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quarta-feira, 22 de maio de 2019

O PEQUENO PRÍNCIPE, NOTAS

FOTO: LIVRO O PEQUENO PRÍNCIPE.
 AUTOR DA FOTO: CUCUNACA, 2019.

Um dos maiores clássicos da literatura mundial, o Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, é sem dúvida um texto colossal, seja pelo estilo universal seja elevado grau de humanismo presente na história, o que o torna atemporal.

Em situações limites, a humanidade se sobressai numa busca cega do próprio homem, mergulhado no seu próprio ego. Exupéry, apresenta cada homem em seu mundo, monotonamente sem sentido diante de uma existência finita e da enorme necessidade de se preencher o tempo da vida. E, nesta monotonia cada homem é cada mundo, solitário e por si só inexplicável, visto que, as justificativas para o viver são por si só frágeis demais para satisfazer a dimensão da vida. 

 Nas viagens do Pequeno Príncipe, ele conhece um rei em seu planeta de soberba, em si mesmo, imperador e tirano diante do que se candidata a ser seu súdito, mesmo que a autoridade nem mesmo seja levada à sério, mas um rei. Que rei? Talvez este seu exercício de subversão maior, contesta a autoridade de quem não é autoridade. A vaidade e o senso de manipulação da flor sobre o amor de seu dedicado protetor, uma desilusão necessária para que a lucidez brote sobre as ações e sobre as pessoas em suas limitações humanas.

O administrador que só se debruça sobre os números cuja doentia quantificação das coisas o leva a crença de que o seu fazer é mais significante que o dos outros.A exatidão buscada como certeza nos números justificando a seriedade e a posse como ícones de poder e sucesso, uma mera fantasia. O geógrafo que não viaja, prisioneiro de sua vaidade e de sua pena sobre a escrivaninha. Um mundo também sem sentido.

 A raposa carente, sempre incompreendida, mas que consegue ensinar o verdadeiro significado de cativar, afinal é mais fácil amar o que nos é oportuno e cômodo. E a serpente, o mistério e a sedução do convite à viagem por trilhas ainda não plenamente conhecidas. Sobre ser humano, em meio a atividades, que não cheguem nem perto de um ser como o humano, é em verdade a busca no deserto do Saara nesta saga o pequeno príncipe nos ensina que somos únicos e que aí reside a nossa verdadeira beleza.

Li, aos 47 anos de idade, acredito que esta era a idade certa para ler o pequeno príncipe. Agora sim, consertei meu avião e agora vou decolar deste deserto.

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SAINT-EXÚPERY, Antoine de, 1900-1944. O pequeno príncipe. Trad: Dom Marcos Barbosa. Rio de Janeiro:Agir, 2006. 96 págs.

domingo, 21 de novembro de 2010

AMAZÔNIA: O DESAFIO DA GEOGRAFIA

FOTO: BIBLIOTECA DE GEOGRAFIA. AUTOR: CUCUNACA, 2016.


Neste post, buscarei apontar alguns elementos e municiar o debate sobre o desafio de desenvolver a Amazônia, a partir da construção de profissionais de Geografia capazes de responder ás demandas de uma sociedade cada vez mais dinâmica na produção de seu espaço geográfico. Para tanto, inciaremos com notas sobre a atuação dos geógrafos e geógrafos-educadores nesta região tão inspiradora e provocante ao desafio da ciência e da cultura.

O PAPEL DO GEÓGRAFO NA AMAZÔNIA

A participação dos geógrafos na construção e representação do espaço amazônico tem sido importante do ponto de vista, da visão panorâmica da região e sua inserção nos estudos dos problemas brasileiros. Falamos em problemas brasileiros, pois um dos grandes desafios da elite do Brasil-sudeste foi de colonizar o imenso território amazônico, ainda pouco ocupado pela sociedade nacional. Esta visão partilhada por militares e intelectuais orgânicos desenvolvimentistas, marcou a agenda das ações para a região desde a década de sessenta do século passado.

Até 1978, a corporação dos geógrafos, ainda ligada ao Estado, passou a questionar suas ações, a ponto de parte sensível mover-se para uma militância mais política com foco voltado aos movimentos sociais que clamavam por mudanças políticas democratizantes no país. Eis aí o papel importante da Associação dos Geógrafos Brasileiros - AGB.

