quarta-feira, 26 de julho de 2017

MINHA RIDÍCULA CARTA DE AMOR...


FOTO:CARLOS SANTIAGO. 
ACERVO PESSOAL, 2017.

Por Carlos Santiago*

Sempre achei difícil a definição de amor. O poeta português Luís de Camões disse que o "o amor é fogo que arde sem se ver [...] é querer estar preso por vontade". O apóstolo Paulo na carta aos Coríntios, capítulo 13, traduz o sentimento do amor como algo que "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta [...]".

Não...não tenho e jamais terei o talento dos poetas renascentistas e nem dos sábios bíblicos para traduzir ou definir o Amor.Mas tem algo em mim que deixa o meu coração mais barulhento, a minha mente inquieta, a alma angustiada e uma felicidade sem fim, ainda mais quando penso naquela mulher, que mexe com as minhas fantasias e me incita aos melhores desejos da vida.

Então resolvi lhe escrever uma carta de amor. Bem boba e ridícula como toda carta de amor, segundo as escritas do poeta português Fernando Pessoa. Nela, em tom emotivo, narrei meus sentimentos humanos, nem sempre confessáveis ao público: fantasias sexuais e decepções com a vida; conquistas e frustrações; angústias e alívios; qualidades profissionais e adjetivos pessoais; pouco caprichei nos defeitos, mas utilizei palavras escolhidas, objetivando impressionar a amada.

Finalizei decifrando a beleza do corpo e da alma dela e, pedindo uma chance, uma aproximação bem intensa, além de desejar educadamente um bom final de semana. Depois, com selos enfeitados de corações, fiz a postagem com esperança de uma criança.

Dois dias depois, os correios mandam avisar que eu tinha esquecido o nome e o endereço da destinatária. Pôxa! Cá estou agora na busca do endereço de destino dela.

Isto me faz lembrar, novamente, o poeta Fernando Pessoa, quando cita: "são ridículas as cartas de amor [...] mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas".

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* Cientista social e Advogado

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