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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

QUANDO O MELHOR É TER RAZÃO

 

FOTO: TEATRO AMAZONAS. 29M.
AUTOR: CUCUNACA, 2021

Por: Mauro Bechman*

Em muitas derrotas, aliás somos campeões em derrotas, sempre fica um sabor da vitória incompleta. Foram muitas eleições que se passaram.

Na verdade poucas vitórias. Aquelas inesquecíveis, como a de Mestrinho sobre Josué Filho em 1982 e ainda nem sabíamos o que estava em jogo áquela altura. Talvez uma outra, a vitória de Arthur Neto sobre Gilberto Mestrinho em 1989 ou a de Lula sobre José Serra (2002) enfim os dedos das mãos sobram quando falamos em vitórias em pleitos eleitorais.

Nas derrotas, o sentido de que faltou comunicação entre as idéias e as pessoas. Os desacertos e a imaturidade e mesmo assim, nunca nos faltou paixão e razão. Em 2012, o começo do apocalipse para Zootopia e chegamos assim a primeira década do século XXI.

Perdemos com Haddad, um professor num processo corrompido e legitimado devidamente pelo estabilishment, afinal era preciso retomar o domínio do quintal e o nosso lugar como nação na penumbra descrita por Roosevelt. 

Estávamos com a razão e com a emoção, esta última prisioneira da ilusão de democracia por quem não era democrático. Com a derrota, a pauta de futuro do Brasil foi para o fim da fila. Perdemos também com José Ricardo, um humanista e os amazonenses sofreram brutalmente com o choque da Pandemia.

Perdemos colegas de trabalho, amigos próximos e distantes, a ausência encoberta pela chuva de mantras e mentiras que impediram a tomada de consciência e lucidez. Mais uma vez, a derrota foi apenas a constatação de uma anomalia quase congênita implantada no córtex coletivo. 

Hoje, vemos que foi melhor manter a razão, estar embebecido de lucidez não nos desumanizando acreditando que está tudo bem, que o galo não vai cantar e que o amanhã nunca nascerá. Estais atentos! pois

Quem dorme com a razão nunca dorme


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*Mestre em Sociedade e Cultura pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

sábado, 4 de setembro de 2021

05 DE SETEMBRO DIA DO AMAZONAS E DOS AMAZONENSES


FOTO: BANDEIRA DO AMAZONAS.
AUTOR: CUCUNACA, 2019.

Por: Mauro Bechman*

No dia 05 de Setembro de 1850, há exatos 171 anos o Amazonas passava a ser protagonista na Geografia e na História do Brasil. O decreto imperial de n. 152 assinado por D. Pedro II elevou capitania do Rio Negro á Província do Amazonas, tendo sua autonomia político-administrativa em relação á Província do Grão-Pará, graças ao empenho de muitos atores e que coube a João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha liderar o processo de nascimento da mais nova província do império.

Não há como deixar a História silenciar as lutas autonomistas do povo do Amazonas e de parte de suas elites. A Revolta das Lages em 1832 já anunciava um novo tempo para a Amazônia. Também o papel das instituições fora relevante no processo de emancipação política, como a Associação Comercial, a Igreja Católica e a Maçonaria.

FOTO/EDITADA: PRÉDIO DA INSTALAÇÃO
 DA PROVÍNCIA DO AMAZONAS EM 1852. AUTOR: JORNAL A GAZETA, 1950.
ACERVO: @manausdeantigamente 2021.

Infelizmente, o prédio em que a Província do Amazonas foi instalada, foi demolido em 1960. O prédio estava situado entre as ruas Henrique Antony e Frei José dos Inocentes no Centro Histórico de Manaus, conforme informações de pesquisadores e registros de jornais.

Nascido nesta unidade da federação, o povo amazonense vem suportando e superando muitos momentos de esquecimento e crises, da queda da economia da borracha, a abertura da economia brasileira ás importações e atualmente a grave crise sanitária que afetou o mundo e este magnífico espaço, ceifando a vida de mais de 10 mil amazonenses.

FOTO: TEATRO AMAZONAS, 2018.
 AUTOR: CUCUNACA, 2018.

Pelos olhos dos itaquatiarenses, irandubenses, tefeenses, novalindenses, parintinenses, barcelenses, manauaras, manacapurenses e todos os demais parentes e conterrâneos, a eterna e mística presença de Naruna e Jurupari, de Ajuricaba, das Ikamiabas, Dieroá, Comprido, Maruaga e Gabriel Gentil. Almas que nenhuma força colonizadora foi capaz de domar.


"Entre a rebeldia e a liberdade, escolhemos as duas".


Salve 5 de Setembro, dia do Amazonas e dos Amazonenses!


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. UFAM. Graduado em Geografia e docente pela Secretaria de Educação do Amazonas. SEDUC/AM.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

NOVO RETORNO AO QUE ERA

 

FOTO: PROF.ME. M. BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2021.

Por: Mauro Bechman*

E estamos diante de um Novo Retorno ao Velho Normal. Voltamos a normalidade do velho caos. Trânsito, pessoas e não pessoas pelas ruas de velha urbe, ainda a ser descoberta. A cidade dos Tiranos.

Nas escolas, muitos pais felizes pelo retorno torto às aulas. Não importa se faltam poucos meses para fechar o ano letivo que não começa desde 2019 e também se os filhos vão ser expostos não somente aos velhos problemas de um convívio em grupos ou dificuldades reais de aprendizagem, mas também, a um flagelo da humanidade, chamado Sars cov-2.

O importante é que estes adolescentes e jovens lhes darão um sossego, pois é dificílimo para algumas gerações de pais e mães educarem seus filhos em casa.

