| FOTO: TENREIRO ARANHA. MANAUS. AM. AUTOR: CUCUNACA, 2014. |
Reconheço que acompanhei à certa distância as eleições no meu estado do Amazonas,por hora mais atento à realidade nacional e internacional. Entretanto, torna-se inevitável uma análise periférica mesmo que necessária e em certo sentido sincera sobre os acontecimentos dos últimos dois anos (2015-2017) sobre a Política no gigante estado do Amazonas.
Inicialmente, fiquei refletindo sobre os critérios que os meus conterrâneos levam em consideração no ato de votar em determinado candidato ou legenda. Para isso, volto à eleição de José Melo do PROS (Partido da Republicano da Ordem Social) numa coligação conservadora que o alçou ao governo do estado do Amazonas. Durante a campanha o candidato reforçou sua imagem de professor e de pessoa humilde ligado ao extrativismo, enfatizando a idéia de "irmão do interior".
Assisti a poucos programas eleitorais na tevê aberta, mas um deles, deste referido candidato me chamou a atenção. Num de seus programas, em que fala de sua origem familiar no interior do Amazonas,o candidato naquele momento, revelou um coisa que me intrigou quando afirmava que a "..vida no interior era difícil e dura..logo vi que não queria isso pra mim" e por isso, largaria o campo para estudar Economia em Manaus. Ali, vi que na sua fala, José Melo claramente declarava o interior como um lugar de opressão e tristeza, reforçando a repulsa sobre o campo e enaltecendo a vida na cidade. Uma clara opção pelo urbano. Então fiquei a pensar: Nossa! Como pode? Ele está negando o interior. Como não pode haver reação de alguém? E ele foi eleito com boa margem de votos frente ao segundo colocado.
Outro fato, neste mesmo período me perturbava. Trabalhando numa faculdade da rede privada, reencontrei um jovem colega, mestrado em língua estrangeira, alegre e "descolado", e claro, como estes jovens de classe média, militante anti-petista. Numa certa manhã, conversávamos sobre Política e as nossas eleições e falava sobre minha preocupação com aquele pleito pois estávamos diante de dois candidatos com perfis diferentes: um com um "ar" de déspota esclarecido e o outro com o "ar" dos velhos coronéis de barrancas. Então meu jovem colega, falou sua preferência e seu voto. Preferiria que chegasse ao poder um "coronel de barrancas" que um autoritário e arrogante. Bem, achei interessante sua posição, embora permanecesse com o espírito preocupado. Passado alguns meses, meu colega saiu da empresa e não tivemos tempo para analisar o momento presente na política e por isso não sei como ele justificaria os últimos acontecimentos no Amazonas/
Em 2014, José Melo (PROS) foi eleito governador do Amazonas e em 2016 é deposto por um impeachment por comprovação de compras de votos promovido por forças políticas conservadoras. E o Amazonas é submetido a uma eleição suplementar em 2017.
Em mim, ficou a pergunta: o que elege no Amazonas? Afinal o que os eleitores levam de fato em consideração para eleger seus governantes numa democracia liberal? As propostas? A trajetória do candidato? A ideologia partidária? O sentimentalismo? O quê?
Num cenário político nacional conturbado, diante de um "golpe jurídico-midiático" em que uma presidenta legitimamente eleita é deposta sem crime de responsabilidade, desacreditando as lideranças políticas e populares, parece ser normal que as "massas populares" recorram ao sentimento para materializar seu voto, diante de uma ameaça real às suas conquistas e à sua aparente estabilidade. Nesse sentido, nos parece salutar lembrar o geógrafo Milton Santos quando fala que as eleições são a reinvenção da esperança, mesmo que ela não se concretize.
Ao que parece, no Amazonas, a mídia tradicional ainda não é um partido único nas questões regionais e ainda há um forte poder dado aos "coronéis de barrancas" ou aos representantes da classe média colonizada. Quanto aos eleitores e eleitoras diante de índices econômicos dignos de uma 6a economia do Brasil e indicadores de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) que beiram o de países em guerra, resta votar com a emoção para enfrentar nosso temerário destino como unidade da federação.
Por isso, meus conterrâneos e conterrâneas, Votem! Votem! A Democracia é o acerto e não o erro.
É só isso.
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