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domingo, 22 de setembro de 2024

POR QUAL RAZÃO MARCELO RAMOS


FOTO: M. BECHMAN.
 AUTOR: CUCUNACA, 2024

Por: Mauro Bechman*

Faltando poucas semanas para mais uma Eleição para Prefeito da Metrópole da Amazônia, Manaus. Uma das cidades mais ricas e mais brutas do Brasil. Indicadores sociais que se aproximam do Brasil dos anos 1970 em se tratando de educação, saneamento básico e analfabetismo intelectual. 

Uma cidade, com sua história singular que se confunde com a própria história da Amazônia, tatuada em suas poucas ruas em paralelepípedo, casarões portugueses desbotados testemunhos de outros tempos em que a cidade morena se pensava europeia, um engano sincero. 

Cidade de aventureiros e paraquedistas e um povo bom, que sempre vê no perdão aos seus detratores e tiranos, uma forma de não desistir de ser feliz, mesmo que a felicidade não exista.

Na história política, alianças espúrias e convergências necessárias, possibilitaram Manaus por duas vezes nos últimos 50 anos questionar sua subalternidade, seja nas eleições municipais, que com a ajuda da sociedade civil esclarecida, a dominância da oligarquia política de Gilberto Mestrinho foi derrotada. 

Após isso, o hiato de duas décadas, e as forças progressistas, novamente ousaram enfrentar as oligarquias locais, derrotando Amazonino Mendes. 

Depois a inércia decorrente da própria dissensão e desorganização das forças populares, lhes tiraram o protagonismo político local.

Marcelo Ramos, sua trajetória militante desde o movimento estudantil, ainda na construção de sua identidade política e ideológica bailou com progressistas e liberais e novamente pede acolhimento no campo progressista. 

Desse caminho, a compreensão da gestão pública ao respeito em nível nacional e a capacidade inerente de negar o autoritarismo quando este mansamente se assenta na república.

Daí um respeito pela coragem de não acomodar-se e nem acovardar-se diante dos proto-ditadores. Nos momentos certos, também é preciso coragem para romper.

Marcelo, tem sua memória na Manaus de ontem e de sempre, pois foi nesta cidade que viveu e vive, do prédio da velha jaqueira ás passeatas estudantis pelas ruas do centro histórico, cada pedra e cada janela. 

Marcelo possui uma inquietação que ainda traz consigo, agora, pelo tempo miscigenada com a lucidez, essa vontade de transformar a vida em mais vida nesta cidade que aos poucos dilui sua bela história em troca de bravatas baratas e ouro de tolo ofertados pela mídia. 

Se os prédios do Centro Histórico pudessem falar, talvez, ao Marcelo eles dariam um sorriso, em vez de palavras.

É novamente eleições municipais em Manaus, minha cidade e continuarei a votar com lucidez.

quinta-feira, 30 de maio de 2024

CORPUS CHRISTI EM MANAUS


FOTO: DOM ZENILDO. CORPUS CHRISTI 2024.

Por: Mauro Bechman

Nesta santa quinta-feira 30/05 das 17h ás 19h a Arquidiocese Metropolitana de Manaus celebrou a Solenidade de Corpus Crhisti com Missa e Procissão pelas ruas do Centro Histórico de Manaus.

Ao longo do trajeto que compreendeu da avenida Eduardo Ribeiro descendo o Largo de São Sebastião, uma verdadeira multidão estimada em 60 mil pessoas acompanhou a procissão.

A Solenidade foi presidida pelo bispo Dom Zenildo Lucena, bispo auxiliar da Região Episcopal de Nossa Senhora Aparecida. O encerramento se deu com a benção solene na avenida Eduardo Ribeiro.

Vejam as imagens 


















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*Agente da Pastoral do Batismo da Área Missionária São Paulo Apóstolo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

QUANDO O MELHOR É TER RAZÃO

 

FOTO: TEATRO AMAZONAS. 29M.
AUTOR: CUCUNACA, 2021

Por: Mauro Bechman*

Em muitas derrotas, aliás somos campeões em derrotas, sempre fica um sabor da vitória incompleta. Foram muitas eleições que se passaram.