Aliás, em muitíssimos casos, são os avós que no limite de suas forças sobrepõem-se o papel de pais por mais de uma vez, antes com os filhos e agora com os netos.

Na sala dos professores, não há o silêncio dos inocentes, mas o dos culpados. Afinal, fica difícil de justificar as perdas que superaram a Guerra da Síria em mais de 10 anos de combates.

Alguns, com a saúde comprometida devido os rastros de destruição que a Pandemia deixou. Outros, atônitos observam no que se tornou a realidade. E ambos coabitam na mesma Corda Bamba, donde cerca de 400 já caíram.

Na sala de aula, a alegria inocente dos jovens. Necessidade do toque, pois nessa etapa da vida, tudo se explora, os espaços, as sensações e o tato. Havia a dificuldade de se aprender em grupos menores, mas em grupos amontoados de 45, cremos que a dificuldade realmente faz a diferença.

Entre eles, as velhas relações, o grupo dos espertos que nas multidões oprimem os mais dóceis e tentam constranger os mais inteligentes e lideranças empáticas ao lado dos que veêm a Educação com verdadeiramente um Valor. E, neste cenário, a quantidade de almas no espaço, limita os mestres na intercessão pelos que mais precisam da Escola.

Mas, este é o retorno tão desejado, o velho normal

Na verdade, mais um Novo retorno ao que Era.


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*Professor do ensino regular público desde 1998. Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia.

domingo, 15 de agosto de 2021

DIA DE VACINAÇÃO E A NECESSIDADE DE IR EM FRENTE


FOTO: PROF.ME. M. BECHMAN, 2021. AUTORA: DESCONHECIDA, 2021.


Por: Mauro Bechman*

Nesta segunda-feira (09/08) por volta das 09h30, conseguimos chegar à segunda dose da vacina para a imunização em duas etapas contra a Pandemia causada pelo Sars Cov-2. Exatamente após 569.000 mortes de brasileiros, a vacinação chegou aos educadores da rede pública do Amazonas.

O Estado do Amazonas até agora (15/08) contribuiu com 13.625 mil óbitos para esta tragédia mundial e brasileira, sendo que mais de 300 profissionais da educação perderam a vida, dentre professores, técnicos, seguranças, cozinheiras e outros. Uma estatística cuja precisão também nos foi negada.

De 2019, lembro do horror que eram as imagens, algumas falsas que chegavam da Ásia via redes sociais privadas, também os dias sombrios que ia ao trabalho sob grande temor, mesmo porque na volta, não tínhamos a certeza de que estávamos infectados. O anúncio do primeiro caso em Manaus, baixou mais ainda o moral, já combalido. Evitamos fazer estoques de máscaras e álcool  em gel e quando houve a explosão de casos e internações, corri para comprar e não havia disponível. Um certo desespero.

Em casa, manter uma rígida disciplina de higienização diária, desde a entrada á saída da casa. Ir ao supermercado, somente nos dias e horários de sol. Enquanto isso, nas ruas o silêncio e o abandono das vias com o mato crescendo por todas as partes.

No exercício das atividades em 2020, as aulas remotas em homeofice, cuja metodologia tivemos que inventar para não tornar as aula previsíveis e monótonas, metologia que cremos, mesmo sendo despedidos da faculdade, fora usada por esta mesma instituição e replicada a outros mestres. Nesse tempo, o computador e o mobiliário de um quase escritório pré montado em casa eram o espaço de trabalho. Nas redes, a amizade de quem jamais aguardava ter. 

Partilhas sinceras com colegas como o administrador Wandelei Pires, a ex-aluna de Arquitetura, Karla e as colegas de Geografia, professoras Graça Medeiros e Ivete Belém nos mantinha a saúde da mente. 

O espiritual partilhado com a Coordenadora da pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Manaus, a relações públicas, Adriana Ribeiro foram em muito valiosas para que o tempo fosse vivido de forma espiritualizada e com o alimento de fortaleza.

Certa vez, lembro que liguei para a Adriana perguntando sobre as transmissões das celebrações litúrgicas em que o risco de nossa equipe de pastoral ser contaminada, ela com sua lucidez e forte fé me disse: O que fazer? Alguns de nossos irmãos e irmãs pedem para parar as transmissões e outros irmãos e irmãs apenas desejam assistir uma missa para se despedirem em paz? Meu Deus!!!

Naquela breve conversa, a força para manter as transmissões, mesmo sob grande risco e a fé em Deus que ninguém da equipe seria contaminado. Ali, vi a importância da pastoral da comunicação, quando colocamos nossas vidas, a serviço das comunidades. Também não foi fácil, ouvir as missas pela rádio Riomar e ver a enorme lista de cristãos e cristãs que partiram durante estes dias.

Sou extremamente grato a estes amigos e amigas que partilharam estes dias. Aliás, escrevemos esta postagem para reconhecer que todo este cenário e as nossas limitações não foram impedimento para que pudéssemos somar e nos estender os braços.

Durante toda a Pandemia, sempre fomos a favor do Lockdown, da testagem em massa e das vacinas. Sempre.

Sabia que o mundo e a vida não seria mais os mesmos após 2019. Não estamos livres da Pandemia, pois no Amazonas ainda cerca de 400 pessoas são registradas como novos casos, fora as que contraem e não entram para as estatísticas oficiais. O vírus ainda circula, como também a ignorância, o negacionismo, o diversionismo e o relativismo diante das certezas da ciência somados a desumanidade e incompetência das três esferas da gestão da república.

Estamos vivos.


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*Mestre em Sociedade e Cultura pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM (1909).



terça-feira, 3 de agosto de 2021

APROPRIE-SE

 

FOTO: M. BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*


Retorne.

projetos parados, em meio ao torpor dos dias em ondas nefastas

E você hein?

