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sábado, 30 de outubro de 2021

O MUNDO EM 2021 E AS TORMENTAS DE UMA NAÇÃO ZUMBI

FOTO: BAÚ DO GEÓGRAFO.
AUTOR: CUCUCANA, 2021.

Por: Mauro Bechman*

Começamos mais um ano diante de uma Pandemia. Cerca de 8 vacinas disponíveis para os países nos distintos continentes. E, o preço pago pela humanidade cuja capacidade de reprodução humana já foi afetada de acordo com alguns demográfos. 

Na geopolítica internacional, destacamos a mudança de eixo na política dos países imperialistas como a volta dos Democratas ao poder nos Estados Unidos.

A consolidação da hegemônia econômica da China e as velhas pressões do Ocidente contra a Rússia e sua região hinterlandina. A tentativa de Golpe aos moldes de uma Revolução Colorida na Bielorrússia patrocinado pelo ocidente e a guerra entre Armênia e Azerbaijão com um toque da Rússia e da Turquia, uma velha disputa.

A força econômica da Ásia com o Vietnã e a Indonésia que não aceitam a liderança chinesa e o choque estimulado na fronteira entre China e Índia, este último, com um governo de extrema Direita e a vontade de ser os Estados Unidos da Ásia.

A retirada dos Estados Unidos após 10 anos de ocupação do Afeganistão representou a maior derrota dos yankees desde a retirada de Saigon. Na prática, fim da guerra ao terror da Era Bush.

Nas Américas, o retorno dos governos de verniz social ao poder no Peru, Argentina, Bolívia, Equador e possivelmente no Chile e no Brasil dão um fôlego a Venezuela e seu projeto Bolivariano. 

Em Cuba, a revolução teve um ensaio de Primavera Árabe (revoluções coloridas), mas facilmente retomada pelos patriotas cubanos. A Colômbia, sede dos interesses europeus e estadunidenses, serve de porto para conter o desenvolvimento da Venezuela.

O Brasil, parece chegar exausto. A volta há 30 anos atrás, parece ter iniciado mas dificilmente será concretizada. Os liberais cansaram do fetiche das fardas e bravatas e o ódio dos insanos. Difícil retomada do Brasil, um golpe que levará outros 26 anos para ser superado. Segue o país como mais uma nação zumbi, sem direção mas com governo e as instituições funcionando dentro do expediente.

É a fúria do mundo. E ainda, a fúria da natureza pois quando chegamos aqui, ela já estava.

Saudações geográficas!

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*Professor de Geografia do Ensino médio da Rede pública do Amazonas. 

sábado, 4 de setembro de 2021

05 DE SETEMBRO DIA DO AMAZONAS E DOS AMAZONENSES


FOTO: BANDEIRA DO AMAZONAS.
AUTOR: CUCUNACA, 2019.

Por: Mauro Bechman*

No dia 05 de Setembro de 1850, há exatos 171 anos o Amazonas passava a ser protagonista na Geografia e na História do Brasil. O decreto imperial de n. 152 assinado por D. Pedro II elevou capitania do Rio Negro á Província do Amazonas, tendo sua autonomia político-administrativa em relação á Província do Grão-Pará, graças ao empenho de muitos atores e que coube a João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha liderar o processo de nascimento da mais nova província do império.

Não há como deixar a História silenciar as lutas autonomistas do povo do Amazonas e de parte de suas elites. A Revolta das Lages em 1832 já anunciava um novo tempo para a Amazônia. Também o papel das instituições fora relevante no processo de emancipação política, como a Associação Comercial, a Igreja Católica e a Maçonaria.

FOTO/EDITADA: PRÉDIO DA INSTALAÇÃO
 DA PROVÍNCIA DO AMAZONAS EM 1852. AUTOR: JORNAL A GAZETA, 1950.
ACERVO: @manausdeantigamente 2021.

Infelizmente, o prédio em que a Província do Amazonas foi instalada, foi demolido em 1960. O prédio estava situado entre as ruas Henrique Antony e Frei José dos Inocentes no Centro Histórico de Manaus, conforme informações de pesquisadores e registros de jornais.

Nascido nesta unidade da federação, o povo amazonense vem suportando e superando muitos momentos de esquecimento e crises, da queda da economia da borracha, a abertura da economia brasileira ás importações e atualmente a grave crise sanitária que afetou o mundo e este magnífico espaço, ceifando a vida de mais de 10 mil amazonenses.

FOTO: TEATRO AMAZONAS, 2018.
 AUTOR: CUCUNACA, 2018.

Pelos olhos dos itaquatiarenses, irandubenses, tefeenses, novalindenses, parintinenses, barcelenses, manauaras, manacapurenses e todos os demais parentes e conterrâneos, a eterna e mística presença de Naruna e Jurupari, de Ajuricaba, das Ikamiabas, Dieroá, Comprido, Maruaga e Gabriel Gentil. Almas que nenhuma força colonizadora foi capaz de domar.


"Entre a rebeldia e a liberdade, escolhemos as duas".


Salve 5 de Setembro, dia do Amazonas e dos Amazonenses!


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. UFAM. Graduado em Geografia e docente pela Secretaria de Educação do Amazonas. SEDUC/AM.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

APROPRIE-SE

 

FOTO: M. BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*


Retorne.

projetos parados, em meio ao torpor dos dias em ondas nefastas

E você hein?

Se resguardou sob à sombra do Altíssimo. 

Só ele, pode explicar você aqui.

Então, erga-se e siga.

Sei que não somos mais os mesmos, nem eu e nem você.

Talvez hoje, o que mais nos iguala é o nosso limitado tempo.

Realinhe e comunique isso a todos.

Também é hora de abandonar sonhos que não passaram de ilusões inocentes.

O luto é a chaga, mas a luta continua enquanto houver escuridão.

Mais foco, afinal o mundo ainda está aí e você também.

O certo é existe um Deus que ordena este mundo, o meu e o seu.

Quando em perigo, se gritares pelos seus anjos, eles virão

Quando em solidão, se gritares pela mãe, ela sempre estará ao seu lado te protegendo

Por isso, cuide-se e cuide de mim que estou ao seu lado

Pois juntos abraçamos este caminho de sol e chuva.

Aproprie-se de si mesmo e nunca perca a lucidez.

Aproprie-se!


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* Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

A PANDEMIA E O FIM DA ESTATÍSTICA


FOTO: PROF. ME. MAURO BECHMAN. AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*

A Estatística é uma das aplicabilidades mais importantes das ciências exatas para a prospecção, diagnóstico, monitoramento, inferência e projeção dos mais diversos campos da vida humana.

