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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

HOJE NÃO TEM CARNAVAL

 

FOTO: SAMBÓDROMO 2020.
AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Alerquim está chorando pelo amor da Conlombina no meio da multidão. (Ze Keti-Pereira Mattos).

Sopraram cinzas no meu coração, tocou silêncio em todos os clarins, caiu a máscara da ilusão de pierrôs e alerquins. (Moacyr Franco).

Agora eu sei desfilei sobre aplausos da ilusão e hoje tem esse Samba de amor por condução...viva o carnaval e nas cinzas pude perceber, na inspiração perdi você. (Sandra de Sá).









Minha singela homenagem, a todos os sambistas e carnavalescos que partiram neste tempo de Pandemia que assola o meu país e a cidade do carnaval da chuva, minha Manaus.

Nascido e criado na Praça 14 de Janeiro, não tenho como deixar de prestar reverência aos que fizeram a gente disfarçar a dores da vida.

Que São Benedito os abrace.

___________

*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. UFAM. Torcedor da GRES Vitória Régia.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

GRES REINO UNIDO DA LIBERDADE CAMPEÃ 2017

FOTO: TORCIDA DA REINO UNIDO DA LIBERDADE.
AUTOR: CUCUNACA, 2017.

Com um enredo atualíssimo e um desfile exuberante, a Escola de samba Reino Unido da Liberdade, sagra-se campeã do carnaval amazonense de 2017. O tema sustentabilidade representou um status importante para a agremiação. Favoritíssima após o desfile de sábado,25 no sambódromo,a escola conseguiu empolgar acelerando levemente o samba que era considerado longo pelos especialistas e sem refrões empolgantes.

Noutro ponto, importante destacar a vontade de protagonismo da escola do Morro da Liberdade, tendo em vista, o seu papel coadjuvante no carnaval amazonense, visto que, entre os pesquisadores do samba, a escola com forte apelo e origem popular nunca enfrentou diretamente a força política da escola de samba Mocidade Independente de Aparecida que aceitava passivamente resultados de carnavais do passado, consolando-se com colocações em vice-campeonatos e ou esporadicamente vencedora do desfile. Ao que parece, 2017 a Gres Reino Unido da Liberdade, decidiu por ser protagonista no carnaval amazonense. 

A escola do Morro desfilou majestosa. Foi um dos títulos mais justos do samba amazonense e deverá ser norteador dos desfiles para as suas co-irmãs, muitas ainda, vivendo de seus belos álbuns de fotografias.

Parabéns Reino Unido da Liberdade!

sábado, 14 de maio de 2016

PRAÇA 14 DE JANEIRO: SOCIODIVERSIDADE

FOTO: SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA. MANAUS/AM. AUTOR: CUCUNACA, 2016.

A Praça 14 de Janeiro é um dos bairros mais tradicionais de Manaus, com seus 131 anos de fundação, o bairro é uma marca importante no espaço geográfico da religiosidade e da cultura popular para Manaus e para a Amazônia. 

Um bairro cuja ocupação assenta-se na presença de um forte contingente afrodescendente caracterizando-o assim como uma bairro de forte presença negra. A Praça 14 de Janeiro fora um bairro que até a primeira metade do século XX fora considerado como periferia do centro de Manaus, capital do Amazonas. Esta presença negra, de origem maranhense e das Antilhas, remonta ao antigo período imperial em que a escravidão não havia ainda sido considerada crime.

Este texto, sugere a observação direta do componente humano, uma primeira etnografia da população do bairro da Praça 14 de Janeiro. Uma descrição primeira e sempre preliminar. E, uma das mais importantes manifestações religiosas do bairro da Praça 14 de Janeiro, sem dúvidas é a Festa de Nossa Senhora de Fátima cujo belíssimo e singular santuário mariano, assenta-se sobre uma elevação dando destaque na paisagem e na arquitetura do lugar, servindo assim, como nosso ponto de partida observacional.

Neste sentido, não se pode deixar de destacar que mesmo a grande presença de afrodescendentes, há da mesma forma, um contingente expressivo de indivíduos descentes de migrantes e, especialmente imigrantes portugueses, que assentaram suas atividades produtivas nos setores comerciais e de aluguéis de imóveis. Esta última, uma característica da presença portuguesa, o ramo imobiliário, onde vilas e algumas propriedades cedidas ou alugadas aparecem vinculadas aos portugueses e seus descentes.

