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domingo, 7 de maio de 2017

JOVENS E AS VELHAS PRÁTICAS

FOTO: CARLOS SANTIAGO, 2017. ACERVO.

JOVENS E AS VELHAS PRÁTICAS

Por: Carlos Santiago,*(via whatsapp).


A Constituição Brasileira obriga que qualquer cidadão que queira disputar uma eleição esteja filiado a um partido político.

O desafio está na renovação de lideranças e de mudança nas estruturas partidárias, uma vez que a maioria dos partidos existentes, com raras exceções de partidos que criaram cotas para jovens nas suas direções, é dominada há anos por políticos profissionais, famílias ou pequenos grupos de pessoas, com atuações similares, independentes dos partidos serem grandes ou pequenos, ou de pertencerem à Esquerda ou à Direita.

Os jovens, na maioria das vezes, que são "recrutados"pelos partidos e que não sejam filho(as) ou mulher do dono das agremiações partidárias, cumprem somente a tarefa de panfletar, de carregar bandeiras, de gritar palavras de ordem, o que não muda em nada a estrutura partidária no Brasil, pois o que vale é a filiação de jovens alienados,cujo papel é manter as velhas práticas dos caciques.

Na política do Amazonas, existem exemplos dos "fulanos", filhos, dos netos do "sicrano",chegando até os bisnetos.Nem por isso a política tem uma renovação de práticas administrativas, de ética; há tão somente uma troca de posto de pai para filho. Isso tem tornado a política uma profissão familiar e a reprodução do Poder pelos mesmos, sem qualquer compromisso com o bem comum.

Por isso, faz-se necessária uma reforma partidária,uma democratização dos partidos e abertura para o ingresso de novas lideranças que atue com ética, pelo interesse coletivo. Com isso, talvez aconteçam filiações de jovens com espírito para romper e mudar as velhas práticas.


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 * Sociólogo, Cientista político e Habilitado em Marketing e Propaganda. 

sábado, 27 de agosto de 2016

PANTEÃO DE ANTI-HERÓIS

FOTO: BANNER DA MOSTRA DE QUADRINHEIROS, MANAUS - 2014.
 AUTOR DA FOTO: CUCUNACA, 2014

A palavra Panteão tem seu significado ligado ao conjunto de deuses de uma determinada religião de acordo com a mitologia. Mesmo em diferentes culturas da antiguidade, o Panteão é o lugar onde repousa os restos mortais dos heróis, das personalidades que se divinizaram ou foram divinizadas pelos seus feitos em algum momento da existência seja imaginária ou real.

Os estados nacionais cultuam seus panteões e a inscrição de um nome de qualquer pessoa no chamado também "Livro dos Heróis" tornam-se sem dúvida um legado para todas as gerações.

No Brasil, recentemente a Presidenta Dilma Rousseff (PT) concedeu esta honraria ao político brasileiro falecido em 21 de Junho de 2004 Leonel Brizola pelos atos de "Resistência ao Golpe Militar de 1964". Da mesma forma, uma honraria para qualquer nacional ser agraciado com esta homenagem, o que tornaria seu nome sempre associado ao bem maior, realizado em prol da sociedade e do país. 

As decisões são sempre necessárias. E, em vida tem-se que tomar muitas e a todo momento. No atual momento político brasileiro, temos um embate das maiores proporções e cujo desfecho será certamente sentido por gerações. De um lado, uma presidenta legitimamente eleita com cerca de 54 milhões de votos e de outro, um Senado federal composto por políticos majoritariamente contrários a presidente tornada ré, no processo de impedimento. Mas uma vez, as escolhas são necessárias. 

Muitos brasileiros gostariam de terem inscritos seus nomes no Panteão de Heróis Nacionais, embora alguns escolham claramente o lado anti-histórico e anti-nacional. No senado federal, um terço de seus senadores eleitos estão envolvidos em denúncias que vão da corrupção passiva a crimes contra a vida. Alguns destes senadores já fizeram suas escolhas. Escolheram escrever seus nomes e sobrenomes no "Panteão de Anti-heróis" onde jazem e são lembrados pelas gerações não pelo bem que fizeram ao país, mas pelo mal que fizeram a optarem apenas pelos seus egos em detrimento da coletividade.

