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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O HOMEM DE MÁSCARA

FOTO-MONTAGEM. ARTISTA QUADRINHEIRO, CUCUNACA,2014
A brincadeira começou. O Homem botou sua máscara e saiu pela cidade espalhando medo e terror. Ele se acreditava, o destemido Homem de Máscara, usava uma roupa especial, de borracha e casca de plástico, um turbante negro com viseiras de acrílico. O Homem de Máscara, juntou-se aos seus e passou a usar seus manos monstros contra o sorveteiro da Praça XV de Novembro, depois derrubou a banca de tacacá de Dona Lindoca e socou intensamente o seu Luís, guardinha da pracinha. O Homem de Máscara junto com os seus, esbofetou meninas que penteavam suas lindas tranças, vindas dos mocambos do Barranco e as que se orgulhavam de seus cabelos longos e lisos como cunhãs de Poronominaré. 

Chutou os cachorros vira-latas a cada quarteirão e as idosas, senhoras aposentadas das noites boêmias com suas vozes frágeis e idéias ferozes, xingavam e apontavam os dedos magros na viseira negra do Homem de Máscara e outras senhoras gordas, gritavam de suas janelas contra a Fera de Máscara, mas ele não parou. Bateu no padre, frei Fulgêncio Capella, o levantado pelas barbas,empurrou as freiras e ameaçou o coroinha. O monstro de máscara seguia pela rua Tapajós,comendo lixo e vociferando em busca de encontrar o ouvidor de passarinhos. Enfrentou a primeira barreira, eram as meninas moças do colégio IEA, elas avançaram sobre ele, mordendo e estabanadamente batendo com as mãos e aos gritos. Ele enquanto firme, as afastava do caminho.

Quase indomável ao descer em direção a avenida Tarumã, tropeçou num suporte de vendedor de picolé da massa, ajoelhou nos asfalto que escondia o paralelepípedo do Café Avenida e um valente gavião carijó - criado pela menina de saia florida - o atacou na cabeça que imediatamente se curvou, encostando o queixo ao peito protegido por sua casca de plástico. Cai no chão quente pelo sol imponente que doma as manhãs na Amazônia e em dois minutos inerte, rompe a paralisia do corpo monstruoso, levanta-se e cabisbaixo retorna pelo mesmo caminho que inciou sua trajetória de horror, ele segue a passos ora cadenciados ora acelerados, agora humilhado é ameaçado, cuspido, e até querem linchá-lo, mas o vendedor de algodão-doce da Praça da Saudade não deixa e nem o funileiro da praça Dom Bosco. 

Uma moça lhe oferece uma flor, ele ignora, seguindo cabisbaixo e, abandona parte de sua casca, o exoesqueleto vai ficando pelas ruas, aos pedaços, como fantasias de escolas de samba após um desfile de carnaval. Loucos de cabelos longos e barbudos o aplaudem e ele acena despretensiosamente com uma das mãos. Segue o caminho solitário e com um gesto cansado, o Homem de Máscara, tira sua carapaça da cabeça e, mostrando a todos que aquele monstro era na verdade apenas um menino, agora sem máscara. Sem retóricas e sem seu pretenso poder. E assim, finalmente o ouvidor de passarinhos pode novamente ouvir a orquestra da vida em paz nos abacateiros e caramboleiras da cidade dos Manaú.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

MANAUS NAS RUAS

FOTO: PROTESTOS EM MANAUS AM. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

Nesta quinta-feira 20, uma multidão estimada em aproximadamente 50 mil pessoas foram as ruas da cidade de Manaus para protestarem contra a corrupção e o aumento nas passagens de ônibus. A cidade integrou o grande movimento de massas que tomou conta do país, iniciadas a partir dos protestos violentos de Goiânia cujo aumento chegou a ser de R$ 1,00 (hum real).

FOTO: PELA EDUCAÇÃO NO AMAZONAS. GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

Com muitas faixas, os manifestantes foram se concentrando em vários pontos da cidade e aos poucos as ruas históricas foram sendo tomadas. No interior da manifestação encontramos muitos e vários cartazes cujas reivindicações possuem os mais distintos interesses, indo do protesto pela fata de acesso 3G para internet até os torcedores que pedem a preservação do estádio Parque Amazonense, berço do nosso futebol, ameaçado pela construção de um posto policial. Mas uma reivindicação sempre apareceu mais forte, a da qualidade do ensino e da melhoria das condições de educação como a melhor remuneração dos professores. 

FOTO: MANIFESTANTES CONTRA O CORTE DE ÁRVORES URBANAS. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

O meio ambiente não foi esquecido e as árvores urbanas foram lembradas pelas vezes que nas imediações do Teatro Amazonas, algumas delas foram cortadas. Na passagem pela Igreja de São Sebastião a igreja saudou a manifestação com o toque dos sinos e ao menos uma cena interessante com o abraço fraternal entre o pároco da Igreja e um manifestante de cultos afro-descentes sob os aplausos e as lentes daqueles que registravam a manifestação até aí pacífica.

Durante a noite, a grande parte dos manifestantes dirigiu-se para a Arena da Amazônia e outro grupo já concentrado á frente da prefeitura de Manaus na Av. Brasil (Compensa) produziu choques com a polícia com ataques aos carros da polícia e o incêndio de um ônibus. Neste sentido, Manaus integrou um cenário que vem se repetindo em outras grandes cidades do Brasil que ontem foram ás ruas contra a corrupção. A imprensa local aberta não repercutiu as imagens da participação de Manaus nos protestos promovidos em todo país.