A Estatística está praticamente em todos os cursos superiores, apesar da banalização das ciências, do métodos e das metodologias de ensino-aprendizagem.

Os institutos de pesquisa, especialmente aqueles voltados a Pesquisa eleitoral gozaram de grande prestígio e também desprestígio antes de 2020. Com a Pandemia do vírus Sars Cov-2, a Estatística novamente ganha uma visibilidade talvez jamais vista no mundo. 

Dentre os vários ramos que necessitam de tratamento estatístico, vemos o levantamento de dados sobre os óbitos causados pela Pandemia.

Alguns dados que nos parecem difícieis como a mortalidade em lugares cujo acesso a dados e ao próprio registro do indivíduo como pessoa física. Aí, como ficam as tabelas, mapas e gráficos?

Talvez, a Igreja Católica que ainda mentem seus registros rigorosos pudesse contribuir para o preenchimento desta lacuna, embora há que se pensar na negligência e desprezo destes dados e registros por outras religiões e denominações cristãs e laicas.

De qualquer modo, as Estatísticas brasileiras sobre a Pandemia parecem sugerir que não há uma margem de erro, mas uma sensível insuficiência de dados na geração das tabelas, mapas e gráficos.

Noutro ramo vital, como a Educação, vemos a coleta de dados, a partir de formulários eletrônicos, muito fragilizada para se definir ações e políticas educacionais. Se junto aos professores e professoras há carência de acesso a internet quiçá a comunidade estudantil neste colosso que é o Amazonas. 

Da mesma forma, temos as perguntas nos formulários, que limitam execessivamente as respostas dos pesquisados. Algumas alternativas que deixam de estar presentes no formulário que até talvez abalassem a execução da pesquisa.

Sendo assim, diante deste cenário, a Estatística tornou-se também uma espécie de vítima desta Pandemia, daí rememorar o ilustre geógrafo Milton Santos no seu livro Por uma Geografia Nova, Edusp (2002), devemos "...Medir para refletir ou refletir para medir?".


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.

sexta-feira, 13 de março de 2020

A GEOGRAFIA DA SAÚDE E A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS EM MANAUS

FOTO: ESTANTE.
 AUTOR: CUCUNACA, 2019.

Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Hoje 13/03, foi anunciado o primeiro caso de infecção respiratória pelo Coronavírus na cidade de Manaus, uma mulher vinda de uma viagem a Londres capital da Inglaterra. Impossível não discutir este tema neste atual momento. 

Lembrando, a manifestação avassaladora de um vírus ainda não propriamente mapeado pela ciência, nos parece cirurgicamente ou estrategicamente caracterizado para atingir crianças e idosos. Uma seletividade quase que diabólica.

No Japão, sede das Olimpíadas, um impasse cruel: suspender as aulas da educação básica e deixar as crianças estarem mais tempo na presença dos avós idosos ou manter o sistema de distanciamento entre crianças e idosos? Na China socialista/capitalista, a dureza em se tratar algo desconhecido tendo que sacrificar a vitalidade de sua pujante economia e pagar um preço muito alto em vidas humanas. Os governos europeus sem muitas respostas ou quando as tem, imprecisas.

Nesta seara toda, lembramos de duas situações, a primeira em 2013 quando da visita do Papa Francisco ao Brasil por ocasião da Jornada da Juventude, o sumo pontífice falou do descarte de idosos e jovens por um mercado que exclui. Na segunda situação, os temores de analistas políticos e econômicos que ás vésperas das eleições presidenciais de 2018, que o cenário dos mercados sofreriam coisas muito ruins num futuro brevíssimo. E hoje, temos este cenário. 

No Brasil, com um governo de extrema-direita, parece ainda viver o deslumbre do acesso ao poder da república e sem respostas necessárias diante da velocidade dos fatos ocupa-se mais em distrair a platéia sempre disposta a gargalhar diante das tragédias alheias televisionadas ou em lives transmitidas por canais de redes sociais privadas.

Em meio a este turbilhão de coisas Manaus a 6a economia do Brasil, teve registrado o seu primeiro caso de Coronavírus. A pandemia chega a cidade dos barés, essa metrópole no meio da Amazônia brasileira, cuja classe dominante orgulha-se do seu pólo industrial que atualmente depende de muitos componentes da China para montar aparelhos eletroeletrônicos num cenário de desindustrialização aguda que gera gigantescas taxas de desemprego, subemprego e subutilização na força de trabalho.

Neste fatídico dia lembramos de um fato interessante. Por volta de 2006, já falávamos em implantar o Curso de Bacharelado em Geografia no antigo Centro Universitário do Norte - Uninorte. Uma das propostas de currículo para o curso, sugerimos a cadeira de Geografia da Saúde.

A proposta vinha ao encontro de uma matriz curricular voltada ao século XXI. Chegamos até a contratar um enfermeiro-geógrafo, ou seria, geógrafo-enfermeiro que na prática assumiria a disciplina quando o curso de bacharelado fosse implantado. Infelizmente, o Projeto de Bacharelado em Geografia sucumbiu diante de uma má vontade administrativa de técnicos que não tinham tato com a educação e a pesquisa. O jovem professor foi melhor aproveitado na área de saúde e por lá ficou até onde tivemos informações.

Exatamente hoje, lembrei disso. Ás vezes, perdemos quando negligenciamos nossas capacidades e nossa visão de futuro. Perdeu a Geografia e quando a Geografia perde, também perde toda uma sociedade. Por vezes ganhamos quando ousamos antever o futuro e nele ver o serviço a humanidade. É disso que se alimentam os sonhos, da necessidade do bem comum e do desejo de contribuir para uma vida melhor neste planeta.

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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e Processos socioculturais pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

PHA: UMA PERDA DO TAMANHO DO BRASIL (*1942 - 2019+)

FOTO: PAULO HENRIQUE AMORIM.
 AUTOR: CUCUNACA 2015.
* Mauro Jeusy Vieira Bechman

Acordo esta manhã e levanto precisamente às 08h07mn. Estou preocupado com a situação de um amigo que está sem contato na Guiana Inglesa. Vou ao aparelho celular e sou surpreendido pela notícia de morte do jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA). Não há como não ficar desolado.

FOTO: AUTÓGRAFO PHA 2015.
Conheci Paulo Henrique Amorim em 2015 quando de sua vinda a Manaus para o lançamento de seu premiado livro "O quarto poder: uma outra História" pela editora Hedra. Desde 2013 acompanhava seu blog Conversa Afiada e quando veio a Manaus não perdi a oportunidade de conhecer pessoalmente este que considerava um dos grandes patriotas brasileiros. O lançamento da obra se deu na Livraria Saraiva do Manauara Shopping Center, consegui a obra, um autógrafo e uma foto. No autógrafo, me saudou como "companheiro blogueiro" o que me deixou muito orgulhoso do pequeno blog amador que escrevo.

