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sábado, 11 de maio de 2019

HOMENAGEM DO DIA DAS MÃES A PROFESSORA MARIA EUGÊNIA, IN MEMORIAN

FOTO-MONTAGEM: ACERVO DA FAMÍLIA. 2000.

Saudades de Você.

Há dez anos você partiu. Fostes a minha primeira professora, me alfabetizando e corrigindo para que eu me tornasse um bom homem. Mesmo, adulto ainda adorava deitar sobre sua barriga e ouvir o ronco que me alçava a uma sensação de feto, de aconchego, segurança e paz. Dos tempos de criança, lembro das lições e das advertências sempre necessárias: "-Primeiro a obrigação, depois a diversão.". Na cozinha da casa simples de madeira, sobre a mesa, o caderno e a cartilha "Caminho Suave" foi a minha primeira sala de aula e eu, na gana de ir para o quintal, correr, pular, jogar futebol, brincar de ser herói cavalgando uma vassoura de cipó sob a sombra da caramboleira e da majestosa e generosa mangueira do quintal.

No embalar da rede com meus irmãos, era mais fácil serenizar com suas canções alegres e infantis. Isso só poderia ser algo do céu. Sim, acho que era isso. Você não era daqui, você era do céu. Quando comecei a sair para namorar, você esperava a cada um de nós filhos chegar e para agradá-la já trazíamos algum lanche - um sanduíche ou cachorro quente - e sob o olhar feliz do meu pai, você degustava o que o pequeno salário do seu filho poderia proporcionar. Você acreditou em mim sempre. Sabes de uma coisa, vou confidenciar um segredo. Quando comecei minha carreira de professor no Colégio estadual Eldah Bitton Teles da Rocha foi a você que homenagiei quando preferia ser chamado de Prof. Mauro Vieira por funcionários, colegas e alunos daquele colégio, ou seja, fiz questão de dar ênfase a seu sobrenome. Acho que fiz o certo.

Uma vez, vi você em uma fotografia, numa pose sobre a bicicleta do papai. Nossa! Que mulher bonita! Seus brincos argolados e a elegância de um vestido florido junto a um sorriso feliz marcaram para sempre a minha memória e que lembrança você deixou na minha mente. Sabes, quando os eventos dessa vida nos abatem, nos desencorajando e até sugerindo que devêssemos abandonar nossos ideais, você me vem à lembrança como que me dissesse: "-Vá lá, você vai conseguir!". Vejam só. O Amor existe e agora mais do que nunca creio que você não era daqui. Você era do céu. Você foi a mulher mais espetacular e especial que me trouxe á vida e me ensinou a viver. Obrigado pelo que sou mãe. Te amarei sempre. Não foi fácil a sua partida. Desculpe ainda pelo "você" pois contigo aprendi que o correto é "Senhora", mil perdões Senhora Minha Mãe.

Prof. Mauro Vieira.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

AMOR DE MENINO

FOTO: CARLOS SANTIAGO. ACERVO PESSOAL, 2016.

AMOR DE MENINO, Via Whatsapp.

Por: Carlos Santiago*


Eu tinha apenas 12 anos de idade e não olhava aquela menina-moça como antes. O meu corpo passava por transformações. Cresciam em mim pêlos,a voz já não era a mesma,os músculos enrijeciam e as acnes tomavam conta do rosto. Não me sentia criança e nem adulto. Até convicções sobre a vida e o mundo iam mudando.

Sorria que ela sorria diferente pra mim. Com 13 anos de vida, com o aumento do quadril, do peso, da estatura e dos seios, aquela menina também chamava atenção pela disposição de vender tapioca com coco ralado num tabuleiro na cabeça.

Quando a enxergava, o meu coração fazia mais barulho, ficava nervoso de felicidade, tinha vontade de dizer algo e lhe escrever o que passava dentro de mim, mas ainda não era alfabetizado e ficava muito envergonhado com isso. "Dialogava" com ela somente quando falava sozinho e buscava sempre a sua presença nas músicas que ouvia num radinho de pilha velho.

Numa tardinha chuvosa, ela passou em frente de casa, com o tabuleiro de venda já vazio. Estava molhada, descalça e sorria com as águas no rosto. Num impulso, saí na chuva para vê-la descer a ladeira da rua sem asfalto, mas de repente ela me chamou para brincar na chuva.Timidamente, aceitei. Passamos horas tomando banho.

Na despedida, ganhei o primeiro beijo e um "aperto"de mulher decidida. Aconteceram outros beijos, em outros momentos, tão marcantes que vou levá-los pra toda vida. Não passou muito tempo e a moça mudou-se para outro bairro, algo natural nas periferias da cidade, onde é grande a mobilidade de famílias pobres que não possuem moradias e nem trabalhos fixos.

Durante décadas procurei um pouco daquele primeiro amor em outras relações que experimentei. Aquele sorriso, aquela cor de pele, a disposição pela vida com muito trabalho, em especial, aquele abraço e aquela força de uma mulher decidida.Mas com o tempo e a maturidade percebi que as mulheres são diferentes e os momentos são únicos.

Agora, com meio século de existência posso afirmar: o primeiro amor é inesquecível. Mas, devemos guardá-lo num cantinho das lembranças para que outros amores aconteçam.


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* Sociólogo e Advogado.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

OLIMPÍADAS ORATORIANAS - ORATÓRIO SÃO DOMINGOS SÁVIO

FOTO: PE. AMADEU CARONI.
ACERVO: LUIZ CARLOS SERRÃO, 2015.

No início dos anos 1980, o Oratório Salesiano São Domingos Sávio era muito festivo, especialmente pela multidão de jovens e adultos que frequentavam o espaço que integrava a Obra Salesiana em Manaus no Amazonas. Sendo assim, os padres salesianos tinham que ser bastante dinâmicos e promover muitas atividades festivas e atléticas além claro da formação social e religiosa.

Neste cenário, por idéia e iniciativa do saudoso e amado Padre Amadeu Caroni foram realizadas as Olimpíadas Oratorianas reunindo equipes de acordo com a faixa etária. Havia uma solenidade de abertura cívica e claro muitas modalidades e algumas até nem eram ou são consideradas esportivas, como por exemplo, o "Garrafão". Desculpe pelas falhas, mas pela minha recordação, lembro que haviam algumas modalidades como: futebol de campo, futebol de salão, espiribol (acho que seja speedbol) ping-pong (tênis de mesa), corridas de 100 e 200 metros, basquetebol, voleibol, xadrez, xadrez chinês, cabo-de-guerra, boliche, dominó, totó (chamado  no sudeste do Brasil de pebolim), corrida de saco e corrida de bolinhas no petecodrômo (criação do próprio padre para corridas de bolinhas de gude em uma maquete de cimento com ícones das cidades brasileiras). 

As olimpíadas eram de fato algo mágico aos olhos dos jovens daquele tempo, pois todos tinham a possibilidade de conhecer vários esportes e claro gastar a energia, com a atividade física e lúdica. Cada equipe tinha um uniforme definido e usávamos os nomes dos Estados Brasileiros, tipo Rio de Janeiro, Amazonas, São Paulo etc. Sim, foi uma infância e adolescência mágica naquele Brasil sob uma Ditadura Militar e naquela Manaus tão pobre e distante do resto do país. Os padres salesianos não deixaram aquela geração se perder embora saibamos claramente que a realidade era muito dura. Do ponto de vista pessoal, só fica o meu agradecimento a todos que passamos por este tempo especial,sendo hoje, pessoas melhores.