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sábado, 1 de junho de 2019

ANIVERSÁRIO DE UM BURACO, CRÔNICA MANAUARA

FOTO: BURACO.
AUTOR: CUCUNACA, 2019.

Na última segunda-feira, caminhando de volta para casa, após uma manhã de trabalho intenso, caminho em direção á parada de ônibus situada na Avenida Constantino Nery entre a Rua da Maromba e o shopping center Millenium por volta das 12h naquele calor que só os manauaras sabem bem como é, embora tivesse chovido naquela manhã sinalizando a mudança de estação para o período menos chuvoso na região amazônica, o nosso famoso verão.

Entre reflexões e a espera pelo coletivo, eis que caminha pela calçada imperfeita vindo em nossa direção, um senhor negro com uma caixa de isopor, acondicionador dos populares picolés da massa. Em seu caminhar bailado, o vendedor de picolés da massa, pára bruscamente diante de um buraco no chão no interior do abrigo para passageiros e, inclinando-se para trás, ergue uma ode ao buraco, como se o saudasse:

 "Oh meu caro buraco! Meu caro buraco! Há sete anos passo por aqui e você sempre aí. Pelo visto você gosta de mim e em todos estes anos aprendi, incrivelmente, a gostar de ti. E, já se vão sete anos! E hoje, é seu aniversário, por isso, parabéns caro buraco!". 

E, continuou caminhando pelas calçadas imperfeitas até fugir do meu campo de visão. Não era um homem da região, sua tez negra, seu andar bailado, sua voz musicada, denunciavam sua vida cigana. Chegou meu ônibus. Feliz Aniversário Buraco pelos 7 anos! Feliz Aniversário Manaus pelos 350 anos!

domingo, 31 de janeiro de 2016

FIM DE JANEIRO

FOTO: LUZEIRO DO PAÇO DA LIBERDADE, 2015. AUTOR: CUCUNACA, 2015.

Janeiro chegou ao fim. Incrivelmente um mês atípico. Tivemos muito calor em Manaus. Pouco friozinho e poucas chuvas. Anos anteriores, o céu amanhecia em chuva e as tardes eram mais frias com uma leve claridade, ideal para caminhar pelas ruas quase tranquilas do centro histórico da cidade, perceber sua paisagem e suas personagens mais ilustres, as árvores.

Em Janeiro, a brisa fria mexia com os galhos da floresta urbana quase desprovida de carros nas vias. Janeiro, esperei tanto por este mês e ele já se foi. É um mês tranquilo, pois não tenho que aturar os chatos urbanos que vivem a mal dizer a cidade, sem dela extrair sua verdadeira beleza. Sim, os chatos urbanos, estão de férias, ou enfim, me deram férias em Janeiro.

Visito os museus, leio meus livros, caminho pela cidade, ouço os passarinhos, durmo até mais tarde, só um pouquinho e a noite vou as Escolas de Samba, onde minha identidade pulsa e minha infância é mais transparente. Estou em família. Janeiro tem dessas coisas. Ainda encontro, alguns outros andarilhos pela cidade, pequenos poetas, idosos e suas histórias. 

Neste janeiro, há sempre um ar de bem viver, de esperança. Minha escrivaninha limpa, apenas meus óculos e o livro que estou lendo no momento. Em Janeiro, não dou muita atenção a televisão...me intoxica demais! Saio e vou a Novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Aparecida, degusto uma tapioca e quase me desfaço em sabores, na tapioca com café e às vezes, vou de pastel frito com caldo de cana na feira ao lado do santuário. Uma delícia!

Janeiro também é o mês de São Sebastião, cuja procissão em todo dia 20, enche as ruas de fiéis católicos com seus trajes vermelhos em honra ao santo guerreiro, foguetório e uma devoção já tradicional na cidade dos manaú. O belo cortejo em vermelho, é muito fotografado por turistas que em alguns hotéis registram esta bela manifestação de fé.

Em Janeiro, é assim...pacientemente esperarei outro janeiro para ser feliz de novo, no novo ano que vem.

Saudações de um andarilho da cidade.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

POESIA À TOA

Foto: Oficina de Poemas. Autor: Geóg. M. Bechman, 2012.



SEM NOME III
 
Mais um pedaço de poesia
Para essa porra que me azucrina
De tanto me falar em tempo
Me transformou num bobo dessa pantomima.
 
