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sábado, 26 de junho de 2021

26 DE JUNHO DIA NACIONAL DO PROFESSOR E DA PROFESSORA DE GEOGRAFIA

 

FOTO: PROFESSOR DE GEOGRAFIA.
AUTOR: CUCUNACA, 2021.

Por: Mauro Bechman*

Hoje 26 de Junho, comemoramos no Brasil o Dia Nacional do Professor de Geografia. Sim, uma data muito especial para os que abraçaram a licenciatura como profissão.

muitas questões ainda para serem reparadas aos licenciados em Geografia, o devido reconhecimento salarial, a contagem das atividades extra-classe e o ensino remoto como exercício do magistério da Geografia, o seguro de vida e acidentes para o correta e segura prática de campo para os docentes e discentes além de outras condições materiais, trabalhistas e de carreira profissional.

Sem a Geografia não há Brasil e sem os mestres e mestras de Geografia não há brasileiros e nem brasileiras. É a poderosa Geografia dos Professores que afirma a pertença a um lugar que se constrói e reconstrói na relação dialógica entre tempo/espaço.

Sem os professores e professoras de Geografia não há reflexão sobre o espaço e também nem renovação das utopias entre as gerações presentes e futuras. Não há o desenvolvimento sadio do meio ambiente, a proteção dos geossistemas, da paisagem natural a partir da geomorfologia e da luta pela justiça social nos espaços urbanos e rurais e nem a democratização do acesso tecnológico ás pessoas.

Recordo com tristeza, os professores e professoras de Geografia que partiram vítimas desta terrível Pandemia do Sars Cov-2 no meu país. Alguns amigos, outros colegas de diferentes gerações, outros ainda meus ex-alunos na graduação. Maduros e jovens, homens e mulheres que deram sua vida por esta magnífica ciência.

Nossos corações tristes, pois na cartografia da vida o mapa está um pouco mais vazio. Que estes professores e professoras de Geografia tenham o repouso devido e a memória testemunhe a luta dos que aqui ainda estão pela Geografia com a lucidez e a energia capazes de transformar este mundo num espaço de esperança e justiça socioambiental para todos. Que o luto se torne luta!

Um brinde a todos os professores e professoras de Geografia!


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* Licenciado em Geografia e Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela UFAM e Professor de Ensino Médio da Rede Pública Estadual de Ensino.


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

NÃO É ISTO PROFESSOR?

 

FOTO: PROF. MAURO BECHMAN.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.


Por: Prof. Mauro Jeusy Vieira Bechman*


Ás vezes fico pensando nas eleições municipais. Temos de fato um processo sui generis. Primeiro pelo momento em que passamos, de Pandemia agora classificada como Sindemia e da Legislação eleitoral que praticamente proíbe o chamado corpo-a-corpo e deixa o processo de divulgação das candidaturas praticamente reféns das mídias coorporativas ou das chamadas redes sociais privadas.

Num segundo momento, temos um pleito hiperinflacionado de candidatos da casta militar e em menor proporção, mas digno de nota, o crescimento das candidaturas para a vereador em que no ato do registro eleitoral, se autodenominam Professor ou Professora. Sob este aspecto gostaríamos de ter a liberdade de perguntar quantos destes candidatos possuem habilitação ou formaram em alguma Licenciatura em nível universitário?

Certamente que se alguém se dissesse médico ou engenheiro, os conselhos e sindicatos destas categorias já entrariam com a ação de uso ilegal da profissão. Mas, ao que parece, ser professor não é profissão. De outro modo, o conhecimento da arte e da profissão, é ao menos um pré-requisito ético. 

Assim, perguntaríamos, quantos anos alguns destes candidatos lecionaram para a educação básica (ensino médio ou fundamental)? Que respostas teríamos? 

Nesta profissão é imperioso que se tenha contato com a realidade da sala de aula, dos professores, dos corredores, da fila da merenda escolar, especialmente da Escola Pública. É preciso "sentir o cheiro das ovelhas" como nos ensina Papa Francisco. Aliás, sabemos que os ambientes de trabalho mesmo físicos diferem de rede para rede de ensino e certamente o cheiro das ovelhas é diferente.

Neste sentido, ao menos seria de bom tom, informar em que nível exerceu o magistério de forma legal para que os cidadãos e cidadãs tenham clareza sobre que nível da educação tem melhor compreensão.