Se resguardou sob à sombra do Altíssimo. 

Só ele, pode explicar você aqui.

Então, erga-se e siga.

Sei que não somos mais os mesmos, nem eu e nem você.

Talvez hoje, o que mais nos iguala é o nosso limitado tempo.

Realinhe e comunique isso a todos.

Também é hora de abandonar sonhos que não passaram de ilusões inocentes.

O luto é a chaga, mas a luta continua enquanto houver escuridão.

Mais foco, afinal o mundo ainda está aí e você também.

O certo é existe um Deus que ordena este mundo, o meu e o seu.

Quando em perigo, se gritares pelos seus anjos, eles virão

Quando em solidão, se gritares pela mãe, ela sempre estará ao seu lado te protegendo

Por isso, cuide-se e cuide de mim que estou ao seu lado

Pois juntos abraçamos este caminho de sol e chuva.

Aproprie-se de si mesmo e nunca perca a lucidez.

Aproprie-se!


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* Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

sábado, 10 de julho de 2021

A VIDA TEM DESTAS COISAS

 

FOTO: PROFS:. AYRES, MÁRCIA FABÍOLA E MAURO BECHMAN. AUTOR: CUCUNACA, 2021.

Por: Mauro Bechman*

Desde de 2019 venho tendo gratas surpresas entre encontros e desencontros. Na última sexta feira 09, me deparei com uma situação inusitada e agradabilíssima.

Exercendo o magistério desde 1998, entre escolas públicas e faculdades particulares, nos níveis básico e superior, conheci muitas pessoas. E nesta sexta-feira, reencontrei pessoas queridas de um passado profissional e aproveitando o ensejo, fizemos uma fotografia para Registro com os colegas Prof. José Ayres e Profª Márcia Fabíola.

Com o professor Ayres, partilhei a disciplina de Geografia em 1998 no Colégio Estadual Eldah Biton Teles da Rocha, ou seja, no início da carreira. Tempos de muitas lutas, como a defesa da Hora do Trabalho Pedagógico (HTP), o pagamento dos vencimentos descentralizados, pois antes era feito apenas no extinto BIG BEA no Boulevard Álvaro Maia e outras tantas.

Já com a Professora Márcia Fabíola, a lembrança do primeiro concurso da Seduc  em 2004 no Colégio Estadual Waldocke Fricke no Centro da Cidade. Um tempo bonito, alegre e também de muita consciência diante das pressões de gestores mal preparados. Contudo, deste tempo, permaneceu a boa saudade.

Para quem acredita no Destino, fica a lição de que às vezes somos premiados por estes belos retornos.

Particularmente adorei reencontrar estes colegas profissionais e amáveis que me proporcionaram um "Djavu", cheio de saudosismo e alegria.

Os dois mestres, testemunhas de dois momentos especiais em minha carreira. A vida tem destas coisas. Que boa surpresa!

É uma honra tê-los novamente como colegas e que possamos assim continuar por longo tempo. Valeu Ayres! Valeu Márcia!

Meu abraço amigo e meu beijo carinhoso!


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM. Professor da Rede pública do Estado do Amazonas.


sábado, 26 de junho de 2021

26 DE JUNHO DIA NACIONAL DO PROFESSOR E DA PROFESSORA DE GEOGRAFIA

 

FOTO: PROFESSOR DE GEOGRAFIA.
AUTOR: CUCUNACA, 2021.

Por: Mauro Bechman*

Hoje 26 de Junho, comemoramos no Brasil o Dia Nacional do Professor de Geografia. Sim, uma data muito especial para os que abraçaram a licenciatura como profissão.

muitas questões ainda para serem reparadas aos licenciados em Geografia, o devido reconhecimento salarial, a contagem das atividades extra-classe e o ensino remoto como exercício do magistério da Geografia, o seguro de vida e acidentes para o correta e segura prática de campo para os docentes e discentes além de outras condições materiais, trabalhistas e de carreira profissional.

Sem a Geografia não há Brasil e sem os mestres e mestras de Geografia não há brasileiros e nem brasileiras. É a poderosa Geografia dos Professores que afirma a pertença a um lugar que se constrói e reconstrói na relação dialógica entre tempo/espaço.

Sem os professores e professoras de Geografia não há reflexão sobre o espaço e também nem renovação das utopias entre as gerações presentes e futuras. Não há o desenvolvimento sadio do meio ambiente, a proteção dos geossistemas, da paisagem natural a partir da geomorfologia e da luta pela justiça social nos espaços urbanos e rurais e nem a democratização do acesso tecnológico ás pessoas.

Recordo com tristeza, os professores e professoras de Geografia que partiram vítimas desta terrível Pandemia do Sars Cov-2 no meu país. Alguns amigos, outros colegas de diferentes gerações, outros ainda meus ex-alunos na graduação. Maduros e jovens, homens e mulheres que deram sua vida por esta magnífica ciência.

Nossos corações tristes, pois na cartografia da vida o mapa está um pouco mais vazio. Que estes professores e professoras de Geografia tenham o repouso devido e a memória testemunhe a luta dos que aqui ainda estão pela Geografia com a lucidez e a energia capazes de transformar este mundo num espaço de esperança e justiça socioambiental para todos. Que o luto se torne luta!

Um brinde a todos os professores e professoras de Geografia!


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* Licenciado em Geografia e Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela UFAM e Professor de Ensino Médio da Rede Pública Estadual de Ensino.


sexta-feira, 30 de abril de 2021

A PANDEMIA E O FIM DA ESTATÍSTICA


FOTO: PROF. ME. MAURO BECHMAN. AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*

A Estatística é uma das aplicabilidades mais importantes das ciências exatas para a prospecção, diagnóstico, monitoramento, inferência e projeção dos mais diversos campos da vida humana.

