Mostrando postagens com marcador Comunicação de Massa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comunicação de Massa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de junho de 2020

"AETATIS NOVAE" (1992) Comentário

FOTO: M. BECHMAN E IR. DRA. JOANA PUNTEL. AUTOR: SOCORRO TEIXEIRA, 2020.

AETATIS NOVAE*

Por: Mauro Jeusy Vieira Bechman, MSc.**


A Instrução Pastoral do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais "Aetatis Novae" Um revolução nas comunicações, foi publicada em 1992 por ocasião da memória do Vigésimo aniversário da Instrução "Communio et Progressio" de 1962.

O contexto das comunicações sociais revelam a partir deste documento que Igreja vê as comunicações sociais com um importante elemento não só na difusão de idéias, informações e convicções, mas sobretudo, a formatação de uma cultura que atinge o indivíduo psicossocialmente e moral com consequências positivas e negativas. Ou seja, pode influir na concepção de vida como padrão universalizante como também  ignorar indivíduos ou grupos silenciando suas vozes e percepções.

No contexto político e econômico, a instrução pastoral, chama a atenção para as carências infra estruturais das nações subdesenvolvidas que impedem a comunicação entre as pessoas e que a pressão pelo lucro fez com que sistemas públicos fossem desmontados com projetos de privatização. A ética é colocada em plano secundário quando os publicitários em vez de identificar as reais necessidades das pessoas findam por criarem necessidades artificiais e de estimulo ao consumismo.

Nesta leitura de cenário, a Aetatis Novae propõe que os cristãos devem ser chamados a "Criar Notícias" para que a voz do Evangelho não seja silenciada e nem a daqueles que são esquecidos pela cultura de massa.

Sobre o papel das comunicações sociais para a Igreja, a instrução pastoral é contundente quando explicita que Cristo é o conteúdo e a fonte que a Igreja comunica no Evangelho

Os meios de comunicação de massa devem respeitar o indivíduo e a sociedade, pois os meios de comunicação não podem substituir o contato familiar, social, cultural por personagens de ficção que muitas vezes são tomados erroneamente como modelos de humanidade. Da mesma forma, assegura que a Igreja deve buscar o diálogo com o mundo atual e os cristãos não devem apenas se limitarem às noticias eclesiásticas, mas sobretudo construírem uma teologia da comunicação. Tal destaque mostra a importância dos agentes pastorais que atendam com boa vontade e prudência ás demandas dos meios de comunicação de massa, a partir do respeito mútuo e do elenco de  pautas comuns.

Neste documento, a igreja reafirma o direito dos fiéis em manifestar aos seus pastores necessidades e pensamentos que afetem o bem da Igreja para que assim seja mantida a credibilidade da Igreja e a comunhão com os fiéis. Com a efervescência desta "Nova Cultura" torna-se necessário o ingresso do magistério da Igreja e da Evangelização no conhecimento de suas linguagens e técnicas.

Quanto aos desafios do cenário no início dos anos 1990, a Igreja chama a atenção para o uso prudente e coerente das tecnologias da comunicação para os indivíduos, setores público e privado. Nesse sentido, há sempre a necessidade de uma avaliação crítica. A comunicação deve assumir um caráter de solidariedade e preocupação com a formação e desenvolvimento integral do indivíduo especialmente os desassistidos. Lembrando que em alguns lugares, a apropriação do direito a comunicação por elites conduz a Igreja a propor o respeito ao Direito de comunicar.

Para o enfrentamento dos desafios postos diante da Comunicação na Igreja, a Aetatis Novae propõe a defesa das culturas humanas favorecendo os meios de comunicação populares para a Difusão da mensagem do Evangelho. O desenvolvimento dos meios de comunicação católicos e a necessidade da integração da comunicação a todos os planos pastorais. A necessidade da formação para a competência profissional dos agentes pastorais com uma visão além do tecnicismo, uma formação doutrinal e espiritual, mas sobretudo, atentos ás demandas por comunicação dos mais vulneráveis. A formação permanente que assegure a atualização dos agentes respeitando princípios éticos e demandas particulares de trabalho.

