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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A NOVELIZAÇÃO DA VIDA E A VIDA COMO UMA SÉRIE DE TEVÊ

FOTO: BALÉ FOLCLÓRICO DO AMAZONAS.
 AUTOR: CUCUNACA, 2017.
Ao longo de uma existência as pessoas assumem viver determinados personagens e a partir deles partilham seus dias junto aos seus semelhantes e a natureza. Quando temos a possibilidade de observar com maior acuidade o cotidiano da vida passamos a "compreender" parcialmente como as pessoas e inclusive nós, somos compelidos a ver a vida a partir de um prisma alegórico, ou seja, fora da realidade. A literatura crítica chama isto de alienação, quando o indivíduo não compreende a totalidade de sua produção laboral e quando sua visão gera um certo desvio das condições objetivas da vida. 

Sobre este aspecto, ao nos debruçar sobre algumas observações, pode-se constatar que algumas pessoas das gerações dos anos 1970 a 1990 passam a ver a vida e os seus acontecimentos como uma novela de televisão, com inicio, meio e final feliz. E, este simulacro da vida que é a telenovela, penetra no devir das pessoas, moldando comportamentos e conformando o imaginário, que já não é puramente o do indivíduo em sua particularidade. Assim, a visão de um enredo da existência também passa a misturar fantasia, ficção e realidade, claro, este último elemento em menor nitidez. 

Desse modo, vemos e convivemos com pessoas que vêem a vida como uma novela, em que há vilões, vilãs, heroínas e galãs envolvidas em tramas que ocorrem a cada capítulo, sem danos á sua vida material e noção de existência. E, como num capítulo de novela, mesmo os que mostram os galãs e mocinhos passarem por dificuldades, há o ingrediente no imaginário de que o próximo capítulo será melhor e o final da novela será feliz com o galã casando-se com a donzela, a punição dos maus e a confraternização dos atores secundários no desfecho final do enredo. Esse modo de ver, chega a nós, por estes "faróis" que assim vêem a vida social, econômica, ambiental, política, artística. Neste estágio, parece que estamos contracenando no teatro da vida como "atores de novela" e não com atores sociais. 

A exposição quase que total dessa geração a esta forma de mídia tem marcas importantes, a ponto de numa simples conversa informal com pessoas desta geração temos a impressão que estamos dialogando com atores e jornalistas dos telejornais exibidos entre as novelas.Um verdadeiro sofisma. 

Noutro ponto, temos a geração do século XXI que se alimenta das multimídias e a elas rendem tributos. As séries das televisões por assinatura e as exibidas em canais via internet, vêem hoje assumindo o lugar das telenovelas nacionais. Claro, há diferenças profundas, porém em suas intencionalidades se colocam diante do mesmo objetivo e vem conseguindo tal qual sua antecessora, moldar a subjetividade coletiva. 

Nas séries, os mitos se misturam aos místicos, coadunados ao mundo real, alienando fantasticamente a realidade objetiva da consciência do ser sobre si mesmo e sobre a realidade social, política, geográfica, ambiental e suas outras dimensões, diluindo a tradição humanista e incluindo uma leitura disforme e paralela á realidade dada. Neste instante, o que vale é a opinião banal pretensamente independente, mas em verdade, extremista e totalitária, envolta num relativismo distópico sem coletivo onde reina a imagem e o atomismo do indivíduo. 

Desse modo, esta geração vem construindo seu espaço geográfico ou negando-se a construí-lo. E é neste sentido e cenário que se faz cada vez mais importante a presença do mestre e da mestra, da educação enquanto processo de construção da humanidade em seus sentido mais intenso, visto que, cada vez mais pouquíssimas almas, sabem hoje que a vida não é telenovela e muito menos uma série de tevê por assinatura.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

DIA DO PROFESSOR

Foto: Estante do Professor de Geografia. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

No dia 15 de outubro estaremos rememorando este espetacular profissional que é o professor. E, neste tempo de eleições municipais, não podemos deixar de passar desapercebido, a figura do político professor, uma vez que na história do país e desta cidade sempre houveram alguns nomes para lembrar sua passagem no campo da administração pública e que usaram e abusaram da licenciatura como necessidade e, em alguns não raros casos, para auto-promoção com vistas ao alcance de um cargo público.

