Mostrando postagens com marcador Amazônia.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amazônia.. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de agosto de 2020

OS MANAUARAS E A FRENTE FRIA

FOTO: CHEGADA DA FRENTE FRIA.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.


Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Uma massa de ar fria vinda da Antártida atravessa este magnífico país-continente chegando ao sul e sudeste do Brasil com geada e neve em alguns municípios. No dia 21/08 se anuncia a frente fria sobre o céu do quente e caloroso Amazonas.

No céu da zona norte de Manaus, após uma tarde escaldante de sexta-feira com seus 40º C e a sensação térmica de 43º C, por volta das 19h ao cair a noite, nuvens brancas começam a encobrir o céu límpido fazendo as estrelas e a lua esmaecerem. As nuvens num bailado inquieto até certo ponto parecem "lutar" contra o ar quente atmosférico e como resultado, um vento frio sopra sobre a superfície. No pequeno espaço que chamo de quintal, as roupas no varal balançam incessantemente enquanto o cachorro caramelo, batizado "Sansão" observa assustado o movimento do vento e das nuvens que clareiam a noite.

No banker das memórias infantis, é inevitável a lembrança de outros momentos assemelhados. Nessa memória, não recordo o ano, mas lembro ainda por volta dos anos 1970 do século passado, todos os oito filhos juntos com meu pai e minha mãe na humilde casa de madeira. Encolhidos e agasalhados dentro da pequena casa na Vila Hei de Vencer no bairro da Praça 14 de Janeiro, a sensação do vento frio e o aconchego da mãe e do pai dentro de casa nos afiançava a segurança da família, todos de meias nos pés, as crianças com lenços no pescoço e, lençóis que carregava-se quase que pela casa toda, a sopa de carne no jantar e o copo de leite quente para as crianças que nos ajudava a "relaxar" e dormir melhor.

Noutros momentos, a chamada "Friagem" também chegava a Manaus com maior ou menor intensidade geralmente nos últimos dias do mês de Junho também provocando a queda na temperatura. Nesse período também observa-se o certo "esvaziamento das ruas". O mais interessante é que a friagem gera uma espécie de "medo" nos manauaras pois na prática, as temperaturas são em média em torno de 20º C a 25º C, ou seja, para uma cidade como Manaus com temperaturas em torno de 40º C nos horários de maior pico do dia, as temperaturas médias aferidas no período em Manaus seriam na verdade, temperaturas características de países quentes e tropicais como o Brasil e não um motivo de tanta apreensão.

Mas, são algumas das impressões que estes fenômenos climáticos causam no comportamento e no imaginário dos manauaras e amazonenses, ofertando a esta região quente e úmida um pouco das sensações térmicas dos outros lugares do Brasil. Neste ano zero, esta frente fria chegou exatamente num dos meses mais quentes do Amazonas, neste quente e agitado agosto.

Saudações socioambientais e amazônicas!

_________

* Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

domingo, 5 de julho de 2020

NADA ESTÁ NORMAL

FOTO: HALO EM MANAUS.
 AUTOR: DESCONHECIDO, 2020.

Nada está normal.
Nem o vento, nem o tempo.
Pessoas esfomeadas pelas casas de ilusão
bailam perigosamente entre eternas promessas de felicidade
e a certeza de que não se encontrarão com ela em tempo hábil

Na visão do profeta, tudo em cores vivas
e a pobreza e a ignorância de braços dados e sem máscaras
Pseudo críticos e apenas agoniados caem sem lucidez,
coitados! não conseguem interpretar o momento de UTI.

O homem pintado de branco, caminha mas não consegue mais viver sua solidão,
as rochas se movem no caminho e ele sente medo da paisagem em vertigem.
Resignado e andarilho num pânico monstruosamente silencioso implora pelo misericordioso.

Pelo ar poluído o observador de passarinhos ouve o grito das mulheres Inhambú: murmúrio e lamentações.

Nada está normal.

terça-feira, 21 de abril de 2020

MESMO PRESO, ME SINTO LIVRE.


Fazia dias que não te via, nem seu brilho, nem sentia sua energia.
A Luz veio como sempre tem que vir, com toda a intensidade criadora. E a luz fundou este mundo.

Nosso astro maior brilhou no céu da Amazônia em seu esplendor de luz. Hoje você invadiu minha casa. Meus olhos se ofuscaram e toda a escuridão se dissipou no nada.

Na minha prisão, me senti liberto, e sua energia me mostrou que estamos vivos e nosso destino é a liberdade. E teus raios foram invadindo e destroçando tudo, desde a menor partícula de trevas escondida na penumbra, no espaço dos covardes.