FOTO: PHA EM PALESTRA 2015.
AUTOR: CUCUNACA, 2015.

A noite fui a palestra dele no Stúdio 5 Festival Mall.  O admirava por ter passado pelo sistema Globo e pelo raríssimo conhecimento sobre os bastidores do poder. Na palestra, fez menção ao gigantesco potencial do Brasil e como bom carioca soube como ninguém se aproximar do calor manauara: "Manaus é como o Rio, uma cidade quente" e nessa mesma palestra vi a ignorância de nossos líderes empresariais quando ele citou o nome do premiado autor amazonense Milton Hatoun e ninguém na platéia parecia conhecer. Um fato, a classe dominante do Amazonas não lê. Ainda fiz algumas fotos dele com um outro grande palestrante motivacional, Carlos Hilsdorf.


FOTO: PHA E CARLOS HILSDORF EM 2015.
 AUTOR: CUCUNACA, 2015.
Paulo Henrique Amorim (PHA) nos deixou, amou o futebol, o Brasil, a Cultura brasileira, o Povo Brasileiro, a Informação e a Comunicação como ninguém. Se reinventou saindo de altos cargos da Globo que lhe chancelava os "círculos do poder". De seus rascunhos de jornalista nasceu um poderoso livro sobre jornalismo e comunicação. O fracasso da TV Afiada na televisão aberta não o desestimulou e foi para a internet onde com sua expertise profissional fez um blog de opinião e vídeos curtos ganharem prêmios e a adesão de milhões de "amigos navegantes". Conseguiu unir a cultura brasileira (herança do povo) à qualidade técnica e a Opinião contundente do jornalismo humanista e crítico, numa verdadeira Conversa Afiada.  PHA mostrou que era maior que o PIG (Partido da imprensa golpista) - a imprensa hegemônica brasileira que sempre promoveu e se nutriu de Golpes de Estado contra o Desenvolvimento do Brasil, exemplificando o que ocorrera com Getúlio Vargas, João Goulart e Dilma Roussef.

Fernando Brito em seu blog Tijolaço coloca em seu texto desta manhã o seu adeus ao Ansioso Blogueiro e merecidamente o aplaude como o "Patrono da Blosgfera Brasileira".

Nosso adeus a este grande brasileiro chamado em vida de Paulo Henrique Amorim. Que o Senhor da Misericórdia e Maria mãe do Salvador abrace a todos neste momento de perda.

Que Deus o receba em sua Páscoa eterna. Descanse em Paz.


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Professor Universitário. Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e Processos Socioculturais pela Universidade Federal do Amazonas - UFAM.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

ANO MARIANO

FOTO-MOSAICO: MARIA MÃE DO SALVADOR. 
AUTOR: CUCUNACA, 2017.


MARIA NA LITURGIA

Na liturgia reformada após o Vaticano II, Maria foi colocada em íntima relação com o mistério de Cristo e da Igreja. No Advento, preparamo-nos para a vinda do Senhor, esperando como Maria durante sua gravidez.No tempo do Natal, alegremente celebramos com ela a encarnação do Filho de Deus. Ao longo do tempo comum, acompanhamos com Maria a missão de Jesus, que revela o Pai com gestos e palavras. Durante a Quaresma, Maria e todos os santos se unem a nós para respondermos ao apelo à conversão, à busca do essencial. Na Semana Santa, acompanhamos a paixão e a morte do Senhor, vivendo com Maria a "noite escura". No tempo pascal, com Maria, exultamos, pois o Senhor ressuscitou de verdade e vive glorioso, no céu e na terra. Portanto, durante todo o ciclo litúrgico, mais do que rezar a Maria, oramos com ela e na sua companhia, na grande corrente da comunhão dos santos.

No decorrer do ano litúrgico, Maria também ganha destaque. Há três tipos de celebrações marianas, por ordem de importância: as solenidades, as festas e as memórias. As solenidades, como o nome indica, constituem as celebrações mais importantes. Em todo o mundo, elas são quatro: Maria, Mãe de Deus (1o de Janeiro), Anunciação (25 de Março), Assunção (3o domingo de agosto) e Imaculada Conceição (8 de dezembro). Em cada diocese e país, há ao menos uma solenidade própria do lugar. Entre as festas marianas, recordamos a da Visitação. Existem várias memórias marianas, como a do nascimento de Maria e as "Nossas Senhoras": das Dores, de Fátima, do Carmo, do Rosário e outras. Algumas delas são memórias facultativas, ou seja, opcionais.

Nas solenidades, festas e memórias de Maria, os padres e as equipes de liturgia devem ajudar a assembléia a conhecer mais e melhor a mãe de Jesus. E também a relacionar Maria com Jesus Cristo e com a comunidade de seus seguidores.

Ir. Afonso Murad

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Referências: O DOMINGO, semanário litúrgico-catequético. ANO LXXXV - remessa XIV 29.10.2017.N. 50.

domingo, 30 de abril de 2017

A REPRODUÇÃO DA VIOLÊNCIA PELO ESTADO.

FOTO: CARLOS SANTIAGO, 2017. ACERVO PESSOAL.

A REPRODUÇÃO DA VIOLÊNCIA PELO ESTADO - (Via whatsapp).
Por Carlos Santiago*


A agressão impiedosa da Polícia Militar ao estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, Matheus Ferreira da Silva, no dia da Greve Geral, só demonstra o despreparo na formação dos policiais militares e a reprodução da cultura da violência pelo Estado aos trabalhadores e aos movimentos sociais que lutam por dias melhores.

A polícia brasileira é muito violenta e isso vem de uma tradição, já que ela foi criada como um aparato para atingir, maltratar, violentar, negros, índios e manifestações populares contrárias a Coroa Portuguesa e a nobreza. E, de certa forma, é isso que acontece ainda hoje nas periferias das cidades e nas manifestações populares reivindicatórias. 

É difícil mudar essa tradição porque o próprio efetivo é selecionado entre uma gama de pessoas que cresceram vendo a violência de perto e quando chegam a polícia, reproduzem o que passaram. Para esse cenário mudar, é necessário mudança nesse processo de seleção, qualificar a corporação, criar uma cultura de cidadania e de respeito ao Estado de Direito, salários mais dignos e preparo científico.

E para isso, precisamos de governantes honestos que sejam capazes de não usar eleitoralmente a polícia e dar um outro sentido à política de segurança pública, além de respeitar os valores democráticos.