Podemos lembrar de alguns destes personagens que passaram pela política manaura, como o já falecido professor Gilberto Mestrinho, de formação política ligada ao Movimento pela Democratização do Brasil, mas que ficou mais conhecido pela construção de escolas públicas com 40 salas de aula nos bairros mais densamente povoados de Manaus, além da dura repressão ao movimento grevista dos professores, que marcou tristemente, a histórica luta dos trabalhadores da educação no anos 1980, com a chamada "Batalha do Igarapé de Manaus".
 
 
Outros personagens que não podemos deixar de reportar, pois evocam a titulação de professor, são o professor Sinésio Campos, cuja militância pelo combativo Partido dos Trabalhadores (PT) vem a cada tempo esmaecendo e se distanciando das reais necessidades dos professores e ainda a Professora Therezinha Ruiz (DEM) recentemente reconduzida a um cargo politico na Câmara Municipal de Manaus como vereadora eleita, cuja atuação para as melhorias que garantam um ensino de "Real Qualidade" para a sociedade amazonense e manauara, ainda precisam ser melhor visualizadas e incorporadas pela categoria dos professores que ainda sentem-se órfãos com relação a sua representatividade no poder público.
 
Como professor há mais de 15 anos, penso que ainda falta muito para esta profissão ganhar a respeitablidade devida pela sociedade. Situações que vão muito além de programas políticos assistencialistas que reforçam o partenalismo político como o tal de "Um computador por aluno" como se isto redimisse a educação e ou ainda a simples e pura edificação de escolas para o deleite de empreiteiras enquanto o Amazonas e Manaus, pelos baixos índices na educação, acabam relegados ao triste papel de financiadores de empregos para outras regiões brasileiras - sem ser regionalista ou barrista, pois acredito numa educação que dê igual oportunidade a todos e não a que cerceia, desqualifica e sub-educa. 
 
Um causo. Certa vez, estávamos vindo de uma eleição municipal com resultados inesperados, uma vez que a candidatura apoiada pelos professores e movimentos sociais, havia sucumbindo num segundo turno sob forte suspeição, os professores sabiam que após a eleição viria o castigo para todos por não terem apoiado a candidatura do sistema.
 
Foi então que em silêncio quase sepulcral estávamos á mesa na sala de professores, quando ás vésperas do dia do Professor num clima de apatia, hironicamente o professor de História bradou: Hoje é dia do Professor! Uma salva de palmas para o Professor Gilberto Mestrinho! Todos ficaram calados. Novamente o mestre bradou: Uma salva de palmas para o professor Fernando Henrique Cardoso! e novamente silêncio e a indiferença. Sem graça, mas com um senso de humor no melhor estilo inglês, o mestre falou quase que somente para os seus botoes: É... tá dificil de homenagear o professor!

Neste pleito alguns professores foram eleitos para a vereança da cidade de Manaus. Espero que possamos bradar um dia: - Uma salva de palmas para o Professor, pela defesa intransigênte da Educação e do Magistério, contra as injustiças e perseguições, contra a carga horária opressora, contra a insegurança nas escolas que afugenta alunos, constrange professores e compromete o futuro dos manauaras!
 
Contudo, neste dia 15 de outubro peço a todos os mestres que dignamente exercem o magistério e buscam dele fazer uma profissão de vida, que reflitam sobre nossa condição e que aproveitem este "Dia Branco" para nunca esquecer que nesta luta nunca podemos nos desumanizar, deixando de sorrir, de transmitir otimismo, de fazer valer a história quando ela nos provocar a transformá-la.

Um beijo grande a todos os colegas e as colegas desta magnifica profissão que é ser professor!


A luta continua...SEMPRE!