E eu abri minha janela, para você entrar na minha casa/prisão mudando a cor e os tons dos meus enclausurados dias e sinistras tardes nubladas. Na mesma tarde luz, você se revela em nome, como prova, de que não abandona os que crêem. Eu em minha pequenez de soldado romano, lembrei que sou apenas um homem e não um astro.

Feito luz, você dá-nos o sinal de que estás conosco desde os apelos na barca de Peter em meio à fúria deste mundo à deriva no oceano das vaidades até a tua prova presente diante do duvidoso que te conhece.
Impossível não acreditar em sua existência. E eu, mesmo preso me sinto livre.

terça-feira, 17 de março de 2020

1º DIA DE SUSPENSÃO DAS ATIVIDADES NA EDUCAÇÃO - CORONAVÍRUS

FOTO: AV. GOV. JOSÉ LINDOSO.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Hoje, 17 de Março de 2020.

Na manhã, ruas mais vazias que os dias normais. Transportes coletivos circulando normalmente embora sem estudantes. Nas escolas, alguns estudantes e seus pais retornam para suas residências, pois talvez não soubessem claramente sobre a decisão de suspensão das aulas na rede estadual e municipal. A lava jato, que sempre está aberta ás 08h está fechada.

Na tarde, por volta das 17h30mn, numa caminhada breve pela avenida Tenente Roxana, vê-se muitos idosos nas ruas caminhando esportivamente, geralmente sempre acompanhados de um jovem ou uma jovem. Eu, me resguardo em não incluir no relato o que sinto, pois agora, são muitas as impressões e podem até falsear o relato.

No supermercado, muita gente. Algumas com máscaras, outras em sua maioria sem. Também muitos idosos geralmente sem máscaras e as filas nos caixas lentamente caminham diante de funcionárias-caixas com máscaras médicas e luvas de silicone.

Entre os vendedores ambulantes, quase ninguém pára para ver seus produtos que geralmente são frutas e guloseimas. Os moto-taxistas se distraem no jogo do baralho á espera de clientes.

Na pequena Igreja Católica, um grupo de homens reza o terço num ritual de veneração e súplica pelo fim destes tormentos do mundo.

São 20h40, o silêncio da rua só é quebrado por risos das crianças nas casas dos vizinhos.

Na esfera virtual, muitas informações e espantos. Facknews vão perdendo a força diante da dura realidade que vai cobrindo este dia com a noticia de mais casos suspeitos, porém não confirmados de pessoas com COVID-19 no Amazonas. 

domingo, 21 de julho de 2019

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM - MISSA NA COM. SÃO JOÃO BATISTA

FOTO: PE. ISAÍAS LIMA EM HOMILIA.
 AUTOR: CUCUNACA, 2019.

Neste 
domingo às 18h foi realizada Missa na Comunidade São João Batista, integrante da Área Missionária São Paulo Apóstolo - AMSPA, do Setor Padre Pedro Vignola da Região Episcopal de Nossa Senhora Aparecida.

A celebração foi presidida pelo Padre Joseleito Isaías Lima cuja homilia foi pronunciada após a leitura do Evangelho de São Lucas 10,38-42 realizada pelo Ministro da Eucaristia senhor Antônio Cruz (Sr. Edilson).

Padre Isaías Lima destacou quatro momentos importantes presentes nas leituras de hoje. Num primeiro momento, destacou a importância da moradia para o cristão que acolhe o Cristo em sua casa e em seu coração. Em seguida, tratou de como tratamos a administração do tempo numa vida cotidiana tão cheia de preocupações que por vezes nos impedem de aceitar Jesus em nossas moradias para se ter um encontro e ouvir a mensagem do Cristo Jesus.

No terceiro momento, o celebrante, correlacionou as leituras da missa diante da moradia que se abre a presença de Deus, enfatizando que desde Abraão, quando abre a casa ao estrangeiro, Deus lhes abençoa quatro vezes mais, passando por Simão, Zaqueu até as casas de Marta e Maria, o Senhor sempre trouxe transformações boas e bençãos. E assim, no quarto e último momento de sua homilia, o sacerdote fez um apelo aos fiéis para que abram a sua moradia a entrada de Jesus Cristo ratificando que como no Evangelho, a casa de Marta e Maria nunca ficará sem uma benção. 

Especialmente neste momento, que possamos refletir sobre Marta e Maria, em que Jesus nos aponta que Maria ficou com o melhor parte da visita, ou seja, o próprio Jesus ouvindo suas palavras e que Jesus ao chamar a atenção de Marta nos mostra que precisamos de um momento de parada das atividades, dos afazeres e trabalhos cotidianos para abrir nossa morada e nosso coração para o melhor da visita, a Palavra de Jesus. 