Na verdade poucas vitórias. Aquelas inesquecíveis, como a de Mestrinho sobre Josué Filho em 1982 e ainda nem sabíamos o que estava em jogo áquela altura. Talvez uma outra, a vitória de Arthur Neto sobre Gilberto Mestrinho em 1989 ou a de Lula sobre José Serra (2002) enfim os dedos das mãos sobram quando falamos em vitórias em pleitos eleitorais.

Nas derrotas, o sentido de que faltou comunicação entre as idéias e as pessoas. Os desacertos e a imaturidade e mesmo assim, nunca nos faltou paixão e razão. Em 2012, o começo do apocalipse para Zootopia e chegamos assim a primeira década do século XXI.

Perdemos com Haddad, um professor num processo corrompido e legitimado devidamente pelo estabilishment, afinal era preciso retomar o domínio do quintal e o nosso lugar como nação na penumbra descrita por Roosevelt. 

Estávamos com a razão e com a emoção, esta última prisioneira da ilusão de democracia por quem não era democrático. Com a derrota, a pauta de futuro do Brasil foi para o fim da fila. Perdemos também com José Ricardo, um humanista e os amazonenses sofreram brutalmente com o choque da Pandemia.

Perdemos colegas de trabalho, amigos próximos e distantes, a ausência encoberta pela chuva de mantras e mentiras que impediram a tomada de consciência e lucidez. Mais uma vez, a derrota foi apenas a constatação de uma anomalia quase congênita implantada no córtex coletivo. 

Hoje, vemos que foi melhor manter a razão, estar embebecido de lucidez não nos desumanizando acreditando que está tudo bem, que o galo não vai cantar e que o amanhã nunca nascerá. Estais atentos! pois

Quem dorme com a razão nunca dorme


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*Mestre em Sociedade e Cultura pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA PADROEIRA DO AMAZONAS

 

FOTO: SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA. PADROEIRA DO AMAZONAS. AUTOR: CUCUNACA, 2021.


Por: Mauro Bechman*

Neste final de tarde, às 17h a Arquidiocese de Manaus celebrou a Solenidade de Nossa Senhora da Imaculada Conceição padroeira do Amazonas.

A missa campal ocorreu na Avenida Eduardo Ribeiro - Centro Histórico de Manaus e foi presidida por Dom Leonardo Steiner, Arcebispo metropolitano de Manaus e concelebrada pelos bispos auxiliares Dom José Albuquerque e Dom Tadeu Canavarros para uma assembléia estimada em 10 mil católicos entre religiosos consagrados e o povo de Deus.

A celebração encerrou os festejos da Padroeira do Amazonas e por conta das restrições sanitárias, o público foi limitado, sendo exigido o "passaporte" sanitário com as duas doses de vacina contra o sars cov 2 ainda em tempos de Pandemia.

Na homilia, após a Proclamação do Evangelho segundo Lucas 1,26-38 Dom Leonardo Steiner, destacou a presença da Mulher tanto no antigo quanto no Novo Testamento. 

A centralidade de Cristo na vida de Maria quando se aceita ser a Serva do Senhor e o fato da salvação vir por uma mulher o que nos tornou filhos adotivos de Deus, por meio de Jesus Cristo. Neste sentido, Dom Steiner enfatizou o fato de nós fazermos irmãos e irmãs em Jesus.

Maria, nossa mãe, a quem pedimos socorro nas turbulências da vida e principalmente as pessoas que nesta pandemia fizeram sua Páscoa abandonados. Maria, mãe dos povos da Amazônia, dos indígenas, imigrantes e ribeirinhos tão esquecidos.

Em Maria, como exemplo de serva serena,  todo cristão e cristã devem se tornar em construtores do reino de Deus ajudando quem precisa, sendo luz do mundo e sal da Terra.

Um bonita solenidade encerrada por volta das 18h35 com a benção solene dada a assembleia e todos que contribuíram para esta celebração. Especialmente, as centenas de flores e rosas doadas para a ornamentar o altar e a berlinda que trazia a imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição.