A implantação do curso de Geografia na Universidade do Amazonas por volta de 1980, gerou um importante passo na construção de uma representação da Amazônia a partir da formação de quadros profissionais inerentes á própria região. Um projeto pedagógico voltado á formação de geógrafos-educadores foi direcionado á inserção do curso no Instituto de Ciências Humanas e Letras, portando, mais focado na área das humanidades e, também pela sua necessidade de apoio junto á área da docência. A militância pela Geografia no Amazonas, fez surgir movimentos importantes para o desenvolvimento desta ciência na região com a criação da Associação de Geógrafos Brasileiros - AGB seção Manaus em 1982.

A construção de um projeto pedagógico para o curso de Geografia no Amazonas previu a formação de professores devido o desafio amazônico de suas distâncias e da necessidade de conhecimento de sua realidade socioamabiental. Tecnicamente, o equilibrio buscado sobre a formação da matriz curricular manteve-se fiel aos propósitos de vinculo a área das humanidades. Entretanto, a força da influência da Geografia humana no curso causou um certo desequilibrio em dado espaço de tempo, que fez com que houvesse um certo sobreamento das ações ligadas á Geografia física. A vertente ambiental já trazida á baila por organismos internacionais no inicio dos anos noventa do século XX, era apenas pontuada timidamente por estudantes e professores ligados á pesquisa. Limitações nas áreas de dificil cobertura como a Cartografia e o sensoriamento remoto, tornavam a área técnica uma fragilidade para a produção do saber geográfico sobre a região e por conseguinte, a formação dos futuros profissionais.
Decerto que, vários avanços foram sentidos com o estímulo á pesquisa de curta e média duração e a Geografia até então existente apenas na Universidade do Amazonas se oportunizou sabiamente e também retribuiu de maneira superlativa a este investimento, ganhado várias menções honrosas e ampliando a sua força na forma de publicações. Contudo, o desequilibrio entre as áreas da Geografia provocava um hiato na compreensão dos aspectos ambientais e consequentemente sua opção pela Amazônia que não fosse apenas cultural, mas também e essencialmente física-natural.

Em 2002 é implantado o Curso de Licenciatura em Geografia pelo Centro Universitário do Norte - Uninorte com a missão de atender ás demandas ligadas ao ensino e á pesquisa na região. Seu projeto pedagógico, possuía forte caráter técnico que se manifestava na formação de seus profissionais egressos que possuíam uma identidade com conteúdo sensível característica do bacharel em Geografia e não na própria missão da formação do licenciado.
Entretanto, a empregabilidade foi alcançada com sucesso no espaço de trabalho por estes profissionais egressos. Outra coisa, realmente importante na construção de sua matriz curricular, fora a opção pela Amazônia vislumbrada nas disciplinas ministradas ao longo do curso, numa visão contextualizada, global e regional da empresa geográfica. Esta opção identitária, findou por transformar-se numa marca do curso de Geografia do Uninorte.

Ao longo do tempo, mudanças na forma de ver e avaliar os cursos de graduação, o curso de Geografia promoveu alterações no seu projeto pedagógico, buscando corrigir distorções quanto á perspectiva das disciplinas ligadas á formação docente e á área das humanidades, cuja opção técnica viesse a ceder para o alcance do equilibrio com as disciplinas da área de humanas.

A concepção e a construção de um projeto pedagógico para a Geografia na Amazônia, perpassa importantes elementos, como o perfil do egresso que desejamos formar e apresentar á sociedade, as disciplinas elencadas e dispostas á responder aos desafios novos de cada momento histórico, a inserção regional na Amazônia para que os atores da produção deste espaço sejam cada vez mais filhos desta região, e, sobretudo, elementos como o empreendedorismo dos profissionais ligados á Geografia, sejam eles professores ou estudantes, sem esta paixão, sem esta energia e empenho ao que se faz, certamente a nossa Amazônia, continuará indecifrável como cita e nos provoca o pensador Djalma Batista.

Nas minhas poucas linhas, sugiro que a Geografia seja repensada tomando como referência, os novos desafios impostos como a necessidade da formação de profissionais críticos, mas também empreendedores, de humanistas mas também possuidores de conhecimento técnico atualizado, holísticos, porém capazes de especializar seu olhar sobre os pontos e redes geográficas, globais, mas sabedores que estamos na Amazônia e sobre ela devemos projetar nossos olhares e nossos sonhos de um espaço de esperança para cada homem e mulher deste espetáculo da natureza que vive a desafiar os futuros e presentes geógrafos e geógrafas.