"Senhor, quem morará em vossa casa?"

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

NATAL DA AMNÉSIA

FOTO: QUARTO DE NATAL, 2018.
AUTOR: CUCUNACA, 2018.
Uma corrida desenfreada ao consumismo. Nesta sentença podemos ver no que vem se tornando o Natal num país que há pouco tempo se orgulhava de ser o país mais católico do mundo, pelo menos, a partir da declaração diante dos inquéritos sobre crença religiosa do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O crescimento das seitas cristãs evangélicas de matriz neopentecostal e de inspiração na doutrina da Teologia da Prosperidade e além do crescimento do número daqueles que se declaram agnósticos e ateus, contribuem para um cenário bastante interessante em que pessoas que declaram não "gostar do Natal" tem ganhado evidência. Mas, não fosse apenas isso, o discurso parece mais uma vez, desencontrar a prática. Denominações protestantes clássicas e algumas neopentecostais que negam as tradições católicas findam de alguma forma "celebrando" os festejos natalinos e em algumas situações até lucrando financeiramente. Também é interessante notar que entre os ateus e agnósticos, há uma atitude de adesão ao consumismo proposto pelo sistema neste período natalino. 

Um terceiro ponto, acrescenta-se aí o desconhecimento ou a negação do conhecimento sobre alguma forma de celebração ou tradição natalina o que sugere uma espécie de "amnésia" destes grupos, mesmo para um país ainda majoritariamente católico com gerações puramente materialistas ainda recentes.

Embora  saiba-se que estamos entrando numa espiral materialista com o crescimento econômico e o aumento do poder aquisitivo das camadas exploradas do povo brasileiro, a banalização do Natal com sua rica significância para o cristianismo, leva a uma conclusão preliminar a ser considerada. Há uma grande ignorância sobre o real significado do natal e portanto, uma dificuldade no desvencilhamento do espírito consumista. Aliás, ignorância e consumismo, neste caso, aparecem como parceiras o que em grande sentido esvazia o sentido cristão deste momento tão importante para a história da Humanidade em que pode-se ver o divino tão perto do humano, dando sentido e sabor a existência humana neste planeta.

Ei! Feliz Natal! Para você e toda a sua família!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

PROCISSÃO DA PADROEIRA DO AMAZONAS

FOTO/MOSAICO: IMACULADA CONCEIÇÃO.
AUTOR: CUCUNACA, 2017.

Nesta sexta-feira, 08 das 17h às 20h ocorreu no Centro Histórico de Manaus, tradicional e belíssima Procissão em homenagem a Nossa Senhora da Imaculada Conceição Padroeira do Amazonas e dos Amazonenses. Na liturgia a Igreja, este evento é uma das quatro solenidades marianas.

Sob ameaça de chuva, a Berlinda de Nossa Senhora Imaculada Conceição deixou a Igreja da Arquidiocese de Manaus, popularmente chamada de Igreja Matriz às 17h sob aplausos e cânticos marianos entoados pelos fiéis, que já aguardavam nas imediações da Praça da Matriz ou Praça 15 de Novembro recém reformada. Cerca de 100 mil fiéis em nossas projeções estiveram presentes nesta solenidade mariana, além do clero arquidiocesano.

FOTO: PROCISSÃO RUA 10 DE JULHO.
AUTOR: CUCUNACA, 2017.
Ao longo do trajeto, houveram homenagens diversas, uma delas à frente da Praça Heliodoro Balbi, conhecida como Praça da Polícia, feita por alunos do ensino fundamental da Escola Adalberto Vale, que com sua banda de música saudaram a Maria Imaculada com o hino de Consagração à Nossa Senhora, muito popular e sempre entoado nas novenas das terças-feiras na Paróquia de Nossa Senhora de Aparecida. Na avenida Joaquim Nabuco, a Escola Católica Santa Dorotéia com suas alunas, professores e funcionários fizeram uma bonita homenagem com bandeirolas, balões e faixas exaltando Maria, mãe do Salvador. 

FOTO: HOSPITAL BENEFICENTE PORTUGUÊS.
AUTOR: CUCUNACA, 2017.
A imagem de Nossa Senhora fez uma parada em frente ao duocentenário Hospital Beneficente Português na mesma avenida, merecendo orações especiais conduzidas pelo arcebispo de Manaus Dom Sérgio Castrianni pedindo o auxílio e a intercessão de Maria para a cura e a saúde dos enfermos daquela casa de saúde. Na rua 10 de Julho pode-se ter uma noção do gigantismo desse evento religioso e a imagem de Maria, recebe outra homenagem do Coral da Igreja de São Sebastião, sendo muito aplaudido pelos fiéis que também já lotavam as laterais do teatro Amazonas. Chegando a Avenida Eduardo Ribeiro, houve uma missa campal fechando a liturgia em homenagem a Maria Imaculada e após a missa, um show com cantores e artistas amazonenses, encerrando os festejos marianos.

