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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

CARNAVAL NAS RUAS DE MANAUS: BÊBADOS E MISERÁVEIS DA MEMÓRIA

FOTO: GRES. SEM COMPROMISSO. 2015.

Na sexta-feira, 13 de Fevereiro, véspera do desfile das Escolas de Samba de Manaus no sambódromo, encontrava-me caminhando acometido de uma forte virose sob a noite com vento frio e o frisson que antecedia o desfile das grandes escolas. No Centro histórico de Manaus, as coisas tem uma forte raiz. 

Caminhando pela rua Comendador Clementino na altura da Rua Japurá, minha memória sempre lúdica e lúcida me fazia companhia naquele instante de enfermidade. Diante dos meus olhos via a alegria contagiante dos bares cheios, com seus frequentadores e frequentadoras a celebrar a anarquia do carnaval ao som de marchinhas antigas como a da Kamélia e submerso num mar de vozes. 

Há poucos metros fui ao local de venda das fantasias da Gres Sem Compromisso, onde em grande movimentação vi muitos grupos de jovens, moças e rapazes, comprarem e levarem em seus carros, as fantasias para o desfile. Vi então, o quanto é simbólico e mágico, o lugar de fundação de uma escola de samba como a Sem Compromisso, cujos becos, estão costureiras, artesãos, comerciantes e moradores apaixonados pela escola do tucano preto e amarelo. Lembrei que estava num território sagrado e que, como torcedor apaixonado da Vitória-Régia da Praça 14 de Janeiro, jamais poderia deixar de respeitar. E, caminhando, minha memória me tornou criança e me fez voltar aos carnavais do passado, na mesma área do centro de Manaus, onde blocos de sujos, homens travestidos de mulheres, batuques frenéticos, bêbados e miseráveis celebravam a vida em sua intensidade insana, jogando uns nos outros e nos que se arriscavam a assistir o espetáculo, pó de arroz (arrozina e maizena) deixando a pessoa toda suja de branco...era uma diversão.

Nos baixos anos 1980, talvez 81-84, via com os olhos de menino, nas ruas da Jonathas Pedrosa, cordões de sujos e botecos com bêbados desmaiados e nos que se acotovelavam um forte odor de cachaça...talvez, daí tenha vindo daí minha aversão a caipirinha e á cachaça. Tudo muito simples e miserável.

Por um instante, pensei que estivesse revisitando aquele passado e de repente procurei os bêbados caídos pelas calçadas e sarjetas, miseráveis, no olhar do hoje e vi, apenas pobres, mas não miseráveis, não vi bêbados pelo chão. Talvez estivessem fantasiados de moças e rapazes brancos em seus carros, talvez, fossem apenas um fantasma dos antigos carnavais da minha memória. Voltei pra casa, meu corpo em febre e minha cabeça sob constipação para tomar uma medicação e acreditar que toda aquela situação já fazia parte apenas de uma doce e dura lembrança de fantasmas dos meus antigos carnavais e sonhar de novo e de novo.

sábado, 2 de março de 2013

SAMBA MANAUARA: APRENDIZADO SEMPRE

FOTO: GRES. BALAKU BLAKU. BATERIA. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

No desfile de 2013, no Centro de Convenções do Amazonas em Manaus, assistimos a uma beleza exibição da competência dos sambistas manauaras, seja pela capacidade técnica de organizar um desfile em pouco menos de três meses e mobilizar cerca de 170 mil pessoas, seja ante o minúsculo investimento nesta festa popular manauara.

A despeito destas dificuldades, gostaríamos de pincelar algumas linhas sobre o momento do desfile e o seu fechamento com a apuração. Inicialmente podemos apontar a falta de compromisso da imprensa local em divulgar o evento ficando a cargo de uma emissora iniciante de televisão e pelo rádio como uma emissora "viciada" em favorecer uma ou outra agremiação. Mas, as pessoas realmente sambistas sabem muito bem discernir um bom desfile de um desfile fraco e sem expressividade.

Se por um lado, temos uma imprensa fraca na divulgação desta festa popular que mobiliza cerca de 170 mil pessoas, fora ouvintes e telespectadores, temos também uma forte amadorismo nos julgamentos. A formação das equipes de jurados parece deixar a desejar seja pela competência limitada, seja por julgar baseada em critérios do "senso comum" como a "Beleza" de uma ou outra escola.

FOTO: CASAL DE MESTRE-SALA E PORTA BANDEIRA. AUTOR: GEÓG. M. BECHMAN, 2013.

Aprofundamos isto e verificamos o quanto fora negligente a nota de um dos quesitos para a Escola campeã em 2013, estávamos com nossas lentes e ouvidos antenados no desfile, na arquibancada da Unidos do Alvorada e dali registramos a dificuldade dos casais de mestre-sala e porta-bandeira em se exibirem para os jurados. Na nossa frente presenciamos dois casais de mestre-sala e porta-bandeira passarem da linha de apresentação para os jurados - coisa que nunca havia testemunhado! Pensamos que a nota seria baixa após o julgamento tendo em vista o erro grave da harmonia ligada á escola e aguardamos a abertura da apuração e para nossa surpresa, o casal alcançou a nota 10,00 em todos os jurados!

Ao nosso ver, essa postura de julgamento, está ligada a beleza da escola, sem se prender a elementos técnicos, com o bailado, o enredo, fantasia adequada ao enredo, a melodia da bateria, a harmonia e o samba. Pensamos que tecnicamente não houve julgamento, e se houve, foi por puro senso comum, ou seja, votaremos na escola que estiver mais bonita. Tudo ainda muito triste e longe de um evento tradicional e de reconhecimento nacional como é o desfile das escolas de samba de Manaus.

Nos quesitos fantasia, ainda se acredita que uma "Escola de samba com seus integrantes vestidos dos pés a cabeça" é sinônimo de fantasia nota 10,0. Que massada! Uma fantasia deve está relacionada e harmonizada ao enredo e não simplesmente por estar completamente coberta ser a merecedora de nota máxima. Imaginem os senhores e senhoras, cujo tema da fantasia é índio da Amazônia, virem fantasiados com falsa pele de índios só para mostrar aos jurados que suas fantasias estão completas!

Por isso, acreditamos que temos que apreender o processo e no processo, desde a forma de comentar, transmitir e até mesmo julgar com seriedade e mérito os quesitos apresentados com tanta alegria pelos sambistas amazonenses, para que a festa seja de todos e para que não sobre tantas pontas a fim de até macular o belíssimo espetáculo popular que as escolas de samba de Manaus nos proporciona todos os anos.

Saudações Geográficas!