A Estatística está praticamente em todos os cursos superiores, apesar da banalização das ciências, do métodos e das metodologias de ensino-aprendizagem.

Os institutos de pesquisa, especialmente aqueles voltados a Pesquisa eleitoral gozaram de grande prestígio e também desprestígio antes de 2020. Com a Pandemia do vírus Sars Cov-2, a Estatística novamente ganha uma visibilidade talvez jamais vista no mundo. 

Dentre os vários ramos que necessitam de tratamento estatístico, vemos o levantamento de dados sobre os óbitos causados pela Pandemia.

Alguns dados que nos parecem difícieis como a mortalidade em lugares cujo acesso a dados e ao próprio registro do indivíduo como pessoa física. Aí, como ficam as tabelas, mapas e gráficos?

Talvez, a Igreja Católica que ainda mentem seus registros rigorosos pudesse contribuir para o preenchimento desta lacuna, embora há que se pensar na negligência e desprezo destes dados e registros por outras religiões e denominações cristãs e laicas.

De qualquer modo, as Estatísticas brasileiras sobre a Pandemia parecem sugerir que não há uma margem de erro, mas uma sensível insuficiência de dados na geração das tabelas, mapas e gráficos.

Noutro ramo vital, como a Educação, vemos a coleta de dados, a partir de formulários eletrônicos, muito fragilizada para se definir ações e políticas educacionais. Se junto aos professores e professoras há carência de acesso a internet quiçá a comunidade estudantil neste colosso que é o Amazonas. 

Da mesma forma, temos as perguntas nos formulários, que limitam execessivamente as respostas dos pesquisados. Algumas alternativas que deixam de estar presentes no formulário que até talvez abalassem a execução da pesquisa.

Sendo assim, diante deste cenário, a Estatística tornou-se também uma espécie de vítima desta Pandemia, daí rememorar o ilustre geógrafo Milton Santos no seu livro Por uma Geografia Nova, Edusp (2002), devemos "...Medir para refletir ou refletir para medir?".


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.

quarta-feira, 31 de março de 2021

O LEGADO DA PANDEMIA PARA O AMAZONAS APÓS UM ANO


FOTO: PROF. ME. MAURO BECHMAN. AUTOR: CUCUNACA, 2021.


Por: Mauro Bechman*

Estamos chegando ao fim de Março. A Pandemia Mundial do Covid-19 continua e agora se espalha pelo Brasil.

Lembro da atmosfera de medo que tomou conta do meu cotidiano. Uma esperança, as temperaturas altas de Manaus. Pura inocência, reforçada por pesquisas científicas limitadas.

Às vezes nos perguntamos o que ficou depois de um ano? Qual o legado deixado para os gestores públicos, privados e para o povo? 

Ficamos reféns dos números "insuspeitos"e da beleza estética dos gráficos, mesmo que a base de dados estivesse comprometida. Mas, como a Pandemia é de todos e não somente de um, então arriscaremos postar um legado:

1. Não houve um hospital construído. Todos adaptados ou virtualizados, logo desmontados.

2. Não houve uma política de seguridade economica alimentar. Chamar auxílio emergencial de política pública é temerário.

3. Não houve uma política de atendimento aos estudantes pobres para acesso ao ensino remoto e nem aos professores para as aulas em casa. O custo foi todo dos mestres e mestras.

4. A zona Franca rica em arrecadação e tecnologia não consegue fabricar  respiradores.

5. Não se aprendeu nada com a Logística, pois não se antecipou a falta de oxigênio.

6. A sociedade não se disciplinou diante de grandes eventos mundiais, pois sem uma liderança centralizada não se coordena os esforços para superação de crises.

7. Cloroquina e Ivermectina não servem para tratar Covid-19.

8. A nuvem sobre a sociedade que na Era da Ciência e da Tecnologia alimentada por mentiras, passou a relativizar a ciência.

9. Não se produziu inovações tecnológicas.

10. O Amazonas continua com uma classe Dominante que não se identifica e solidariza com seu povo.

11. A Ética de fato, faltou da Medicina à Política. Por isso, todos os cursos superiores devem ter esta disciplina.

12. Se a capital, Manaus, já ficou desassistida imagine o interior.

13. Legado: caos hospitalar, sanitário e social e perda de vidas brasileiras.

E, a Pandemia ainda não acabou e nem se acaba uma Pandemia Mundial por decreto.

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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.

terça-feira, 30 de março de 2021

CONVERSAS COM IÇAMI TIBA, VOL. 3; Comentário


FOTO: CONVERSAS COM IÇAMI TIBA. 2008. AUTOR: CUCUNACA, 2021.


Por: Mauro Bechman*

Durante este período de Isolamento Social, aproveitamos para um garimpo pela nossa limitada estante de livros. 

Nessa peneira, algumas pepitas nos aparecem. E uma destas pepitas, é a obra deste amante da educação dos jovens e das famílias chamado Içami Tiba.

No terceiro volume da obra Conversas com Içami Tiba, publicado pela Editora Integrante, São Paulo, 2008, o autor nos oferece uma taxonomia das gerações de pais/mães e o quanto isso influencia na educação dos jovens da geração do patriarca empreendedor a geração dos folgados que cederam espaço a geração de filhos cada vez mais tiranos, fazendo questão de afirmar que nenhuma família pode ser regida por uma criança.

Noutro ponto, Içami Tiba, chama a atenção para o papel da educação familiar e a delegação da educação para a escola, explicitando com maestria, quais as funções de cada instituição no ato educativo, a Escola e a Família.