Carlos Santiago
*Sociólogo e advogado.

domingo, 12 de março de 2017

NOSSA SENHORA AUXILIADORA DOS CRISTÃOS EM MANAUS

NOSSA SENHORA AUXILIADORA DOS CRISTÃOS.
AUTOR: CUCUNACA, 2014.

Por: Mauro Bechman*

Após cinco anos de busca e pesquisa, com muita alegria e felicidade, encontrei o que buscava. Desde 2012 quando o Padre Gilberto Cucas da Paróquia Pessoal Salesiana Dom Bosco no Centro de Manaus, durante uma das homilias comentou sobre a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos, que esta teria vindo da Itália para o Brasil abençoada pelo próprio Dom Bosco, realmente despertei para a pesquisa sobre esta afirmação.

Após algumas tentativas de falar com o Padre Gilberto não fossem frutíferas, ainda o mesmo foi morar em Porto Velho no estado de Rondônia, o que dificultou nosso acesso. 

Foi que exatamente no Ano Mariano no Brasil, quase que por acidente, encontro uma fonte de informação importantíssima. 

Na Juventude fiz parte de um Grupo de Jovens - JOUD (Jovens Oratorianos Unidos a Deus) da Paróquia São José Operário no bairro da Praça 14 de Janeiro, administrada pelos salesianos e o grupo restabeleceu o contato via redes sociais privadas. 

Na visita, a casa de um dos mais antigos integrantes do grupo, nosso estimado amigo Luis Carlos Santos Serrão (Ica), em busca de antigas fotografias do passado, ele me trouxe um Boletim Salesiano datado do ano 1982 cujo tema fora especial sobre a obra salesiana na Amazônia brasileira.

FOTO/RECORTE: MANAUS DE
ANTIGAMENTE. 2022.


A partir de então, encontrei uma matéria que falava exatamente da imagem. Não encontrei muitas imagens sobre meus irmãos e minha família daquele tempo, mas encontrei uma informação preciosa, que fora exatamente a confirmação de que a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora na Igreja de Dom Bosco é a mesma, abençoada pelo santo em 1885 quando do embarque para o Império do Brasil de um grupo de Salesianos, chegando a Manaus em 1921 quando o diretor do Colégio Dom Bosco de Niterói no Rio de Janeiro deu de presente aos irmãos da missão salesiana no Alto Rio Negro no Amazonas.

Uma imagem que tem atualmente no Brasil 140 anos e que sobre a condução do padre salesiano espanhol Agostinho Caballero percorreu o Brasil em peregrinação nos anos 1950.  A Nossa Senhora os católicos devotam o culto de Veneração ou hiperdulia, destinado somente a mãe do Salvador Jesus Cristo e somente a Deus a adoração. 

Hoje a imagem, encontra-se na Paróquia Dom Bosco e certamente nos orgulha muito sentir tão perto a presença de Nossa Senhora e de São João Bosco.

"Auxiliadora, virgem formosa, dos pequeninos, mãe dadivosa".

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*Agente da Pastoral do Batismo da Comunidade São João Batista AMSPA 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

FIM DAS OLIMPÍADAS

FOTO: ARENA DA AMAZÔNIA VIVALDO LIMA. ANÉIS OLÍMPICOS. AUTOR: CUCUNACA, 2016

Chegou ao fim a 31a. Olimpíadas da Era Moderna em Manaus, a Rio 2016. A metrópole da Amazônia, Manaus recebeu seis jogos na modalidade Futebol Feminino. Toda uma preparação feita desde a Copa do Mundo de Futebol da FIFA em 2014 até a finalização do último jogo que encerrou a participação de Manaus nas Olimpíadas, com Brasil versus África do Sul, em que a seleção brasileira atuou com seu time reserva, para não desgastar em contusões as atletas titulares, embora, sob os apelos dos torcedores e torcedoras que lotaram a Arena da Amazônia, o técnico colocou em campo a grande estrela do futebol mundial Marta Vieira, mais para atender ao público que mesmo na esperança de alterar o resultado da partida.

Quanto aos jogos, os amazonenses e demais torcedores mais uma vez foram brindados, por belíssimos e inesquecíveis jogos, como Suécia 2 x 3 Colômbia e Nigéria 5 x 4 Japão em que presenciamos um belíssimo futebol,marcado pela disciplina tática e pelo empenho das seleções. Acreditamos que Manaus também ficará com a melhor média de público desta fase inicial na modalidade futebol feminino. O futebol feminino sempre teve, desde os anos 1980, um bom desenvolvimento em Manaus com equipes como o Sul América naquele tempo bem ranqueado pela CBF Confederação Brasileira de Futebol, e atualmente, o Iranduba do Amazonas, cuja sede fica no município do mesmo nome na região metropolitana de Manaus. Neste sentido, a participação do Iranduba no cenário nacional, fez com que o clube conseguisse uma legião de torcedores, sendo um clube entre os 10 melhores do país.

Após muito barulho da imprensa hegemônica sobre o risco de atentados e até a prisão de suspeitos de terrorismo, um deles em Manaus, pela graça do nosso bom Deus, nenhum evento mais drástico ocorreu. Também há que se destacar a sensação de que a cidade nestes dias estava intensamente militarizada. No campo, em gramados amazonenses, podem ter passados os futuros medalhistas olímpicos, pois destacamos o belo futebol praticado pelas seleções da Colômbia e da Nigéria e no Feminino, claro o Brasil e uma das grandes favoritas, a seleção estadunidense.

Diferente da Copa do Mundo de Futebol em que a cidade teve a presença de cerca de 40 mil visitantes estrangeiros, esta olimpíada foi discreta, tendo em vista principalmente a depreciação da mídia hegemônica nacional e local (rádios, tvs, jornais etc) dando notícias sobre violência e doenças ao longo de todo um ano pré-olímpico. Este estado de auto-depreciação certamente influenciou na baixa adesão ao evento por parte dos turistas estrangeiros.

FOTO: ARENA DA AMAZÔNIA. JAPÃO X COLÔMBIA.MANAUS. CUCUNACA,2016

Resta-nos agradecer a todos os que fizeram este evento se tornar uma realidade no Brasil e em Manaus, como o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e a presidenta afastada Dilma Roussef ambos do Partido dos Trabalhadores (PT) que se empenharam em mostrar ao mundo a capacidade empreendedora dos brasileiros e que a despeito de qualquer juízo de valor, foram os que conseguiram atrair este magnífico evento para o Brasil. 