Na oportunidade, exatamente neste dia 08 de Dezembro de 2021, completamos 40 anos da Primeira Eucaristia. Uma data muito especial para nós, pois há 27 anos não recebia o Cristo Sacramental. Uma emoção gigante e indescritível.

Salve Maria! 

Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!

Vejam as imagens














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*Coordenador da Pastoral do Batismo da Comunidade São João Batista CSJB AMSPA.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

50 MAIS 4: "A FALSA POSSE"

 

FOTO: M. BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2021.

Por: Mauro Bechman*

Muitas vezes, em nosso caminho profissional, trabalhamos em empresas e organizações que sempre nos falam em ter que "vestir a camisa". Se desse mantra você não partilhar, bem... aí é outra estória.

Trabalhei em duas empresas que viviam chamando a atenção para estes mantras. E, assim como o marketing é muito forte, tanto quanto a pressão do setor de Recursos humanos (RH) fomos vendo os efeitos de tudo isso sobre nós e sobre os nossos clientes.

Certa vez, fomos realizar um evento científico em que eu representaria a empresa. Bem, as outras empresas passaram a cobrar de mim, o que me caberia financiar como se eu fosse o proprietário da empresa onde trabalhava.

Falei que a empresa era privada e que a generosidade ou benemerência dependeria dos seus proprietários e a mim, apenas representá-la no evento.

Tive que afirmar categoricamente que "Esta é uma empresa privada e que seu objetivo é o lucro". Não sei se os interlocutores entenderam, mas foi o mais claro que pude ser.

Noutra empresa, também privada, as pessoas que me interpelavam sempre insinuavam como se eu fosse um dos "donos" da empresa. Era, um tal de "Você está bem, como está a empresa, só vemos ela nos jornais comprando metade da cidade". 

Eu, ficava meio sem jeito, pois também nunca fui de dar atenção aos lucros ou prejuízos dos meus empregadores, pois creio que seus negócios a eles pertencem, afinal são seus projetos e não os meus.

Muitas vezes, trabalhamos e nos identificamos com as empresas, mais pela força do marketing e do ambiente de trabalho que pelo verdadeiro sentido de ser parte do projeto e dele inseparável.

Ter clareza disso, de qual é ou não seu projeto é fundamental para você caminhar lucidamente em busca de seus sonhos. 

Assim, quando me perguntavam: como está na empresa? Seu fulano ou fulana (proprietários)? Eu respondia: A empresa está lá e os seus donos, devem também estar, pois afinal, são seus projetos e não os meus.

Algumas pessoas se acreditam tão identificadas com as empresas que chegam a a brigar por elas e seus proprietários. Mesmo com a dura certeza de que nem sempre somos parte dos projetos dos proprietários.

Talvez daí, venha a frustração quando este funcionário fiel é demitido. Seu mundo desmorona se enchendo de lamentações e mágoas pelo seu não reconhecimento.



Não se iluda com esta falsa posse.  Construa os seus projetos.


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM

sábado, 13 de novembro de 2021

50 MAIS 1: "NO AMOR, SOFRE MAIS QUEM..."

 

FOTO: PROF.ME.BECHMAN.
AUTOR: CUCUCANA, 2021.

Por: Mauro Bechman*


A  vida não é somente composta por flores ou vitórias. Há mutos momentos de dificuldade até sofrimento.

Certa vez, sofri muito com um rompimento amoroso. São coisas que não estão sob nosso controle e talvez por isso, esta idéia de que um casal de enamorados tem igual quantidade de sentimentos um para com outro parece mais com um ponto fora da curva que a linearidade infinita de uma reta.

Não conseguia afastar a tristeza pelo rompimento e a decepção parecia não ter fim. Como uma rocha, cumpria minha rotina cotidianamente: casa, trabalho, trabalho casa...por dentro, eu em frangalhos me arrastava pelo deserto do coração.