Ainda no texto, a preocupação do psicólogo com as drogas na adolescência e a influência da tecnologia no processo de aprendizado e suas disfunções na vida dos jovens. A auto disciplina diante da liberdade de escolha, torna-se elemento essencial nestes tempos em que a família está aberta ao mundo.

O texto de Içami Tiba retoma o papel dos pais na educação dos filhos e nos convidar a refletir sobre que gerações nós e nossos pais foram formados.

É em suma, uma mensagem ao ser humano que vive sua eterna busca pela felicidade. Este pequeno livro, é daqueles que a gente se queixa: "Onde eu estava que não li este livro antes?" Afinal,

"Quem ama, educa." (Içami Tiba).


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.






sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

SAINDO PELAS RUAS DE MANAUS


FOTO: ARTE-TELHA, SUMIDADE.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*

E de repente da sala fechada, o velho monstro desperta de um coração jovem na idade da lucidez. O boicote dos tolos diante do brilho da estrela semi nova que estréia contra a escuridão e a sujeira das ruas.

Num estrondoso grunido, a fera de barbas sai do tempo/espaço atirando lixeiras no asfalto enquanto atônitos os guardas da cachoeirinha recuam atemorizados com suas fardas alinhadas e insgnias brilhantes. 

O Monstro coração anda com suas calças surradas pelas lutas do dia a dia apedreja a Drogaria que vende drogas e sem perceber apaixona a morena dos cabelos lisos e longos que tudo observa da janela do terceiro andar do velho condomínio dos imigrantes. Em músculos invade a padaria Santa Cecília e distribui aos falidos do sistema internacional pães e brioches e as crianças da Vila Mamão aderem ao coração insurgente, com seus patinetes de madeira e tamancos de lata seguem em uma multidão sem fim, o quase herói da cidade morena.

A velha cidade decadente com seus cabelos raros e grisalhos azulados vê seus dias de oligarca chegarem ao fim.

E, sobre as ruínas do Vivaldo Lima, o coração feroz convoca os deserdados da urbe caótica.

E ele segue pelas avenidas colonizadas ousando destruir tudo que não seja a tradução da vida. Já seguido por milhões de crianças aos olhos dos bons avós, o coração razão, vai distribuindo gratitude em forma de frutas-pães ao sorriso contemplativo de Naruna e da flauta de Jurupari. 

E assim, se demole a escravidão e se ergue a cidade cosmopolita dos Barés, morena, quente, mãe dos Deuses.


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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

SEJAM VOCÊS, CANDIDATOS CATÓLICOS, O SAL DA TERRA


FOTO-MOSAICO: CANDIDATOS A VEREADOR. MANAUS. AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Não é de agora que a Religião tem relação com o Estado. Não desejo me aprofundar nesse tema pois já seriam várias teses de doutoramento. Por hora vamos nos ater às candidaturas a vereança para a cidade de Manaus.

No próximo dia 15/11 ocorrerá no território brasileiro mais uma eleição para prefeituras e câmaras municipais. Independente das diversas correntes de pensamento ou ideologias a Igreja Católica sempre se mostrou neutra nos processos eleitorais. 

Contudo, os leigos católicos, engajados ou não no serviço pastoral, tem a liberdade de participação no processo eleitoral.  Neste sentido, para a eleição deste domingo próximo os leigos católicos se submeterão ao voto popular.

Muitos são pessoas atuantes dentro e fora de suas paróquias, áreas missionárias e comunidades integradas aos seus setores e regiões episcopais. Têm uma vida simples e atuante nos seus ambientes de trabalho, bairros e comunidades.

Muitas lideranças que hoje se apresentam nasceram a partir do serviço formador da Igreja nas suas pastorais, serviços e movimentos sociais balizados pela Doutrina Social da Igreja, na caridade e no amor ao próximo.

Numa breve visita ao perfil dos candidatos, temos candidatos oriundos das Pastorais da Juventude, do Batismo, coordenadores de comunidade e até de serviços como o Encontro de Casais com Cristo ECC. A Igreja a partir do Papa Francisco, vê a Política como a Arte de fazer o Bem a Todos, daí a necessidade de termos representantes bem formados para a melhoria da sociedade. Ser o sal da terra, missão do laicato cristão.





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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e processos socioculturais pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.




domingo, 8 de novembro de 2020

QUEM GOSTA DE POLÍTICA?

 

FOTO: PROF. ME. MAURO BECHMAN. AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*

Desde jovem, aprendi a gostar de política. Embora não fosse um militante partidário ou até mesmo estudantil secundarista, mas sempre me interessei.

Acompanhava os pleitos e toda a movimentação em volta das eleições liberais desde 1982. Desde de lá, vi uma grande massa de pessoas afirmarem categoricamente que "Odeiam Política", alguns já nos tempos de faculdade se auto denominavam como "independentes" - o que equivalem nos dias atuais aos "isentões".

Um universo de pessoas mergulhadas no mais estreito "senso comum" e argumentos para justificar suas posições nunca faltaram, desde os clássicos "Todo mundo roba", "São todos iguais", "Só tem ladrão" até negacionistas da Política como ciência da decisão.

Com o surgimento da internet e das redes sociais privadas, a política ganhou um novo espaço. Neste sentido, como minha formação e profissão passa pela formação não apenas técnica mas também política, passei a partilhar um pouco destes assuntos relacionados á política para os meus contatos. Mesmo estando entre professores, poucos mostravam interesse nos assuntos ou creio que até ignoravam minhas postagens e partilha de conteúdos.