 Muitos dos chamados candidatos eleitos, na verdade, empossados na maior parte das vezes votaram ou atuaram contra a educação ou contra a categoria dos professores. E não são poucos os exemplos, além daqueles que passam seus mandatos de forma inexpressiva integrando apenas grupos hegemônicos ligados aos financiadores de campanha nas câmaras municipais. Estas questões se tornam vitais neste momento em que desde 2016 as aulas presenciais vem substituindo os professores reais por virtuais e que por consequência devem levar ao fechamento dos cursos de licenciatura no país em poucos anos.

Não é isto professor?


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* Mestre em Sociedade e Cultura pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM. Licenciado em Geografia. UFAM. Professor de Ensino Fundamental e Médio pela Rede Pública do Estado. (1998-2005). Professor da Rede Privada de Ensino Superior de 2004-2020 em nível de Graduação e Pós-graduação. Coordenador de Curso de Licenciatura em Geografia da Rede Privada (2005-2011).

quarta-feira, 22 de maio de 2019

O PEQUENO PRÍNCIPE, NOTAS

FOTO: LIVRO O PEQUENO PRÍNCIPE.
 AUTOR DA FOTO: CUCUNACA, 2019.

Um dos maiores clássicos da literatura mundial, o Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, é sem dúvida um texto colossal, seja pelo estilo universal seja elevado grau de humanismo presente na história, o que o torna atemporal.

Em situações limites, a humanidade se sobressai numa busca cega do próprio homem, mergulhado no seu próprio ego. Exupéry, apresenta cada homem em seu mundo, monotonamente sem sentido diante de uma existência finita e da enorme necessidade de se preencher o tempo da vida. E, nesta monotonia cada homem é cada mundo, solitário e por si só inexplicável, visto que, as justificativas para o viver são por si só frágeis demais para satisfazer a dimensão da vida. 

 Nas viagens do Pequeno Príncipe, ele conhece um rei em seu planeta de soberba, em si mesmo, imperador e tirano diante do que se candidata a ser seu súdito, mesmo que a autoridade nem mesmo seja levada à sério, mas um rei. Que rei? Talvez este seu exercício de subversão maior, contesta a autoridade de quem não é autoridade. A vaidade e o senso de manipulação da flor sobre o amor de seu dedicado protetor, uma desilusão necessária para que a lucidez brote sobre as ações e sobre as pessoas em suas limitações humanas.

O administrador que só se debruça sobre os números cuja doentia quantificação das coisas o leva a crença de que o seu fazer é mais significante que o dos outros.A exatidão buscada como certeza nos números justificando a seriedade e a posse como ícones de poder e sucesso, uma mera fantasia. O geógrafo que não viaja, prisioneiro de sua vaidade e de sua pena sobre a escrivaninha. Um mundo também sem sentido.

 A raposa carente, sempre incompreendida, mas que consegue ensinar o verdadeiro significado de cativar, afinal é mais fácil amar o que nos é oportuno e cômodo. E a serpente, o mistério e a sedução do convite à viagem por trilhas ainda não plenamente conhecidas. Sobre ser humano, em meio a atividades, que não cheguem nem perto de um ser como o humano, é em verdade a busca no deserto do Saara nesta saga o pequeno príncipe nos ensina que somos únicos e que aí reside a nossa verdadeira beleza.

Li, aos 47 anos de idade, acredito que esta era a idade certa para ler o pequeno príncipe. Agora sim, consertei meu avião e agora vou decolar deste deserto.

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SAINT-EXÚPERY, Antoine de, 1900-1944. O pequeno príncipe. Trad: Dom Marcos Barbosa. Rio de Janeiro:Agir, 2006. 96 págs.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A LUTA DOS PROFESSORES NO AMAZONAS

FOTO: PRAÇA DO CONGRESSO - IEA.
AUTOR:CUCUNACA,2014.

A categoria dos professores sempre foi muito mal remunerada no Brasil. A despeito do que retratam mais uma valoração ética e moral do que salarial. A verdade é que ela nunca na prática foi tratada como uma verdadeira profissão. Do "professor sacerdócio" ao "professor gestor" a "Luta social dos Professores" continua.

