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quarta-feira, 28 de maio de 2014

GEOGRAFIA: MERCADO DE TRABALHO

FOTO: MAPA. AUTOR: M. BECHMAN, 2O14.


Desde a década de 1990, o mercado de trabalho em Geografia vem ganhando espaço. isso se dá principalmente pelo fato dos novos temas ligados à contemporaneidade como as geotecnologias, a sustentabilidade ambiental e onipresente necessidade de geógrafos-educadores.

Embora as oportunidades de empregabilidade venham crescendo exponencialmente, a disputa pelo mercado também torna-se mais acirrada á medida que outras profissões investem no campo de atuação do Geógrafo e a abertura temática do campo de atuação também favorece este cenário.

Neste sentido, há uma premente e quase onipresente necessidade de fortalecimento e profissionalização das instituições que atuam na defesa e construção da profissão. Noutro ponto, cabe ressaltar que a construção das matrizes curriculares dos cursos de Geografia necessitam de um concurso cada vez maior de inserção de suas instituições profissionais na condição de parceria com as instituições de ensino para o atendimento contemporâneo das necessidades de um mercado de trabalho que exige cada vez mais, um profissional na completude acadêmica e laboral do geógrafo.

Atualmente as universidades e centros de ensino superior vem a cada instante discutindo temas geográficos e sua compreensão e aplicabilidade no exercício profissional de outras formações acadêmicas. Há um espaço a ser -conquistado para além da dicotomia geógrafo-educador x geógrafo-pesquisador.

Urge então, uma necessidade de coesão profissional em torno de suas associações profissionais no sentido de construir este caminho e claro, ocupar a área profissional que lhe é de direito. Neste sentido, a capacidade de empreendedorismo deve ser experimentada, sem esta energia, o mercado não poderá saber e conhecer para que serve a Geografia e quem é esta avis rara chamada Geógrafo, como oportunamente nos lembrava a saudosa geógrafa Bertha Becker.

Saudações Geográficas

domingo, 23 de maio de 2010

O GEÓGRAFO E A GEOGRAFIA

FOTO: GEÓGRAFO. AUTOR: CUCUNACA, 2012.
Neste artigo, discutirei as condições e os condicionantes na formação do profissional geógrafo, bem como, as mudanças de contexto que possibilitaram ao geógrafo alçar novos vôos e ampliar seus horizontes profissionais.

O TRABALHO DO GEÓGRAFO

Estamos entrando na Semana em Homenagem ao Geógrafo, pois dia 29 de maio é o Dia do Geógrafo, este profissional que chega ao Brasil antes mesmo de sua consolidação enquanto estado nacional.
Desde a chegada dos portugueses, os geógrafos já tinham um papel importante na delimitação e na forma de pensar a apropriação das colônias lusitanas. Da Geografia portuguesa herdamos as técnicas clássicas de cartografia e a forma de pensar e consolidar conquistas territoriais.

A medida que o país ia sendo conquistado e seu espaço consolidado, o trabalho do geógrafo continuou restrito a um "fazer estratégico" legado á consultoria da coroa real portuguesa e ademais, junto ás instituições governamentais de planejamento e pesquisa, revelando uma postura ética ligada aos detentores do poder, neste caso, o Estado.

A partir de 1978, sob o égide da abertura política brasileira - o que se consolidaria em 1979 com a Lei da Anistia, a Corporação dos Geógrafos passa a ter uma postura de enfrentamento com o status quo no país, marcando assim, um rompimento do fazer geográfico a serviço apenas do Estado. Neste sentido, o papel da AGB - Associação dos Geógrafos Brasileiros, fora de suma importância para a organização da categoria profissional no país, multiplicando-se em entidades por todas as regiões do país. E, neste contexto, não poderíamos deixar de destacar o papel da AGB seção Manaus, criada em 1982, na defesa intransigente das questões relacionadas ao espaço urbano e ao meio ambiente da Amazônia.

Os geógrafos atravessaram crises de identidade, ligadas á própria epistemologia da ciência, que por vezes num descrédito e perda de foco do fazer do Geógrafo. As entidades em que os préstimos do Geógrafo eram necessários se restringiam às escolas públicas e privadas e ou com alguma ressalva a entidades públicas ligadas ao planejamento, o que não inspirava jovens à escolha desta atividade como profissão, uma vez que, no capitalismo, o critério de valoração profissional passa pela condição de "status social" que uma determinada profissão representa para a sociedade, além da possibilidade de ganho financeiro.

A formação holística e multidisciplinar do Geógrafo, dificultou sua absorção como força de trabalho para o mercado. Realidade esta, que sofreu uma alteração significativa com os novos contextos do inicio do século XXI, com a valoração do profissional multidisciplinar em todos os campos. Estas perspectiva se deu principalmente ao avanço das geotecnologias e das preocupações relacionadas com o meio ambiente e as ações humanas.

Atualmente, podemos pensar que o Geógrafo passa a representar um ATOR importante na trama da vida socioambiental e aquela formação eclética e multiface, que outrora significava uma dificuldade para absorção deste profissional para o mercado, hoje representa um diferencial importante para perfil do profissional desejado nas instituições em que o trabalho do geógrafo se faz necessário. Deste modo, os Geógrafos estão cada vez mais presentes - além de suas áreas clássicas - na área de saúde ambiental e coletiva, geotecnologias, educação ambiental e planejamento da cultura.

Neste sentido, para se credenciar a esta profissão, deve-se construir a competência no envolvimento com a ciência e a militância permanente pelo projeto de ser um GEÓGRAFO, independente de sua área de atuação, seja no ensino, na iniciativa privada ou nas instituições públicas. O mercado aí está, selecionando os melhores profissionais, os que tem compromisso e os que amam o que fazem.