Por ocasião das eleições municipais no Brasil, neste período, algumas dessas pessoas que eu me preocupava em conscientizar politicamente ressurgiram, como eu falo em minhas aulas "Do meio do Nada", e se apresentando como candidatos pediram meu voto. Durante quase 5 anos partilhei conteúdos sobre Política com a pessoa e em todo esse tempo nunca recebi uma resposta ou comentário e agora, surpreendentemente alguém se "iluminou" e de uma hora para outra decidiu que "Gosta de Política" e que neste momento único da vida social e política, conta com meu voto.

Fico a pensar sobre os eleitores que acreditam nestas pessoas e se caso eleitas, como docilmente servem aos interesses antipopulares e até se locupletando de negócios escusos.

Na verdade, talvez não amem a Política como nos ensina o papa Francisco, a "Arte de fazer o Bem ao Próximo", mas amam o que a Política pode lhes oferecer como benesses pessoais. Nesse sentido, se pensam que fazem Política, não o fazem, pois o que fazem é na verdade a Politicagem, ou seja a Anti-política contribuindo para a anti civilização do ser humano e da sociedade.

Afinal, quem gosta de Política?

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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e Processos Socioculturais pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.


domingo, 1 de novembro de 2020

CONVERSA DE FIM DE NOITE COM O PROF. LOURENZZO GONDIM

FOTO/MONTAGEM: LOURENZZO GONDIM. AUTOR: CUCUNACA, 2020.


Neste dia 01/11 ás 20h teve início o Projeto "Conversa de Fim de Noite" transmitido pelo Instagram. O convidado entrevistado foi o Prof. Lourenzzo Gondim candidato a vereador com o registro 13413 pelo Partido dos Trabalhadores (PT) integrante da Coligação "Manaus pela Vida, pelos pobres" composta pelos partidos PSOL, PCB e Rede Sustentabilidade.

O Professor e administrador Lourenzo Gomdim atua no magistério há 22 anos e na Live expôs algumas propostas e idéias para sua atuação caso seja eleito para a vereança municipal. Dentre os vários temas abordados, Gondim apontou três grandes eixos de sua atuação caso seja eleito: Urbanidade, Educação e Participação Popular. 

No plano da Urbanidade, defendeu a proposta do passe livre estudantil para as camadas mais depauperadas especialmente durante a Pandemia e que respondem pela evasão escolar municipal e concursos públicos para a guarda metropolitana, embora não defendesse uma guarda armada, pois de acordo com ele a urbanidade se alcança com a Educação e ao atendimento ás demandas sociais.

Quanto a Educação, o candidato defende a ampliação do Fundeb para atendimento pleno ao capital humano da municipalidade. A participação popular, sendo outra iniciativa do candidato, viria com o Orçamento participativo onde as comunidades decidiriam em que áreas seriam destinados os recursos públicos e os conselhos populares o canal principal para a efetivação de Políticas Públicas.

Gondim defende a recriação da secretaria da Juventude como uma forma de combater a criminalidade a partir da arte, ciência e desporto, oportunizando a partir de convênios com a iniciativa privada o ingresso do jovem no mercado de trabalho. Indagado pelos internautas, Professor Lourenzzo Gondim, firmou o compromisso com o atendimento às demandas por moradia na cidade de Manaus e a equitação dos cargos comissionados da municipalidade. No momento final da conversa, o candidato pediu o Voto Consciente e comprometido para sua candidatura 13413 e para Prefeito o economista José Ricardo e vice a Assistente Social Marklise Siqueira 13.

A entrevista está disponível no Instagram IGTV @mauro.bechman


Agradecemos a atenção e a generosa entrevista com o candidato desejando sucesso neste pleito.

Agradecido Prof. Lourenzzo Gondim.


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Por: Redação Anote.


sexta-feira, 17 de abril de 2020

GESTORES PREMIUM EM TEMPOS DE PANDEMIA

FOTO: PROF. MAURO BECHMAN.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Nestes tempos de tantos ensaios sobre a vida, o convívio coletivo, os sentimentos e o trabalho, nada mais sadio que socializar um pouco de nossas experiências com estes novos gestores que chegam com tanto ímpeto de mostrar serviço nas organizações sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor.

Na literatura corporativa e na área do cafezinho há muitos mantras adoçados aos modelos midiáticos de chefias e gestores, e muitos destes, modelos estranhos e extremamente tóxicos para os colaboradores e para as organizações.

Neste sentido, ao que parece a pandemia quase sempre contamina primeiramente os chefes. Começam as cobranças, os relatórios, as tabelas, cadê você? onde estão os resultados e etc, etc, etc.

Dificil desintoxicar os chefes, especialmente em organizações com a tradição do "Estado sou eu". Mas, vão aí algumas dicas para melhorar o desempenho sem fazer os colaboradores adoecerem:

Primeiro, Respeite o horário de Trabalho, pois assim como há o Homeoffice, há o Homeworks.

Segundo, Desligue o automático. Isso requer que o gestor tenha uma autodisciplina para entender que todos tem vários papéis sociais. Em casa, o pai ou mãe, o esposo ou a esposa, o filho ou filha, o namorado, a namorada...enfim todos temos outros papéis sociais.

Por isso, se contenha. Como diz o nosso bom Deus: Há tempo para tudo. Então, por quê ficar fazendo cobranças a qualquer hora da noite ou do dia? Tenha etiqueta corporativa, isso mostra que a organização fez a melhor escolha em aceitar você para representá-la.

Terceiro, em situações em que tudo nas organizações estão sendo questionados e pensados, aprenda a raciocinar distanciando-se da situação e se perguntando se esta ou aquela exigência ou rotina é realmente necessária. Em que grau ela é necessária ao objetivo da empresa ou só é mesmo um exercício de nossas vaidades ou exibicionismo de nosso pseudo-poder.