Numa destas rotinas, pedi um táxi para ir ao trabalho de uma companhia próxima a minha casa na zona leste de Manaus. E um taxista, magro, moreno usando óculos me atendeu me conduzindo ao trabalho. E, ao longo do trajeto, falei a ele sobre relacionamentos que parecem sólidos, cúmplices e duradouros, mas, que diante de crises mais fortes, desaparecem no ar.

O senhor taxista, após ouvir minhas narrativas, claro, falei apenas que eram pessoas conhecidas minhas de colégio para manter meu anonimato, enquanto dirigia, fazendo uma curva disse-me: "É, no amor, sofre mais quem ama mais, sofre menos quem ama menos". A frase ficou reverberando no meu pensamento e com o tempo, passei  reconhecer que a  métrica do amor nem sempre é perfeita, ou seja, as pessoas amam de forma e intensidade diferentes.

Chegamos ao destino, paguei a corrida, agradeci pela condução e fui consciente que é preciso seguir em frente.


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

sábado, 30 de outubro de 2021

LÁ FORA

 

FOTO: IGARAPÉ DO PASSARINHO. 2020. AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*


Lá fora, o Lobo sonda e olha a minha casa com o fito ameaçador das feras

Lá fora, por detrás das frágeis grades de alumínio, o indeterminado assobia em brisa fria

Lá fora, há medo e escuridão enquanto as portas cerradas dos meus alegres vizinhos, comunicam medo

Lá fora, nem o chão de cimento precário é confiável

Lá fora, o caminho do igarapé, vazio, cinza e coberto de mato verde e sombrio

Lá fora não há vida


Minha casa, meu castelo,

Que rei sol eu?

Na janela, o que se fez nesse tempo de simulacro do sangue do cordeiro

Casa fechada, mas quente pelas luzes internas

A menina da meia porta da casa de madeira, na cama, doente

Meu caçula noutro cômodo, sem forças não consegue sentir o cheiro do aroma amarelo dos ipês

O primogênito, enclausurado em sua sabedoria e inocência diante da vida

Que rei sou eu?


Um frio me toma de assalto, me enfraquece e vai me demolindo

Calafrios de Stalingrado 44 meu corpo em transe

Sem sono, a insônia e o desespero bailam diante de mim

Minhas costas em dores insuportáveis não me permitem o repouso reparador

Não sei a quem pedir ajuda.

São 04h da madrugada. Pensei em gritar pelos vizinhos, mas não havia vizinhos.

Lembrei do meu Herói, a quilômetros de mim.

Tentei o retorno proposto por Joaquim Nabuco, o apelo a mãe e o grito não vingou


Então, abri meu peito e pedi a Deus.

Senhor! estou só. Envia teus anjos. Protege a minha casa pois meu pai está longe e não tenho ninguém.

Precariamente embrulhado deito e meu corpo deságua, suor enquanto tento manter a consciência

De repente, olho para a entrada da casa, na frente da porta, vejo Anjos empurrando algo para fora

fechando a entrada, só vejo suas asas brancas, numa força empurrando algo e impedindo o que estava lá fora, entrar na casa.

Eu disse a mim mesmo, não quero nem ver o que está acontecendo lá fora, apenas deitado rezarei.


E assim, muito suado, e era tanto suor, que encharcou onde estava deitado. E adormeci.

Pela manhã, ao despertar lembrei da luta que foi a madrugada

E a menina da janela relatou que no sono viu Nossa Senhora de Fátima enquanto doente dormia


Na consciência e lucidez, lembrei que existem demônios e anjos também nesta vida de grande provação

Há um Deus que rege a minha e a nossa vida e  a Ele levantarei cantos sendo eternamente grato pela Vida.

Fracos eu e minha pequena família fomos lentamente recuperando as forças.

Pela Graça de Nosso Deus, o Deus da Vida.

E sobre um novo caminhar, apenas posso dizer: Eis-me aqui Senhor!


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*Meu relato sobre o Sars-Cov-2 que fui acometido de dezembro a janeiro de 2020-2021.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

NOVO RETORNO AO QUE ERA

 

FOTO: PROF.ME. M. BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2021.