Desde a Histórica "Batalha do Igarapé de Manaus" nos anos 1980 em que o movimento docente fora duramente reprimido até as Greves e Paralisações por uma Política de Carreiras,cargos e salários nos anos 1990 e na primeira década dos anos 2000, a nosso ver, ainda há muito a caminhar. 

Algumas vitórias foram sentidas e hoje fazem parte do cotidiano das novas gerações de professores e professoras do Amazonas. Dentre estas conquistas, a HTP - Hora do Trabalho Pedagógico, uma reivindicação dos anos 1990, a regularização dos pagamentos dos salários, pois quando se iniciava nesta atividade, especialmente na condição de contrato temporário ou no chamado regime especial, atrasava-se cerca de três meses o pagamento gerando muitos movimentos paredistas e revoltas difusas em escolas do Estado. 

No Brasil, ainda que existam escolas que usam o Giz, as escolas públicas em Manaus foram substituindo esse recurso pelo pincel atômico e a lousa branca, também uma luta pela saúde dos mestres e das mestres. Recordo sem muita saudade, que ao término de um dia de trabalho,minha garganta e meu pescoço e minhas mãos estavam cheios de giz que misturados ao meu suor nos fazíamos sentir "derrotados". A merenda estendida aos professores também auxilou aos que mal podiam se alimentar em casa ou tinham dinheiro para fazer um lanche na cantina da escola. Também, a descentralização do pagamento dos salários que a todo mês era uma aventura ir "receber no Banco do Estado,o BIG BEA onde não era raro alguma professora desmaiar ou passar mal com a lotação, pois recebíamos o salário na chamada boca do caixa.

Todos estes movimentos, embora sejam usufruídos por professores e professoras que não vivenciaram essas lutas, seria inteligente saber que são frutos de uma luta coletiva e que nenhum governo ou prefeito simplesmente presenteou os mestres com o atendimento às suas reivindicações. Foram os mestres que organizados pelo coletivo, geraram algumas destas poucas vitórias do presente. Ainda insuficientes para se afirmar que os professores são plenamente uma profissão igual aos profissionais que formam.

A luta continua!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

DIA DO PROFESSOR

Foto: Estante do Professor de Geografia. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

No dia 15 de outubro estaremos rememorando este espetacular profissional que é o professor. E, neste tempo de eleições municipais, não podemos deixar de passar desapercebido, a figura do político professor, uma vez que na história do país e desta cidade sempre houveram alguns nomes para lembrar sua passagem no campo da administração pública e que usaram e abusaram da licenciatura como necessidade e, em alguns não raros casos, para auto-promoção com vistas ao alcance de um cargo público.

Podemos lembrar de alguns destes personagens que passaram pela política manaura, como o já falecido professor Gilberto Mestrinho, de formação política ligada ao Movimento pela Democratização do Brasil, mas que ficou mais conhecido pela construção de escolas públicas com 40 salas de aula nos bairros mais densamente povoados de Manaus, além da dura repressão ao movimento grevista dos professores, que marcou tristemente, a histórica luta dos trabalhadores da educação no anos 1980, com a chamada "Batalha do Igarapé de Manaus".
 
 
Outros personagens que não podemos deixar de reportar, pois evocam a titulação de professor, são o professor Sinésio Campos, cuja militância pelo combativo Partido dos Trabalhadores (PT) vem a cada tempo esmaecendo e se distanciando das reais necessidades dos professores e ainda a Professora Therezinha Ruiz (DEM) recentemente reconduzida a um cargo politico na Câmara Municipal de Manaus como vereadora eleita, cuja atuação para as melhorias que garantam um ensino de "Real Qualidade" para a sociedade amazonense e manauara, ainda precisam ser melhor visualizadas e incorporadas pela categoria dos professores que ainda sentem-se órfãos com relação a sua representatividade no poder público.
 
Como professor há mais de 15 anos, penso que ainda falta muito para esta profissão ganhar a respeitablidade devida pela sociedade. Situações que vão muito além de programas políticos assistencialistas que reforçam o partenalismo político como o tal de "Um computador por aluno" como se isto redimisse a educação e ou ainda a simples e pura edificação de escolas para o deleite de empreiteiras enquanto o Amazonas e Manaus, pelos baixos índices na educação, acabam relegados ao triste papel de financiadores de empregos para outras regiões brasileiras - sem ser regionalista ou barrista, pois acredito numa educação que dê igual oportunidade a todos e não a que cerceia, desqualifica e sub-educa. 
 