Saudações Amazônicas!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

OS ESTRANGEIROS DO INTERIOR DO AMAZONAS

FOTO: REDES NAS EMBARCAÇÕES AMAZONENSES. 2012. AUTOR: CUCUNACA, 2012.
Nesta postagem, buscarei pontuar algumas considerações a respeito da relação entre os candidatos aos cargos políticos no estado do Amazonas e o seu conhecimento sobre o interior do estado.

O ESQUECIDO INTERIOR

Durante todos estes anos que acompanho o processo eleitoral no meu estado, tenho observado que o discurso sobre o interior sempre se repete. Este interior tão ventilado e parafraseado durante o processo eleitoral, na realidade, se revela enquanto uma grande incógnita no imaginário dos cidadãos amazonenses. Um dos elementos importantes para esta compreensão é de fato a ausência destes políticos da cena cotidiana no palco da vida dos munícipes.

Muitas das vezes, quem conhece mais o interior são os assessores destes políticos e muitas vezes só oportunamente os conhece quando viajam em férias e ou em algum feriado prolongado. Em realidade não existe um contato mais intimo e daí é muito fácil esquecer quem os olhos nem sempre vêem.

O pouco conhecimento sobre a realidade da vida dos munícipes no Amazonas, decorre do descaso com uma politica que não seja politicagem e ou reedições de projetos experimentados em fracassos.

Contraditoriamente, o interior que não reside no interior dos candidatos, hoje apresenta aspectos daquilo que o "progresso" vende: insegurança e falta de urbanização. Ainda sob este aspecto, podemos verificar que o interior e algumas das suas cidades médias, vêm se urbanizando e consequentemente se desumanizando com o aparecimento de invasões (ocupações irregulares), surgimento de gangs juvenis que beiram o semi-analfabetismo, casos de pedofilia, prostituição infanto-juvenil e problemas de saúde ambiental, os mais graves.

Contraditoriamente, este interior que não reside no interior de muitos candidatos, continua sua sina de "Esquecido".
Neste sentido, para os citadinos de Manaus - a metrópole cefalópode, os amazonenses do interior aparecem mais como se fossem "estrangeiros" pois não emitem uma leitura de si e sobre sua realidade, são apenas reconhecidos nestes períodos eleitorais e a leitura parcial feita pelos candidatos só revelam o desamor pelos interioranos, mergulhados na generalização da alcunha de "Esquecidos".

Como cidadão peço apenas que olhemos para o nosso interior e espiando bem,como diz o caboclo, descobriremos que nada ou quase nada sabemos de nós mesmos. Para o nosso desespero!

Saudações Amazonenses e Amazônicas!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

AMAZONAS: AMAZÔNIAS

FOTO: PAVILHÃO AMAZONENSE. AUTOR: CUCUNACA, 2014.

Nesta postagem, buscarei falar do gigante que há em mim, num formato livre para que possamos entender o amor que nutrimos pelo lugar em que nascemos e cuja história e geografia só poderiam nos orgulhar. Neste sentido, este texto será um texto sentimental em que pesa a visão do geógrafo e o sentimento do cidadão.

