![]() |
| FOTO: M.BECHMAN. AUTOR: CUCUNACA, 2026 |
Por: Mauro Bechman*
Desde o início da década de 1970, o mundo ocidental vem experimentando uma aceleração no modo de viver. No cotidiano, a velocidade substituí a saborização dos momentos e das coisas onde o consumismo une-se intestinalmente ao individualismo e ao desejo insano de acumulação perpétua.
Assim, o degustar de um doce ou um café passa a ser avaliado pela velocidade e a necessidade do registro imagético do seu instante e não pela qualidade do alimento ou dos ritos que estão em sua volta.
No mesmo sentido, os prazeres e os amores, se esvaem pelo tempo diante da velocidade que ocorrem sufocando sua verdadeira "intensidade". Tudo muito rápido e frívolo, parasitário entre ambos os encontrantes que parecem disputar secretamente quem consegue parasitar mais o outro.
O importante é a velocidade. Assim se constroem as memórias registradas mas não degustadas mediadas pela velocidade em que ocorrem e testemunhadas pelas falsas imagens de felicidade.
Da velocidade deste tempo, são tributárias as incompreensões, as ansiedades e as precipitações que se visualizam nas confusões e violências do cotidiano. Uma desnaturalização do dia a dia e uma desumanização da vida.
Diante disto, um dos nossos desafios no Novo Ano que já começou, seja o exercício da Paciência.
Respirar para oxigenar o cérebro, compreender que melhores memórias são as degustadas com intensidade e não com velocidade e sobretudo lembrar que ainda podemos dar ritmo a nossa própria vida com serenidade, calma e lucidez, pois nem tudo está sob nosso controle e por isso te peço neste ano: "-Exercite sua Paciência".
Feliz Ano Novo!
_________
*Professor de Geografia e Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade federal do Amazonas UFAM (1909).

Nenhum comentário:
Postar um comentário