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quinta-feira, 29 de abril de 2021

QUEM DIRIA: O ANTICOMUNISMO DÁ VIDA AO SONHO COMUNISTA

FOTO: LÚCIO CARRIL.
 ACERVO PESSOAL. 2020.


QUEM DIRIA: O ANTICOMUNISMO DÁ VIDA AO SONHO COMUNISTA.

Por: Lúcio Carril*


Vivi como militante os últimos dez anos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, do Muro de Berlim e da Guerra Fria.

Falei aos meus botões, caminhando pelo Igarapé de Manaus no início dos anos 90: a propaganda anticomunista agora perde o sentido. Não há mais ameaça.

E assim os anos se passaram.

Continuei comunista, fui para universidade e virei um sociólogo comunista nascido e criado no meio da floresta amazônica. Um boto vermelho.

Vi e ajudei renascer a democracia no Brasil. Ainda andei sentindo o cacetete da ditadura, suas celas fétidas e o cheiro de enxofre dos seus agentes. Sobrevivi, ao contrário de muitos dos meus e minhas camaradas.

Pois bem. Já me sentia solitário e esquecido na minha utopia marxista, quando vejo ressurgir um Macarthismo em pleno século 21, trinta anos após a queda do Muro, e aqui no Brasil, país que já tinha enterrado Plínio Salgado e seu integralismo tupiniquim.

Desta vez a máquina anticomunista não é a velha imprensa marrom das cinco velhas famílias tradicionais, mas os meios criados pelas novas tecnologias da informação e da comunicação. Agora, a notícia ganhou mais rapidez e eficiência.

Nas minhas aulas de sociologia da comunicação com o mestre Ricardo Parente aprendi a perceber o sentido ideológico da comunicação. A partir dali fui dialogar com a semiótica para entender signos e significados nos textos jornalísticos.

Hoje, pouco importa a beleza do texto para quem coordena uma fábrica de fake News a devorar mentes e o vazio que nela existe.

Se o meio é outro, não podemos dizer o mesmo dos produtos. Mentiras, ódio e poder dão vida ao velho anticomunismo macarthista e integralista da Guerra Fria.

Mesmo as produções jornalísticas perderam seu estilo sutil de ideologizar através de um título ou das entrelinhas da matéria. Agora tudo é propaganda direta, cínica e, muitas vezes, mentirosa.

O anticomunismo voltou com o mesmo vigor dos velhos tempos, mas num trem-bala ou montado num satélite ou em ondas eletromagnéticas. 

Ao comunismo não foi dado sequer um breve descanso na história. Ele está vivo nos nossos sonhos, nas nossas lutas e nas mentes insanas dos estúpidos.


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*Sociológo. Ex-militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante a Ditadura Militar (1964-1985).

sábado, 5 de dezembro de 2020

AS FORÇAS DO INTEGRISMO

FOTO: LÚCIO CARRIL. ACERVO DO AUTOR, 2020.


Por: Lúcio Carril*

As forças armadas dos países que foram colônias não tem um traço que as identifiquem com o nacionalismo. Se mantêm como acólitos do império, subservientes, passivas diante do saque contra a nação que juraram defender. 


Os militares que ousaram defender os interesses nacionais foram expulsos, torturados, perseguidos, mortos. Foi assim com Luiz Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Giocondo Dias, Carlos Lamarca, Salomão Malina e muitos outros.


 Movimentos como o Tenentismo também foram expurgados.


Sei dos limites da bandeira nacionalista, que em todo o mundo abrigou ondas de direita, mas a defesa dos interesses da nação deviam traçar a feição das três forças. 


O que vemos hoje é a passividade diante da entrega do país ao império americano. A Derrama continua, através do pré-sal, das empresas estatais estratégicas e do aceno para mais saques sem resistência.


É vergonhoso ver o Brasil ser saqueado sem qualquer posição contrária das forças que deveriam defender o país. Pior: estão sendo coniventes, coadjuvantes do assalto.


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*Sociológo e analista político. Ex-militante do Partido Comunista Brasileiro PCB nos anos de Chumbo da Ditadura Militar (1964-1985).









domingo, 8 de novembro de 2020

A ORDEM MUNDIAL CONTINUA DESIGUAL E OPRESSIVA, MAS GANHAMOS UMA BATALHA IMPORTANTE CONTRA O ATRASO

FOTO: LÚCIO CARRIL.
ACERVO DO AUTOR, 2020.

A ORDEM MUNDIAL CONTINUA DESIGUAL E OPRESSIVA, MAS GANHAMOS UMA BATALHA IMPORTANTE CONTRA O ATRASO 

Por Lúcio Carril*

Política internacional é um tema difícil, dada à sua complexidade que envolve diplomacia, economia e interesses diversos. Para começar a compreender a questão é preciso entender como o mundo se organiza e qual sua ordem.