AMAZONAS - O GIGANTE DO NORTE

O fascinio que tem-se a descrever o Amazonas em suas espacialidades expostas e intrisecas, por si só já nos conduzem a um mistério de reinvenção constante de sua história, de sua cultura e de sua geografia.
Do meu tempo de criança, sempre dinâmico, aprendi a desenhar barcos regionais na escola primária Santa Luzia, cujas simbologias sempre traziam a idéia de nacionalidade brasileira e da bandeira do Amazonas. Era a década de 1980 e os nossos clubes de futebol ainda lotavam os estádios da Colina e o Vivaldão. O Nome dos clubes eram efetivamente diferentes, como o Rio Negro cujas cores são preto e branco e o Nacional de cores azul e branco. Esta feita uma das rivalidades mais importantes do futebol do Norte, o clássico RIONAL. Nos domingos de clássico, pela manhã, não se falava outra coisa senão o clássico. No almoço, o tambaqui na brasa com tucupi e farinha do uareni e vinho de bacaba e açai, e para o mais velhos é claro, cervejas e caipinhas. Não poderia faltar o som de Chico da Silva que sempre fez músicas de sucesso.
Mas, o Amazonas ainda se manifestava em mim na vida simples dos meus pais, vindos de Itacoatiara para iniciar uma vida nova com a chegada da Zona Franca em 1967. Traziam consigo, seus remédios, seus costumes, suas histórias. Raramente íamos ao médico, pois os remédios eram feitos em casa, pois nos quintais criavam-se galinhas, patos, porcos e os canteiros possuiam plantas medicinais e a ritualização sempre caracteristica de um povo cuja existência estava intrissecamente ligada a natureza.
O boi bumbá que conheci e amei ainda existe nas periferias de Manaus, metamorfeando-se para sobreviver nos tempos atuais. A dança do cacetinho, meu Deus, que riqueza com sua encenação e drama, uma luta pelo amor de uma índia, entre irmãos! Sentia que tudo isto era o Amazonas.
No governo militar de José Lindoso, fizeram-se programas para divulgar a cultura do Amazonas nos álbuns de figurinhas que davam prêmios em troca de notas fiscais. Nas escolas, o dia 5 de Setembro eram um maravilhoso período de reverência a elevação do Amazonas á categoria de província. Desfiles cívicos davam um brilho especial ao Dia do Amazonas com as escolas públicas e privadas expondo garbosamente o orgulho de ser amazonense.
Do Amazonas que habita em mim, tenho carinho exponencial pelo Rio Amazonas, este imperador da Amazônia, cheio de lendas, ritos e história. O Rio Amazonas do Encontro das Águas em que habita o espirito imortal do guerreiro Ajuricaba, que jamais aceitou ser escravo e por isso no encontro das águas negras do Rio Negro com as águas barrentas do Solimões entregou-se á História. Personagens que povoam o Rio Negro ainda hoje nas lendas dos povos da Amazônia que o colonizador exerno e interno faz questão de encobrir.
O Amazonas dos rios, igarapés, furos, cachoeiras, do clima de momarço, quente e úmido, do sorriso moreno dos caboclos e da dança encantadora das caboclas morenas de olhos amendoados. Amazonas dos magestosos buritizeiros que estão destruindo na minha cidade em nome do progresso que apaga minha identidade me transformando em um não-ser.
Amazonas do calor do povo simples que ainda acolhe o aventureiro como "parente" herança das suas muitas nações indígenas. Amazonas de Ajuricaba, de Tabatinga, Itamarati, Tefé, Parintins, dos caboclos brancos de Itacoatiara, do peixe e da farinha de Uarini, de Manacapuru e do Iranduba, dos índios maués, da terra de Maruaga e Comprido que ousaram reagir ao colonizador.
Neste Amazonas que habita em mim, habitam várias amazônias e é tão grande a sua riqueza que dá até vontade de morrer... de viver!

Saudações Amazonenses e Amazônicas!

domingo, 18 de julho de 2010

PRIMEIRO ADEUS AO "COLOSSO DO NORTE"

FOTO: ESTÁDIO VIVALDO LIMA. 2008. AUTOR: CUCUNACA, 2008.

Nesta postagem, farei um mergulho á arquitetura de minhas lembranças como torcedor de futebol e como cidadão desta Amazônia que me ensinaram a ignorar e que aprendi a amar. Peço apenas que leiam como um grito da arquibancada, para que a poronga não se apague e a floresta escureça mergulhando no pântano do esquecimento.

O COLOSSO DO NORTE - O VIVALDÃO

É domingo, na cidade dos Manaús. O rádio fala dos jogos do campeonato brasileiro, os jornais tem na sua primeira página, o convite sugestivo ao futebol. Eu, meus irmãos e meus pais vamos ao Estádio Vivaldo Lima. Os ônibus andam tão lotados que seguem suas trajetórias tombando com pessoas em cima numa espécie de surfistas urbanos e dependurados em portas e nos seus para-choques. Que sufoco!

É domingo, e escutamos as músicas de Chico da Silva, ao mesmo tempo que fazemos o almoço dos amazonenses com tambaqui na brasa e alegria que se mistura a ansiedade para a ida ao estádio.

Ao olhar de um menino de 10 anos de idade, vejo realmente um "Colosso", cercado por gente em filas quilométricas. Nos seus arredores, multidões caminham de todas as direções, com alegria e ansiedade param o tráfego e com gritos e bandeiras revelam uma paixão imortal pelo futebol.