Cabe ainda destacar, o aumento exponencial do número de famílias que ajudam na distribuição de água aos fiéis ao longo do traslado da imagem na procissão. Um gesto belo e singelo de humildade e amor cristão.

Ave Cheia de Graça! Ave Cheia de Amor!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A LUTA DOS PROFESSORES NO AMAZONAS

FOTO: PRAÇA DO CONGRESSO - IEA.
AUTOR:CUCUNACA,2014.

A categoria dos professores sempre foi muito mal remunerada no Brasil. A despeito do que retratam mais uma valoração ética e moral do que salarial. A verdade é que ela nunca na prática foi tratada como uma verdadeira profissão. Do "professor sacerdócio" ao "professor gestor" a "Luta social dos Professores" continua.

Desde a Histórica "Batalha do Igarapé de Manaus" nos anos 1980 em que o movimento docente fora duramente reprimido até as Greves e Paralisações por uma Política de Carreiras,cargos e salários nos anos 1990 e na primeira década dos anos 2000, a nosso ver, ainda há muito a caminhar. 

Algumas vitórias foram sentidas e hoje fazem parte do cotidiano das novas gerações de professores e professoras do Amazonas. Dentre estas conquistas, a HTP - Hora do Trabalho Pedagógico, uma reivindicação dos anos 1990, a regularização dos pagamentos dos salários, pois quando se iniciava nesta atividade, especialmente na condição de contrato temporário ou no chamado regime especial, atrasava-se cerca de três meses o pagamento gerando muitos movimentos paredistas e revoltas difusas em escolas do Estado. 

No Brasil, ainda que existam escolas que usam o Giz, as escolas públicas em Manaus foram substituindo esse recurso pelo pincel atômico e a lousa branca, também uma luta pela saúde dos mestres e das mestres. Recordo sem muita saudade, que ao término de um dia de trabalho,minha garganta e meu pescoço e minhas mãos estavam cheios de giz que misturados ao meu suor nos fazíamos sentir "derrotados". A merenda estendida aos professores também auxilou aos que mal podiam se alimentar em casa ou tinham dinheiro para fazer um lanche na cantina da escola. Também, a descentralização do pagamento dos salários que a todo mês era uma aventura ir "receber no Banco do Estado,o BIG BEA onde não era raro alguma professora desmaiar ou passar mal com a lotação, pois recebíamos o salário na chamada boca do caixa.

Todos estes movimentos, embora sejam usufruídos por professores e professoras que não vivenciaram essas lutas, seria inteligente saber que são frutos de uma luta coletiva e que nenhum governo ou prefeito simplesmente presenteou os mestres com o atendimento às suas reivindicações. Foram os mestres que organizados pelo coletivo, geraram algumas destas poucas vitórias do presente. Ainda insuficientes para se afirmar que os professores são plenamente uma profissão igual aos profissionais que formam.

A luta continua!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

GREVE GERAL EM MANAUS - PRAÇA DO CONGRESSO

FOTO: MOVIMENTO FEMINISTA.'
 AUTOR: CUCUNACA, 2017

Hoje por volta das 16h uma concentração estimada por nossa redação em 20 mil pessoas tomou a avenida Eduardo Ribeiro, Centro Histórico de Manaus num Ato Público de encerramento do Dia de Nacional de Greve contra a Reforma Trabalhista e Previdenciária.

FOTO: MOVIMENTOS SOCIAIS.
AUTOR: CUCUNACA, 2017.
Nesta tarde, a multidão ocupou toda a extensão da Avenida Eduardo Ribeiro. Nos carros de som, lideranças sociais, políticas e religiosas se alternaram nos discursos emocionais sob grande barulho dos diversos movimentos sociais que iam de pastorais católicas a movimentos feministas passando por sindicatos e partidos políticos. Todos foram ouvidos.

FOTO MONTAGEM: MANIFESTAÇÃO.
AUTOR: CUCUNACA, 2017.
No chão, jovens, indígenas, professores, grupos LGBT, funcionários públicos, geógrafos, sociólogos, filósofos, poetas e artistas, dividiam espaço com grupos de capoeira, coletivos populares, uma verdadeira aula de sociodiversidade brasileira.