A mágica miscigenação de pessoas neste bairro especial, verifica-se nesse habitante do urbano. Os rostos do cotidiano espelham razoavelmente essa sociodiversidade. E, nas manifestações culturais coletivas ou coletivizadas, esse mosaico humano, sobressalta aos olhos e lentes. Assim que, numa das Festas Religiosas mais populares do bairro - como a Festa de Nossa Senhora de Fátima, celebrada a 13 de Maio - observa-se claramente a presença difusa e individualizada da composição humana do bairro da Praça 14. São afrodescendentes, de tez escura, que somados a brancos de traços já um pouco mais miscigenados com os caboclos e caboclas do Amazonas e da Amazônia, até os brancos descendentes dos portugueses que ainda preservam uma feição mais peninsular. Ainda assim, nestes muitos matizes, vemos caboclos e caboclas brancas, como também caboclas e caboclos negros, expressividade de uma sociodiversidade que se no passado se apartava, atualmente, reconhece-se com parte da identidade amazonense e amazônica, celebrada a cada ritualização coletivizada não somente na forma quanto no conteúdo.

Em outros momentos e em especial, durante o Carnaval de Manaus, esta mágica miscigenação, manifesta-se em torno da Escola de Samba Vitória-Régia, herdeira da Primeira Escola de Samba de Manaus, a Mixta da Praça 14 de 1948. Como se vê, a Praça 14 de Janeiro da Padroeira Nossa Senhora de Fátima é também da Festa de São Benedito e dos "batuqueiros de ouro" da bateria Berço do Samba.

sábado, 31 de janeiro de 2015

MANAUS SAMBA: CARNAVAL DA METRÓPOLE

FOTO: TAMBORES DA BATERIA "BERÇO DO SAMBA". MANAUS,


No dia 14 de Fevereiro estaremos diante do desfile das escolas de samba de Manaus. Um espetáculo popular digno de nota entre um dos três melhores carnavais de escolas de samba do Brasil, seja pela grandiosidade da festa momesca quanto pela organização e o envolvimento de pessoas nesse evento.

Desde há duas décadas não tínhamos um carnaval com enredos e sambas enredos tão empolgantes e belos. O que indica que esta safra nos surpreendeu positivamente seja em letra, música e melodia. 

Desse modo, há sobretudo, neste desfile de 2015 um dado importante: Manaus com suas escolas de samba tradicionalíssimas e cujos nomes das agremiações são também bastante originais cantará esse ano: a Amazônia em suas multifaces.

Os enredos muito bem concebidos pelas comissões de carnaval das escolas vão mostrar nos desfiles muito da cultura amazônica. Das nove escolas de samba que disputarão o título de campeã do carnaval de Manaus, seis vão homenagear a cultura e  lugares da região norte do Brasil.

A GRES Mocidade Independente de Aparecida homenageará o Estado do Acre, importante estado na composição das fronteiras brasileiras e em que o Amazonas teve participação importante na sua história com o enredo: "Aquiri: Orgulho do Brasil". A tradicionalíssima e berço do samba amazonense, a GRES Vitória-Régia cantará no seu enredo "De Nazaré a Conceição no caminho das Águas", a Fé em Maria Santíssima destacando a f'é mariana desde o estado do Pará ao Amazonas perpassando pela cultura envolta nestas manifestações de fé populares. 

O GRES Balaku Blaku, escola do Centro Histórico de Manaus, trará para a avenida do samba: "Canta alto cirandeira, com orgulho e amor, conta a história de Manacapuru, o sonho que se realizou" Uma homenagem justa ao município e ao povo de Manacapuru, chamado Mura, valentes guerreiros que foram de 1723 a 1727 importantes aliados do tuxaua Ajuricaba na luta contra o colonizador português. Destacamos aqui o segundo ano consecutivo que a Balaku vem trazendo um enredo amazônico e amazonense. 

De volta ao desfile principal de Manaus, a GRES Andanças de Ciganos, escola do tradicional bairro da Cachoeirinha trará o enredo: "No clamor do seu povo desperta o guerreiro esquecido, Ajuricaba o herói Manaó" a escola cantará Ajuricaba, símbolo e mito da resistência indígena a colonização da Amazônia que segundo a História se jogou no encontro das águas do Negro com o Solimões preferindo morrer que viver como escravo sob as ordens portuguesas. A escola revigorá o orgulho de ser amazônico e amazonense chegando a servir de pressão para que Ajuricaba seja inscrito na Galeria dos Heróis Nacionais, proposta esta que está sob trâmite no senado brasileiro.