Na parte final da Instrução, aborda-se a necessidade de inclusão dos bispos no empenho junto ao Planejamento para uma pastoral da comunicação e a urgência desse empreendimento. Em anexo, a instrução fornece um roteiro para a elaboração de um Plano Pastoral de Comunicação.

"Sou o que sou pela graça de Deus" 
(Apóstolo Paulo)

_________________________
*Fruto da Formação "Comunicação e Igreja" conduzido pela Ir. Dra. Joana Puntel, promovido pela Pastoral da Comunicação da Arquidiocese Metropolitana de Manaus 07 e 08 de Março de 2020 no Centro Pastoral Preciosíssimo  Sangue.
**Coordenador da Pastoral da Comunicação da Área Missionária São Paulo Apóstolo. PASCOM/AMSPA.

sábado, 7 de janeiro de 2017

SEGUNDA DICA: REFLITA SOBRE A INFORMAÇÃO QUE RECEBE

FOTO: APARELHOS CELULARES ANTIGOS.
AUTOR: CUCUNACA, 2016.

No mundo contemporâneo, estamos expostos a mais informação que os nossos antepassados. A ponto de em apenas um dia recebermos informações que eles só teriam acesso ao longo de 40 anos de vida. Assim, no avanço nas telecomunicações e da esfera do mundo virtual, encurtando espaços e comprimindo o tempo, torna-se muito fácil recebermos informações que não nos agregam valor, seja ele, financeiro ou intelectual. Uma atmosfera de informações que nos chegam diariamente e muitas das vezes, nos conduzem a dispersão ou perda de foco. 

Embora, haja sempre nessas informações, uma intencionalidade de negar a realidade e impor interpretações do real e do mundo. Por isso, devemos em 2017 triar, ou melhor, selecionar nossos canais de informação. Buscar a formação, à luz de nossas perguntas para a notícia como num princípio aristotélico das questões. Por quê? O que isso me diz? Por quê tenho que agir da forma que me pedem? Quem e de que lugar vem essa informação? Ela poderia ser falsa? Hoje, há uma verdadeira economia da informação, sites, redes sociais, blogs, flogs, canais e outros meios que disputam a hegemonia sobre a visão do mundo e a partir dela propagar seus valores, muitas vezes, privados.

Acho prudente, selecionar seus canais de informação para que sejam formativos. Comecem pela sua barra de favoritos, que encurta tempo na sua navegação, ajuda na autodisciplina e prestigia o jornalista que tem comprometimento e honestidade.

São muitos os casos em que a pseudo informação gerou desinformação. Por exemplo, no último dia 06 de janeiro em Manaus, houve grande confusão no Centro Histórico e Comercial da cidade. Veiculou-se em redes sociais, que estava ocorrendo, um "arrastão" - bandidos assaltando as lojas e pessoas - e nas mensagens, recomendava-se que avisassem amigos e parentes para não irem ao Centro por conta do tal "arrastão". A desordem foi de tal dimensão, que houve correria e as lojas, fecharam imediatamente inclusive com clientes dentro. Ora, no dia primeiro, a cidade e o mundo escandalizaram-se com a brutal rebelião nas penitenciárias de Manaus e na manhã do dia 06 na penitenciária de Boa Vista em Roraima. Então já havia uma psicosfera nas pessoas propensas a receber informações desse gênero para lembrar o geógrafo Milton Santos. Os prejuízos para o comércio ainda não puderam ser calculados com a ausência de clientes nas lojas. O ambiente melhorou apenas quando a força policial comunicou que tratava-se apenas de um grande "Boato" que gerou correria entre as pessoas, versão esta também dada pela imprensa hegemônica. 

