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sábado, 4 de abril de 2020

ESTE TAL DE HOMEOFFICE

FOTO: TECLADO DE PC.
AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Neste período de Isolamento social imposto pelo corona vírus, as organizações especialmente aquelas integrantes do setor de serviços adoraram uma forma de trabalho remoto, à distância. Neste sentido, os trabalhadores deste setor passaram a trabalhar no chamado homeoffice.

Então, as chefias ainda com modelos mentais, do tempo da primeira revolução industrial, passaram a exigir a execução de tarefas praticamente a todo instante com o velho estilo de alcançar as metas. 

Chefias tóxicas - gíria dos cafezinhos de escritório - passaram seu arsenal de cobranças como se fosse o final do mundo e naquele mesmo estilo: tudo pra ontem, obedecendo ao velho mantra: tempo é dinheiro. E nem se questiona se poderíamos dizer que "Tempo é também saúde".  Infelizmente esta visão de trabalho e organização está muito presente nas gestões corporativas deste momento.

Ignora-se as condições telemáticas, a dependência da energia elétrica e as questões socioespaciais que se interpõe ao trabalho a distância.

Numa situação em que nem sempre o trabalhador possui as condições necessárias para este tipo de procedimento, visto que, envolve no mínimo equipamentos que suportem o trabalho e na arquitetura do lugar um redesigne e um novo layout.

Noutro ponto, a questão do tempo/espaço. Tem sido ignorada esta relação, pois as chamadas cobranças de tarefas, muitas vezes estrapola o tempo de trabalho remunerado pelas organizações contratantes, gerando um desgaste físico e mental do trabalhador. Outra coisa a ser salientada é quem estará fazendo as tarefas rotineiras de casa? Eis uma pergunta que não pode deixar de ser feita. Numa casa em que não se tem familiar ou empregada doméstica para fazer a limpeza, preparo dos alimentos, organização dos cômodos e outros, como é que fica a higienização da casa em tempos de corona vírus em que a limpeza é uma exigência quase instantânea?

Todas estas atividades levam tempo e muita energia das pessoas. Por isso, peço que não esqueçam do homeworks, ou seja, das tarefas onipresentes do lar do trabalhador, onde se ele não colocar em condições plenas e adequadas, ou seja, sua "casa em ordem" corre-se o risco dele e de sua família se exporem à baixa imunidade de saúde.

Nunca é demais lembrar que a pandemia provocada pelo Covid-19 é sobretudo uma sociopatia que exige o desacelerar a rotina corporativa e urbana, sendo necessário dedicar mais tempo ao descanso e a uma vida mais sadia. Resguardado o nível exponencial de gravidade desta pandemia, ela está muito próxima a outras doenças corporativas como a ansiedade, a depressão e o estresse.

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*Mestre em sociedade e Cultura na Amazônia e processos socioculturais. UFAM.

terça-feira, 24 de abril de 2012

MANAUS: SAÚDE VIRTUAL

Foto: Hospital Santa Casa de Misericórdia. Manaus.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012
Um dos temas clássicos na luta pela cidadania, é sem dúvida, o que está relacionado aos serviços de atendimento médico-hospitalar nas cidades. Sob este aspecto, o papel clássico da Cidade, como espaço da civilidade e da democracia, ganha vigor no debate para democratizar e possibilitar o tratamento da saúde dos cidadãos e da acessibilidade á vida.

A montagem de uma infraestrutua médico-hospitalar torna-se uma necessidade primeira para as cidades, pois neste lugares, estão concentradas as massas laboriosas e a elite socioeconômica. Uma discussão quase infindável sobre a natureza dos serviços de saúde que devam ser prestados á população, se público ou privado parece ainda permear as decisões políticas sobre a saúde.

Foto: Fachada da Santa Casa de Misericórdia. Centro.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

É evidente que a partir da década de 1990 com o ingresso das políticas neoliberais, que detonaram uma onda de privatização dos serviços de saúde, a partir dos planos de saúde privados, o Estado parece ceder a esta nova perspectiva para justificar a sua pseudo incapacidade de verter recursos para uma saúde pública de qualidade.

O abandono dos investimentos na dotação de uma infra-estrutura médico-hospitalar, desnorteou as ações dos movimentos sociais vinculados a área de saúde, gerando ações politiqueiras na gestão da saúde pública, que viessem a ludibriar a percepção dos cidadãos. Ações que visavam claramente encolher investimentos na área da saúde ganharam formas as mais variadas, inspiradas contraditoriamente em ações anticapitalistas, como os "médico-da-família", cujo fim irremediável era o de evitar vultosos investimentos financeiros e atender de forma apenas sintomática as necessidades de saúde da população mais oprimida e conter a demanda por hospitais.

Foto: Capela anexa a Sta. Casa de Misericórdia. Manaus.
 Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Ao que parece, quase 20 anos em que ações destes gêneros foram iniciadas como estratégias para a saúde de gerar saúde com poucos recursos apenas revelou o desprezo pela construção de uma infra-estrutura capaz de atendimento digno e ou em condições mínimas de uma população operária carente de saúde. Mesmo com a falta de leitos públicos e infraestrutura adequada, uma cidade da dimensão de Manaus, dá-se ao luxo de não reutilizar espaços de recuperação da saúde como a Santa Casa de Misericórdia que jaz, ao longo da história, sendo uma "chaga" na face da geografia da cidade, e em cujos leitos, acolheu uma enormidade de manauaras e amazonenses desde o seu nascimento até o limiar de suas energias vitais.

Em vez disto, no mundo das virtualidades, a cidade adota hibridos "caminhões-ônibus" para o atendimento da população que hoje excede a 1,8 milhões de almas. A velocidade como a marca da virtualidade, revela o estágio instântaneo destas ações, que de fato, não "vieram pra ficar". Após isto, as virtualidades desaparecerão e só nos restará o belo e magestoso prédio da Santa Casa de Misericórdia, no Centro de Manaus, como se fosse um "coração" cansado á espera da incisão cirúrgica correta para voltar a pulsar como uma criança prestes a nascer e a poder cumprir o seu papel mais uma vez.

Foto: Missa da Vígilia Pascal. Igreja Dom Bosco. Manaus.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.
A Campanha da Fraternidade da Igreja Católica de 2012 trata da saúde e na missa de antes Semana da Páscoa, doou todas as oferendas para entidades de saúde do mundo, não interessando lugar, credo ou gênero. Um belo exemplo, inspirado na vida de Jesus Cristo, que não escolheu a quem ajudar, ou melhor, optou por amar a todos sem distinção.


Saudações Geográficas!