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sexta-feira, 4 de junho de 2021

EU, AS RUAS E A ESTRADA DA ESPERANÇA

 

FOTO: PRAÇA DA SAUDADE.
 AUTOR: CUCUNACA, 2021.

Por: Ouvidor de Passarinhos*

E lá está a estrada da esperança, as ruas da Cidade dos Tiranos, do massacre do Porto das Lages, do massacre dos Manaú e da toponímia do rio Urubú, tentando respirar desde o ano que começou e ainda não acabou.

Comigo, estão o avô Ajuricaba sob a flauta de Jurupari e a bela Inhambú. Os sons dos tambores me estremecem o corpo em plena erupção para a guerra. Em segundos, não há máscaras que me acorrentem, nem canhões que me ameacem. O inimigo ronda em minha órbita, tremendo de medo, encapuzado e não pode me olhar nos olhos, pois escolheu o lado dos canalhas.

Cada pisada na cidade, o solo treme e a alegria vai transformando a cidade cinza em multicores e ene frações de fragrâncias. E cada pedra no paralelepípedo da 10 de Julho almeja servir de mensagem ao opressor que se esconde em carapaças e tatus mecânicos.

Não há espaço para pensar em retrocesso e sobre o solo dos manaú, a pegada do gigante que reafirma sua presença e de quem é realmente este chão. E, no solo, outros Cucunacas me saúdam com punhos cerrados e lágrimas nos olhos. Um caxiri para a memória dos que se foram, seus nomes agora nas pedras portuguesas. Reaprendi sobre o que é o amor na estrada da esperança.


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* Ex morador da Vila Dona Marciana, super herói das tardes de domingo no Centro Histórico de Manaus.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

ESCREVA APENAS, pré poesia.

 

FOTO: VASO DE FLORES.
AUTOR: CUCUNACA, 2021.

ESCREVA APENAS


Por: Pré poeta Alencar e Rosas*


Que embora vencível és invencível

Que mesmo sem amor és adorável

Sendo mesmo tosco és delicado

Que sem muitas letras és a pura aventura

Que inquieto e travesso és serenidade

Mesmo dançando estranho és encantador

Que mesmo sendo um trapo és fino no trato

Sendo mesmo miserável és de fato generoso

Mesmo sendo Quasimodo és o Marquês de Carabás

Que mesmo sendo outro és você mesmo

Inigualável, único e primogênito

Com todas as suas máscaras.


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*Militante da Falange Torres de Abril, andarilho das planícies serracenas e empinador de papagaios da Rua Leonardo Malcher no Centro Histórico da Cidade dos Tiranos. Atualmente, refugiado.







sexta-feira, 15 de maio de 2020

AOS ALEGRES BOÇAIS


FOTO: O MIAU.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020

Onde estão oh Deuses do Olimpo?
Suas carruagens de fogo, seus papéis em paredes de nada valem.
Suas School Bussines, Beach, Baladas em Milão.

Desfiles entorpecentes em Ibiza
Aspiradores de carbono de Hong Kong
Mercadores de escravos de Pequim

Línguas e trejeitos coloniais
Narizes empinados e testosterona turbinada em boticários globais
Amazon Safari e vídeo conference de Londres
Literatura de Air planos para submeter os deslumbrados de Manoa

Valentia fake de séries streaming empacotadas com fitas tricolores.

Ninguém aguenta mais seus embustes e arroubos de modernidade.

Tudo caducou e agora você com medo na fila do pão, já engole sua maldade.
Você é sua própria selfie, tola e miserável.


Pedro Mucura

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Estátuas dançantes

FOTO: IGARAPÉ DO PASSARINHO.
 AUTOR: CUCUNACA, 2020.

Veja o espelho.

O que você vê? Caricatura do hoje?
Veja suas linhas, rugosidades testemunhas de emoções pretéritas.
Imperfeição e beleza.

Mas, e seu olhar em meio a Pandemia e os luzeiros alucinados?
Você ouviu o seu coração hoje?
Sei que lá fora, o bizarro verde amarelo 78
Sonda as ruas em abandono urbano.

As estátuas de cimento, ao vento dançam
Cantam músicas que desconfortam os Smiths.

Veja o espelho.

Ao que parece, suas linhas contam histórias não contadas.
90 passou e ficou a vontade que renunciou.

Agora você vê suas pernas brancas,
Nelas a escrita da luta e você nem sequer viu ou contemplou a sua beleza.

Agora você se toca.   Sente seus braços e seu peito e namora sua boca em vida pulsante.
É bom se sentir e sorrir com os olhos.
Aos centenários, as conquistas aparecem como presentes bem distantes...bem distantes.

Creio que é preciso caminhar pois há planetas a conquistar.
No diário, o eterno retorno ao ponto zero.

Veja o espelho.