FOTO: GEOGRAFIA UFAM. AUTOR: CUCUNACA, 2017

A mídia hegemônica chegou para fazer o registo apenas no final do ato. Desde as 16h nos arredores da Praça do Congresso foram paralisando os ônibus adensando ainda mais o movimento paredista na histórica Praça do Congresso em frente ao também histórico Instituto de Educação do Amazonas -IEA. Esta redação encerrou a cobertura do evento ás 17h45mn. Sem incidentes esta paralisação mostrou que de forma organizada e publicamente o povo brasileiro e manaura soube fazer ouvir sua voz.

GREVE GERAL EM MANAUS

FOTO: GREVE GERAL NO TRT. AUTOR: CUCUNACA,2017.

Hoje, por volta das 06h30mn teve incio a Greve Geral dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Manaus. No Centro Histórico as ações de Greve iniciaram com a paralisação parcial da categoria dos urbanitários com a frota de ônibus parada nas ruas Leonardo Malcher e Tapajós gerando num primeiro momento congestionamento e lentidão.Todas as companhias de transporte coletivo tiveram suas frotas reduzidas apenas obedecendo a Lei de Greve. A pauta central é o protesto trabalhista contra a Reforma Trabalhista e Previdênciária que penaliza diretamente os trabalhadores e consequentemente pondo fim às conquistas da Constituição Federal de 1988, chamada por Ulisses Guimarães de a "Constituição Cidadã".

FOTO: PARALIZAÇÃO DOS URBANITÁRIOS.
 AUTOR: CUCUNACA, 2017.

O Tribunal Regional do Trabalho da 11a. Região suspendeu os trabalhos e nesta segunda metade da manhã, lideranças de urbanitários, advogados trabalhistas, sindicalistas e membros da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se manifestaram publicamente sob aplausos e palavras de ordem contra a Reforma Trabalhista que desmontaria o sistema de proteção e defesa do Trabalhador e da Trabalhadora. O prédio do TRT está vazio e o ato público procede em frente ao edíficil com arquitetura em vidro, inadequada ao meio ambiente dos trópicos úmidos, situado na rua Ferreira Pena, Centro Histórico de Manaus.

FOTO: TRABALHADORES NO TRT.
AUTOR: CUCUNACA, 2017.

Convocado pelas centrais sindicais CUT, CGT, UGT, CTB e movimentos sociais urbanos e rurais, tendo a adesão da CNBB (Conselho Nacional dos Bispos do Brasil), a Greve Geral ainda terá atos pela parte da tarde. No centro histórico, o ato público ocorrerá na Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia) na avenida 7 de Setembro ás 15h com a presença das pastorais da Igreja Católica na Amazônia que durante a semana conclamou aos católicos a participarem das ações de paralisação em defesa dos mais pobres que segundo o arcebispo metropolitano de Manaus Dom Sérgio Castrianni, serão certamente os mais atingidos por essas reformas.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

IMPACTOS AMBIENTAIS NO IGARAPÉ DO MARIANO - MANAUS AM

FOTO: PROF.MSC. JOSÉ ROSELITO CARMELO DA SILVA.
AUTOR: CUCUNACA, 2016.

Nesta quarta-feira, 19 ás 17h ocorreu o Lançamento do Livro do geógrafo amazonense José Roselito Carmelo da Silva no auditório do Instituto Federal do Amazonas - IFAM no Centro de Manaus. A cerimônia contou com a presença de ex-acadêmicos, pesquisadores e professores das diversas instituições por onde o pesquisador passou.

FOTO: MESA DO AUDITÓRIO IFAM.AUTOR: CUCUNCA, 2016
 Após a apresentação da Biografia do autor e sua magistral apresentação do status do livro:concepção, objeto de pesquisa e resultados, o início da noite foi dedicado a autógrafos e a um coquetel de encerramento. A obra foi publicada em formato digital e formato impresso clássico.


FOTO: AUTÓGRAFOS DO AUTOR. FOTO: CUCUNACA,2016
Para mais informações e detalhes e como adquirir a obra acesse: www.editorialpaco.com.br no site,buscar nome do autor completo.




domingo, 19 de junho de 2016

IMAGENS DA TOCHA OLÍMPICA EM MANAUS 2016

FOTO: PÁRA-ATLETA SIMPLÍCIO. 2016



MUSEU DO PORTO MANAUS AM.,
EX-ATLETA AMAZONENSE





BAIRRO DE APARECIDA







quinta-feira, 12 de junho de 2014

MANAUS: METRÓPOLE COSMOPOLITA

Foto: Teatro Amazonas. Manaus. Autor: M. Bechman, 2012.