Pela Televisão e também por redes sociais, vi pessoas que moravam em duras favelas em Manaus há duas décadas atrás, assistindo aos jogos na Arena da Amazônia. Pessoas que se não houvesse uma política pública destinada a moradia, ainda estaríam residindo em condições deploráveis de vida. Fiquei muito feliz com isso, mesmo sabendo que muitos deles, não e talvez nunca reconheçam as mudanças sensíveis que ocorreram em suas condições objetivas de vida, em Manaus e no Amazonas nos últimos 20 anos.

Foram excelentes eventos a Copa do Mundo da FIFA e as Olimpíadas, realizei meus sonhos de criança!

Saudações Amazônicas e Amazonenses!


sexta-feira, 17 de junho de 2016

A MÍDIA E O DOCINHO DE CÔCO

FOTO: JORNAIS IMPRESSOS. MANAUS/AM. AUTOR: CUCUNACA, 2016.

Ao longo de toda nossa vida, conhecemos muitos e variados perfis de pessoas, algumas com temperamentos realmente explosivos e outras poucas com temperamento mais equilibrado e capazes de colocarem-se na condição do outro para assim compreendê-lo. Neste sentido, desde 2013 quando assistimos no Brasil manifestações "populares" contra a corrupção e pela não realização da Copa do Mundo de Futebol, nos debruçamos a perceber o quanto as pessoas são influenciáveis pela mídia hegemônica.

Um conjunto "cavalar" de factóides, manipulações de toda sorte, criação de narrativas que fizeram a "novelização"da realidade das pessoas,com claro desejo de torná-las aliadas de decisões obscuras ligadas aos grandes interesses comerciais, políticos e hegemônicos na sociedade brasileira, marcaram esse tempo. O efeito desse "massacre" midiático sobre as "consciências" foi o mais devastador possível para uma nação aspirante à 5a economia do mundo e sobre o cotidiano. Assim, assistimos ao crescimento do discurso do ódio aliado ao fundamentalismo religioso e a negação da política e da Democracia como um construção da busca pela liberdade plena do homem. No plano macro, derruba-se uma presidente da República sem crime de responsabilidade e sem nenhum crime ou citação em ações ilícitas, além do cerceamento da liberdade de expressão de alguns meios de comunicação não hegemônicos como blogs, site e páginas, criminalização dos movimentos sociais, inversão de princípios jurídicos e a incrível defesa da judicialização das questões sociais, filosóficas e humanas. 

Se a devastação foi certa e ao longo da História será sentida, imaginemos o que ocorreu com as pessoas simples, as quais quase sempre considerávamos como pessoas pacíficas verdadeiros "docinhos de côco"? Sob este aspecto ainda há muito a se estudar, mas esperamos que nossas reflexões ajudem nessa empreita psicossocial. Sim. Vimos ao longo destes anos, desde 2013, pessoas simples ou que julgávamos pacíficas tornarem-se verdadeiros "monstros" sendo capazes inclusive de desejarem a morte para aquelas personalidades que a media hegemônica elegia para "desfigurar pessoal e politicamente", chegando até a  estender suas ofensas e ataques aos que ousassem defender ou arguir por ponderação nos julgamentos e juízos de valor que a mídia hegemônica produzia ininterruptamente juntamente reforçando com seus exércitos de mercenários jornalistas e pseudo-jornalistas como fomentadores e inventores da banalização do senso comum. Desse modo, vimos pessoas amadas antes por nós, amigos, parentes, colegas de trabalho embebecidos de raiva, ódio e intolerância, e observem que muitos desses se diziam "cristãos" católicos e não católicos.

Certo dia refletindo sobre isso, li em um dos "Blogs Sujos" malditos pela media hegemônica brasileira, que o maior desafio neste atual momento é manter a lucidez diante destas narrativas infames e da novelização de nossas vidas. Conseguimos preservar minimamente nossa família, pois nos transformamos em protagonistas de nossas histórias, desligando-se de uma rotina de assistir uma programação de rádios, tevês, jornais e sites que só nos deixávamos sem esperança e humanidade. Especialmente, nós não assistimos algumas tevês e programas desde 2013 por acreditarmos que nos respeitamos como cristãos e como pessoas humanas, com nossas limitações e deslizes, mas ainda suficientemente lúcidos para discernir sobre o que nos faz bem e o que nos faz mal. Quanto aos "Docinhos de côco" que conhecemos ao longo da vida, alguns apodreceram para nós e viraram adubo. Não sentiremos falta, pois adoramos mesmo é "Docinhos de Cupuaçú".

segunda-feira, 18 de abril de 2016

IMPEACHMENT DE DILMA ROUSSEFF EM MANAUS

FOTO: VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT EM MANAUS. 2016. AUTOR: CUCUNACA, 2016.

Por um placar de 367 x 137 votos foi aprovado o incio do processo de impedimento da Presidente Dilma Roussef (PT) neste domingo, 17 pela câmara dos deputados em Brasília. Em Manaus, a concentração dos manifestantes contra o pedido de impeachment, foi no Largo de São Sebastião no Centro Histórico por volta das 17 horas numa tarde quente na cidade morena.

Um telão foi instalado no Largo bem próximo ao Teatro Amazonas e cerca de 1.400 manifestantes com bandeiras, camisetas e faixas, especialmente trajando vermelho que combinadas as cores da bandeira do Brasil, deram um colorido ao fim de tarde e inicio da noite. Dentre os manifestantes, encontravam-se funcionários públicos, professores, geógrafos, cientistas sociais, representantes de partidos políticos e os chamados "coletivos populares" versão atual das organizações populares de esquerda.

FOTO: LARGO DE SÃO SEBASTIÃO. MANAUS 17 DE ABRIL DE 2016. AUTOR: CUCUNACA, 2016

A participação dos deputados federais do Amazonas, foi de inteiramente votar pela "Abertura do processo de Impeachment de Dilma Roussef", mesmo o deputado Alfredo Nascimento que integrava o governo de coalizão PT/PMDB como ministro dos Transportes. Por analistas políticos, Hissa Abrahão (Ex-PDT) já era esperado o seu voto contra a orientação nacional do PDT que fechou voto contra o Processo de Impeachment, anunciando inclusive, a sua desfiliação, uma vez que, o Diretório Nacional do PDT havia declarado que quem não aderisse a orientação do partido, seria expulso.