O estádio está ficando cheio e eu pequenino vejo pintado as cores das bandeiras dos clubes do Amazonas nas arquibancadas e pergunto ao meu irmão mais velho o significado de cada combinação de cores e, ele me explica cada uma desta combinações. Mas vejo uma desproporção nas cores. Os dois lados que se opõem diametralmente, se opõem ao longo das mais extensas faixas do estádio, de um lado, as cores azul e branca e de outro as cores preta e branca. Estávamos diante de uma simbologia que superava os anos e tinha raízes fincadas na histórica rivalidade entre os times do Nacional Futebol Clube (Naça) cujas cores são o azul e o branco e o Atlético Rio Negro Clube (Galo da Praça da Saudade) nas cores preto e branco.

A medida que o público ia se acomodando, a rivalidade entre os torcedores ia se acirrando, a ponto de na torcida do galo ninguém passava com as cores que lembrasse o azul e vice-versa. O clássico Rio-Nal ganhava espaço no meu coração e na minha memória.
Frequentei o estádio nos anos 1980 e vi campanhas memoráveis do Nacional neste estádio que agora vejo desmoronar com o passar de incompetentes dirigentes de clubes de futebol.

Na campanha de 1987, no campeonato brasileiro, o Nacional vencia a todos que vinham jogar em Manaus, tínhamos uma das melhores médias de público e a cada vitória hordas de torcedores soltavam fogos pelas ruas nos arredores do estádio. As torcidas eram um show a parte. O Galo tinha a "Galo Gay" - torcida criada para compensar a ausência das mulheres do estádio e o Naça, cujos torcedores sempre foram mais fervorosos e violentos tinham a "Selva Azul" e outras que não lembro o nome direito. Mas lembro que muitos grandes clubes do sudeste e sul vinham ser derrotados pelos nossos times e a paixão de fato era muito forte. Ainda hoje quando escuto Chico da Silva, minhas lembranças voltam áquele tempo.

Não pretendo aqui, ignorar que cada momento tem seu tempo e este foi um dos momentos que me trazem saudade apesar das dificuldades de uma década de crise econômica nacional. Mas ver o palco dos nossos clubes desaparecer, me faz refletir que uma construção como o Vivaldão não merecia ter um destino como este, de desaparecer em favor de um markentig ambiental em que o turismo é mais importante que a alegria de viver dos torcedores do lugar. 

Da mesma forma que, acredito que o silêncio de nossa elite social e econômica, transformaram-se num crime contra a reflexão e a construção de uma memória espacial que reafirme o futebol no Amazonas. Aliás, nossos clubes como o Rio Negro, o Nacional, São Raimundo, Sul América são quase centenários e em nada quanto á história deixam a desejar para o restante do país.

Fui tentar testemunhar a demolição do Vivaldo Lima e fomos proibidos de fazer imagens internas. Voltei frustado para casa, Eu e meu filho Mauricio, registramos poucas imagens externas dos escombros do estádio, pois não pudemos dizer adeus ao Colosso do Norte!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O PROFISSIONAL

FOTO: BIBLIOTECA DO ANOTE. AUTOR: CUCUNACA, 2016.

A perspectiva de alguém que pretenda se tornar um profissional de sucesso e respeito passa inexoravelmente pela reflexão sobre a mudança de Atitude. Neste sentido, deve-se ater a algumas etapas importantes no processo de "fazer as coisas" que efetivamente atinjam as pessoas de forma positiva. Sobre este assunto, sabe-se que existe uma literatura rica e cada vez mais aberta a contribuição por situações novas oriundas das experiências de vida na gestão responsável e experimental.