Aviso aos andarilhos da Terra de Ajuricaba: não esperem ver em Manaus, a imagem caricata vendida e reforçada pela mídia brasileira, como um lugar perdido na floreta equatorial, imagem do absurdo e da última fronteira da civilização. Quando forem a Manaus, lembre que este lugar surpreende quanto fascina.

Imagine nobres andarilhos do mundo, que Manaus tem marcas profundas e sedimentadas na sua paisagem urbana, dignas de relatos de grandes épicos e prova contumaz da engenhosidade e capacidade humana de conquistar e colonizar as mais distintas regiões do planeta.

Inserida na Amazônia brasileira, Manaus foi uma base militar importante para a fixação da civilização ocidental na região, suprimindo as civilizações nativas como as presentes no Rio Negro. O projeto urbano de Manaus denuncia isto em sua paisagem construída com o Porto Flutuante de Manaus construído em 1902, o Prédio da Alfândega, o Reservatório de águas do Mocó, Galerias de esgoto, além das Pontes de ferro construídas no inicio do século XX pelos ingleses. Sim, a Inglaterra sempre foi muito presente na paisagem urbana de Manaus.

Foto: Prédio da Alfândega. Manaus. Autor: M. Bechman, 2013.
Neste sentido, é importante que o andarilho, leia a paisagem urbana de Manaus, a partir de uma visão de mosaico cosmopolita, com a presença na face da cidade da materialidade espacial dos portugueses com o Hospital Beneficente Português e o belíssimo prédio do Luso Sporting Clube no centro histórico de Manaus, além das construções em alvenaria com assoalhos altos adaptados ao clima equatorial para a circulação de ar e refrigeração das residências.

Foto: Luso Sporting Clube. Manaus. Autor: M. Bechman, 2013.
Só para os andarilhos terem uma idéia deste lugar impressionante é a presença francesa na arquitetura de algumas construções como o prédio da Aliança Francesa e o magnífico Mercado Adolpho Lisboa no Centro de Manaus, sem dúvida, um dos mais belos do mundo, margeado pelo imponente e histórico Rio Negro que banha a cidade dos manauaras.

Foto: Mercado Adolpho Lisboa. Manaus. Autor: M. Bechman, 2013.

Há na cidade, ainda muitas rugosidades - testemunhos de tempos pretéritos - que adensam este cosmopolitismo manauara manifestados nas edificações das igrejas como a de São Sebastião e a da Imaculada Conceição (Matriz) e claro, é um "Pecado de morte" não conhecer o Teatro Amazonas. Caros amigos e amigas andarilhas, não desejamos aqui realizar uma tese de mestrado ou doutorado em Geografia, pois neste espaço da escrita não teríamos fôlego para andarilhar por esta rica história de 344 anos da cidade dos manauaras, barés, tarumãs... Nossa intenção é apenas servir bússola para os sempre ousados andarilhos e desbravadores deste vasto mundo!

Sejam Bem Vindos á Terra dos Manauaras!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

SAMBA DE MANAUS

Foto: Casal de Mestre-sala e Porta-bandeira da GRES Unidos do Alvorada.

O Carnaval de Escolas de Samba de Manaus, é considerado o terceiro melhor do país. De forte tradição popular, as Escolas de Samba tem grande e intestinal ligação com os bairros da cidade de Manaus. Mesmo com recursos limitados, as Escolas de Samba de Manaus, vem dando um verdadeiro show de resistência, todos os anos lotando os 180 mil lugares do Centro de Convenções de Manaus, não fosse este desprestígio por conta do poder público - que em momentos de eleição sempre fala em investir na cultura, certamente a colocação deste evento em nível nacional seria bem melhor.

Foto: Ensaio da GRES. Vitória-Régia. 2013. Autor: Geóg. M. Bechman, 2013.
As Escolas de Samba de Manaus tem uma identidade com os seus bairros e apesar dos esforços de governos passados em "privatizar" esta festa sob o olhar desconfiado dos sambistas e do público, a capacidade de organização e mobilização destas agremiações surpreendeu e o desfile das escolas de samba não declinou.

Imagem: Livros sobre a História do Samba Amazonense. Autor: Geóg. M. Bechman, 2013.
A "Boizificação do carnaval amazonense" é estimulada em nome de um pseudo-turismo e a venda de uma imagem de identidade ao resto do Brasil, mais voltada a Amazônia. Logo, lembramos que seria como vender a imagem das "Quadrilhas Nordestinas" que ocorrem no mês de Junho como Festa de Carnaval somente para inserir a região no imaginário popular brasileiro.