 As demais escolas embora não venham tratando especificamente sobre temáticas amazônicas e ou amazonenses, tem enredos muito bem elaborados e também merecedores de destaque, como a estreante GRES Império da Kamélia que vem tematizar a Luz como a energia que move o mundo, um dos sambas mais empolgantes deste carnaval, é promessa de alegria certa na cadência ritmada da bateria "Swing da Nega".

A comunidade do bairro da Alvorada estará com a Unidos do Alvorada e seu enredo sobre "Saúde, alegria e paz, o resto a gente corre atrás" tratando da saúde em suas muitas dimensões. A gigante da zona leste, a GRES A Grande Família virá com um enredo afro-brasileiro fortíssimo "Orixás: a força que vem da natureza". A escola do Galo tem um samba de enredo muito bem composto e animado. A Reino Unido da Liberdade tratará neste desfile, o enetredo"Construção: obra prima da humanidade" a escola do Morro da Liberdade vem com vontade de título com um samba fácil de memorizar.

Após um ano de 2014 cheio de dificuldades as escolas de samba de Manaus vão para o desfile de 2015 com a alegria e energia renovadas, tendo que superar além de suas limitações próprias, a indiferença da gestão da cultura no ano que passou. As escolas de samba e suas comunidades foram mais fortes e agora, ao que parece, vem com entusiasmo para mostrar a todos o porquê de figurarem entre os três melhores carnavais de escolas de samba do Brasil, com o seu gigantismo e empenho de seus foliões mostrando que neste solo sagrado da Amazônia também ecoam os tambores do samba.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

PRAÇA 14 DE JANEIRO - 127 ANOS

Foto: Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Manaus. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

No dia 14 de Janeiro, o bairro da Praça 14 de Janeiro completou 127 anos de existência. É um bairro da zona centro-sul de Manaus e tem sua origem ligada á presença negra no Amazonas.

O bairro ao longo de sua história teve muitas denominações, desde Praça da Conciliação, Praça Fernandes Pimenta e ainda poderia ter sido chamada de Praça Portugal em 1940 caso tivesse sido aprovada uma solicitação da Câmara de Vereadores da cidade - o que gerou protestos da população manifestados na letra de um dos sambas da época - para finalmente receber o nome de Praça 14 de Janeiro em homenagem a uma "Revolta Popular" em 1892 contra o governo de Gregório Thaumaturgo de Azevedo pelo atraso nos vencimentos do funcionalismo público e de fornecedores.

Foto: Ensaio da Escola de Samba Vitória-Régia. Autor: Geóg. M. Bechman, 2013.

O bairro da Praça 14 de Janeiro é um dos bairros que mais contribuíram para a Geografia da Cultura manauara e amazonense, com festejos religiosos, cristãos e afro-descendentes, sendo considerado o "Berço do Samba" com a criação da primeira escola de samba do Amazonas, a Escola Mista da Praça 14 em 1947, a qual serviu de inspiração para o nascimento em 1975 do GRES Vitória-Régia, sendo um dos ícones culturais da Amazônia.

Pela efervescência cultural, o bairro influenciou muitos folguedos e brincadeiras da cidade de Manaus e do Amazonas, com o Boi-Bumbá, pois de acordo com a tradição popular, foi desde bairro que surgiram os bois Mina de Ouro, Brilhante e Caprichoso inicialmente chamado de Diamante Negro, além de cirandas, danças nordestinas e tribos indígenas que compõe o caldeirão cultural do Amazonas.

PARABÉNS PRAÇA 14 DE JANEIRO!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CARNAVAL DE MANAUS: CRÍTICAS


Foto: Coroa, símbolo do GRES Reino Unido da Liberdade. Quadra.
 Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Desde de criança, acompanho o Carnaval de Manaus, especialmente o desfile das Escolas de Samba e isto tem mexido de fato com minha criticidade. Daí a oportunidade para exercê-la em sua plenitude. Nestas breves palavras buscarei pontuar com criticidade, as fragilidades do nosso carnaval e de nossas agremiações. além de abordar alguns entraves ao nosso crescimento enquanto um carnaval de destaque entre os demais do país.