Políticos do Amazonas, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal já fizeram suas escolhas.Todos estão sujeitos ao julgamento da História e o "Guardinha da História" na Porta do Tribunal do Tempo, aguarda com a pena e a lamparina, o momento em que será decretada a sentença da História e registrar os nomes e sobrenomes daqueles que passarão a ter a leitura das gerações como heróis ou anti-heróis da pátria e do Amazonas.

terça-feira, 18 de junho de 2013

PROTESTOS NO BRASIL

Foto: Mão. Autor: Geóg. M. Bechman, 2013.

Nos últimos dias assistimos a uma série de protestos no Brasil cujo estopim fora o aumento das tarifas de passagens em ônibus coletivos. A origem dos protestos, embora a imprensa do sudeste, fale em São Paulo, em nossa visão, esse pioneirismo pode ser atribuído a Goiânia cujos protestos foram violentos e em que foram presos alguns manifestantes. Mas, essência não é aparência.

As manifestações nas ruas e praças do Brasil podem ser analisadas sob diversos prismas dentre os quais podemos citar o do papel do Estado ante este novo tempo em que os meios como a internet fazem parte do cotidiano das pessoas e dos reais motivos que levaram as classes ascendentes ás ruas nestes dias.

O papel do Estado no enfrentamento das questões sociais precisa ser revisto a partir de uma revisão sobre a  institucionalidade dos movimentos sociais. O que significa que a burocratização dos movimentos sociais com a criação de secretarias especiais e a própria desidentificação dos partidos políticos que tiveram origem nestes movimentos geraram um afastamento das lutas e anseios das parcelas excluídas da sociedade. Embora, as políticas públicas do Estado vêm sendo pautadas por uma ampla e maior inclusão de setores sociais alienados do consumo.

Neste sentido, a classe política do Brasil, precisa rever sua forma de lidar com este novo tempo e uma destas revisões está ligada a forma de como o aparelho de estado (polícia) enfrenta os protestos num regime liberal democrático, pois mesmo sob um governo de origem popular, continua agindo de forma a "criminalizar os movimentos sociais" como se estivesse num regime autoritário, apesar da real necessidade e  relevância de suas reivindicações.

Noutro ponto, as "Alianças para a governabilidade" vêm sendo desgastadas a cada eleição, pois partidos políticos até ideologicamente distantes aliam-se de acordo com interesses econômicos e conveniência política, revelando uma falta de identidade política dos seus membros. Isto posto, os reflexos passam a conjecturar o cenário político brasileiro com a imobilidade do governo nas ações de combate a corrupção parlamentar, o que preservou  o grupo dos mensaleiros, fortaleceu José Sarney no Senado e permitiu a eleição de Renan Calheiros, além de tolerar a presença na Secretaria de Direitos Humanos do deputado Marcos Feliciano - o que selou claramente o afastamento do governo dos movimentos populares de auto-afirmação, além da falta de transparência e eqüilibrio nos gastos para a realização da Copa do Mundo de Futebol, enquanto os serviços públicos ficam precarizados.

Neste sentido, a impunidade e a falta de combatividade a alianças políticas inapropriadas gera um estado de tensão popular e que atinge diretamente a setores da classe média brasileira que vem ficando mais robusta com a "ascensão social" advinda nos últimos governos. 

Mas, sempre é bom ver o povo nas ruas. É sempre um sinal de mudança de rumo, de tempo, de que o espaço das ruas e das praças também é do povo.

Saudações Geográficas!

domingo, 28 de outubro de 2012

MANAUS: ELEIÇÕES SEM POPULISTAS

FOTO: ARTHUR VIRGILIO NETO PSDB. SAÍDA DO TRE EM MANAUS. AUTOR: GEÓG. M.BECHMAN, 2012


Nestas eleições municipais, algumas considerações podem ser tecidas a respeito de uma natureza especial. A partir de alguns pontos realizarei minha análise.

O ponto de partida é a ausência de uma candidatura conservadora e populista de expressão. Na realidade nestes últimos 60 anos há tempos não tinhamos uma eleição no Amazonas e mais especificamente na cidade de Manaus com a ausência de líderes expressamente populistas, no melhor estilo "Pai dos pobres", pois os nomes e que melhor expressam estiveram ausentes deste processo eleitoral como candidatos.
 