Logo, estas elites comerciais que pretendem vender esta imagem de carnaval distorcida não possuem nenhuma identidade com a região, daí não respeitarem a cultura da representatividade das escolas de samba de Manaus para a história do Amazonas. Trata-se apenas, de uma ação de comercialização de venda, sem o compromisso com a memória popular. Felizmente, o Samba Manauara vem resistindo...sem investimentos vultosos e com a força de suas comunidades vem tornando esta cidade de Manaus, um pouco mais doce! 

Foto: Bateria da Vitória-Régia. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

Para se ter uma idéia, os Bois de Parintins recebem em média, 1 milhão de reais cada um enquanto as escolas de samba recebem a mesma quantia (e quando recebem!) e dão um belo show no sambódromo. Não se pode aqui discriminar a cultura em nome simplesmente de uma vontade de negar sua verdadeira identidade para fins de turismo - que depende de muitas outras coisas que o evento em si. Temos que brincar o carnaval e o boi porque queremos estar felizes e não porque temos que nos vender como produto turístico.

Estaremos no Desfile das Escolas de Samba, sambando até a última escola passar, se emocionando, cantando a vida, no gogó e no samba no pé...pela Vitória-Régia, pelo Reino Unido da Liberdade, pela Alvorada e por todas as outras escolas que tragam consigo uma mensagem de alegria e felicidade!

Saudações Carnavalescas!


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

DIA DO PROFESSOR

Foto: Estante do Professor de Geografia. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

No dia 15 de outubro estaremos rememorando este espetacular profissional que é o professor. E, neste tempo de eleições municipais, não podemos deixar de passar desapercebido, a figura do político professor, uma vez que na história do país e desta cidade sempre houveram alguns nomes para lembrar sua passagem no campo da administração pública e que usaram e abusaram da licenciatura como necessidade e, em alguns não raros casos, para auto-promoção com vistas ao alcance de um cargo público.

Podemos lembrar de alguns destes personagens que passaram pela política manaura, como o já falecido professor Gilberto Mestrinho, de formação política ligada ao Movimento pela Democratização do Brasil, mas que ficou mais conhecido pela construção de escolas públicas com 40 salas de aula nos bairros mais densamente povoados de Manaus, além da dura repressão ao movimento grevista dos professores, que marcou tristemente, a histórica luta dos trabalhadores da educação no anos 1980, com a chamada "Batalha do Igarapé de Manaus".
 
 
Outros personagens que não podemos deixar de reportar, pois evocam a titulação de professor, são o professor Sinésio Campos, cuja militância pelo combativo Partido dos Trabalhadores (PT) vem a cada tempo esmaecendo e se distanciando das reais necessidades dos professores e ainda a Professora Therezinha Ruiz (DEM) recentemente reconduzida a um cargo politico na Câmara Municipal de Manaus como vereadora eleita, cuja atuação para as melhorias que garantam um ensino de "Real Qualidade" para a sociedade amazonense e manauara, ainda precisam ser melhor visualizadas e incorporadas pela categoria dos professores que ainda sentem-se órfãos com relação a sua representatividade no poder público.
 
Como professor há mais de 15 anos, penso que ainda falta muito para esta profissão ganhar a respeitablidade devida pela sociedade. Situações que vão muito além de programas políticos assistencialistas que reforçam o partenalismo político como o tal de "Um computador por aluno" como se isto redimisse a educação e ou ainda a simples e pura edificação de escolas para o deleite de empreiteiras enquanto o Amazonas e Manaus, pelos baixos índices na educação, acabam relegados ao triste papel de financiadores de empregos para outras regiões brasileiras - sem ser regionalista ou barrista, pois acredito numa educação que dê igual oportunidade a todos e não a que cerceia, desqualifica e sub-educa. 
 
Um causo. Certa vez, estávamos vindo de uma eleição municipal com resultados inesperados, uma vez que a candidatura apoiada pelos professores e movimentos sociais, havia sucumbindo num segundo turno sob forte suspeição, os professores sabiam que após a eleição viria o castigo para todos por não terem apoiado a candidatura do sistema.
 
Foi então que em silêncio quase sepulcral estávamos á mesa na sala de professores, quando ás vésperas do dia do Professor num clima de apatia, hironicamente o professor de História bradou: Hoje é dia do Professor! Uma salva de palmas para o Professor Gilberto Mestrinho! Todos ficaram calados. Novamente o mestre bradou: Uma salva de palmas para o professor Fernando Henrique Cardoso! e novamente silêncio e a indiferença. Sem graça, mas com um senso de humor no melhor estilo inglês, o mestre falou quase que somente para os seus botoes: É... tá dificil de homenagear o professor!