Quarto, em situações novas e ainda a serem conhecidas e domadas, pratique a simplicidade. Isto quer dizer simplifique os processos e procedimentos. Não caía na tentação de inventar a roda e gerar mais técno-burocracias que tomam o tempo e esgotam a energia dos funcionários e dos próprios gestores com tarefas e tarefas que invadem o espaço da privacidade dos colaboradores.

Quinto: Administre a sua vaidade. Não existe apenas um modelo de gestão de sucesso e nem apenas uma forma de produzir resultados. Se tens muitos sistemas para a comunicação, padronize e use os mais amigáveis aos colaboradores. Não precisa ficar inovando toda semana com a mais nova novidade (!) que você aprendeu no último video de youtube ou via videoconferência coaching.  Seu colaborador tem ritmos, funções e salário diferente do seu.

Em tempos de Pandemia, as organizações e gestores de sucesso, serão os mais lúcidos cuja simplicidade certamente será mais producente e produtiva, além de inspirar seus colaboradores.

Anote isso!


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* O autor foi Coordenador dos cursos de Geografia e Tecnologia em Petróleo e Gás em Centros Universitários da rede privada de 2005 a 2011. Diretor Geral da Associação de Geógrafos Brasileiros - AGB Manaus (2012-2015). Livre-docente de Ensino Superior em Nível de Graduação e Pós-graduação. Atualmente Professor de Ensino Médio da Rede Pública de Ensino.

sexta-feira, 13 de março de 2020

A GEOGRAFIA DA SAÚDE E A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS EM MANAUS

FOTO: ESTANTE.
 AUTOR: CUCUNACA, 2019.

Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Hoje 13/03, foi anunciado o primeiro caso de infecção respiratória pelo Coronavírus na cidade de Manaus, uma mulher vinda de uma viagem a Londres capital da Inglaterra. Impossível não discutir este tema neste atual momento. 

Lembrando, a manifestação avassaladora de um vírus ainda não propriamente mapeado pela ciência, nos parece cirurgicamente ou estrategicamente caracterizado para atingir crianças e idosos. Uma seletividade quase que diabólica.

No Japão, sede das Olimpíadas, um impasse cruel: suspender as aulas da educação básica e deixar as crianças estarem mais tempo na presença dos avós idosos ou manter o sistema de distanciamento entre crianças e idosos? Na China socialista/capitalista, a dureza em se tratar algo desconhecido tendo que sacrificar a vitalidade de sua pujante economia e pagar um preço muito alto em vidas humanas. Os governos europeus sem muitas respostas ou quando as tem, imprecisas.

Nesta seara toda, lembramos de duas situações, a primeira em 2013 quando da visita do Papa Francisco ao Brasil por ocasião da Jornada da Juventude, o sumo pontífice falou do descarte de idosos e jovens por um mercado que exclui. Na segunda situação, os temores de analistas políticos e econômicos que ás vésperas das eleições presidenciais de 2018, que o cenário dos mercados sofreriam coisas muito ruins num futuro brevíssimo. E hoje, temos este cenário. 

No Brasil, com um governo de extrema-direita, parece ainda viver o deslumbre do acesso ao poder da república e sem respostas necessárias diante da velocidade dos fatos ocupa-se mais em distrair a platéia sempre disposta a gargalhar diante das tragédias alheias televisionadas ou em lives transmitidas por canais de redes sociais privadas.

Em meio a este turbilhão de coisas Manaus a 6a economia do Brasil, teve registrado o seu primeiro caso de Coronavírus. A pandemia chega a cidade dos barés, essa metrópole no meio da Amazônia brasileira, cuja classe dominante orgulha-se do seu pólo industrial que atualmente depende de muitos componentes da China para montar aparelhos eletroeletrônicos num cenário de desindustrialização aguda que gera gigantescas taxas de desemprego, subemprego e subutilização na força de trabalho.

Neste fatídico dia lembramos de um fato interessante. Por volta de 2006, já falávamos em implantar o Curso de Bacharelado em Geografia no antigo Centro Universitário do Norte - Uninorte. Uma das propostas de currículo para o curso, sugerimos a cadeira de Geografia da Saúde.

A proposta vinha ao encontro de uma matriz curricular voltada ao século XXI. Chegamos até a contratar um enfermeiro-geógrafo, ou seria, geógrafo-enfermeiro que na prática assumiria a disciplina quando o curso de bacharelado fosse implantado. Infelizmente, o Projeto de Bacharelado em Geografia sucumbiu diante de uma má vontade administrativa de técnicos que não tinham tato com a educação e a pesquisa. O jovem professor foi melhor aproveitado na área de saúde e por lá ficou até onde tivemos informações.

Exatamente hoje, lembrei disso. Ás vezes, perdemos quando negligenciamos nossas capacidades e nossa visão de futuro. Perdeu a Geografia e quando a Geografia perde, também perde toda uma sociedade. Por vezes ganhamos quando ousamos antever o futuro e nele ver o serviço a humanidade. É disso que se alimentam os sonhos, da necessidade do bem comum e do desejo de contribuir para uma vida melhor neste planeta.

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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e Processos socioculturais pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

OUTRO JANEIRO, JÁ FOI.


FOTO: FLOR DE JANEIRO, 2020.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.

E lá se foi outra vez Janeiro, o mês que mais gosto. Só deu para aproveitar alguns poucos passeios sentindo a brisa levemente fria quando o forte sol incidia anunciando uma chuva forte. Ver o dia, o azul do céu e claro também presenciar a chuva, em tudo isso há a presença do Criador. Usar mais calção e sandálias, falar de carnaval e do futebol amazonense, eliminar objetos que não tem mais utilidade ou que venceram no seu prazo de validade, separar e reciclar papéis já usados, tudo metódico, mas leve.

