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sábado, 12 de junho de 2021

HOMENAGEM AO AMO DO GARROTE MALHADO MALABAR, RAIMUNDO NONATO DA SILVA, IN MEMORIAM..

FOTO-MOSAICO: RAIMUNDO NONATO DA SILVA.
 AMO DO GARROTE MALHADO MALABAR. ACERVO. 2012.


Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Hoje, abrindo este blog para responder aos leitores, me deparei com a mensagem numa antiga postagem sobre o "Garrote Malhado", de propriedade do senhor Raimundo Nonato da Silva, o "Raimundão", amo do Boi que durante décadas aglutinou jovens e crianças no folguedo junino. Na mensagem, a lamentação e a saudade de um dos filhos que com dor informa a partida do Melhor Amo de Boi, vitima do vírus Sars Cov-2, nestes tristes e irracionais tempos de Pandemia.

Em 2012 fui a sua residência no Japiim, no intuito de conseguir uma entrevista e também de certo modo registrar para que a História do Boi de Manaus não caísse no esquecimento. Fui muito bem recebido por um dos filhos que me deu a honra de entrar na casa e conversar com o seu Raimundo. Falei que era da Praça 14 de Janeiro e que dos meus seis irmãos, cinco brincaram no Garrote Malhado desde quando o curral era na Rua Visconde de Porto Alegre.

Com um sorriso sem igual, ele me mostrou alguns troféus dentre os muitos conseguidos pelo Garrote Malhado desde que herdou o folguedo do primeiro amo, o mestre Ceará. Tentei registrar o que pude com uma máquina fotográfica limitada de um pesquisador estudantil. Mas, era meu encontro com o passado doce e duro dos anos 1980. "Seo Raimundo" deu-me uma foto pequena e um texto com o Histórico do Garrote Malhado que sempre era lido durante os festivais folclóricos do Amazonas, desde o Estádio General  Osório no Colégio Militar de Manaus (Centro Histórico).

Sempre é difícil escrever sobre o que melhor lembra o Amo do Boi, seja pela imponência, seja pela beleza da fantasia ou ainda pela marcante e altiva voz de cantador de Toadas. Quase impossível não lembrar de alguns versos: "É este o fama, o Boi Malhado falado, repare o desenho do fama e veja se está do agrado, se não tiver do seu gosto, me perdoe não sou eu o culpado", ou " Alô! Morena bela eu já vou/a hora já terminou/ Adeus, adeus meu amor!" dentre muitas outras toadas compostas pelo amo ao seu amado Garrote Malhado, também chamado na Praça 14 de Malhadinho.

Que o Senhor de Infinta Bondade receba Raimundo Nonato da Silva, este Amo do Boi Malhado em sua Páscoa Eterna e que as boas lembranças e seu rico legado permaneça na História da Cultura Amazonense.

Agradecido e honrado em nome de seus brincantes.







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*Brincante do Garrote Malhado de 1982 a 1985 na fila dos "Rapazes".

domingo, 16 de junho de 2013

PAPAGAIO DE PAPEL

Foto: Papagaios-de-papel.. Autor: Geóg. M. Bechman, 2013.
Os "Papagaios de papel" são uma das brincadeiras infantis que certamente devem fazer parte da memória e do imaginário dos manauaras. No sudeste do Brasil, são conhecidos como "pipas". Fascinam a quem brinca de papagaio ao ponto de se tornar uma espécie de "vicio".

A sua origem está ligada á China e tem origem nos folguedos de festejo e homenagens aos imperadores chineses. Em Manaus, não se tem uma pesquisa mais contundente sobre o tema a partir da academia, apenas temos um pouco mais difundidos alusões na literatura local e ou passagens ao longo das narrativas e recortes de jornais.

Os papagaios de papel merecem um olhar especial, pela perspectiva da ludicidade e das formas e linguagens presentes nesta manifestação de lazer. A confecção dos papagaios artesanais envolvem um ritual de técnica e sensibilidade artística. Feitos com linha de algodão, talas de buritizeiro e ou de coqueiro, papel de seda cola branca, revelam habilidade e técnica na composição de cores que formam sua tela podendo expressar beleza e esplendor quando "levantados no ar". 

Não fosse apenas isso, os papagaios de papel, possuem um vocabulário ainda pouco explorado e que não fosse pela tradição oral, estaria perdido na memória popular longínqua. Expressões como "Empinar" "Cerol" (mistura de cola com vidro triturado), "Massaroca" e "Flechar" são apenas um aperitivo para rico inventário de expressões presentes no ato de "Empinar Papagaio". 

Na cidade de Manaus, alguns lugares sempre tiveram expressão na habilidade em lidar com este "brinquedo" como os bairros dos Educandos, Morro da Liberdade, Centro, Praça 14 de Janeiro e Alvorada. Atualmente há grande concentração de empinadores de papagaio-de-papel nos bairros da Alvorada (Sambódromo - Centro de Convenções) Nova Cidade (Próximo ao Pássaro-de-ferro) e na Av. Beira-Rio ligando-se ao bairro dos Educandos que nas tardes de domingo, muitos adultos e crianças disputam espaço para brincar de papagaio.

Como vemos, há um enorme universo a ser desvendado, a partir do papagaio de papel que ainda precisa ser descoberto e melhor elucidado.
Quem se habilita?

Saudações Geográficas!