O Amazonas, um dos estados mais beneficiados com obras sociais e infraestruturais voltadas a redução das desigualdades regionais, teve seus representantes parlamentares quase de forma orquestral, votando pelo pedido de impedimento de uma presidenta em que não pesa nenhum crime de responsabilidade prevista na constituição federal e ou qualquer crime de lesa-pátria.

sexta-feira, 18 de março de 2016

IMAGENS DA MANIFESTAÇÃO CONTRA O GOLPE MANAUS 2016


FOTO: POPULAÇÃO INDÍGENA. 2016

FOTO: PANORÂMICA INICIO DA MANIFESTAÇÃO.

FOTO: CARTAZ EM APOIO AO GOVERNO FEDERAL.

FOTO: INICIO DA MARCHA PELA DEMOCRACIA.


FOTO: PRESENÇA DE JOVENS. MANAUS.

FOTO: CONTRA O GOLPE JURÍDICO MIDIÁTICO.

FOTO: SINDICALISTAS, 2016

FOTO: LARGO DE SÃO SEBASTIÃO, 2016.



terça-feira, 5 de agosto de 2014

MANAUS E A NOVA GEOGRAFIA DA FIFA

FOTO: TORCIDA SUÍÇA EM MANAUS. AUTOR: M. BECHMAN, 2014.
A realização da Copa do Mundo de futebol no Amazonas e na Amazônia possibilitou uma nova regionalização do Brasil em que as forças atuantes resultaram numa nova configuração do espaço brasileiro e recomposição do imaginário internacional sobre o Brasil e sobre a Amazônia.

Neste sentido, as forças atuantes nacionais e seu patrimonialismo que sempre relegaram a participação das regiões brasileiras como o Nordeste e a Região Norte a um papel secundário na definição dos destinos políticos nacionais, tiveram talvez um dos maiores revés. Posto isto, cabe a nós pontuar alguns itens:

1. A enorme concentração política focada na região centro sul e no eixo Rio de Janeiro-São Paulo como metrópoles nacionais, sempre enaltecendo-se a representar o Brasil e a identidade nacional, seja no campo da economia, da história das idéias e ou no campo da cultura.

2. A História da marginalização da cultura das regiões pelas metrópoles nacionais, durante pelo menos trezentos anos, promoveu a divulgação massiva de uma imagem míope sobre a sociedade e o espaço brasileiro, uma vez que, imagens replicadas via produção literária passando pelos meios de comunicação de massa como a televisão e a internet, encontravam-se eivadas de pré-conceitos e preconceitos, além da aliança com uma postura fantasiosa que contaminava o imaginário dos brasileiros sobre seu próprio povo e seu território.

3. A força civilizatória como um processo dinâmico do capitalismo mundial interferiu novamente neste processo de reordenamento da hierarquia dos lugares no espaço nacional, aí reside o fato de Manaus ser escolhida como sede da Copa da FIFA, gerando um estarrecimento da elite socioeconômica do Brasil concentrada na região centro-sul do país.

Claro está que são pontos de partida para muitas análises do espaço geográfico nesta nova contemporaneidade brasileira no século XXI, dai ressaltarmos o fato de serem apenas apontamentos que merecem uma apreciação mais detalhada.

Quanto a formação da identidade nacional, para o mundo a partir do século XX, este país continente era representado iconograficamente pela cultura e história escrita pelo eixo Rio-São Paulo, deslegando a primazia e o protagonismo dos ventos modernizantes gerados a partir de outros eixos como Recife, Terezinha e até negando a força geo-histórica de Manaus no século XIX como motora da economia brasileira, com a borracha.

A História da marginalização da cultura das outras regiões brasileiras se coaduna com o desenvolvimento concentrado na região centro-sul do Brasil fazendo surgir a partir de uma dinâmica centralizadora e conservadora empresas da media que passam a fornecer uma imagem do país de acordo com os interesses das elites e dos nacionais localizados numa parcela do território, produzindo assim exatamente uma geografia do Brasil de acordo com o imaginário gerado pela ignorância e o próprio desconhecimento do país, perfazendo um caminho colonizatório advindo de uma lógica de expansão do modo de produção capitalista e do povoamento ocidental das regiões costeiras, ignorando painéis e realidades regionais diversas, construídas em diferentes feições sejam naturais e ou socioculturais.

A FIFA enquanto entidade global propõe a realização da XX Copa do Mundo de Futebol em 12 cidades-sedes no continental Brasil, sendo que o debate no seu interior é o de que deveria se ter uma sede na Amazônia de modo que todas as regiões brasileiras fossem contempladas, para a ira de alguns dirigentes europeus e da elite nacional que produzem críticas fortíssimas contra esta escolha, que se seguiram por uma aversão e explosão de vestimos preconceituosos contra a escolha de Manaus, que vão desde o clima até a ausência de clubes de futebol – o que sabemos inverídico!

Superado este fato, Manaus foi escolhida pela FIFA como uma das melhores sedes e as outras sedes fora do eixo centro-sul do país receberam destaque em todos os pontos apostados pela entidade, superando as expectativas. Embora, não se comente largamente na imprensa nacional do sudeste, mas a verdade é que as metrópoles deixaram muito a desejar seja do ponto de vista da construção de suas arenas destinadas aos jogos, seja pelo clima de pessimismo amplamente massificado pela media nacional, tendo em vista o processo político eleitoral do ano de 2014.

No plano da arquitetura da paisagem, a arena São Paulo, ficou muito distante da arquitetura inovadora da Arena das Dunas e da Arena da Amazônia Vivaldo Lima, revelando a negligência com o evento e a imagem da vanguarda metropolitana, que não conseguiu se manifestar em nível mundial.

Contrariamente, Manaus marcou dois pontos importantes: o primeiro de se consolidar enquanto metrópole regional e agora imagética da região destacando-se com centro da geoeconomia regional e do imaginário mundial sobre a Amazônia.

Outro ponto, as críticas ferrenhas se mostraram apenas resquícios de uma ciumeira desvelada contra a região amazônica muitas vezes inventada pela media nacional e alimentada pela imprensa local colonizada. Internamente, a FIFA conseguiu se provar poder englobar um país da dimensão do Brasil e de marcar a paisagem urbana amazônica. Feito este, realizado outrora, somente com a edificação do Teatro Amazonas, além de despertar o orgulho adormecido dos manauaras e amazonenses, além de sepultar as críticas mais ferozes a realização de uma Copa num país tropical e tão vasto como o Brasil.

A importância deste evento, a Copa do Mundo de Futebol da FIFA, certamente alterou a percepção de Brasil e da Amazônia e do Amazonas para o Mundo, mesmo porque além dos torcedores que estiveram no nordeste, centro-oeste e em Manaus conseguiram ver e vivenciar o tamanho do Brasil, enquanto território, cultura e diversidade de paisagens, distante da imagem fomentada pela media nacional que referenciava o Brasil apenas a partir da iconografia do Rio de Janeiro e São Paulo, construindo assim, um novo imaginário sobre este país em que as elites proprietárias dos meios de comunicação de massa não podem e nem devem ignorar neste momento: o de uma nova Geografia para o Brasil.