Um causo. Certa vez, estávamos vindo de uma eleição municipal com resultados inesperados, uma vez que a candidatura apoiada pelos professores e movimentos sociais, havia sucumbindo num segundo turno sob forte suspeição, os professores sabiam que após a eleição viria o castigo para todos por não terem apoiado a candidatura do sistema.
 
Foi então que em silêncio quase sepulcral estávamos á mesa na sala de professores, quando ás vésperas do dia do Professor num clima de apatia, hironicamente o professor de História bradou: Hoje é dia do Professor! Uma salva de palmas para o Professor Gilberto Mestrinho! Todos ficaram calados. Novamente o mestre bradou: Uma salva de palmas para o professor Fernando Henrique Cardoso! e novamente silêncio e a indiferença. Sem graça, mas com um senso de humor no melhor estilo inglês, o mestre falou quase que somente para os seus botoes: É... tá dificil de homenagear o professor!

Neste pleito alguns professores foram eleitos para a vereança da cidade de Manaus. Espero que possamos bradar um dia: - Uma salva de palmas para o Professor, pela defesa intransigênte da Educação e do Magistério, contra as injustiças e perseguições, contra a carga horária opressora, contra a insegurança nas escolas que afugenta alunos, constrange professores e compromete o futuro dos manauaras!
 
Contudo, neste dia 15 de outubro peço a todos os mestres que dignamente exercem o magistério e buscam dele fazer uma profissão de vida, que reflitam sobre nossa condição e que aproveitem este "Dia Branco" para nunca esquecer que nesta luta nunca podemos nos desumanizar, deixando de sorrir, de transmitir otimismo, de fazer valer a história quando ela nos provocar a transformá-la.

Um beijo grande a todos os colegas e as colegas desta magnifica profissão que é ser professor!


A luta continua...SEMPRE!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

AMAZONAS: AMAZÔNIAS

FOTO: PAVILHÃO AMAZONENSE. AUTOR: CUCUNACA, 2014.

Nesta postagem, buscarei falar do gigante que há em mim, num formato livre para que possamos entender o amor que nutrimos pelo lugar em que nascemos e cuja história e geografia só poderiam nos orgulhar. Neste sentido, este texto será um texto sentimental em que pesa a visão do geógrafo e o sentimento do cidadão.

