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sábado, 22 de agosto de 2020

OS MANAUARAS E A FRENTE FRIA

FOTO: CHEGADA DA FRENTE FRIA.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.


Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Uma massa de ar fria vinda da Antártida atravessa este magnífico país-continente chegando ao sul e sudeste do Brasil com geada e neve em alguns municípios. No dia 21/08 se anuncia a frente fria sobre o céu do quente e caloroso Amazonas.

No céu da zona norte de Manaus, após uma tarde escaldante de sexta-feira com seus 40º C e a sensação térmica de 43º C, por volta das 19h ao cair a noite, nuvens brancas começam a encobrir o céu límpido fazendo as estrelas e a lua esmaecerem. As nuvens num bailado inquieto até certo ponto parecem "lutar" contra o ar quente atmosférico e como resultado, um vento frio sopra sobre a superfície. No pequeno espaço que chamo de quintal, as roupas no varal balançam incessantemente enquanto o cachorro caramelo, batizado "Sansão" observa assustado o movimento do vento e das nuvens que clareiam a noite.

No banker das memórias infantis, é inevitável a lembrança de outros momentos assemelhados. Nessa memória, não recordo o ano, mas lembro ainda por volta dos anos 1970 do século passado, todos os oito filhos juntos com meu pai e minha mãe na humilde casa de madeira. Encolhidos e agasalhados dentro da pequena casa na Vila Hei de Vencer no bairro da Praça 14 de Janeiro, a sensação do vento frio e o aconchego da mãe e do pai dentro de casa nos afiançava a segurança da família, todos de meias nos pés, as crianças com lenços no pescoço e, lençóis que carregava-se quase que pela casa toda, a sopa de carne no jantar e o copo de leite quente para as crianças que nos ajudava a "relaxar" e dormir melhor.

Noutros momentos, a chamada "Friagem" também chegava a Manaus com maior ou menor intensidade geralmente nos últimos dias do mês de Junho também provocando a queda na temperatura. Nesse período também observa-se o certo "esvaziamento das ruas". O mais interessante é que a friagem gera uma espécie de "medo" nos manauaras pois na prática, as temperaturas são em média em torno de 20º C a 25º C, ou seja, para uma cidade como Manaus com temperaturas em torno de 40º C nos horários de maior pico do dia, as temperaturas médias aferidas no período em Manaus seriam na verdade, temperaturas características de países quentes e tropicais como o Brasil e não um motivo de tanta apreensão.

Mas, são algumas das impressões que estes fenômenos climáticos causam no comportamento e no imaginário dos manauaras e amazonenses, ofertando a esta região quente e úmida um pouco das sensações térmicas dos outros lugares do Brasil. Neste ano zero, esta frente fria chegou exatamente num dos meses mais quentes do Amazonas, neste quente e agitado agosto.

Saudações socioambientais e amazônicas!

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* Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

PRIMEIRA DICA: REENCONTRAR AMIGOS E AMIGAS

FOTO: CALÇADA PORTUGUESA. MANAUS.
AUTOR: CUCUNACA, 2016.


Como é mágico ingressar no período de férias e rever alguns amigos e amigas cujos caminhos se desencontraram por algum tempo. Isso me aconteceu nesta semana. Durante dois anos,trabalhei numa escola na Zona Sul de Manaus, uma das escolas de excelência da Rede estadual de ensino, á época (1999-2001) o Colégio Djalma da Cunha Batista no bairro do Japiim, onde tive oportunidade de trabalhar com professores e professoras de muita responsabilidade e compromisso. E, dentre este grupo especial, encontrei por destino, a professora Sandra Acioly Silva, minha colega querida, que ainda preserva o sorriso largo e a seriedade de desde sempre. Um reencontro afetuoso e puro. No pouco tempo que tivemos conversando atualizamos algumas situações profissionais em nossas andanças pela educação, numa espécie de resumo de nossas trajetórias. 

Outro colega de trabalho, reencontrei na sexta-feira, o Ney Souza, professor e promotor de seguros, uma pessoa da mais alta lucidez,conversamos longamente sobre o ensino público hoje, as condições,os colegas das antigas e novas gerações e claro, lembramos os casos e as utopias que ainda resistem em nossos corações, como uma profissão respeitada e uma escola democrática e de gente de verdade. Com seu sorriso sempre maroto, o professor segue seu trajeto pelo centro histórico de Manaus, como sigo o meu. Assim, como me valeram sorrisos estes dois encontros com meus amados e inesquecíveis colegas neste país que passa como nos dizeres do Papa Francisco "Um momento triste" e num mês de Janeiro tão duro para os amazonenses e amazônidas.

Fora isso, a alegria que sentimos quando revemos pessoas e lugares que passaram por nossas vidas e nos reencantam para novas jornadas nesta corrida vida de professor. Trajetórias geográficas cujas linhas da vida nos permitem olhar para trás e ver o quanto construímos o condomínio de nossas amizades. Um dia de alegria certamente nesse mês duro de Janeiro em Manaus.

Grande abraço Sandra e Ney e, sucesso sempre!