sexta-feira, 14 de abril de 2017

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO EM MANAUS

FOTO:CHUVA NA SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO.
AUTOR: CUCUNACA,2017

O período da Quaresma é um importante momento de reflexão sobre nossas vidas,especialmente na vida dos cristãos católicos. Algumas destas reflexões são vitais para que prossigamos numa vida equilibrada em nossos sentimentos e ações.

A despeito destas reflexões necessárias, algumas coisas preenchem nosso imaginário e não há como não registrarmos. Nascido e educado em família católica, sempre buscamos atender aos rituais cristãos, herança de nossos pais. Mesmo balizados por um cristianismo periférico e até inocente, as tradições e a mística foram sendo passadas desde nossos antepassados.

Neste sentido, a construção de um imaginário popular no seio da família ocorreu a cada instante em que isso foi possível ou reavivado como a Hora Sagrada do Meio Dia. Nossa mãe, muita católica nos ensinou que o horário de Meio Dia era Sagrado e que todos deveriam se recolher em oração e silêncio e nos ensinamentos populares, dizia-se que era a Hora em que o Senhor Jesus fora crucificado, daí o momento de pausa e silêncio. Também a crença de que neste horário, aproveitando-se da crucificação de Jesus, o Diabo saía ás ruas e nossa mãe sempre nos alertava para não ficarmos na rua pois era um momento perigoso.

Especialmente no Dia da Sexta-Feira da Paixão de Cristo, pela manhã, sentado no muro dos fundos de nossa antiga casa na rua Jhonatas Pedrosa (Centro) ainda menino, via a Procissão da Via Sacra passar e via com um olhar de menino, a imagem de Maria, Mãe do Salvador e Santa Verônica. Mas,em tudo isso, uma coisa sempre me fez refletir: a escuridão do céu na sexta-feira santa. Esse ano de 2017 com um trovão estrondoso e uma chuva forte, como chamamos um temporal, no horário sempre sagrado. Registrei em fotografia a chuva e passamos a refletir sobre isso.

Com o tempo, muitas questões ficaram sobre minha cabeça e foram assim se diluindo com o tempo. Em 2013, com a vinda do Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude, descobri a hora sagrada do Ángelus (Hora em que o Anjo Gabriel anuncia a Maria) e desde a sua eleição e algumas reflexões sobre as orações católicas, descobri que somos adeptos da Igreja de Cristo, a igreja dos sinais. Como dizem, o Reino dos Céus está no meio de vós! Não vêem os sinais? A natureza, como obra do Criador, também se manifesta em sinais e,de acordo com o evangelista Marcos, o mais místico dos evangelistas, a terra tremeu e o céu ficou nublado após a crucificação de Jesus.

Na Amazônia, dificilmente se retirará do imaginário popular esses eventos, pois também eles estimulam além da curiosidade a mística tão presente no Cristianismo desde os evangelhos apócrifos até os apresentados pela Igreja, aliás sobre o Cristianismo e os apócrifos é importante ler a obra do belga Eduardo Hoornaert no livro "As origens do Cristianismo" publicado pela Paullus em 2016. Sem isso, certamente o Cristianismo não se expandiria por vastas terras do globo, gerando também fonte de conhecimento sobre a mensagem do Cristo.

A todos e todas uma Sexta-feira Santa de Silêncio e Reflexão.

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