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terça-feira, 3 de agosto de 2021

APROPRIE-SE

 

FOTO: M. BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*


Retorne.

projetos parados, em meio ao torpor dos dias em ondas nefastas

E você hein?

Se resguardou sob à sombra do Altíssimo. 

Só ele, pode explicar você aqui.

Então, erga-se e siga.

Sei que não somos mais os mesmos, nem eu e nem você.

Talvez hoje, o que mais nos iguala é o nosso limitado tempo.

Realinhe e comunique isso a todos.

Também é hora de abandonar sonhos que não passaram de ilusões inocentes.

O luto é a chaga, mas a luta continua enquanto houver escuridão.

Mais foco, afinal o mundo ainda está aí e você também.

O certo é existe um Deus que ordena este mundo, o meu e o seu.

Quando em perigo, se gritares pelos seus anjos, eles virão

Quando em solidão, se gritares pela mãe, ela sempre estará ao seu lado te protegendo

Por isso, cuide-se e cuide de mim que estou ao seu lado

Pois juntos abraçamos este caminho de sol e chuva.

Aproprie-se de si mesmo e nunca perca a lucidez.

Aproprie-se!


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* Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

terça-feira, 1 de junho de 2021

O RETORNO TORTO E O VELHO NORMAL

FOTO: PROF. ME. MAURO BECHMAN. AUTOR: CUCUNACA, 2021.


Por: Mauro Bechman*

Durante este tempo de Pandemia, no isolamento social, representou para algumas pessoas de distintas profissões e seguimentos da sociedade, um momento para a reflexão sobre suas vidas, do seu microcosmo familiar ao exercício de suas atividades e atitudes diante dos outros.

Passados alguns meses e duas "ondas" cruéis que ceifaram a vida de muitos amazonidas, começamos a ouvir declarações de pessoas que não viam a hora de retornar as atividades como se fosse ou era antes de 2020, ou seja, o Velho Normal.

Diante disso, passamos a refletir sobre este "clamor" pela volta às atividades, mesmo sem a Imunização completa ou a revisão do conceito de Pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que classifica o vírus Sars Cov-2 como uma Pandemia Mundial.

Sendo assim, no seio dessa reflexão sobre as pessoas que "não aguentam mais ficar em Isolamento Social", encontramos três grupos. 

O primeiro constituído por Negacionistas convictos que não vêem gravidade neste momento, sendo audiência de "teorias da conspiração"; o segundo grupo, constituído por pessoas tem suas atividades ligadas aos contatos físicos, sejam com clientes ou materiais e o terceiro grupo, composto por aquelas pessoas que antes de 2020 cumpriam suas atividades com exito mesmo que isso lhes custasse o convívio familiar e a queda de sua qualidade na saúde.

Neste último grupo, o desejo frenético de retorno pode revelar duas situações. A primeira, em que mesmo no presencial, essas pessoas se avolumavam de tarefas para se dizerem "ocupadas" e responsáveis" muitas destas tarefas nem sempre essenciais aos resultados do planejamento. E, quando colocadas em situação de trabalho remoto, não conseguiram "administrar sua rotina", embaralhando as demandas de casa/família com a rotina laboral da profissão.

Um terceiro fator ainda pode ser acrescentado, algumas destas pessoas tem no trabalho (externo) uma "fuga" do ambiente familiar, seja por problemas de ordem pessoal ou de perda de empatia na família. 

Situação esta, de grande sofrimento para pessoas deste grupo. Talvez por isso, o grito de socorro para a volta às atividades presenciais. Também, não se pode negligenciar as demandas materiais que levam a limitação e a precarização do trabalho remoto.

O fato é que há pessoas que desaprenderam ao convívio familiar à rotina e a educação do lar, com os filhos e dependentes, com o cônjuge ou companheiro e em alguns casos até transformaram esse convívio em uma relação tóxica.

E, após mais de um ano de Pandemia ainda não aprenderam a administrar suas rotinas. Daí, mais cômodo e talvez o único socorro, clamar pela volta às atividades presenciais, mesmo que isso ponha em risco a sua própria vida e a dos seus próximos.


#vacinaparatodos

#brasilimunizado

#escolaimunizada

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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

A PANDEMIA E O FIM DA ESTATÍSTICA


FOTO: PROF. ME. MAURO BECHMAN. AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*

A Estatística é uma das aplicabilidades mais importantes das ciências exatas para a prospecção, diagnóstico, monitoramento, inferência e projeção dos mais diversos campos da vida humana.

A Estatística está praticamente em todos os cursos superiores, apesar da banalização das ciências, do métodos e das metodologias de ensino-aprendizagem.

Os institutos de pesquisa, especialmente aqueles voltados a Pesquisa eleitoral gozaram de grande prestígio e também desprestígio antes de 2020. Com a Pandemia do vírus Sars Cov-2, a Estatística novamente ganha uma visibilidade talvez jamais vista no mundo. 

Dentre os vários ramos que necessitam de tratamento estatístico, vemos o levantamento de dados sobre os óbitos causados pela Pandemia.

Alguns dados que nos parecem difícieis como a mortalidade em lugares cujo acesso a dados e ao próprio registro do indivíduo como pessoa física. Aí, como ficam as tabelas, mapas e gráficos?

Talvez, a Igreja Católica que ainda mentem seus registros rigorosos pudesse contribuir para o preenchimento desta lacuna, embora há que se pensar na negligência e desprezo destes dados e registros por outras religiões e denominações cristãs e laicas.

De qualquer modo, as Estatísticas brasileiras sobre a Pandemia parecem sugerir que não há uma margem de erro, mas uma sensível insuficiência de dados na geração das tabelas, mapas e gráficos.

Noutro ramo vital, como a Educação, vemos a coleta de dados, a partir de formulários eletrônicos, muito fragilizada para se definir ações e políticas educacionais. Se junto aos professores e professoras há carência de acesso a internet quiçá a comunidade estudantil neste colosso que é o Amazonas. 

Da mesma forma, temos as perguntas nos formulários, que limitam execessivamente as respostas dos pesquisados. Algumas alternativas que deixam de estar presentes no formulário que até talvez abalassem a execução da pesquisa.

Sendo assim, diante deste cenário, a Estatística tornou-se também uma espécie de vítima desta Pandemia, daí rememorar o ilustre geógrafo Milton Santos no seu livro Por uma Geografia Nova, Edusp (2002), devemos "...Medir para refletir ou refletir para medir?".


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.