Saudações Amazonenses!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

GEOGRAFIA: MERCADO DE TRABALHO

FOTO: MAPA. AUTOR: M. BECHMAN, 2O14.


Desde a década de 1990, o mercado de trabalho em Geografia vem ganhando espaço. isso se dá principalmente pelo fato dos novos temas ligados à contemporaneidade como as geotecnologias, a sustentabilidade ambiental e onipresente necessidade de geógrafos-educadores.

Embora as oportunidades de empregabilidade venham crescendo exponencialmente, a disputa pelo mercado também torna-se mais acirrada á medida que outras profissões investem no campo de atuação do Geógrafo e a abertura temática do campo de atuação também favorece este cenário.

Neste sentido, há uma premente e quase onipresente necessidade de fortalecimento e profissionalização das instituições que atuam na defesa e construção da profissão. Noutro ponto, cabe ressaltar que a construção das matrizes curriculares dos cursos de Geografia necessitam de um concurso cada vez maior de inserção de suas instituições profissionais na condição de parceria com as instituições de ensino para o atendimento contemporâneo das necessidades de um mercado de trabalho que exige cada vez mais, um profissional na completude acadêmica e laboral do geógrafo.

Atualmente as universidades e centros de ensino superior vem a cada instante discutindo temas geográficos e sua compreensão e aplicabilidade no exercício profissional de outras formações acadêmicas. Há um espaço a ser -conquistado para além da dicotomia geógrafo-educador x geógrafo-pesquisador.

Urge então, uma necessidade de coesão profissional em torno de suas associações profissionais no sentido de construir este caminho e claro, ocupar a área profissional que lhe é de direito. Neste sentido, a capacidade de empreendedorismo deve ser experimentada, sem esta energia, o mercado não poderá saber e conhecer para que serve a Geografia e quem é esta avis rara chamada Geógrafo, como oportunamente nos lembrava a saudosa geógrafa Bertha Becker.

Saudações Geográficas

sábado, 23 de novembro de 2013

BOLINHA

FOTO: BOLINHAS DE GUDE. AUTOR: PROF. M. BECHMAN, 2013.

Uma volta feliz á infância dos manauaras e amazonenses é de fato uma visita mágica ao inconsciente coletivo daqueles que puderam desfrutar deste jogo de infância chamado "Bolinha". Não se tem dados históricos sobre o jogo no Amazonas, sua origem, seus praticantes, sua classificação...mas sabe-se que muitas gerações praticaram e ou praticam este encantador jogo.

Possui regras claras passadas de geração a geração, também pode ser considerado um ritual com seus códigos, regras e ritos. Tão especial a ponto de ter um vocabulário específico como o "fonas" para o último jogador a atirar sua bolinha em direção a linha das bolinhas dispostas na linha. Ainda inventaram-se o "antes fonas" ´para ser ainda antes do último. O "turite" em que um dos jogadores acerta de uma só vez todas as bolinhas postas na aposta e que marca o recomeço do jogo.

Há também uma gradação de valor nas bolinhas. As coloridas em azul, vermelho, amarelo (predominante) e branco sem transparências, são chamadas de "preciosas" ou "colombianas", chegando a valer cinco das bolinhas comuns transparentes. O Mercado Adopho Lisboa ainda possui bancas que comercializam estes brinquedos maravilhosos que nos ensinam a competir com respeito obedecendo regras.

Saudade enorme do meu tempo de criança. O "viciado" em bolinha com sua lata (lata de leite) cheia era chamado de "Fome"...tudo parte desta mágica fase de nossa infância em Manaus. Vamos brincar de bolinha? Hoje eu sou fonas!


domingo, 21 de julho de 2013

O EXEMPLO DE FRANCISCO

FOTO: PAPA FRANCISCO. AUTOR: VATICANO - DIVULGAÇÃO. 2013.

Na semana de 23 a 28 de Julho, o Papa Francisco virá ao Brasil para uma visita oficial por ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). O primeiro papa sul americano da história da Igreja, terá uma agenda cheia de compromissos públicos e encontros com autoridades.

Uma das imagens mais importantes nesta visita é justamente a direção do caminhar novo que a Igreja Católica vem tomando após a eleição de Francisco no conclave de 13 de Março deste ano. A eleição de um papa sul americano, da ordem dos jesuítas e com o nome adotado de Francisco nos remete a algumas linhas a acerca desta nova direção tomada pelo vaticano.

Inicialmente, a luta clássica da Igreja católica contra o secularismo, o materialismo e o ateísmo ganhou dimensões novas á medida que a Igreja deveria se reinventar num novo tempo, dadas as condições materiais e sociais deste ocidente cada vez mais liberal e capitalista.

Sem dúvida, a opção por um Jesuíta nos remete á associação a principal "tropa de choque" do Vaticano, pois foi exatamente esta ordem que expandiu as fronteiras do cristianismo pelos quatro cantos do mundo e combateu a Reforma Protestante. De preparo intelectual invejável, os jesuítas tem no carisma e na obediência total ao Papa, sua força aliada ao trabalho de evangelização social, trabalhando nas comunidades e junto ás populações mais depauperadas.

O nome Francisco, ligado diretamente a São Francisco de Assis, cujo carisma é a humildade com opção pela pobreza, se revela como forma de atendimento a este novo tempo de neoliberalismo, cujas massas humanas vem sentindo fortes perdas diante da força do capitalismo, cujos reflexos atingem fortemente a Europa ocidental com  o aumento do desemprego associado a problemas sociais clássicos como a xenofobia.

Em seus gestos práticos, vem promovendo uma mudança no comportamento da Igreja diante dos problemas deste tempo, como o combate e o endurecimento das leis contra os crimes de pedofilia e corrupção na cúria romana, além do saneamento e reformulação do Banco do Vaticano, corte em salários e adoção de menores dispêndios financeiros com a ostentação e comodidades. Isso reflete diretamente na caracterização dos rituais, desde o uso de automóveis mais econômicos, objetos em prata e não em ouro, até viagens de avião em classe econômica.

Ainda mais, Francisco é um papa do povo. É uma autoridade que aparecerá no meio do povo sem esconder-se em carros blindados e altares distantes dos cristãos.

Nesta visita a um Brasil 7a. Economia do Mundo e um dos países mais católicos praticantes, Francisco terá seu grande desafio público de restaurar a força da Igreja no mundo do século XXI e atualizar a mensagem do Cristo. 

