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domingo, 2 de agosto de 2026

A TRANSMISSÃO DAS MEMÓRIAS ÀS GERAÇÕES ATUAIS

FOTO: M. BECHMAN.
 AUTOR: CUCUNACA, 2026

Por: Mauro Bechman*

Este final de semana foi bem interessante. Refletimos sobre algumas situações postas e reais por algumas colegas de trabalho relacionadas ao fato dos alunos desta novíssima geração não desenvolver "vontade" de conquistar uma profissão ou alimentar sonhos que os impulsionem a "lutar" por ideais, mesmo que estes não dependam apenas de suas vontades. Então, nos dedicamos a escrever algumas linhas aleatórias sobre este tema.

A princípio, refletimos sobre nossas metodologias de trabalho e os recursos disponíveis para o mínimo apoio didático. E, de repente nos deparamos com uma descontinuidade histórico social enorme. Os alunos não conseguem compreender a história como parte de sua realidade atual. 

Em suas percepções nos parece inaceitável acreditar que até os anos 2000 nem todas as escolas públicas tinham acesso a livros e a merenda escolar. E, que a mortalidade infantil ou a fome absoluta era de fato uma expressão da normalidade no Brasil.

Realmente um desafio ensinar o que aparentemente não tem aplicação na vida prática, apenas uma memória, ou seja, uma abstração, mas que por um espírito individualista neste tempo, não me pertence e por isso não merece minha atenção. 

Assim, o desinteresse pelo livro didático, pelo áudio visual documental, e a consequente banalização dos recursos disponíveis como a sala acondicionada ou a merenda escolar. Aliás, ao que parece, tudo foi dado e não conquistado com as lutas sociais coletivas de estudantes e professores.

Dentro desta lógica individualista, talvez seja importante que os mestres e mestras se voltem as velhas questões filosóficas: quem sou eu? Por que estou aqui? O que me permitiu estar aqui? 

E aí talvez, o reinicio de uma vontade em saber que o coletivo também me explica na minha individualidade, que se minha estatura física é maior que a de meus pais, isso tem uma razão que é bem mais ampla que o desenvolvimento da atividade física, que a minha existência dependeu de decisões políticas que possibilitaram que todos desta geração fôssemos vacinados e melhor alimentados com um maior acesso a alimentação.

Por isso, talvez seja a pergunta geradora: Em que ano você nasceu? Neste sentido, possa ocorrer a possibilidade de abertura desta geração a descoberta de um Mundo que sem a sua vontade de se posicionar, de produzir, trabalhar e sonhar, ele deixará de existir. 

Daí a necessidade de sonhar um mundo melhor de ser uma pessoa capaz de projetar o seu próprio futuro com uma profissão que oportunize crescer e ajudar aos outros crescerem. Isto sim, é civilidade e legado.

A transmissão da memória entre as gerações passará pelo corpo dos educandos, de suas heranças físicas corporais, de seu cartão de vacinação, de seus prontuários odontológicos, de suas memórias imagéticas e imaginárias. Afinal, só saberei o que quero ser se eu saber quem sou.


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM (1909)