Neste pleito alguns professores foram eleitos para a vereança da cidade de Manaus. Espero que possamos bradar um dia: - Uma salva de palmas para o Professor, pela defesa intransigênte da Educação e do Magistério, contra as injustiças e perseguições, contra a carga horária opressora, contra a insegurança nas escolas que afugenta alunos, constrange professores e compromete o futuro dos manauaras!
 
Contudo, neste dia 15 de outubro peço a todos os mestres que dignamente exercem o magistério e buscam dele fazer uma profissão de vida, que reflitam sobre nossa condição e que aproveitem este "Dia Branco" para nunca esquecer que nesta luta nunca podemos nos desumanizar, deixando de sorrir, de transmitir otimismo, de fazer valer a história quando ela nos provocar a transformá-la.

Um beijo grande a todos os colegas e as colegas desta magnifica profissão que é ser professor!


A luta continua...SEMPRE!

domingo, 23 de maio de 2010

O GEÓGRAFO E A GEOGRAFIA

FOTO: GEÓGRAFO. AUTOR: CUCUNACA, 2012.
Neste artigo, discutirei as condições e os condicionantes na formação do profissional geógrafo, bem como, as mudanças de contexto que possibilitaram ao geógrafo alçar novos vôos e ampliar seus horizontes profissionais.

O TRABALHO DO GEÓGRAFO

Estamos entrando na Semana em Homenagem ao Geógrafo, pois dia 29 de maio é o Dia do Geógrafo, este profissional que chega ao Brasil antes mesmo de sua consolidação enquanto estado nacional.
Desde a chegada dos portugueses, os geógrafos já tinham um papel importante na delimitação e na forma de pensar a apropriação das colônias lusitanas. Da Geografia portuguesa herdamos as técnicas clássicas de cartografia e a forma de pensar e consolidar conquistas territoriais.

A medida que o país ia sendo conquistado e seu espaço consolidado, o trabalho do geógrafo continuou restrito a um "fazer estratégico" legado á consultoria da coroa real portuguesa e ademais, junto ás instituições governamentais de planejamento e pesquisa, revelando uma postura ética ligada aos detentores do poder, neste caso, o Estado.

A partir de 1978, sob o égide da abertura política brasileira - o que se consolidaria em 1979 com a Lei da Anistia, a Corporação dos Geógrafos passa a ter uma postura de enfrentamento com o status quo no país, marcando assim, um rompimento do fazer geográfico a serviço apenas do Estado. Neste sentido, o papel da AGB - Associação dos Geógrafos Brasileiros, fora de suma importância para a organização da categoria profissional no país, multiplicando-se em entidades por todas as regiões do país. E, neste contexto, não poderíamos deixar de destacar o papel da AGB seção Manaus, criada em 1982, na defesa intransigente das questões relacionadas ao espaço urbano e ao meio ambiente da Amazônia.

Os geógrafos atravessaram crises de identidade, ligadas á própria epistemologia da ciência, que por vezes num descrédito e perda de foco do fazer do Geógrafo. As entidades em que os préstimos do Geógrafo eram necessários se restringiam às escolas públicas e privadas e ou com alguma ressalva a entidades públicas ligadas ao planejamento, o que não inspirava jovens à escolha desta atividade como profissão, uma vez que, no capitalismo, o critério de valoração profissional passa pela condição de "status social" que uma determinada profissão representa para a sociedade, além da possibilidade de ganho financeiro.

A formação holística e multidisciplinar do Geógrafo, dificultou sua absorção como força de trabalho para o mercado. Realidade esta, que sofreu uma alteração significativa com os novos contextos do inicio do século XXI, com a valoração do profissional multidisciplinar em todos os campos. Estas perspectiva se deu principalmente ao avanço das geotecnologias e das preocupações relacionadas com o meio ambiente e as ações humanas.

Atualmente, podemos pensar que o Geógrafo passa a representar um ATOR importante na trama da vida socioambiental e aquela formação eclética e multiface, que outrora significava uma dificuldade para absorção deste profissional para o mercado, hoje representa um diferencial importante para perfil do profissional desejado nas instituições em que o trabalho do geógrafo se faz necessário. Deste modo, os Geógrafos estão cada vez mais presentes - além de suas áreas clássicas - na área de saúde ambiental e coletiva, geotecnologias, educação ambiental e planejamento da cultura.

Neste sentido, para se credenciar a esta profissão, deve-se construir a competência no envolvimento com a ciência e a militância permanente pelo projeto de ser um GEÓGRAFO, independente de sua área de atuação, seja no ensino, na iniciativa privada ou nas instituições públicas. O mercado aí está, selecionando os melhores profissionais, os que tem compromisso e os que amam o que fazem.