Nesta percepção, algumas das grandes escolas de samba de Manaus, ainda carecem de se libertar do "julgo" do Estado, pois ainda alimentam a cultura de que tem que esperar o "Estado" reformar suas "quadras" e financiar suas esperanças. Ao visitar algumas das quadras de escolas de samba, observamos a falta de infra-estrutura presente e mesmo nas maiores, com pisos sem o devido embasamento, e notoriamente, quadras sem pintura que dessem ao menos a impressão ao folião, que ali reina a "Alegria". São em verdade, coisas simples, que precisam ser vistas, para que a casa dos bambas, tenha uma referência verdadeira á alegria das escolas de samba.

Outra fragilidade, reside no fato, de que em algumas escolas de samba ainda respira-se um "espirito amador" na gestão. Aos baluartes, as homenagens e aos administradores as engrenagens! As Escolas precisam ter projetos verdadeiros para o regaste da cidadania das pessoas e não somente reclamar da falta de dinheiro. Poucas escolas de samba em Manaus, tem esta preocupação. Já está na hora de perceber que a Praça 14 de Janeiro é o berço do samba, mas que ainda não dispõe de um "Museu da Negritude" e ao que parece ninguém se preocupa com isso o que se torna um acinte á memória deste lugar tão especial que é a Praça 14 de Janeiro, com sua nomeclatura revolucionária. Acorda minha gente tá na hora! Cada escola tem sua história e isto não pode ficar apenas sob a reponsabilidade da memória popular. Existe uma história a ser registrada na Balaku Blaku, na Aparecida, no Reino Unido e tantas outras escolas de samba e até as que estão no grupo de acesso.

É notório que as composições dos sambas enredo vem a cada ano perdendo a qualidade em nome de um apelo publicitário. Não se faz mais poesia! Não se faz mais pesquisa em profundidade para se compor um samba-enredo, daí letras pobres e sem criatividade, fazendo nos pensar que alguns sambas de enredo são apenas a junção de "rimas" já realizadas em outras letras de outros sambas de carnavais passados. Não há inventividade e sensibilidade. Versos previsíveis e limitados, sem inspiração. Alguns interpretes gritam em vez de cantar e buscar harmonizar o tom com a beteria.

As escolas de samba também não podem ser apenas cópias do carnaval carioca, precisa ter originalidade e criatividade. Repetir nomeclatura de bateria ou de torcida vista pela televisão, só faz empobrecer a rica história das escolas de samba! A mente humana é tão criativa, porquê reproduzir a mesma coisa! Parabéns á Vitória-Régia que mantém seus "Batuqueiros de Ouro", vejam é batucada, donde surgiu a escola, do batuque dos negros da Praça 14 de Janeiro. Esse negócio de imitar o "Salgueiro" é de última!

A cada ano, presenciamos um verdadeiro exército de "furões" na escolas de samba. Ganham camisas da harmonia da escola e muitos não sabem nem cantar o samba! É, como não sabem sambar, pulam freneticamente quando se deparam com uma câmera de televisão, seus movimentos são tão descompassados com o samba que não sabemos se estão num bloco da Bahia ou no meio da torcida de um clube de futebol. Mas isto só ocorre porque se permite e quem permite? Deixo esta resposta para vocês.

Também não podeia deixar passar desapercebido, os "intelectuais de plantão". Estes nunca foram a um barracão de escola de samba, não conhecem seus personagens, sua história, mas estão lá a postos para depreciar o "edificil do samba" manaura! Não propõem pesquisas, nem desenvolvem sobre as escolas de samba, as coisas da terra! Lembro apenas que na Inglaterra e na França se pesquisa sobre tudo, até sobre queijos e cada um destes elementos da cultura do dia-a-dia são pesquisados com o rigor e paixão da academia. Não em Manaus, para estes divinos, nossas escolas não são dignas de pesquisa, de teses, monografias, livros. Lembro aqui, que a mais importante obra sobre o Carnaval de Manaus quanto ás escolas de samba é de um grande amazonense, chamado Daniel Sales Gato e está exatamente fora da academia. Lamentável a posição destes pseudo-intelectuais que nem sequer escrevem os sambas para as escolas e nem ao menos se expõe á disputa para as eliminatórias.

Não desejamos ser uma simples cópia do Carnaval carioca, pois duvido que aquele carnaval dê o acesso ao povo como o nosso! Com o maior sambódromo do Brasil e cujo acesso é gratuito á grande massa. Fizemos sambas de enredo verdadeiras obras primas num passado próximo e podemos mais! Pois somos únicos e capazes sufucientemente para ousar!

Saudações Carnavalescas!