AMAZONAS - O GIGANTE DO NORTE

O fascinio que tem-se a descrever o Amazonas em suas espacialidades expostas e intrisecas, por si só já nos conduzem a um mistério de reinvenção constante de sua história, de sua cultura e de sua geografia.
Do meu tempo de criança, sempre dinâmico, aprendi a desenhar barcos regionais na escola primária Santa Luzia, cujas simbologias sempre traziam a idéia de nacionalidade brasileira e da bandeira do Amazonas. Era a década de 1980 e os nossos clubes de futebol ainda lotavam os estádios da Colina e o Vivaldão. O Nome dos clubes eram efetivamente diferentes, como o Rio Negro cujas cores são preto e branco e o Nacional de cores azul e branco. Esta feita uma das rivalidades mais importantes do futebol do Norte, o clássico RIONAL. Nos domingos de clássico, pela manhã, não se falava outra coisa senão o clássico. No almoço, o tambaqui na brasa com tucupi e farinha do uareni e vinho de bacaba e açai, e para o mais velhos é claro, cervejas e caipinhas. Não poderia faltar o som de Chico da Silva que sempre fez músicas de sucesso.
Mas, o Amazonas ainda se manifestava em mim na vida simples dos meus pais, vindos de Itacoatiara para iniciar uma vida nova com a chegada da Zona Franca em 1967. Traziam consigo, seus remédios, seus costumes, suas histórias. Raramente íamos ao médico, pois os remédios eram feitos em casa, pois nos quintais criavam-se galinhas, patos, porcos e os canteiros possuiam plantas medicinais e a ritualização sempre caracteristica de um povo cuja existência estava intrissecamente ligada a natureza.
O boi bumbá que conheci e amei ainda existe nas periferias de Manaus, metamorfeando-se para sobreviver nos tempos atuais. A dança do cacetinho, meu Deus, que riqueza com sua encenação e drama, uma luta pelo amor de uma índia, entre irmãos! Sentia que tudo isto era o Amazonas.
No governo militar de José Lindoso, fizeram-se programas para divulgar a cultura do Amazonas nos álbuns de figurinhas que davam prêmios em troca de notas fiscais. Nas escolas, o dia 5 de Setembro eram um maravilhoso período de reverência a elevação do Amazonas á categoria de província. Desfiles cívicos davam um brilho especial ao Dia do Amazonas com as escolas públicas e privadas expondo garbosamente o orgulho de ser amazonense.
Do Amazonas que habita em mim, tenho carinho exponencial pelo Rio Amazonas, este imperador da Amazônia, cheio de lendas, ritos e história. O Rio Amazonas do Encontro das Águas em que habita o espirito imortal do guerreiro Ajuricaba, que jamais aceitou ser escravo e por isso no encontro das águas negras do Rio Negro com as águas barrentas do Solimões entregou-se á História. Personagens que povoam o Rio Negro ainda hoje nas lendas dos povos da Amazônia que o colonizador exerno e interno faz questão de encobrir.
O Amazonas dos rios, igarapés, furos, cachoeiras, do clima de momarço, quente e úmido, do sorriso moreno dos caboclos e da dança encantadora das caboclas morenas de olhos amendoados. Amazonas dos magestosos buritizeiros que estão destruindo na minha cidade em nome do progresso que apaga minha identidade me transformando em um não-ser.
Amazonas do calor do povo simples que ainda acolhe o aventureiro como "parente" herança das suas muitas nações indígenas. Amazonas de Ajuricaba, de Tabatinga, Itamarati, Tefé, Parintins, dos caboclos brancos de Itacoatiara, do peixe e da farinha de Uarini, de Manacapuru e do Iranduba, dos índios maués, da terra de Maruaga e Comprido que ousaram reagir ao colonizador.
Neste Amazonas que habita em mim, habitam várias amazônias e é tão grande a sua riqueza que dá até vontade de morrer... de viver!

Saudações Amazonenses e Amazônicas!

domingo, 18 de julho de 2010

PRIMEIRO ADEUS AO "COLOSSO DO NORTE"

FOTO: ESTÁDIO VIVALDO LIMA. 2008. AUTOR: CUCUNACA, 2008.

Nesta postagem, farei um mergulho á arquitetura de minhas lembranças como torcedor de futebol e como cidadão desta Amazônia que me ensinaram a ignorar e que aprendi a amar. Peço apenas que leiam como um grito da arquibancada, para que a poronga não se apague e a floresta escureça mergulhando no pântano do esquecimento.

O COLOSSO DO NORTE - O VIVALDÃO

É domingo, na cidade dos Manaús. O rádio fala dos jogos do campeonato brasileiro, os jornais tem na sua primeira página, o convite sugestivo ao futebol. Eu, meus irmãos e meus pais vamos ao Estádio Vivaldo Lima. Os ônibus andam tão lotados que seguem suas trajetórias tombando com pessoas em cima numa espécie de surfistas urbanos e dependurados em portas e nos seus para-choques. Que sufoco!

É domingo, e escutamos as músicas de Chico da Silva, ao mesmo tempo que fazemos o almoço dos amazonenses com tambaqui na brasa e alegria que se mistura a ansiedade para a ida ao estádio.

Ao olhar de um menino de 10 anos de idade, vejo realmente um "Colosso", cercado por gente em filas quilométricas. Nos seus arredores, multidões caminham de todas as direções, com alegria e ansiedade param o tráfego e com gritos e bandeiras revelam uma paixão imortal pelo futebol.

O estádio está ficando cheio e eu pequenino vejo pintado as cores das bandeiras dos clubes do Amazonas nas arquibancadas e pergunto ao meu irmão mais velho o significado de cada combinação de cores e, ele me explica cada uma desta combinações. Mas vejo uma desproporção nas cores. Os dois lados que se opõem diametralmente, se opõem ao longo das mais extensas faixas do estádio, de um lado, as cores azul e branca e de outro as cores preta e branca. Estávamos diante de uma simbologia que superava os anos e tinha raízes fincadas na histórica rivalidade entre os times do Nacional Futebol Clube (Naça) cujas cores são o azul e o branco e o Atlético Rio Negro Clube (Galo da Praça da Saudade) nas cores preto e branco.