Por: Mauro Bechman*

E estamos diante de um Novo Retorno ao Velho Normal. Voltamos a normalidade do velho caos. Trânsito, pessoas e não pessoas pelas ruas de velha urbe, ainda a ser descoberta. A cidade dos Tiranos.

Nas escolas, muitos pais felizes pelo retorno torto às aulas. Não importa se faltam poucos meses para fechar o ano letivo que não começa desde 2019 e também se os filhos vão ser expostos não somente aos velhos problemas de um convívio em grupos ou dificuldades reais de aprendizagem, mas também, a um flagelo da humanidade, chamado Sars cov-2.

O importante é que estes adolescentes e jovens lhes darão um sossego, pois é dificílimo para algumas gerações de pais e mães educarem seus filhos em casa.

Aliás, em muitíssimos casos, são os avós que no limite de suas forças sobrepõem-se o papel de pais por mais de uma vez, antes com os filhos e agora com os netos.

Na sala dos professores, não há o silêncio dos inocentes, mas o dos culpados. Afinal, fica difícil de justificar as perdas que superaram a Guerra da Síria em mais de 10 anos de combates.

Alguns, com a saúde comprometida devido os rastros de destruição que a Pandemia deixou. Outros, atônitos observam no que se tornou a realidade. E ambos coabitam na mesma Corda Bamba, donde cerca de 400 já caíram.

Na sala de aula, a alegria inocente dos jovens. Necessidade do toque, pois nessa etapa da vida, tudo se explora, os espaços, as sensações e o tato. Havia a dificuldade de se aprender em grupos menores, mas em grupos amontoados de 45, cremos que a dificuldade realmente faz a diferença.

Entre eles, as velhas relações, o grupo dos espertos que nas multidões oprimem os mais dóceis e tentam constranger os mais inteligentes e lideranças empáticas ao lado dos que veêm a Educação com verdadeiramente um Valor. E, neste cenário, a quantidade de almas no espaço, limita os mestres na intercessão pelos que mais precisam da Escola.

Mas, este é o retorno tão desejado, o velho normal

Na verdade, mais um Novo retorno ao que Era.


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*Professor do ensino regular público desde 1998. Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia.

domingo, 15 de agosto de 2021

DIA DE VACINAÇÃO E A NECESSIDADE DE IR EM FRENTE


FOTO: PROF.ME. M. BECHMAN, 2021. AUTORA: DESCONHECIDA, 2021.


Por: Mauro Bechman*

Nesta segunda-feira (09/08) por volta das 09h30, conseguimos chegar à segunda dose da vacina para a imunização em duas etapas contra a Pandemia causada pelo Sars Cov-2. Exatamente após 569.000 mortes de brasileiros, a vacinação chegou aos educadores da rede pública do Amazonas.

O Estado do Amazonas até agora (15/08) contribuiu com 13.625 mil óbitos para esta tragédia mundial e brasileira, sendo que mais de 300 profissionais da educação perderam a vida, dentre professores, técnicos, seguranças, cozinheiras e outros. Uma estatística cuja precisão também nos foi negada.

De 2019, lembro do horror que eram as imagens, algumas falsas que chegavam da Ásia via redes sociais privadas, também os dias sombrios que ia ao trabalho sob grande temor, mesmo porque na volta, não tínhamos a certeza de que estávamos infectados. O anúncio do primeiro caso em Manaus, baixou mais ainda o moral, já combalido. Evitamos fazer estoques de máscaras e álcool  em gel e quando houve a explosão de casos e internações, corri para comprar e não havia disponível. Um certo desespero.

Em casa, manter uma rígida disciplina de higienização diária, desde a entrada á saída da casa. Ir ao supermercado, somente nos dias e horários de sol. Enquanto isso, nas ruas o silêncio e o abandono das vias com o mato crescendo por todas as partes.

No exercício das atividades em 2020, as aulas remotas em homeofice, cuja metodologia tivemos que inventar para não tornar as aula previsíveis e monótonas, metologia que cremos, mesmo sendo despedidos da faculdade, fora usada por esta mesma instituição e replicada a outros mestres. Nesse tempo, o computador e o mobiliário de um quase escritório pré montado em casa eram o espaço de trabalho. Nas redes, a amizade de quem jamais aguardava ter. 