Vivenciar mais intensamente a comunidade cristã no novenário a São Paulo Apóstolo, trocar o guarda roupas, e como vi num dos conselhos de alguém, se seu guarda roupas está desorganizado, assim está a sua vida, se você se apegou demais ás suas peças de roupas, talvez você não esteja vivendo o hoje.

Em Janeiro, meu coração se acalma e me sobra um tempinho pra mim. Tem dias que o silêncio total faz a paz se tornar real. Em Janeiro isso me parece mais possível por isso, é importante desacelerar. Que venha 2020, afinal o meu querido Janeiro já foi.

domingo, 1 de dezembro de 2019

TURISMO: ATIVIDADE TRANSVERSAL - VISITA TÉCNICA A COMUNIDADE TIKUNA

FOTO: COMUNIDADE TIKUNA.
AUTOR: EQUIPE DE COMUNICAÇÃO, 2019.

Neste sábado, 30 das 08h30 às 12h30 realizamos a Atividade Transversal do Curso de Turismo com acadêmicos e acadêmicas do 4º e 6º períodos além de alguns convidados. A atividade consistiu numa visita técnica a Comunidade Indígena TIKUNA alocada no bairro da Cidade de.Deus Zona Norte de Manaus. 

FOTO: DONATIVOS ARRECADADOS.
AUTOR: CUCUNACA, 2019.
Foram arrecadados donativos para serem doados a Comunidade. O ônibus dos Excursionistas saiu da unidade 5 da Fametro Manaus às 09h chegando às 10h na comunidade. O objetivo do trabalho foi o de conhecer a Comunidade TIKUNA assentada. Manaus desde a década de 1990, além de fazer um mergulho em sua fascinante cultura.

FOTO: 1º CACIQUE DELMIR.
AUTOR: CUCUNACA, 2019.

Atendidos pelos caciques da comunidade, os acadêmicos conheceram a arte, os mitos e o artesanato Tikuna. 

 FOTO: ARTESANATO TIKUNA.
AUTOR: CUCUNACA, 2019.

Foi um momento de grande aprendizado para todos os futuros turismólogos e turismólogas que poderão certamente ampliar sua visão e atuação sobre as comunidades indígenas urbanas.

FOTO: Prof. língua Tikuna (à esquerda) Prof. MSc. Mauro Bechman (Centro) e 1º Cacique Delmir (a Direita). Autor: Equipe de Comunicação, 2019.

Foi uma enorme satisfação coordenar e aprender nesta atividade junto aos acadêmicos e acadêmicas.

FOTO: DESEMBARQUE TURISMO
 AUTOR: EQUIPE DE COMUNICAÇÃO, 2019.

Fica aqui o nosso agradecimento a cada um dos nossos excursionistas!

Saudações Geográficas e Turísticas!


quarta-feira, 22 de maio de 2019

O PEQUENO PRÍNCIPE, NOTAS

FOTO: LIVRO O PEQUENO PRÍNCIPE.
 AUTOR DA FOTO: CUCUNACA, 2019.

Um dos maiores clássicos da literatura mundial, o Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, é sem dúvida um texto colossal, seja pelo estilo universal seja elevado grau de humanismo presente na história, o que o torna atemporal.

Em situações limites, a humanidade se sobressai numa busca cega do próprio homem, mergulhado no seu próprio ego. Exupéry, apresenta cada homem em seu mundo, monotonamente sem sentido diante de uma existência finita e da enorme necessidade de se preencher o tempo da vida. E, nesta monotonia cada homem é cada mundo, solitário e por si só inexplicável, visto que, as justificativas para o viver são por si só frágeis demais para satisfazer a dimensão da vida. 

 Nas viagens do Pequeno Príncipe, ele conhece um rei em seu planeta de soberba, em si mesmo, imperador e tirano diante do que se candidata a ser seu súdito, mesmo que a autoridade nem mesmo seja levada à sério, mas um rei. Que rei? Talvez este seu exercício de subversão maior, contesta a autoridade de quem não é autoridade. A vaidade e o senso de manipulação da flor sobre o amor de seu dedicado protetor, uma desilusão necessária para que a lucidez brote sobre as ações e sobre as pessoas em suas limitações humanas.

O administrador que só se debruça sobre os números cuja doentia quantificação das coisas o leva a crença de que o seu fazer é mais significante que o dos outros.A exatidão buscada como certeza nos números justificando a seriedade e a posse como ícones de poder e sucesso, uma mera fantasia. O geógrafo que não viaja, prisioneiro de sua vaidade e de sua pena sobre a escrivaninha. Um mundo também sem sentido.

 A raposa carente, sempre incompreendida, mas que consegue ensinar o verdadeiro significado de cativar, afinal é mais fácil amar o que nos é oportuno e cômodo. E a serpente, o mistério e a sedução do convite à viagem por trilhas ainda não plenamente conhecidas. Sobre ser humano, em meio a atividades, que não cheguem nem perto de um ser como o humano, é em verdade a busca no deserto do Saara nesta saga o pequeno príncipe nos ensina que somos únicos e que aí reside a nossa verdadeira beleza.

Li, aos 47 anos de idade, acredito que esta era a idade certa para ler o pequeno príncipe. Agora sim, consertei meu avião e agora vou decolar deste deserto.

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SAINT-EXÚPERY, Antoine de, 1900-1944. O pequeno príncipe. Trad: Dom Marcos Barbosa. Rio de Janeiro:Agir, 2006. 96 págs.