A medida que o público ia se acomodando, a rivalidade entre os torcedores ia se acirrando, a ponto de na torcida do galo ninguém passava com as cores que lembrasse o azul e vice-versa. O clássico Rio-Nal ganhava espaço no meu coração e na minha memória.
Frequentei o estádio nos anos 1980 e vi campanhas memoráveis do Nacional neste estádio que agora vejo desmoronar com o passar de incompetentes dirigentes de clubes de futebol.

Na campanha de 1987, no campeonato brasileiro, o Nacional vencia a todos que vinham jogar em Manaus, tínhamos uma das melhores médias de público e a cada vitória hordas de torcedores soltavam fogos pelas ruas nos arredores do estádio. As torcidas eram um show a parte. O Galo tinha a "Galo Gay" - torcida criada para compensar a ausência das mulheres do estádio e o Naça, cujos torcedores sempre foram mais fervorosos e violentos tinham a "Selva Azul" e outras que não lembro o nome direito. Mas lembro que muitos grandes clubes do sudeste e sul vinham ser derrotados pelos nossos times e a paixão de fato era muito forte. Ainda hoje quando escuto Chico da Silva, minhas lembranças voltam áquele tempo.

Não pretendo aqui, ignorar que cada momento tem seu tempo e este foi um dos momentos que me trazem saudade apesar das dificuldades de uma década de crise econômica nacional. Mas ver o palco dos nossos clubes desaparecer, me faz refletir que uma construção como o Vivaldão não merecia ter um destino como este, de desaparecer em favor de um markentig ambiental em que o turismo é mais importante que a alegria de viver dos torcedores do lugar. 

Da mesma forma que, acredito que o silêncio de nossa elite social e econômica, transformaram-se num crime contra a reflexão e a construção de uma memória espacial que reafirme o futebol no Amazonas. Aliás, nossos clubes como o Rio Negro, o Nacional, São Raimundo, Sul América são quase centenários e em nada quanto á história deixam a desejar para o restante do país.

Fui tentar testemunhar a demolição do Vivaldo Lima e fomos proibidos de fazer imagens internas. Voltei frustado para casa, Eu e meu filho Mauricio, registramos poucas imagens externas dos escombros do estádio, pois não pudemos dizer adeus ao Colosso do Norte!

domingo, 23 de maio de 2010

O GEÓGRAFO E A GEOGRAFIA

FOTO: GEÓGRAFO. AUTOR: CUCUNACA, 2012.
Neste artigo, discutirei as condições e os condicionantes na formação do profissional geógrafo, bem como, as mudanças de contexto que possibilitaram ao geógrafo alçar novos vôos e ampliar seus horizontes profissionais.

O TRABALHO DO GEÓGRAFO

Estamos entrando na Semana em Homenagem ao Geógrafo, pois dia 29 de maio é o Dia do Geógrafo, este profissional que chega ao Brasil antes mesmo de sua consolidação enquanto estado nacional.
Desde a chegada dos portugueses, os geógrafos já tinham um papel importante na delimitação e na forma de pensar a apropriação das colônias lusitanas. Da Geografia portuguesa herdamos as técnicas clássicas de cartografia e a forma de pensar e consolidar conquistas territoriais.

A medida que o país ia sendo conquistado e seu espaço consolidado, o trabalho do geógrafo continuou restrito a um "fazer estratégico" legado á consultoria da coroa real portuguesa e ademais, junto ás instituições governamentais de planejamento e pesquisa, revelando uma postura ética ligada aos detentores do poder, neste caso, o Estado.

A partir de 1978, sob o égide da abertura política brasileira - o que se consolidaria em 1979 com a Lei da Anistia, a Corporação dos Geógrafos passa a ter uma postura de enfrentamento com o status quo no país, marcando assim, um rompimento do fazer geográfico a serviço apenas do Estado. Neste sentido, o papel da AGB - Associação dos Geógrafos Brasileiros, fora de suma importância para a organização da categoria profissional no país, multiplicando-se em entidades por todas as regiões do país. E, neste contexto, não poderíamos deixar de destacar o papel da AGB seção Manaus, criada em 1982, na defesa intransigente das questões relacionadas ao espaço urbano e ao meio ambiente da Amazônia.