A vitória do democrata Joe Biden nos Estados Unidos não muda a ordem mundial. Isto é óbvio. Aquilo que chamamos de Divisão Internacional do Trabalho (DIT) continuará a mesma, com as economias dominantes oprimindo e explorando os chamados países emergentes.

O sistema financeiro continuará dando as ordens e aumentando seu capital. Os EUA continuarão como a maior economia do mundo, fazendo guerra de dominação. O que muda, então? Ora, há muita diferença política entre Democratas e Conservadores no país do Tio Sam.

Enquanto Democratas defendem maior intervenção do Estado na economia, Conservadores jogam com o deus-mercado. No que se refere a impostos, Democratas querem taxação maior para quem ganha mais, já seus adversários, um imposto único. Conservadores se opõem a um salario mínimo, defendendo que o mercado determine seu valor, ponto divergente, também, com os Democratas.

Na saúde, o partido de Biden defende a saúde universal, com serviços oferecidos pelo Estado. Já os Conservadores apontam o deus-mercado como proprietário do sistema. Como estamos vendo nestes poucos exemplos, há grandes diferenças políticas e programáticas. A receita conservadora é a de um mercado voraz, com sua doutrina neoliberal. Sua derrota é a derrota de um modelo econômico no mundo, que gera exclusão social e mais miséria.

Não por acaso encontramos semelhanças entre Trump, Bolsonaro e toda horda neoliberal no mundo, que seguem os ditames do capital financeiro. Aqui no Brasil, no início da pandemia, o destemperado presidente disponibilizou 1,3 trilhão de reais para os bancos e anunciou 200 reais de auxílio emergencial ao povo. É assim a economia internacional do neoliberalismo. N

Não podia concluir sem lembrar a diferença que há entre Democratas e Conservadores na política ambiental e no tamanho do orçamento militar. Estes dois pontos reverberam em todos países e têm forte impacto nas relações internacionais, além de colocar na pauta o futuro do planeta. Há sim o que comemorar. A derrota de Trump fortalece nossa luta contra o massacre que Bolsonaro impõe contra o povo brasileiro. 

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 *Sociológo. Analista político. Ex-militante do Partido Comunista Brasileiro PCB nos anos de Chumbo da Ditadura Militar (1964-1985).

sábado, 7 de novembro de 2020

VOTAR NO JOSÉ RICARDO É UM ATO DE CIDADANIA E UM DESEJO DE VERDADEIRA MUDANÇA


FOTO: AUTO RETRATO LÚCIO CARRIL. ACERVO DO AUTOR, 2020.

VOTAR NO JOSÉ RICARDO É UM ATO DE CIDADANIA E UM DESEJO DE VERDADEIRA MUDANÇA

Lúcio Carril*

A Jade Andre me pediu para escrever sobre o Zé Ricardo, nosso candidato a prefeito de Manaus.


Pois vamos lá. 


Escreverei poucas linhas, porque a grandeza do Zé fala mais alto.

Conheço Zé Ricardo desde quando entrou no PT. Certo dia ele chegou, se apresentou e começou a perguntar sobre o partido. Se filiou, virou dirigente, coordenou uma campanha para compra da sede própria do PT, se destacou como quadro político orgânico e militante. Foi eleito vereador e hoje é deputado federal, mais votado em 2018.

O Zé é determinado. 

Não é uma determinação de vaidade política, mas um compromisso com nosso povo trabalhador, tão vilipendiado pela tradição política patrimonialista.

Zé Ricardo construiu esse sentimento e essa conduta a partir do conhecimento da história de Jesus Cristo, que lutou contra a opressão do Império Romano e dele foi vítima, sem arredar um pé na defesa do povo oprimido.

Zé começou sua militância na igreja católica, se espelhando na missão cristã das pastorais. Foi ali que descobriu que precisava ampliar sua luta em favor dos excluídos. Foi ser a voz do seu povo nas câmaras legislativas.

Zé Ricardo quer continuar ampliando sua luta. Não num projeto pessoal, mas num desafio coletivo de fazer uma gestão pública voltada para aqueles e aquelas que mais necessitam. Fará, porque é determinado e carrega o belo sentimento de solidariedade.

Por fim, quero expressar um testemunho: Zé Ricardo só cresceu como ser humano nestes anos de luta. É com muita alegria e vontade de mudança que dia 15 votarei 13, JOSÉ RICARDO, prefeito.

Rumo à vitória.

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* Sociólogo e analista político. Ex-militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) nos anos de Chumbo da Ditadura Militar (1964-1985).