Partilhas sinceras com colegas como o administrador Wandelei Pires, a ex-aluna de Arquitetura, Karla e as colegas de Geografia, professoras Graça Medeiros e Ivete Belém nos mantinha a saúde da mente. 

O espiritual partilhado com a Coordenadora da pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Manaus, a relações públicas, Adriana Ribeiro foram em muito valiosas para que o tempo fosse vivido de forma espiritualizada e com o alimento de fortaleza.

Certa vez, lembro que liguei para a Adriana perguntando sobre as transmissões das celebrações litúrgicas em que o risco de nossa equipe de pastoral ser contaminada, ela com sua lucidez e forte fé me disse: O que fazer? Alguns de nossos irmãos e irmãs pedem para parar as transmissões e outros irmãos e irmãs apenas desejam assistir uma missa para se despedirem em paz? Meu Deus!!!

Naquela breve conversa, a força para manter as transmissões, mesmo sob grande risco e a fé em Deus que ninguém da equipe seria contaminado. Ali, vi a importância da pastoral da comunicação, quando colocamos nossas vidas, a serviço das comunidades. Também não foi fácil, ouvir as missas pela rádio Riomar e ver a enorme lista de cristãos e cristãs que partiram durante estes dias.

Sou extremamente grato a estes amigos e amigas que partilharam estes dias. Aliás, escrevemos esta postagem para reconhecer que todo este cenário e as nossas limitações não foram impedimento para que pudéssemos somar e nos estender os braços.

Durante toda a Pandemia, sempre fomos a favor do Lockdown, da testagem em massa e das vacinas. Sempre.

Sabia que o mundo e a vida não seria mais os mesmos após 2019. Não estamos livres da Pandemia, pois no Amazonas ainda cerca de 400 pessoas são registradas como novos casos, fora as que contraem e não entram para as estatísticas oficiais. O vírus ainda circula, como também a ignorância, o negacionismo, o diversionismo e o relativismo diante das certezas da ciência somados a desumanidade e incompetência das três esferas da gestão da república.

Estamos vivos.


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*Mestre em Sociedade e Cultura pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM (1909).



terça-feira, 3 de agosto de 2021

APROPRIE-SE

 

FOTO: M. BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*


Retorne.

projetos parados, em meio ao torpor dos dias em ondas nefastas

E você hein?

Se resguardou sob à sombra do Altíssimo. 

Só ele, pode explicar você aqui.

Então, erga-se e siga.

Sei que não somos mais os mesmos, nem eu e nem você.

Talvez hoje, o que mais nos iguala é o nosso limitado tempo.

Realinhe e comunique isso a todos.

Também é hora de abandonar sonhos que não passaram de ilusões inocentes.

O luto é a chaga, mas a luta continua enquanto houver escuridão.

Mais foco, afinal o mundo ainda está aí e você também.

O certo é existe um Deus que ordena este mundo, o meu e o seu.

Quando em perigo, se gritares pelos seus anjos, eles virão

Quando em solidão, se gritares pela mãe, ela sempre estará ao seu lado te protegendo

Por isso, cuide-se e cuide de mim que estou ao seu lado

Pois juntos abraçamos este caminho de sol e chuva.

Aproprie-se de si mesmo e nunca perca a lucidez.

Aproprie-se!


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* Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

sábado, 10 de julho de 2021

A VIDA TEM DESTAS COISAS

 

FOTO: PROFS:. AYRES, MÁRCIA FABÍOLA E MAURO BECHMAN. AUTOR: CUCUNACA, 2021.

Por: Mauro Bechman*

Desde de 2019 venho tendo gratas surpresas entre encontros e desencontros. Na última sexta feira 09, me deparei com uma situação inusitada e agradabilíssima.

Exercendo o magistério desde 1998, entre escolas públicas e faculdades particulares, nos níveis básico e superior, conheci muitas pessoas. E nesta sexta-feira, reencontrei pessoas queridas de um passado profissional e aproveitando o ensejo, fizemos uma fotografia para Registro com os colegas Prof. José Ayres e Profª Márcia Fabíola.