Os geógrafos atravessaram crises de identidade, ligadas á própria epistemologia da ciência, que por vezes num descrédito e perda de foco do fazer do Geógrafo. As entidades em que os préstimos do Geógrafo eram necessários se restringiam às escolas públicas e privadas e ou com alguma ressalva a entidades públicas ligadas ao planejamento, o que não inspirava jovens à escolha desta atividade como profissão, uma vez que, no capitalismo, o critério de valoração profissional passa pela condição de "status social" que uma determinada profissão representa para a sociedade, além da possibilidade de ganho financeiro.

A formação holística e multidisciplinar do Geógrafo, dificultou sua absorção como força de trabalho para o mercado. Realidade esta, que sofreu uma alteração significativa com os novos contextos do inicio do século XXI, com a valoração do profissional multidisciplinar em todos os campos. Estas perspectiva se deu principalmente ao avanço das geotecnologias e das preocupações relacionadas com o meio ambiente e as ações humanas.

Atualmente, podemos pensar que o Geógrafo passa a representar um ATOR importante na trama da vida socioambiental e aquela formação eclética e multiface, que outrora significava uma dificuldade para absorção deste profissional para o mercado, hoje representa um diferencial importante para perfil do profissional desejado nas instituições em que o trabalho do geógrafo se faz necessário. Deste modo, os Geógrafos estão cada vez mais presentes - além de suas áreas clássicas - na área de saúde ambiental e coletiva, geotecnologias, educação ambiental e planejamento da cultura.

Neste sentido, para se credenciar a esta profissão, deve-se construir a competência no envolvimento com a ciência e a militância permanente pelo projeto de ser um GEÓGRAFO, independente de sua área de atuação, seja no ensino, na iniciativa privada ou nas instituições públicas. O mercado aí está, selecionando os melhores profissionais, os que tem compromisso e os que amam o que fazem.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O PROFISSIONAL

FOTO: BIBLIOTECA DO ANOTE. AUTOR: CUCUNACA, 2016.

A perspectiva de alguém que pretenda se tornar um profissional de sucesso e respeito passa inexoravelmente pela reflexão sobre a mudança de Atitude. Neste sentido, deve-se ater a algumas etapas importantes no processo de "fazer as coisas" que efetivamente atinjam as pessoas de forma positiva. Sobre este assunto, sabe-se que existe uma literatura rica e cada vez mais aberta a contribuição por situações novas oriundas das experiências de vida na gestão responsável e experimental.

MUDANÇA DE ATITUDE: DO AMADOR AO PROFISSIONAL

Neste breve texto, pontuarei alguns aspectos sobre a passagem do espírito amador ao espírito profissional. Sob este aspecto poderíamos comentar sobre a mudança na postura que deve ter seu inicio a partir da própria denominação da pessoa. Imaginem claramente a diferença entre o pré-nome Mauro e o de Prof. Mauro. Pode-se concluir que aparentemente não há diferenças significativas pois o nome pessoal não passou por alterações. Mas num exame mais detalhado, pode-se inferir as grandes diferenças presentes no pré-nome aqui representado na grafia por "Prof.". Dessa forma, podemos dizer que o pré-nome, deve para o profissional representar uma perspectiva de mudança quanto a sua postura e o conteúdo que traz consigo, uma vez que evoca a competência construída ao longo de uma carreira cujo inicio reporta aos primeiros anos na escola, passando pelos cursos regulares, outros tantos mini cursos diversos de aperfeiçoamento, chegando aos mestrados e doutorados. Deste modo,o pré-nome "Prof", encerra uma postura profissional, cujo somatório de conhecimentos e saberes, lhe outorgam a nobre missão de educar e produzir conhecimentos novos. Então, a mudança na postura, passa sobretudo pelo respeito devido ao profissional que deixou de ser apenas mais um "Mauro" na lista telefônica. Somado a isto, há neste pré-nome, não apenas a titulação acadêmica e o acúmulo de experiências, mas também uma MÍSTICA que acrescenta a magia do ato do exercício profissional que nos dias atuais responde por uma perda da "aura do mestre" - como sendo aquele que ensina o caminho - e, conseqüentemente con correndo para uma "coisificação" do professor, agora banalizado e tratado nem mais como pessoa mas como "coisa". Nossa preocupação reside aí exatamente,onde o professor perde a sua aura de mestre, perdendo por conseguinte, sua magia, seu respeito e sua profissão. Face a isto, os professores e professoras tem neste momento um papel importante para consigo próprios, tomar uma nova atitude no sentido de sua re-humanização e re-profissionalização. Daí falar claramente, num profissional e não numa coisa. Aliás, o educador Paulo Freire, já havia alertado para isto no livro: "Professora Sim, Titia Não!". Do amador, que nunca se perca o AMOR, pois é ele que move o bom PROFISSIONAL.

