avançados.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

MANAUS APÓS A COPA DO MUNDO E AS OLIMPÍADAS

FOTO: ARENA DA AMAZÔNIA  VIVALDO LIMA. AUTOR: CUCUNACA,2016.
Em 2014 Manaus foi uma das subsedes da Copa do Mundo de Futebol da FIFA e num esforço gigantesco para vencer seus concorrentes na região, empresários e governo estadual iniciaram uma campanha para alcançar este objetivo. Ainda sob a indefinição das subsedes, foram feitas "verdadeiras caravanas" para os eventos da FIFA no objetivo de apresentar a cidade como candidata, seguidas por visitas do comitê da maior entidade de futebol do Mundo às cidades candidatas. Manaus, então conseguiu ser anunciada como subsede o que deu inicio a um processo duro de construção da Arena Amazônia Vivaldo Lima e claro, anteriormente a demolição do premiado estádio Vivaldo Lima, o "Colosso do Norte" concepção e traço do arquiteto Severiano Mário Porto. Esta demolição ocorreu sob protestos de grupos de intelectuais e futebolistas, pois se tinha um estádio ainda muito bem conservado e belo. Claro, sob este aspecto, há que se ressaltar que a Imprensa Local (rádios, jornais e tevês) colonizada foi a favor da demolição. Foram realizados quatro jogos na Arena Amazônia e dentre um destes, o famoso Itália 2 x 1 Inglaterra que é um dos jogos mais importantes da História das copas.

Nas obras urbanas, foram colocados os novos ônibus articulados e feito reformas no chamado "Quadrilátero da Copa" no sentido de melhorias na acessibilidade. Manaus foi uma das subsedes mais criticadas pelos jornalistas e pela imprensa hegemônica do país, localizada no sudeste e suas repetidoras globais que duramente "descredenciavam" Manaus como subsede. Um ambiente terrível na mídia hegemônica com sua campanha para derrubada do governo brasileiro Dilma Rousseff (PT) com o slogam "Não vai ter copa" e com o apoio e incentivo das chamadas "redes sociais". A mídia hegemônica trabalhou intensivamente para a desconfiguração deste evento e claro, suas expressões nativas, como a imprensa amazonense replicou suas mensagens.

As obras da Arena eram questionadas e monitoradas de forma negativa a cada percentual de obra concluída. Manaus, de acordo com pesquisa feita pela FIFA foi a segunda melhor subsede da Copa e cerca de 92% dos 60 mil turistas que passaram pela cidade declararam poder voltar á cidade. Especialmente, lembro das obras nas noites quentes na avenida Djalma Batista,trânsito lento e obras aceleradas. Destas incisões, o belo legado foram as árvores urbanas em canteiros centrais na avenida, que resistiram aos ventos e hoje florescem dando mais vida àquele trecho da avenida. Na iniciativa privada, hotéis internacionais e nacionais foram erguidos e repaginados e tiveram sua taxa de ocupação esgotada durante o evento.

FOTO: JOGO JAPÃO X COLÔMBIA. 2016. AUTOR: CUCUNACA, 2016.
Com as instalações preparadas, Manaus foi candidata para subsede das Olimpíadas do Rio 2016,conseguiu mais uma vez ser credenciada. Já por ocasião da Copa do Mundo de Futebol em 2014, a procura por Manaus na internet chegou a mais de um milhão de acessos e cidade foi se confirmando com a metrópole da Amazônia junto ao imaginário mundial. Diferente do cenário "construído" durante a Copa do Mundo com uma campanha aberta e total dos meios de comunicação empresariais hegemônicos contra a permanência da governanta federal do PT na presidência da república mascarando pelos gritos de "não vai ter copa", houve uma certa indiferença da grande mídia pois já haviam alcançado parcialmente seu objetivo com o vergonhoso espetáculo dantesco de "processo de impedimento" deflagrado no congresso nacional do Brasil contra a presidenta dos 54 milhões de votos Dilma Rousseff,o que indignou setores da imprensa internacional, caracterizando o acontecimento como "Golpe parlamentar". Manaus, então passou a se preparar e ás vésperas da abertura das Olimpíadas para este evento.

A cidade de Manaus voltou então ao noticiário nacional com a deflagração de uma operação chamada "Operação hashtec" deflagrada pela Polícia Federal, comandada por forças internacionais, em que prendeu um amazonense suspeito de terrorismo que havia trabalhado no Centro de Operações de Segurança e no IBGE.

O público presente aos jogos do futebol na Arena Amazônia durante as Olimpíadas era majoritariamente de brasileiros diferente da Copa que presenciamos ter mais estrangeiros e extrarregionais. Mais uma vez, a cidade de Manaus consolidou sua imagem de Metrópole da Amazônia fechando sua participação junto ao Brasil na realização deste eventos globais. Para os mais inteligentes, estes hão de compreender que os nativos de Manaus e do Amazonas tornaram-se protagonistas de uma História Global do Capitalismo, manifestados nestes eventos. Embora, ainda reine em nossa elite socioeconômica o modelo mental de subserviência como uma expressão da mentalidade da elite nacional o de se ver sempre como um "Vira-latas" e estender esta visão ao povo brasileiro numa atitude auto-depreciativa.

Além do legado material deixado por estes eventos mundiais, há um legado intangível de potencialização da nossa capacidade realizadora e em seu aspecto negativo, a linguagem da mídia hegemônica replicada pelas repetidoras locais, com suas narrativas "novelísticas" intencionais da vida e da abordagem que se deseja alcançar e de um vocabulário marcado pela "brutalização" da palavra e no reforço da militarização do cotidiano da sociedade.