sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O AGENTE SECRETO, O GOLPE DE ESTADO SOBRE TODOS OS BRASIS

FOTO: M.BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2026

 Por: Mauro Bechman*

Nesta última quinta-feira (22/01) decidimos aproveitar um pouco do que resta do recesso escolar e fomos ao Cinema, assistir ao badalado filme nacional O Agente Secreto escrito e dirigido pelo cineasta Kleber Mendonça Filho e estrelado pelo ator Wagner Moura com a produção brasileira da CinemaScópio e a co-produção francesa, holandesa e alemã.

Creio que a última vez que fomos a uma sala de cinema, foi quando ainda estava em cartaz Avatar. Neste janeiro de muita chuva, foi uma correria para chegar na hora do filme, mas enfim chegamos. Sobre o filme, ambientado em 1977 na cidade do Recife no estado de Pernambuco em plena Ditadura Civil Militar (1964-1985), a trama é desenvolvida a partir do retorno á cidade de um professor/pesquisador que teve seu departamento de ensino finalizado como consequências do golpe de estado ocorrido no Brasil.

O roteiro tanto emocional quanto fiel ao cotidiano do tempo vivido, revelava que poucas pessoas sabiam o que de fato estava ocorrendo no país, nas suas estruturas políticas e sociais. Todos os contextos e conceitos muito bem marcados, porém submersos nas cenas e personagens. Conceitos como Nacionalismo, Entreguismo, Privatização, Regionalismo, Preconceito, Moral, Repressão e outros coadunam-se com o senso comum na banalização do cotidiano, os desaparecidos políticos, os altos índices de mortalidade, a lenda urbana da perna cabeluda do Recife e o espaço físico do Cinema como o guardião e portal entre a realidade e a ficção.

No plano da Geografia do Golpe de Estado, retratada no filme, a importância de uma produção cujo cenário é fora do eixo Rio-São Paulo e Rio Grande do Sul. A trama e a concepção do filme é a partir da visão dos brasileiros residentes na região nordeste do Brasil, ou seja, uma visão nordestina sobre o Golpe de Estado no Brasil e suas cenas em 1977. 

No desenrolar do roteiro, o desmonte do Departamento de Pesquisa da Universidade Pública por "interventores" e o surrupiamento de suas pesquisas ou direcionamentos a outros centros de pesquisa, marcadamente favorecendo a re-centralidade das pesquisas nas universidades do centro-sul do Brasil.

Aos professores/pesquisadores alvo da perseguição coube a justa revolta sabendo que tratava-se uma submissão da produção científica a grupos privados e o fim das pesquisas de promoção do desenvolvimento regional e do Brasil.

Na trilha sonora, a justaposição da erudito, popular com e a chamada "invasão cultural" estadunidense com as melodias da Banda Chicago e Dana Summer. Na cena do carnaval do Recife, o estampado do Cinema Brasileiro, solidão, desilusão e euforia (aqui nosso aplauso!). Isso é o Cinema Brasileiro.

O Filme, possui muitos mais ingredientes fascinantes para se mergulhar na explicação do Brasil de hoje com  seu olhar pelo retrovisor.

Em 1977, em Manaus, éramos crianças, mas algo sempre me incomodava, a pobreza das ruas e das pessoas, o velho fusca amarelo, as pantalonas, os rapazes cabeludos, os maridos que batiam em suas mulheres e uma sensação de que nada estava certo ali. 

O Agente Secreto me fez voltar a ver aquele Brasil que ainda existe dentro de mim. Também, mostrar que um Golpe de Estado como o de 1964 atingiu e ainda perturba a todos os brasileiros e a todos os Brasis.

Viva o Cinema Brasileiro!


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* Professor de Geografia e Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM (1909)

2 comentários:

  1. um excelente filme!!! (ainda não assisti)

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    1. Sim. Vá mesmo e leve uma boa companhia pois o filme dá resenha! Abraço fraterno 🤗

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