MUDANÇA DE ATITUDE: FAZER AS COISAS

Um profissional não pode fazer as coisas a partir da simples justificativa de que não se tenha os meios. Aliás, alguns "profissionais" ainda acreditam que as instituições devem lhes dar todas as condições materiais possíveis e impossíveis para a sua atividade. Uma vez, numa escola em que trabalhei, ouvi a seguinte frase: "Quem não procura como fazer, procura como justificar o não feito sempre". Fiquei preocupado com esta colocação, numa forma de que teríamos que nos municiar de todos os equipamentos necessários ao exercício de nossa profissão a partir de nossos próprios salários. Os colegas de orientação classista eram radicalmente contra esta propositura neoliberal. Como pessoa militante "pela profissão" e não por partidos políticos, comecei a ver outros profissionais e seus comportamentos. Após minhas observações, cheguei a conclusão de que médicos possuem suas maletas, advogados também, arquitetos e engenheiros seus capacetes e equipamentos pessoais... mas os professores. Hoje penso que a postura profissional passa por uma mudança de atitude com relação sim, ao seu material de trabalho, em que fazer as coisas dependam do empreendimento do profissional e não das instituições. Não quero aqui desobrigá-las a dar as condições de trabalho, quero apenas ratificar que devemos mudar nossa postura profissional para que fazer as coisas atinjam as pessoas de forma positiva e nossa profissão seja respeitada e recomendada para outras instituições e para que sobretudo, o nosso trabalho seja referendado pelo pelos nossos alunos, como futuros profissionais. Aliás, o mundo de hoje precisa de profissionais que sejam obstinados por soluções, porque é neste objetivo que se pode melhorar o mundo.
Aliás, neste momento, estamos conscientes e a sociedade também que quem faz as instituições são os profissionais que nela atuam, é na competência deles que reside o capital mais precioso, o conhecimento, mas que para ser um profissional de sucesso ele necessita fazer as coisas...acontecerem.

MUDANÇA DE ATITUDE: ATINGIR AS PESSOAS POSITIVAMENTE

Atingir as pessoas positivamente, requer um preparo profissional que envolva um trabalho de apreendizado constante (a atualização profissional)o conhecimento de meios e métodos que dêem segurança aos que recebem a informação e os provoque com "certezas temporárias" para que o conhecimento seja um legado de perguntas e descobertas e para que o ciclo da vida mantenha sua dinâmica. Atingir as pessoas positivamente é repercutir o nome do profissional e os problemas por ele propostos, o que a esta altura deve ocorrer para além dos muros da sala de aula. Repercutir está em ter seu trabalho revelado e reconhecido por todos. É um serviço público do profissional para com a sociedade.

PENSE NISTO!

quarta-feira, 24 de março de 2010

FIM DA HISTORIA E DA GEOGRAFIA

FOTO: GLOBO TERRESTRE EM P/B. AUTOR: CUCUNACA, 2014.
A secretaria de educação do município de Manaus, estuda o fim das disciplinas História do Amazonas e Geografia do Amazonas. Vivemos um novo momento em pleno processo de globalização da economia e mundialização social. Neste sentido, o lugar deve se afirmar como espaço da identidade e não espaço da repetição. 

Quero dizer que se um Estado deseja se tornar um pólo turístico nacional, como pode propor o fim da memória regional e local, presentes na disciplina de História do Amazonas! E como propõe impedir que os futuros cidadãos possam ter acesso ao conhecimento sobre o LUGAR EM QUE VIVEM! Há neste ato, a meu ver, um enorme contra-senso e um atentado a identidade amazônica e amazonense.