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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

SAINDO PELAS RUAS DE MANAUS


FOTO: ARTE-TELHA, SUMIDADE.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Por: Mauro Bechman*

E de repente da sala fechada, o velho monstro desperta de um coração jovem na idade da lucidez. O boicote dos tolos diante do brilho da estrela semi nova que estréia contra a escuridão e a sujeira das ruas.

Num estrondoso grunido, a fera de barbas sai do tempo/espaço atirando lixeiras no asfalto enquanto atônitos os guardas da cachoeirinha recuam atemorizados com suas fardas alinhadas e insgnias brilhantes. 

O Monstro coração anda com suas calças surradas pelas lutas do dia a dia apedreja a Drogaria que vende drogas e sem perceber apaixona a morena dos cabelos lisos e longos que tudo observa da janela do terceiro andar do velho condomínio dos imigrantes. Em músculos invade a padaria Santa Cecília e distribui aos falidos do sistema internacional pães e brioches e as crianças da Vila Mamão aderem ao coração insurgente, com seus patinetes de madeira e tamancos de lata seguem em uma multidão sem fim, o quase herói da cidade morena.

A velha cidade decadente com seus cabelos raros e grisalhos azulados vê seus dias de oligarca chegarem ao fim.

E, sobre as ruínas do Vivaldo Lima, o coração feroz convoca os deserdados da urbe caótica.

E ele segue pelas avenidas colonizadas ousando destruir tudo que não seja a tradução da vida. Já seguido por milhões de crianças aos olhos dos bons avós, o coração razão, vai distribuindo gratitude em forma de frutas-pães ao sorriso contemplativo de Naruna e da flauta de Jurupari. 

E assim, se demole a escravidão e se ergue a cidade cosmopolita dos Barés, morena, quente, mãe dos Deuses.


___________

*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.

domingo, 5 de julho de 2020

NADA ESTÁ NORMAL

FOTO: HALO EM MANAUS.
 AUTOR: DESCONHECIDO, 2020.

Nada está normal.
Nem o vento, nem o tempo.
Pessoas esfomeadas pelas casas de ilusão
bailam perigosamente entre eternas promessas de felicidade
e a certeza de que não se encontrarão com ela em tempo hábil

Na visão do profeta, tudo em cores vivas
e a pobreza e a ignorância de braços dados e sem máscaras
Pseudo críticos e apenas agoniados caem sem lucidez,
coitados! não conseguem interpretar o momento de UTI.

O homem pintado de branco, caminha mas não consegue mais viver sua solidão,
as rochas se movem no caminho e ele sente medo da paisagem em vertigem.
Resignado e andarilho num pânico monstruosamente silencioso implora pelo misericordioso.

Pelo ar poluído o observador de passarinhos ouve o grito das mulheres Inhambú: murmúrio e lamentações.

Nada está normal.

terça-feira, 21 de abril de 2020

MESMO PRESO, ME SINTO LIVRE.


Fazia dias que não te via, nem seu brilho, nem sentia sua energia.
A Luz veio como sempre tem que vir, com toda a intensidade criadora. E a luz fundou este mundo.

Nosso astro maior brilhou no céu da Amazônia em seu esplendor de luz. Hoje você invadiu minha casa. Meus olhos se ofuscaram e toda a escuridão se dissipou no nada.

Na minha prisão, me senti liberto, e sua energia me mostrou que estamos vivos e nosso destino é a liberdade. E teus raios foram invadindo e destroçando tudo, desde a menor partícula de trevas escondida na penumbra, no espaço dos covardes.

E eu abri minha janela, para você entrar na minha casa/prisão mudando a cor e os tons dos meus enclausurados dias e sinistras tardes nubladas. Na mesma tarde luz, você se revela em nome, como prova, de que não abandona os que crêem. Eu em minha pequenez de soldado romano, lembrei que sou apenas um homem e não um astro.

Feito luz, você dá-nos o sinal de que estás conosco desde os apelos na barca de Peter em meio à fúria deste mundo à deriva no oceano das vaidades até a tua prova presente diante do duvidoso que te conhece.
Impossível não acreditar em sua existência. E eu, mesmo preso me sinto livre.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

DIA DOIS 2, PRÉ-POESIA

FOTO: BRASILEIRISMO, CUCUNACA, 2018

DIA dois é dia um
1 dois

assim começa o Brasil, pisando forte, pisando leve
1 dois feijão com arroz
assim segue o Brazil, descendo a ladeira
1 dois cultura depois, melhor entretenimento
assim vai o brasil perdendo a estribeira
1 dois, 1 neurônio de cada vez, o segundo vem depois
assim pensa o bracio num swing tuitado
1 dois medo primeiro, esperança depois
assim sente o bacio neste fake coração
1 dois, esse fardo não é só pra um e nem pra dois
assim vai vivendo o brasileiro e a brasileira da Geografia do chão.
1 dois, mas dia dois não é 1.