MUDANÇA DE ATITUDE: DO AMADOR AO PROFISSIONAL

Neste breve texto, pontuarei alguns aspectos sobre a passagem do espírito amador ao espírito profissional. Sob este aspecto poderíamos comentar sobre a mudança na postura que deve ter seu inicio a partir da própria denominação da pessoa. Imaginem claramente a diferença entre o pré-nome Mauro e o de Prof. Mauro. Pode-se concluir que aparentemente não há diferenças significativas pois o nome pessoal não passou por alterações. Mas num exame mais detalhado, pode-se inferir as grandes diferenças presentes no pré-nome aqui representado na grafia por "Prof.". Dessa forma, podemos dizer que o pré-nome, deve para o profissional representar uma perspectiva de mudança quanto a sua postura e o conteúdo que traz consigo, uma vez que evoca a competência construída ao longo de uma carreira cujo inicio reporta aos primeiros anos na escola, passando pelos cursos regulares, outros tantos mini cursos diversos de aperfeiçoamento, chegando aos mestrados e doutorados. Deste modo,o pré-nome "Prof", encerra uma postura profissional, cujo somatório de conhecimentos e saberes, lhe outorgam a nobre missão de educar e produzir conhecimentos novos. Então, a mudança na postura, passa sobretudo pelo respeito devido ao profissional que deixou de ser apenas mais um "Mauro" na lista telefônica. Somado a isto, há neste pré-nome, não apenas a titulação acadêmica e o acúmulo de experiências, mas também uma MÍSTICA que acrescenta a magia do ato do exercício profissional que nos dias atuais responde por uma perda da "aura do mestre" - como sendo aquele que ensina o caminho - e, conseqüentemente con correndo para uma "coisificação" do professor, agora banalizado e tratado nem mais como pessoa mas como "coisa". Nossa preocupação reside aí exatamente,onde o professor perde a sua aura de mestre, perdendo por conseguinte, sua magia, seu respeito e sua profissão. Face a isto, os professores e professoras tem neste momento um papel importante para consigo próprios, tomar uma nova atitude no sentido de sua re-humanização e re-profissionalização. Daí falar claramente, num profissional e não numa coisa. Aliás, o educador Paulo Freire, já havia alertado para isto no livro: "Professora Sim, Titia Não!". Do amador, que nunca se perca o AMOR, pois é ele que move o bom PROFISSIONAL.

MUDANÇA DE ATITUDE: FAZER AS COISAS

Um profissional não pode fazer as coisas a partir da simples justificativa de que não se tenha os meios. Aliás, alguns "profissionais" ainda acreditam que as instituições devem lhes dar todas as condições materiais possíveis e impossíveis para a sua atividade. Uma vez, numa escola em que trabalhei, ouvi a seguinte frase: "Quem não procura como fazer, procura como justificar o não feito sempre". Fiquei preocupado com esta colocação, numa forma de que teríamos que nos municiar de todos os equipamentos necessários ao exercício de nossa profissão a partir de nossos próprios salários. Os colegas de orientação classista eram radicalmente contra esta propositura neoliberal. Como pessoa militante "pela profissão" e não por partidos políticos, comecei a ver outros profissionais e seus comportamentos. Após minhas observações, cheguei a conclusão de que médicos possuem suas maletas, advogados também, arquitetos e engenheiros seus capacetes e equipamentos pessoais... mas os professores. Hoje penso que a postura profissional passa por uma mudança de atitude com relação sim, ao seu material de trabalho, em que fazer as coisas dependam do empreendimento do profissional e não das instituições. Não quero aqui desobrigá-las a dar as condições de trabalho, quero apenas ratificar que devemos mudar nossa postura profissional para que fazer as coisas atinjam as pessoas de forma positiva e nossa profissão seja respeitada e recomendada para outras instituições e para que sobretudo, o nosso trabalho seja referendado pelo pelos nossos alunos, como futuros profissionais. Aliás, o mundo de hoje precisa de profissionais que sejam obstinados por soluções, porque é neste objetivo que se pode melhorar o mundo.
Aliás, neste momento, estamos conscientes e a sociedade também que quem faz as instituições são os profissionais que nela atuam, é na competência deles que reside o capital mais precioso, o conhecimento, mas que para ser um profissional de sucesso ele necessita fazer as coisas...acontecerem.

MUDANÇA DE ATITUDE: ATINGIR AS PESSOAS POSITIVAMENTE

Atingir as pessoas positivamente, requer um preparo profissional que envolva um trabalho de apreendizado constante (a atualização profissional)o conhecimento de meios e métodos que dêem segurança aos que recebem a informação e os provoque com "certezas temporárias" para que o conhecimento seja um legado de perguntas e descobertas e para que o ciclo da vida mantenha sua dinâmica. Atingir as pessoas positivamente é repercutir o nome do profissional e os problemas por ele propostos, o que a esta altura deve ocorrer para além dos muros da sala de aula. Repercutir está em ter seu trabalho revelado e reconhecido por todos. É um serviço público do profissional para com a sociedade.

PENSE NISTO!