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domingo, 30 de agosto de 2020

QUEM ME VIU CHORAR VAI ME VER SORRIR_1º ANO NA DOCÊNCIA DO ENSINO MÉDIO DO ESTADO DO AMAZONAS

FOTO: ELEIÇÃO DO GRÊMIO ESTUDANTIL. E.E.DOM MILTON CORRÊA PEREIRA.
 AUTOR: CUCUNACA, 2019.


Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Há exatamente um ano, 30/08/19 retornava ao serviço público do Estado. Em uma verdadeira trajetória geográfica voltava a lecionar para o ensino médio na disciplina Geografia.

Sim, foi mesmo uma trajetória geográfica. Afinal, em 2005 havia me afastado em licença para assumir a coordenação de Geografia do antigo Centro Universitário do Norte e desde este tempo a vida profissional foi mais voltada ao ensino superior, migrando apenas para outra instituição universitária.

Nas provas e no atendimento às demandas do Edital de admissão, a energia e a alegria de Esperançar por uma segunda chance. E Deus me deu. Fui o oitavo colocado no processo seletivo para a vaga de Geografia na rede pública do Estado e voltei a ter aquele entusiasmo por haver sido aprovado em um concurso muito concorrido. 

No processo de admissão, muitas coisas ruins, coisas novas e outras coisas muito boas. Vi, a presença de um discurso muito violento nas etapas entre exames médicos admissionais. A marca de um radicalismo de Direita presentes nos diversos serviços que precisei usar, do laboratório de exames de oftalmologia ao de otorrino. Alguns médicos até com uma conversa bem "macia" evocando Deus para justificar a opção política partidária reacionária. Mas, nem isso conseguiu empanar minha alegria.

Uma coisa muito curiosa, foi que três mulheres foram muito importantes nesse caminho da volta ao serviço público, as minhas ex-alunas de graduação da Geografia, a Marineide Pedroso, a Cassandra Santana e a  Catherine Bentes que torceram e até me orientaram com relação ao processo admissional no que diz respeito aos exames e as etapas da admissão. Creio que se não fosse pela ajuda dessas colegas, penso que talvez não estivesse escrevendo esta memória.

Fui lotado na Escola Estadual Dom Milton Corrêa Pereira e na tarde me apresentei na escola na companhia de minha querida esposa. Na escola, encontrei dois antigos conhecidos sendo professores, professor Ayres, dos tempos de Eldah Biton Teles da Rocha (1998) e outro dos tempos de graduação na UFAM, o cientista social Ronaldo. Um dia depois, conheci um novo colega, o jovem professor de Matemática Santiago com quem troco as idéias sempre que possível, afinal iniciamos juntos e também partilho com ele esta data e este brinde.

O ano de 2019 foi um ano difícil para mim, seja pelo cenário vicejante, seja pelas indefinições quanto ao exercício da docência. Adoro carnaval de escolas de samba e nem isso pude curtir devido a tensão de estar ou não estar em atividade na docência na faculdade que lecionava. Isso tudo por conta da fusão de turmas e a inclusão de disciplinas no formato a distância (EaD). Daí, esta vitória que se coaduna com meu tempo de mudanças: mudança de endereço, mudança de emprego e mudança de direções.

Por isso, hoje eu celebro. Sim, porquê durante muito tempo na minha vida negligenciei minhas conquistas, nem sequer as celebrava. E talvez por isso, dadas as circunstâncias, brindo todas as pequenas e grandes vitórias e que neste caso especial, elegi como tema desta memória um trecho do samba de enredo da Escola de Samba Unidos do Viradouro, vice campeã do carnaval carioca de 2019, "...quem me viu chorar, vai me ver sorrir, pode acreditar o amor está aqui".

Que venham outras conquistas e novos brindes!

Saudações Geográficas 🌿

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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e Processos socioculturais pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM. Professor de Geografia da Rede Pública do Estado do Amazonas.



sábado, 22 de agosto de 2020

OS MANAUARAS E A FRENTE FRIA

FOTO: CHEGADA DA FRENTE FRIA.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.


Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman*

Uma massa de ar fria vinda da Antártida atravessa este magnífico país-continente chegando ao sul e sudeste do Brasil com geada e neve em alguns municípios. No dia 21/08 se anuncia a frente fria sobre o céu do quente e caloroso Amazonas.

No céu da zona norte de Manaus, após uma tarde escaldante de sexta-feira com seus 40º C e a sensação térmica de 43º C, por volta das 19h ao cair a noite, nuvens brancas começam a encobrir o céu límpido fazendo as estrelas e a lua esmaecerem. As nuvens num bailado inquieto até certo ponto parecem "lutar" contra o ar quente atmosférico e como resultado, um vento frio sopra sobre a superfície. No pequeno espaço que chamo de quintal, as roupas no varal balançam incessantemente enquanto o cachorro caramelo, batizado "Sansão" observa assustado o movimento do vento e das nuvens que clareiam a noite.