Valente foi El Rei
Que buscou sua amante
No mosteiro
Desfilou nu pelas ruas de Berlim
Dando de boca com um gay.
 
 
 
CAMPANHA
 
Abri a boca contra todos
Encontrei ecos e discórdias
Pensei em nunca mais escrever
Foram longas e tenebrosas horas
 
Atirei quando avançava
Mas a multidão era um Monstro
Sem igual
A barriga gelada ameaçava
Greve de fome, greve total
 
Era nossa luta vermelha-amarela
Caricata, escorregadia e intensa
Era minha fantasia tácida
Um sonhar de aquarela
 
Nossa vida foi passando
Nos esquecemos do sorriso
Escrevi derrota mais derrota
E aos poucos fui cansando
 Caminhei, fui à pé
Sem chegar a lugar algum
Tomei mingau, comi chibé.
Olá companheiro! Não vi nenhum.
 
[Poesias extraídas do Livro "Poesias à Toa" no prelo para lançamento em 2013].
 
Saudações Poéticas!

domingo, 7 de outubro de 2012

MANAUS: ELEIÇÕES E LIÇÕES

Foto: Vista panorâmica da orla de Manaus. Autor: Geóg. M. Bechman, 2011.
Neste domingo, 07 estaremos contribuindo mais uma vez para a eleição dos governantes da cidade, ou para ser muito mais claro, das muitas cidades que habitam em Manaus. Os vereadores são representantes diretos do povo e auxiliam e interferem no governo da cidade. Sob este aspecto, cabe ressaltar o quão é importante a eleição deste co-gestor da cidade. 

Não se governa uma cidade a partir de um olhar unilateral assim como não se governa para grupos pequenos, aliás, as minorias na cidade, em dado contexto também podem se tornar expressão do totalitarismo e da ingovernabilidade, pois em Política, a palavra harmonia cede sempre seu lugar ao consenso, cujo ideal é se governar para todos, mesmo que este ideal seja um objetivo dado aos deuses.


Ao longo de anos, esta cidade "Mãe dos Deuses" vem sendo castigada por gestões e gestores que não se identificam como seus filhos. Ao tomarem o poder pelo caminho da democracia liberal a partir da única forma permitida de expressar sua vontade - o voto nas eleições de quatro em quatro anos, a elite política, nem sempre preparada do ponto de vista acadêmico - finda por comportar-se de forma relapsa, ao abandonar as reais necessidades populares - expondo dessa forma sua indiferença quanto ao presente e ao futuro da cidade. Isto se revela na geografia da cidade, com a retirada arbitrária das poucas árvores urbanas - inclusive com ação de secretarias de estado, com congestionamentos, acúmulo e descaso com os resíduos, igarapés e espaços de lazer abandonados e a memória espacial da cidade, esquecida em sua arquitetura e funcionalidade. Eis o amor dado a Manaus!


Neste pleito, mais uma vez, as Forças Populares (PCdo B, PCB, PT, PSB, PSTU, PSOL) estão corrompidas pelo egoísmo e hedonismo, lutam de forma atomizada, dispersas pela ausência de um paradigma que costure uma unidade ideológica e utópica. Os partidos politicos de tez popular estão a mercê de oportunistas e estagiários a nano-ditadores.


Hoje, vota-se em coligações, partidos e candidatos. Pedimos uma atenção especial aos candidatos que possuam uma formação humanística sólida, capaz de se tornar uma referência contra a desumanização da vida em sociedade. E, isto é independente de coligação e formação partidária.


Não somos de ficar em cima do muro, nesta eleição exercitamos o voto e o convencimento, por isso, peço aos eleitores da minha cidade que ainda não possuem candidatos a vereador que reflitam com serenidade e apreciem duas candidaturas as quais defendemos pelas características de capacidade e humanização, como Daniel Sales Gato 23456 - criador de seis hinos dos clubes amazonenses, intérprete e incentivador das escolas de samba de Manaus, além do pioneiro a publicar um livro sobre as Escolas de samba de Manaus. Colega dos tempos de faculdade, digno e companheiro - e o geógrafo e professor Geolvado 50100 - ex-secretário da AGB Manaus, que corajosamente enfrenta o pleito para vereador de Manaus -  seria um presente á cidade de Manaus.