Para todos percebermos que há uma necessidade real de refletir sobre as informações que recebemos e claro, viver uma vida mais saudável nas cidades. Comece de forma simples, como falamos, pela sua barra de favoritos, depois para as notícias, faça as perguntas e assim melhore sua qualidade de vida, fazendo uma crítica sobre as notícias que consome. Isso é ser um cidadão, uma cidadã comprometidos com o bem estar da coletividade e o seu próprio.

Saudações Socioambientais!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A INVENÇÃO DA MEMÓRIA COLETIVA

FOTO: APARELHO DE TELEVISÃO. 1979. AUTOR: M. BECHMAN, 2014.
Ultimamente temos nos deparado com uma série de produções nacionais no campo da televisão e até em livros voltados a leituras e re-leituras dos eventos que marcaram a vida cotidiana do pais nas décadas finais do século 20.

Neste sentido, vemos um esforço das nossas elites que detém o poder da media utilizar-se disto largamente na geração de produtos que visem uma apreensão e consequente moldagem sobre o passado coletivo. Assim, a produção desta memória coletiva envolve os interesses de unificar valores padronizando lembranças de vivências sejam elas frutos de boas e ou más experiências no tempo, alimentando não apenas o saudosismo sempre presente na memória popular como também servir de elixir para o alimento dos anseios e esperanças, direcionados muitas vezes por necessidades temporais  e individuais, sejam, estas de indivíduos ou grupos sociais.

Os anos 1970 e começo de 1980 estão na media.  Grandes corporações já produzem essa reinvenção da memória coletiva a partir de produção cinematográfica e das teledramaturgias diárias.

As novelas focadas nos anos 1970 revelam um grau de alienação e despolitização, seja pelo fato de externalizar apenas fatos de um cotidiano mais banal e menos reflexivo, seja pela ausência da externalização de um cotidiano mais duro endossado por um cenário político mais delicado com a supressão das vontades democráticas. As classes subalternas  são pouco retratadas reforçando a opção política ideológica das produtoras, em certo sentido, destruindo o protagonismo do cotidiano coletivo das classes menos abastadas e alienando-as da consciência coletiva.

Assim, torna-se perigoso para a formação da historiografia e da memória nacional que apenas restritos grupos midiáticos forneçam elementos para a interpretação da memória coletiva, tendo em vista, apenas sua visão unilateral eivada de suas vontades politicas e ideológicas. É difícil acreditar que durante vasto tempo da vida os anos 1970 foi uma eterna discoteca! Altíssima inflação, pobreza urbana, arrocho salarial e possibilidades de crescimento econômico das classes mais pobres quase impossível.

No Amazonas particularmente em Manaus, ruas mau iluminadas, esburacadas, água de péssima qualidade e a classe media depauperada, quase não viajava. pois viajar era sim...em Manaus, para heróis ou bandidos! Mas, neste tempo difícil uma coisa nas telenovelas e revistas foi presença certa: o amor..ainda se morria de amor por alguém nesta década...ainda se vivia para o outro...isso é inegável e está cristalizado na memória dos homens e mulheres que viveram as décadas de 1970 e 1980.

A construção do senso comum se dá hoje em outros patamares mantendo o perfeito objetivo de ofuscar a reflexão sobre a produção do tempo histórico e do espaço geográfico. O final dos anos 1970 marcaram sobretudo, o incio de uma supremacia midiática da televisão sobre o rádio, os jornais e as revistas na produção e invenção da memória e do imaginário coletivos.

A televisão é um gigante que vai se mostrar em sua plenitude na década subsequente com poder politico capaz de dar "direção" ao país, e subverter o conteúdo presente na mente das pessoas, aliada a invasão cultural americana em todos os campos da vida social marginalizando a cultura das regiões brasileiras, fundadas há séculos desde a conquista deste território até o enlace das populações nativas com a cultura ocidental colonizadora.

Neste sentido, estamos diante de um processo de invenção da memória coletiva, promovida largamente pelas chamadas mídias eletrônicas, reinventando o passado e re-significando o futuro...ou seja, dando uma mensagem direta ao presente.