No cenário político brasileiro, conturbado e ainda indefinido, bem que a Igreja Católica do Papa Francisco nos dá o exemplo de como as instituições deveriam estar mais próximas e atentas aos anseios e necessidades da população. 

Ao que parece, a Igreja Católica compreendeu melhor o clamor das ruas que o Congresso Nacional, pois em vez de assumirem uma atitude de humildade, continuam se encastelando e distanciando das vontades populares. O exemplo está aí, ou melhor, está aqui, diante dos nossos olhos...aos políticos brasileiros é passada a HORA de calçar as sandálias franciscanas!

BENDITO SEJA AQUELE QUE VEM EM NOME DO SENHOR!


terça-feira, 25 de junho de 2013

"REVOLUÇÃO HASHTAG #"

FOTO: TELEFONE CELULAR. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

Analisando os últimos acontecimentos que levaram importantes parcelas da população brasileira ás ruas nos últimos dias e no diálogo com os "rostos" presentes nas manifestações, nos desafiamos a colocar á discussão alguns pontos para uma "pretensiosa" interpretação do cenário atual.

Nosso ponto de partida basilar é o significado do poder de mobilização das chamadas "redes sociais", algo que vem se materializando desde as manifestações que sacudiram alguns países africanos e árabes episódio errôneamente divulgado como "Primavera árabe" em alusão á "Primavera dos Povos" ocorrida no inicio do século XX na Europa ocidental e até os Estados Unidos com a campanha "Ocupem Wall Street". Contudo, há que se ressaltar, a agilidade no processo de comunicação e mobilização potencializada por este canal, mesmo em se tratando, de um instrumento privado e não público, como as redes sociais.

FOTO: MANIFESTANTE EM MANAUS. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.
A agilidade com que a mobilização se materializa, obedece a uma lógica bastante conhecida por todo o pensamento crítico do ocidente. A velocidade no tempo das informações e afirmações difundidas pelas redes sociais nos revela uma particularidade de aproximação entre as exigências de rapidez nas relações sociais materiais e  difusão instantânea da expressão da fala humana sob a forma de "ordem" ao cérebro. O modo de produção capitalista sempre estimulou a redução do tempo-espaço, pois "Tempo é Dinheiro" e frases curtas são objetos importantes para a impressão das marcas e produtos na mente humana, cerceando o espaço da análise.

Os hashtags tem esta característica. São ordens emitidas ao pensamento, como o consumo de um determinado produto ou serviço. Sem maior elaboração tem seu alvo alcançado com precisão em meio a uma nuvem de outros slogans que disputam espaço em nossas mentes como "Beba Coca-cola", "Ligue Agora", "Volto já". Desse modo, possuem um enorme poder de mobilização. E, isso se concretizou a partir das frases-ordens: "#ogiganteacordou" "#vemprarua" "#soubrasileiro" e outros mais. Sem análises mais elaboradas, os hashtags vão formando alcançando seus objetivos.

No calor das ruas e das praças, quando indagados sobre os motivos que levavam algumas pessoas (até formadas em nível superior) a irem as manifestações, os mais jovens respondiam que era pela "Revolução" e quando ainda indagados sobre o que seria conceitualmente uma "Revolução" revelavam um completo desconhecimento do termo e de seu simbolismo histórico e socioeconômico e geográfico. Da mesma forma que desconheciam o significado sociológico dos termos como: luta de classes e anarquia.

Contudo, os efeitos da "Revolução Hashtag" ainda estão sendo debatidos por intelectuais e cientistas sociais. Na verdade, seus resultados são expressivamente claros aos nossos olhos.

A necessidade de uma adequação dos "modelos mentais" usados para analisar os movimentos sociais. As manifestações finalmente levaram o Brasil ao século XXI, com a fragilização da representatividade política-partidária. Há a necessidade clara de uma reforma política com participação direta popular. O papel das instituições está sendo repensado numa busca frenética para se dar conta deste novo momento. A tecnologia como meio de gerar uma nova perspectiva na Democracia, a partir de uma liquidez maior em que o cidadão opine, debata e decida sobre os grandes temas que envolvem seu cotidiano, além de que com as manifestações o virtual está cada vez mais confundindo-se com o real, quando os internautas passaram a pousar neste nosso planeta tão primitivo quanto real, chamado Terra.

#Saudaçõesgeográficas!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

MANAUS NAS RUAS

FOTO: PROTESTOS EM MANAUS AM. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

Nesta quinta-feira 20, uma multidão estimada em aproximadamente 50 mil pessoas foram as ruas da cidade de Manaus para protestarem contra a corrupção e o aumento nas passagens de ônibus. A cidade integrou o grande movimento de massas que tomou conta do país, iniciadas a partir dos protestos violentos de Goiânia cujo aumento chegou a ser de R$ 1,00 (hum real).

FOTO: PELA EDUCAÇÃO NO AMAZONAS. GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

Com muitas faixas, os manifestantes foram se concentrando em vários pontos da cidade e aos poucos as ruas históricas foram sendo tomadas. No interior da manifestação encontramos muitos e vários cartazes cujas reivindicações possuem os mais distintos interesses, indo do protesto pela fata de acesso 3G para internet até os torcedores que pedem a preservação do estádio Parque Amazonense, berço do nosso futebol, ameaçado pela construção de um posto policial. Mas uma reivindicação sempre apareceu mais forte, a da qualidade do ensino e da melhoria das condições de educação como a melhor remuneração dos professores. 

FOTO: MANIFESTANTES CONTRA O CORTE DE ÁRVORES URBANAS. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

O meio ambiente não foi esquecido e as árvores urbanas foram lembradas pelas vezes que nas imediações do Teatro Amazonas, algumas delas foram cortadas. Na passagem pela Igreja de São Sebastião a igreja saudou a manifestação com o toque dos sinos e ao menos uma cena interessante com o abraço fraternal entre o pároco da Igreja e um manifestante de cultos afro-descentes sob os aplausos e as lentes daqueles que registravam a manifestação até aí pacífica.

Durante a noite, a grande parte dos manifestantes dirigiu-se para a Arena da Amazônia e outro grupo já concentrado á frente da prefeitura de Manaus na Av. Brasil (Compensa) produziu choques com a polícia com ataques aos carros da polícia e o incêndio de um ônibus. Neste sentido, Manaus integrou um cenário que vem se repetindo em outras grandes cidades do Brasil que ontem foram ás ruas contra a corrupção. A imprensa local aberta não repercutiu as imagens da participação de Manaus nos protestos promovidos em todo país.