Vamos ás Eleições! 

domingo, 29 de julho de 2012

BOLETIM AMAZONESE DE GEOGRAFIA

Foto: Boletim Amazonense de Geografia. N° 2.
Autor: Geóg. M. Bechman, 2012


Garimpando no acervo de publicações da AGB seção Manaus, encontramos preciosidades da Literatura geográfica sobre o espaço amazonense. No Boletim Amazonense de Geografia n° 2 encontramos a preciosa contribuição de intelectuais como a Geógrafa Paulista Ana Fani Alessandri Carlos problematizando o Meio Ambiente Urbano e o Discurso Geográfico, bem como, as preocupações com a estética do espaço urbano a partir da construção dos monumentos na paisagem de Teodósia Sofia Lobato Correia, que traz á tona um tema clássico sobre a arquitetura da cidade, além de outros temas de grande interesse sobre a Cidade e a Loucura e Manaus e seu projeto de Modernidade do renomado autor Otoni Moreira de Mesquita.

A obra pode ser adquirida ao valor simbólico de R$ 15,00 (Quinze reais) para os não-associados e R$ 10,00 (Dez reais) para os sócios-adimplentes da AGB seção Manaus. Os exemplares clássicos, estão a preço de custo, e só poderão ser adiquiridos pelo correio eletrônico: mauro.bechman@gmail.com . Boa Leitura!

Saudações Geográficas!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A MÍDIA, GEOGRAFIA E CRISE NO RIO

FOTO: APARELHO DE TELEVISÃO ANALÓGICO. AUTOR: CUCUNAC.A, 2014


Nesta postagem, buscarei apresentar algumas utilizações do conhecimento geográfico para a teia de composição da crise urbana e ética no Rio de Janeiro com os eventos recentes de re-territorialização por parte do Estado de áreas de inércia social. A aplicabilidade dos saberes e dos conhecimentos da Geografia revelam o quão são atuais e estratégicos este conjunto teórico-metodológico que compôe a ciência geográfica para o uso a serviço do Estado e ou dos movimentos sociais.

A GEOGRAFIA NA MÍDIA

Com os acontecimentos atuais sobre a crise social e ética no Rio de Janeiro a Geografia ganhou destaque especial por apresentar-se de forma difusa na análise das categorias, conceitos e ações correlacionadas ao pensamento geográfico. Categorias como espaço e território foram muito vulgarizadas durante a cobertura da crise no Rio de Janeiro. A mídia como grande vedete da atualidade expôs direta e indiretamente esta aplicabilidade dos conhecimentos e saberes geográficos.
Inicialmente, poderíamos verificar no uso já clássico dos aparelhos de Estado presente na literatura militar destes conceitos ligados ao território. Notadamente, a retomada do complexo do Alemão (Conjunto de Favelas) pelas forças de segurança do Estado não teria a mesma eficácia operacional não fosse o conhecimento estratégico do território a partir das ferramentas das geotecnologias e do conhecimento de redes geográficas, no seu contexto cultural, social, geomorfológico e topográfico. Ainda assim, poderíamos descrever a importância da configuração de um espaço urbano densamente povoado e uma cidade que se globaliza com a velocidade da mídia que expõe a cidade do Rio de Janeiro como um espaço de consumo e signo do prazer.
Os mapas mentais, as representações imagéticas de um mundo particular, uma Geografia própria de cada morador, presente no seu próprio ser, transfere para o mundo a sua espacialidade presente nos desenhos de representação do seu espaço de vida, o que se revela numa ferramenta de entender que a própria reprodução social e do estado estaria sendo comprometida por uma visão para as futuras gerações de que o mito do super homem estaria fugindo á percepção do Estado e caminhando em direção a uma iconografia ligada ao mundo marginalizado produto das relações desiguais de apropiação do espaço geográfico.
A partir desta página cotidiana exposta á exaustão na mídia, temos a clareza da aplicabilidade da Geografia enquanto uma ciência do poder, seja ela exercida para o bem ou para o mal da sociedade. No episódio do Rio de Janeiro, podemos ver claramente a Geografia desfilar, desvelar e o seu poder estratégico de construir e reconstruir espaços, de fazer a guerra, mas sobretudo de construir a Paz.
O Rio de Janeiro, ainda demorará um pouco para ser feliz, haverão sacrificios a serem feitos, Estado e sociedade precisarão efetivamente de um diálogo que não seja pela imposição das armas e nisto a mídia e a Geografia tem um papel essencial, o de vetores para uma vida melhor.

Saudações Geográficas!