No banker das memórias infantis, é inevitável a lembrança de outros momentos assemelhados. Nessa memória, não recordo o ano, mas lembro ainda por volta dos anos 1970 do século passado, todos os oito filhos juntos com meu pai e minha mãe na humilde casa de madeira. Encolhidos e agasalhados dentro da pequena casa na Vila Hei de Vencer no bairro da Praça 14 de Janeiro, a sensação do vento frio e o aconchego da mãe e do pai dentro de casa nos afiançava a segurança da família, todos de meias nos pés, as crianças com lenços no pescoço e, lençóis que carregava-se quase que pela casa toda, a sopa de carne no jantar e o copo de leite quente para as crianças que nos ajudava a "relaxar" e dormir melhor.

Noutros momentos, a chamada "Friagem" também chegava a Manaus com maior ou menor intensidade geralmente nos últimos dias do mês de Junho também provocando a queda na temperatura. Nesse período também observa-se o certo "esvaziamento das ruas". O mais interessante é que a friagem gera uma espécie de "medo" nos manauaras pois na prática, as temperaturas são em média em torno de 20º C a 25º C, ou seja, para uma cidade como Manaus com temperaturas em torno de 40º C nos horários de maior pico do dia, as temperaturas médias aferidas no período em Manaus seriam na verdade, temperaturas características de países quentes e tropicais como o Brasil e não um motivo de tanta apreensão.

Mas, são algumas das impressões que estes fenômenos climáticos causam no comportamento e no imaginário dos manauaras e amazonenses, ofertando a esta região quente e úmida um pouco das sensações térmicas dos outros lugares do Brasil. Neste ano zero, esta frente fria chegou exatamente num dos meses mais quentes do Amazonas, neste quente e agitado agosto.

Saudações socioambientais e amazônicas!

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* Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

domingo, 9 de agosto de 2020

BRASIL: UM MINUTO DE SILÊNCIO

FOTO MANIPULADA: PAVILHÃO DO BRASIL.
 AUTOR: CUCUNACA, 2014.


 UM MINUTO DE SILÊNCIO. CEM MIL BRASILEIROS MORTOS PELO COVID-19.

Para que não se perca a sensibilidade e o senso de que ainda somos uma nação. Peço que você faça este minuto em memória das vítimas e das famílias enlutadas e em seu credo reze um Pai-nosso e uma Ave Maria.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

PROTESTOS CONTRA REFORMA TRABALHISTA EM MANAUS

FOTO-MOSAICO. CONTRA A REFORMA TRABALHISTA
. AUTOR: CUCUNACA, 2017.

Nesta tarde do dia 10 de Novembro, às 16h foram convocados pelos sindicatos trabalhistas uma Manifestação Nacional contra a Reforma Previdenciária e Trabalhista. A concentração foi na Praça Heliodoro Balbi, conhecida popularmente como Praça da Polícia na avenida 7 de Setembro no Centro Histórico de Manaus.

A união entre sindicatos de grande envergadura nacional como a ANDES, CGT, CTB, UGT, CUT, Força Sindical e outros, fez com que com uma pauta convergente, convocassem os protestos contra a Reforma Trabalhista que tira direitos históricos dos Trabalhadores como fim da justiça gratuita, fim do imposto sindical, criação do trabalho intermitente e outros itens tão questionáveis. Movimentos sociais classistas, feministas, partidos políticos de esquerda e anarquistas estiveram presentes no ato, além de sociólogos, filósofos, antropólogos, assistentes sociais, historiadores, professores de Geografia e outros.

FOTO: MOVIMENTO ANARQUISTA NO AMAZONAS.
AUTOR: CUCUNACA, 2017.

Um destaque especial, ficou por conta da presença consciente de haitianos que integraram-se a manifestação hasteando a Bandeira do Haiti, um dado importante no instante em que crescem os preconceitos, o fascismo e a xenofobia entre os brasileiros, especialmente sobre grupos de países não geopoliticamente hegemônicos. Em nossa estimativa, estiveram presente cerca de 12 mil trabalhadores e trabalhadoras.

FOTO: MANIFESTANTES HAITIANOS.
AUTOR: CUCUNACA,2017.
A manifestação percorreu o trajeto da Praça Heliodoro Balbi até a Praça do Congresso, palco histórico das grandes manifestações políticas do Amazonas, sendo encerrado por volta das 19h com a fala de lideranças sindicais e movimentos populares.