Herança da politica amazonense, tem seus marcos desde Plinio Ramos Coelho , passando por Gilberto Mestrinho e chegando até Amazonino e Eduardo Braga. Embora seus ícones estivessem fora do pleito não,seriamos,ingenuos que seus aspirantes ao cargo de lideres nesta linha estiveram numa disputa secreta para assumir o galhardão do populismo no Amazonas.
 
Neste sentido, as posições claras estavam presentes nas candidaturas de Henrique Oliveira do PR e Sabino Castelo Branco PTB que disputavam secretamente a "Lacuna" deixada pelos líderes ausentes deste pleito, uma vez que, a Candidatta Vanessa Graziotin não conseguiu encarnar a tez populista mesmo contando com o apoio da máquina do estado, sendo a candidata do governo do Amazonas e do governo federal.

Após a contagem dos pontos - aqui os tangíveis e os intangíveis - podemos em nossa análise apontar alguns candidatos e legendas que saíram do pleito de 2012 com reais vencedores. Certamente, começaria pela legenda vencedora, o PSDB que voltou a ter vida em Manaus, elegendo quatro vereadores e mais o prefeito. Da mesma forma em que a vitória de Arthur Virgilio Neto representou uma vitória pessoal a partir do seu reencontro com a cidade de Manaus e a diferença imposta sobre a candidata Vanessa Graziotin que o havia vencido nas eleições para o senado federal - fato este repercutido em todo o país.
 
O Henrique Oliveira candidato conservador do PR, conseguiu um importante espaço na política local, rechaçando a candidata do governo e se apresentando com autêntico sucessor da vaga populista. No segundo turno, apoiou o candidato tucano e saiu contando dividendos para os próximos pleitos. O PTN (Partido doTrabalhismo Nacional) surpreendentemente elegeu vereadores que farão a diferença nas votações, se tiverem corpo e coesão partidária.
 
O PT elegeu três veradores, mantendo uma tradição no legislativo municipal que marcou a referência de liderança consubstanciada em lideraças que ganham espaço no partido como os deputados José Ricardo e Praciano, embora haja uma cobrança moral para o partido sair da condição de coadjuvante na política amazonense. 
 
O DEM mostrou que não está extinto e o Serafim Correa, candidato derrotado no primeiro turno, parece ter consolidado seu eleitorado mais fiel após a sofrível passagem pela prefeitura de Manaus. Ainda no plano dos cálculos intangíveis, entre os pseudos-vencedores está o atual Prefeito Amazonino Mendes, por manter sua base de apoio na câmara municipal - mesmo que com novos rostos e certamente, não será vítima de uma "Caça ás bruxas" pelo seu sucessor. Neste campo, mesmo o PSTU se repensou na forma de apresentar suas propostas para a gestão do poder, pois nos últimos instantes, a qualidade de seu programa de televisão saiu do século 20 e finalmente aportou no século 21.
 
Noutro campo, será necessário uma profunda reflexão nas fileiras do brioso e histórico PC do B que não elegeu nenhum vereador e deve-se pensar também em futuras e outras promissoras lideranças para que a utopia do igualitarismo não esmaeça. Da mesma forma, a senadora Vanessa Graziotin conseguiu sobreviver numa luta política que apontava para uma derrota no pleito que viesse a abalar sua liderança no interior do PC do B, os 20% de votos foram de longe superados pelos 34% ao término do pleito. O senador Eduardo Braga, entusiasta da candidatura de Vanessa e arquiteto da construção dessa aliança política, sai deste pleito um pouco mais deprimido em razão da derrota nas urnas, sendo que agora, seu mair papel é defender sua própria sustentação no planalto. Mesmo o ex-presidente Lula como quase uma unanimidade regional, deixou a soberba tomar conta e ao provocar o candidato tucano, afirmando aos jornais do sudeste que iria derrotar Arthur Virgilio Neto lá em Manaus. O resultado disto está nos jornais.
 
Agora, os realmente grande derrotados, foram os manipuladores de "Evangélicos" que apostaram cegamente que fariam uma bancada a partir de votos fechados de "suas" igrejas. Dignamente os protestantes (evangélicos) mostraram com sensatez que não fazem parte de grupos e sim de comunidades (igrejas) e que política e religião juntas, sempre se constituíram em um pesado fardo para os cristãos.

Venceu este "Tipo" de Democracia com eleições diretas num país continental e ainda buscando renovar as esperanças no futuro, para lembrar o geógrafo Milton Santos em que cita que a Cidade é o espaço de renovar as esperanças... sempre!