Com o professor Ayres, partilhei a disciplina de Geografia em 1998 no Colégio Estadual Eldah Biton Teles da Rocha, ou seja, no início da carreira. Tempos de muitas lutas, como a defesa da Hora do Trabalho Pedagógico (HTP), o pagamento dos vencimentos descentralizados, pois antes era feito apenas no extinto BIG BEA no Boulevard Álvaro Maia e outras tantas.

Já com a Professora Márcia Fabíola, a lembrança do primeiro concurso da Seduc  em 2004 no Colégio Estadual Waldocke Fricke no Centro da Cidade. Um tempo bonito, alegre e também de muita consciência diante das pressões de gestores mal preparados. Contudo, deste tempo, permaneceu a boa saudade.

Para quem acredita no Destino, fica a lição de que às vezes somos premiados por estes belos retornos.

Particularmente adorei reencontrar estes colegas profissionais e amáveis que me proporcionaram um "Djavu", cheio de saudosismo e alegria.

Os dois mestres, testemunhas de dois momentos especiais em minha carreira. A vida tem destas coisas. Que boa surpresa!

É uma honra tê-los novamente como colegas e que possamos assim continuar por longo tempo. Valeu Ayres! Valeu Márcia!

Meu abraço amigo e meu beijo carinhoso!


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM. Professor da Rede pública do Estado do Amazonas.


segunda-feira, 21 de junho de 2021

Das noites escuras, pré-versos

FOTO: NOITE. AUTOR: CUCUNACA, 2021.

Por: Primeiro Rapaz*

Das noites escuras, os tiranos em seus disfarces de tontas baratas

Caminham sob os pés da Cidade Morena,

vem com suas barbas longas, multifaces de dentes podres

São o pseudo saber, o não-saber

Estão na faculdade sem faculdades mentais

Meus girassóis tremem e desconfiam

Pois se arma um golpe contra os dias de sol

E a cretinice desfila em palavras, discursos uivantes e carapaças negras

Como sempre um péssimo gosto estético

Agridem a Rainha, mas não ousam tocar o ouvidor de passarinhos

Não tem envergadura para enfrentar um certeiro contra-golpe

Preparo as solas das minhas botas marrom

É preciso recuperar a Menina Morena sequestrada pelos escrotos

Para que as manhãs voltem a nascer e a noite volte ao seu papel de dama

Para que a alegria e seu vestido de florais baile á luz do dia e da noite

E o povo celebre infinitamente a retomada da Cidade da Bela Morena.

Assim, aguarda...o paciente ouvidor de passarinhos.


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*Aprendiz de versador. Brincante do Boi Bumbá Mina de Ouro e Marcador de Ciranda da Rua Visconde de Porto Alegre.

sábado, 12 de junho de 2021

HOMENAGEM AO AMO DO GARROTE MALHADO MALABAR, RAIMUNDO NONATO DA SILVA, IN MEMORIAM..

FOTO-MOSAICO: RAIMUNDO NONATO DA SILVA.
 AMO DO GARROTE MALHADO MALABAR. ACERVO. 2012.


Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Hoje, abrindo este blog para responder aos leitores, me deparei com a mensagem numa antiga postagem sobre o "Garrote Malhado", de propriedade do senhor Raimundo Nonato da Silva, o "Raimundão", amo do Boi que durante décadas aglutinou jovens e crianças no folguedo junino. Na mensagem, a lamentação e a saudade de um dos filhos que com dor informa a partida do Melhor Amo de Boi, vitima do vírus Sars Cov-2, nestes tristes e irracionais tempos de Pandemia.

Em 2012 fui a sua residência no Japiim, no intuito de conseguir uma entrevista e também de certo modo registrar para que a História do Boi de Manaus não caísse no esquecimento. Fui muito bem recebido por um dos filhos que me deu a honra de entrar na casa e conversar com o seu Raimundo. Falei que era da Praça 14 de Janeiro e que dos meus seis irmãos, cinco brincaram no Garrote Malhado desde quando o curral era na Rua Visconde de Porto Alegre.

