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sábado, 2 de março de 2013

SAMBA MANAUARA: APRENDIZADO SEMPRE

FOTO: GRES. BALAKU BLAKU. BATERIA. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

No desfile de 2013, no Centro de Convenções do Amazonas em Manaus, assistimos a uma beleza exibição da competência dos sambistas manauaras, seja pela capacidade técnica de organizar um desfile em pouco menos de três meses e mobilizar cerca de 170 mil pessoas, seja ante o minúsculo investimento nesta festa popular manauara.

A despeito destas dificuldades, gostaríamos de pincelar algumas linhas sobre o momento do desfile e o seu fechamento com a apuração. Inicialmente podemos apontar a falta de compromisso da imprensa local em divulgar o evento ficando a cargo de uma emissora iniciante de televisão e pelo rádio como uma emissora "viciada" em favorecer uma ou outra agremiação. Mas, as pessoas realmente sambistas sabem muito bem discernir um bom desfile de um desfile fraco e sem expressividade.

Se por um lado, temos uma imprensa fraca na divulgação desta festa popular que mobiliza cerca de 170 mil pessoas, fora ouvintes e telespectadores, temos também uma forte amadorismo nos julgamentos. A formação das equipes de jurados parece deixar a desejar seja pela competência limitada, seja por julgar baseada em critérios do "senso comum" como a "Beleza" de uma ou outra escola.

FOTO: CASAL DE MESTRE-SALA E PORTA BANDEIRA. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

Aprofundamos isto e verificamos o quanto fora negligente a nota de um dos quesitos para a Escola campeã em 2013, estávamos com nossas lentes e ouvidos antenados no desfile, na arquibancada da Unidos do Alvorada e dali registramos a dificuldade dos casais de mestre-sala e porta-bandeira em se exibirem para os jurados. Na nossa frente presenciamos dois casais de mestre-sala e porta-bandeira passarem da linha de apresentação para os jurados - coisa que nunca havia testemunhado! Pensamos que a nota seria baixa após o julgamento tendo em vista o erro grave da harmonia ligada á escola e aguardamos a abertura da apuração e para nossa surpresa, o casal alcançou a nota 10,00 em todos os jurados!

Ao nosso ver, essa postura de julgamento, está ligada a beleza da escola, sem se prender a elementos técnicos, com o bailado, o enredo, fantasia adequada ao enredo, a melodia da bateria, a harmonia e o samba. Pensamos que tecnicamente não houve julgamento, e se houve, foi por puro senso comum, ou seja, votaremos na escola que estiver mais bonita. Tudo ainda muito triste e longe de um evento tradicional e de reconhecimento nacional como é o desfile das escolas de samba de Manaus.

Nos quesitos fantasia, ainda se acredita que uma "Escola de samba com seus integrantes vestidos dos pés a cabeça" é sinônimo de fantasia nota 10,0. Que massada! Uma fantasia deve está relacionada e harmonizada ao enredo e não simplesmente por estar completamente coberta ser a merecedora de nota máxima. Imaginem os senhores e senhoras, cujo tema da fantasia é índio da Amazônia, virem fantasiados com falsa pele de índios só para mostrar aos jurados que suas fantasias estão completas!

Por isso, acreditamos que temos que apreender o processo e no processo, desde a forma de comentar, transmitir e até mesmo julgar com seriedade e mérito os quesitos apresentados com tanta alegria pelos sambistas amazonenses, para que a festa seja de todos e para que não sobre tantas pontas a fim de até macular o belíssimo espetáculo popular que as escolas de samba de Manaus nos proporciona todos os anos.

Saudações Geográficas!

domingo, 6 de janeiro de 2013

O MUNDO CONTEMPORÂNEO EM 2013

Foto 01. Tapete persa. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.

As minhas primeiras postagens neste blog estavam relacionadas ao Estado do Mundo, ou seja, as questões relacionadas aos grandes temas do mundo contemporâneo e, para ser fiel a nossa tradição o faremos com maior dedicação.

O Oriente Médio novamente será um importante cenário na geopolítica mundial neste ano que se inicia, seja pelo parto ainda não concluído de um novo estado nacional, o da Palestina, seja pelo quase onipresente cenário de crise político-religioso e militar. 

A queda do modelo geopolítico que opunha o Ocidente judaico-cristão ao Oriente próximo islâmico-hindú, com a adoção de uma nova estratégia do capitalismo global sob o comando dos Estados Unidos em apoiar sublevações na região implodindo regimes autoritários que ora eram aliados importantes e ou necessários por ocasião de uma guerra fria entre o capitalismo e o socialismo que ainda se apegam ao poder como verdadeiras monarquias. Como exemplos claros, a queda de Mubarak no Egito, de Muhamar Kadafi na Líbia e a sangrenta guerra civil na Síria e um momento de extrema fragilidade no Egito e em Israel que assiste atônito a coesão palestina sob o observar dos fatos pela Turquia, cuja leitura de mundo se aproxima da ótica ocidental ao mesmo tempo que ainda é sondada pelo nacionalismo extremado.

No Extremo Oriente, a recente crise entre o Japão e a China reacendeu a velha disputa imperialista pela região, com o detalhe que hoje, a China é a maior potência econômica do planeta e cuja burocracia de Estado ("Comunista"), alimenta uma coesão nacionalista internamente ao mesmo tempo que deseja colonizar o mundo pela economia que a cada dia se militariza frente a potência decadente. O Tibet segue em silêncio mas não pacificado.

A África negra continuará a se reconstruir após ser um palco militar da guerra fria que levou parte do continente a bancarrota. Após o levante tunisiano, os países ficarão mais sujeitos a reformas. Nota-se que a região vem se caracterizando por se constituem numa área de influência dos capitais chineses que ampliam sua atuação no continente. No sul do continente africano temos uma situação em plena gênese com a independência do Sudão do Sul de maioria cristã e o Sudão muçulmano envolvidos numa disputa territorial por jazidas de minérios e petróleo, tem merecido a atenção da Santa Sé.

A Europa ocidental viverá em 2013 o que vem ocorrendo desde a eclosão da crise na Grécia, a tendência dos países é voltar ao "Feudalismo Contemporâneo" erguendo barreiras aos produtos extrarregionais, bem como, restringindo o consumo. Este cenário tem voltado os países sob o foco da crise a voltarem sua atenção para suas ex-colônias e os países membros do grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Da mesma forma, que seja esperada uma "diáspora" de imigrantes europeus (Grécia, Itália, Espanha e Portugal) destas nações em crise para outros países.

Na América, os Estados Unidos ainda estarão dando as cartas, apesar da resistência dos governos da Venezuela, Equador e Bolívia. Agora, no Caribe estaremos a assistir a mais mudanças em Cuba, ainda um espelho de sucesso para outras nações da região. A Argentina, tem sido, um dos grandes fiascos nestes últimos 20 anos, seja pela perda da capacidade econômica e por uma influência política limitada, uma vez que o continente caminhou em direção a democracia de verniz socialista com o Brasil, Venezuela, Bolívia, Uruguai e o pioneiro Chile.