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domingo, 11 de dezembro de 2022

MOSTRA TUA FORÇA BRASIL, BYE QTAR 2022


FOTO-MONTAGEM: M. BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2022.

Por: Mauro Bechman*

E acabou. Mais uma vez a seleção brasileira de futebol masculino sucumbiu nas quartas de final de uma Copa do Mundo. Esta, foi a primeira realizada num país árabe, o Qatar, sendo a edição de número 22.

A disputa desta vez foi contra a  seleção da Croácia e o jogo esteve muito favorável ao Brasil, embora o domínio de bola foi considerável da equipe croata.

Então, restando poucos minutos para o fim da partida, o Brasil com a vantagem de 1 a 0 cedeu o empate numa jogada de contra ataque, o que levou aos pênaltis e a consequente eliminação do Brasil desta copa.

O esporte mais popular do Brasil, certamente causa uma certa tristeza coletiva com esta derrota e a consequente eliminação prematura.

O destaque aqui vai para a imprensa, especialmente a que cobre os campeonatos europeus onde alguns brasileiros atuam.

A crônica esportiva das tevês por assinatura no Brasil tem um verdadeiro prazer em citar o atleta e o clube estrangeiro ao qual pertence, claro, nas oportunidades para enaltecer suas reais ou pretensas qualidades.

Tevês de canais fechados, não cansam em suas transmissões de enaltecer o futebol globalizado europeu. É um tal de Neymar do Paris Sant-German, Alisson do Liverpool, Militão do Real Madrid... que não acaba mais.

Clubes nacionais, eles não citam, parece haver uma ordem nas redações para apagar o futebol que se joga no Brasil. E o êxtase desta imprensa quando sai a lista de convocados. (risos).

Ah! Lembramos de um fato. 

Os cronistas destes canais que muitas vezes fornecem a narrativa do futebol, "esqueceram" de que quem perdeu o primeiro pênalti, aliás a nosso ver infantil, foi o tal jogador Rodriguinho do Real Madrid, (!) e o que abandonou a posição de defesa abrindo espaço para o contra ataque croata foi o famoso (!) Fred do Manchester United da Primier League.

Notaram? Os cronistas nunca enfatizam os clubes destes atletas quando eles falham, mas quando eles acertam, rapidamente dão aquele crédito ao clube europeu. 

Esquecem das limitações dos atletas e da própria natureza deste esporte em que a sabedoria ensina várias máximas que vota e meia castigam os "entendidos ou craques" seja dos comentários ou de dentro das quatro linhas.

Ás vésperas do jogo, assistindo a uma reportagem da tevê Globo aberta, vimos uma espécie de "Pré-lançamento" de um grupo de funk, tendo como garoto propaganda, o jogador Vinicius Júnior (Real Madrid), que divulgava o grupo musical que o "inspirava", ou seja, mais marketing e atrelamento de "produtos" ao futebol. Talvez um novo mantra: "Mais marketing e menos arte no futebol brasileiro".

A verdade é que esta imprensa colonizada do Brasil vive a defender a abertura do mercado de cerca de 100  milhões de torcedores brasileiros (consumidores de produtos esportivos) para o domínio pleno da Europa e a subalternização do futebol brasileiro.

Os campeonatos Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro são torneios que tem crescido em organização com uma crescente afirmação do futebol de outras regiões do Brasil que não seja apenas o do centro-sul do Brasil. 

Algo já reconhecido por argentinos, mexicanos e uruguaios, a força dos torneios brasileiros e o seu gigante mercado consumidor de produtos do futebol, sejam transmissões ou material esportivo.

Técnicos brasileiros tem vencido estes longos e desafiadores torneios, inclusive sobre treinadores estrangeiros, o que esta imprensa comprometida faz questão de ofuscar. E, independente de seus erros, e se Tite fosse de um destes clubes europeus, será que teria a mesma tratativa? Só para refletirmos.

E os meus conterrâneos hein?

Continuam a esperar por um novo evento... para de novo se incluir novamente apenas como consumidores.

E eu, continuo amando o futebol arte do meu país.

Ponto.

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*Mestre em sociedade e cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas. UFAM.

sábado, 26 de novembro de 2022

A COPA, O CRAQUE E O ANJO REBELDE


FOTO: MAURO BECHMAN.
AUTOR: CUCUNACA, 2022.