Com um sorriso sem igual, ele me mostrou alguns troféus dentre os muitos conseguidos pelo Garrote Malhado desde que herdou o folguedo do primeiro amo, o mestre Ceará. Tentei registrar o que pude com uma máquina fotográfica limitada de um pesquisador estudantil. Mas, era meu encontro com o passado doce e duro dos anos 1980. "Seo Raimundo" deu-me uma foto pequena e um texto com o Histórico do Garrote Malhado que sempre era lido durante os festivais folclóricos do Amazonas, desde o Estádio General  Osório no Colégio Militar de Manaus (Centro Histórico).

Sempre é difícil escrever sobre o que melhor lembra o Amo do Boi, seja pela imponência, seja pela beleza da fantasia ou ainda pela marcante e altiva voz de cantador de Toadas. Quase impossível não lembrar de alguns versos: "É este o fama, o Boi Malhado falado, repare o desenho do fama e veja se está do agrado, se não tiver do seu gosto, me perdoe não sou eu o culpado", ou " Alô! Morena bela eu já vou/a hora já terminou/ Adeus, adeus meu amor!" dentre muitas outras toadas compostas pelo amo ao seu amado Garrote Malhado, também chamado na Praça 14 de Malhadinho.

Que o Senhor de Infinta Bondade receba Raimundo Nonato da Silva, este Amo do Boi Malhado em sua Páscoa Eterna e que as boas lembranças e seu rico legado permaneça na História da Cultura Amazonense.

Agradecido e honrado em nome de seus brincantes.







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*Brincante do Garrote Malhado de 1982 a 1985 na fila dos "Rapazes".

sexta-feira, 30 de abril de 2021

A PANDEMIA E O FIM DA ESTATÍSTICA


FOTO: PROF. ME. MAURO BECHMAN. AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*

A Estatística é uma das aplicabilidades mais importantes das ciências exatas para a prospecção, diagnóstico, monitoramento, inferência e projeção dos mais diversos campos da vida humana.

A Estatística está praticamente em todos os cursos superiores, apesar da banalização das ciências, do métodos e das metodologias de ensino-aprendizagem.

Os institutos de pesquisa, especialmente aqueles voltados a Pesquisa eleitoral gozaram de grande prestígio e também desprestígio antes de 2020. Com a Pandemia do vírus Sars Cov-2, a Estatística novamente ganha uma visibilidade talvez jamais vista no mundo. 

Dentre os vários ramos que necessitam de tratamento estatístico, vemos o levantamento de dados sobre os óbitos causados pela Pandemia.

Alguns dados que nos parecem difícieis como a mortalidade em lugares cujo acesso a dados e ao próprio registro do indivíduo como pessoa física. Aí, como ficam as tabelas, mapas e gráficos?

Talvez, a Igreja Católica que ainda mentem seus registros rigorosos pudesse contribuir para o preenchimento desta lacuna, embora há que se pensar na negligência e desprezo destes dados e registros por outras religiões e denominações cristãs e laicas.

De qualquer modo, as Estatísticas brasileiras sobre a Pandemia parecem sugerir que não há uma margem de erro, mas uma sensível insuficiência de dados na geração das tabelas, mapas e gráficos.

Noutro ramo vital, como a Educação, vemos a coleta de dados, a partir de formulários eletrônicos, muito fragilizada para se definir ações e políticas educacionais. Se junto aos professores e professoras há carência de acesso a internet quiçá a comunidade estudantil neste colosso que é o Amazonas. 

Da mesma forma, temos as perguntas nos formulários, que limitam execessivamente as respostas dos pesquisados. Algumas alternativas que deixam de estar presentes no formulário que até talvez abalassem a execução da pesquisa.

Sendo assim, diante deste cenário, a Estatística tornou-se também uma espécie de vítima desta Pandemia, daí rememorar o ilustre geógrafo Milton Santos no seu livro Por uma Geografia Nova, Edusp (2002), devemos "...Medir para refletir ou refletir para medir?".


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.