Por: Mauro Bechman*

No último jogo pela primeira fase da 23ª Copa do Mundo de Futebol promovido pela FIFA no Qatar o Brasil obteve uma vitória substantiva com dois tentos a zero sobre a seleção da Sérvia.

A Copa do mundo de futebol é um evento global onde empresas, governos e talentos são negociados no chamado mercado da bola. 

Como mesmo, a imprensa colonizada do Brasil fala, a seleção Nacional é uma vitrine de craques para negócios com os clubes empresas mundiais, especialmente européias.

Evento apoiado fortemente por gigantes do mundo capitalista, as empresas veiculam seus serviços e produtos aos jogos nas chamadas "arenas" poliesportivas. 

Todos sabem disso, aqueles que fazem parte deste negócio chamado futebol de que o mercado muitas vezes cria formas de comunicar seus produtos e serviços.

No Brasil, o camisa 10 Neymar Júnior, é o que chamamos de "A cara do Futebol brasileiro", leve, talentoso, moleque e no campo dos negócios, uma dose de falta de caráter. 

No campo, ao sair do jogo machucado, muitos memes foram produzidos o associando a chapa do presidente atual do Brasil derrotado nas eleições de outubro. 

Uma aversão também já existe pelo temperamento matreiro do atleta nutrida deste os tempos de Santos F.C que o lançou para o futebol. Deste tempo, não se pode esquecer da frase do técnico Renê Simões ao de referir ao trabalho da imprensa na "cobertura" da carreira do atleta ainda jovem: "Vocês estão criando um Monstro" pois o jovem em sua vaidade já detinha mais poder no clube que o próprio treinador.

E ao longo da carreira deste atleta, vimos algumas situações no mínimo interessantes, a decisão da libertadores onde estava no centro da confusão com o time do Penarol do Uruguai em 2011, nas expulsões em jogos contra a Colômbia durante a Copa América de 2015 e outras polêmicas extra campo, junto ao fisco ou posicionamento político.

Foto: internet via whatsapp, 2022.


Após a contusão no jogo com a Servia, o atleta voltou mancando para o vestiário. Uma situação um pouco estranha pois talvez pela gravidade da lesão, talvez um médico não permitisse que fizesse este esforço sem o auxílio de alguém. 

Muitos memes surgiram na internet aludindo a frase pronunciada pelo presidente derrotado durante a crise da Pandemia quando indagado sobre o número de mortos, respondendo com rispidez: "Eu não sou coveiro". 

No caso do atleta, a frase foi alterada para "O Neymar se machucou. E daí? Eu não sou ortopedista".

Como brasileiro, recurso que Neymar é a síntese destes craques que encantam e arruínam suas próprias biografias. 

No Brasil, temos muitos exemplos como Beijoca no Bahia que tinha o sangue quente, Edmundo do Palmeiras, atual comentarista esportivo, Marcelinho Carioca, tido como um com caráter não respeitável, até Romário que fugia dos treinos e chegou até a brigar com torcedores do Fluminense ou pagar a torcedores do Vasco para gritarem seu nome ao final das partidas...enfim há outros perfis e não é só um caso brasileiro.

É difícil não torcer pelo Brasil. Com seus meninos mal formados (educação), mas talentosos no que fazem. Os brasileiros foram colonizados por Portugal, um país cristão e católico, cuja ideia de herói não separa o humano do Divino. 

Daí, sempre desejarmos que nossos heróis sejam, a perfeição da divina santidade.

Sabemos que Neymar em seu talento futebolístico, é de fato, um legítimo representante do "Futebol Arte" brasileiro, criativo, provovador e encantador. Para os luso brasileiros, é de fato difícil advogar este herói que está longe do ideal grego ou da santidade cristã, mas muito mais perto de Macunaíma.

Como o próprio Garrincha, o camisa 7, o anjo das pernas tortas com sua vida boêmia e espontânea, Neymar é mais um destes anjos rebeldes que vive a driblar as regras da civilidade.

Que ele se recupere e fique bem. Com ele ou sem ele em campo sempre torcerei pelo Brasil e pelo futebol que aprendi a amar desde criança: o futebol arte do povo brasileiro.

"FAZ MAIS BRASIL"

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*Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM.